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3 de mai. de 2013

HANNIBAL

O que nos torna psicopatas? Já nascemos com essa predisposição? É genético? O cotidiano pode nos direcionar para esse caminho?
Todos nós somos um pouco Psicopatas?
O neurologista Ricardo de Oliveira Souza se dedica há 30 anos à pesquisa de cérebros psicopatas. E como, sou apaixonada pelo assunto e às vezes tenho medo dos meus pensamentos(ainda não viraram atitudes) resolvi falar um pouco sobre um filme que amo e pontuar algumas 'curiosidades' sobre o tema[o qual é recorrente neste blog]. Parece, que ninguém é totalmente livre de uma atitude psicopata ,não é? Levante a mão quem nunca mentiu para levar vantagem(que fique registrado que isso não fiz, ok?), quem nunca teve ódio aniquilador de seu vizinho barulhento, que insiste em dar veneno ao seu cachorro(done)? quem nunca teve vontade de ver toda família do vizinho(que só provoca sua mãe) empilhada pelo quintal afora(done)?quem nunca não fez algo de bom ao outro somente por estar em um dia ruim? 
Pois é, nesta linha tênue seguimos com nossa mente, até aí, tudo bem e todos somos um 'pouquinho' psicopata. O problema está quando essas atitudes(ou pensamentos) se tornam um padrão recorrente aí o que temos a fazer? 
Abaixo, segue um pedacinho da pesquisa sobre Psicopatia do Dr. Ricardo de Oliveira Souza(52 anos, Neurocirurgião, formado pela UFRJ, pesquisador do Centro de Neurociências da rede Labs-D'Or)
Dr. Ricardo de Oliveira, explica que nossa mente é um detector que emite julgamentos morais o tempo todo. De vez em quando, escorregamos e caímos mais para o lado psicopata, egoísta." no fundo todos somos egoístas.A verdade é que, morfologicamente, nosso cérebro demonstra ativar áreas de bem estar quando fazemos coisas boas a alguém.O que nos leva a questionar qual a verdadeira motivação de fazer o bem? Por outro lado, no limite somos mais psicopatas do que imaginamos? Neste ponto, pode ser. As lesões cerebrais do psicopata envolvem mais do que isso e definitivamente não tem cura.Trabalhamos para detecção mais precoce.

Quem é o oposto do Psicopata? Nos primeiros estudos de ressonância magnética, demonstramos, entre outras coisas, que todos nós temos um radar, chamado detector moral. Ele fica ligado o tempo todo e nos faz emitir julgamentos morais sobre tudo aquilo que vemos, de forma natural. Um segundo estudo que fizemos nos EUA foi para pontuar o grau desses julgamentos.Imagine uma linha onde, em uma ponta,está o antissocial, que é psicopata. A maioria da população oscila no MEIO, a cada momento pendendo para um lado. Na outra ponta está o altruísta,o pró-social. Pode-se dizer que cerca de 5% da população em geral são exemplares morais.É esse cérebro que agora estamos estudando.
 
Conflitante, não é? Ou seja, para psicopatas que viram criminosos as únicas leis são as suas próprias.Onde crueldade e o poder sobre pessoas lhes dão prazer. Bem semelhante, ao nosso filme de hoje.
Quem adivinha?
Um filme norte-americano do gênero suspense, dirigido por Ridley Scott e lançado em 2001, terceiro filme em que aparece o personagem "Hannibal Lecter"; os demais foram Dragão Vermelho (de 1986 e refilmagem de 2002) e O Silêncio dos Inocentes (1991)Em 2007 foi lançando um quarto filme, com Gaspard Ulliel e Gong Li, contando a infância e juventude de Hannibal Lecter e como ele se tornou o famoso canibal dos cinemas.Jonathan Demme, diretor de O Silêncio dos Inocentes, preferiu se afastar desta continuação por considerar a história muito violenta.Jodie Foster, que interpretou Clarice Starling no primeiro filme, decidiu não participar desta sequência por não concordar com os rumos tomados por sua personagem, os direitos de filmagem do livro lançado(1999) que deu origem ao filme pelo escritor Thomas Harris, foram vendidos a Dino de Laurentiis por US$ 10 milhões, o mais alto valor já pago até então por um produtor para adaptar um livro para o cinema, o final do filme é diferente do final do livro pois, de acordo com o diretor Ridley Scott, o final do livro era infilmável. O escritor Thomas Harris concordou com a mudança,o filme teve um orçamento de US$ 80 milhões e só nas duas primeiras semanas nos cinemas obteve mais de US$ 100 milhões, apenas nos Estados Unidos. 
No elenco,  Anthony Hopkins, Julianne Moore, Gary Oldman, Mason Verger, Ray Liotta entre outros, que fecham com perfeição este filme.
Qual é o filme?
                                                                           Se você, gritou em alto e bom som: Hannibal. 
Acertou em cheio. No filme, temos nosso (delicioso) Dr. Hannibal Lecter, um canibal que há dez anos fugiu da prisão, vive tranquilamente pelas ruas. Porém, a agente do FBI, Clarice Starling, nunca se esqueceu da conversa que teve com Lecter antes que esse fugisse, sendo ainda aterrorizada por sua voz fria. Entretanto, o milionário Mason Verger , uma vítima e sobrevivente do ataque de Lecter, procura vingança e usará Clarice como isca. O filme todo é um deleite. Porém, algumas cenas são majestosas.Como é o caso da cena do banquete incomum regado a sangue, maldade, obsessão, ganância e sede de vingança; o personagem principal, nos mostra sua destreza e compulsão por carne humana.Temos um Anthony Hopkins, em uma atuação visceral e marcante.Óbvio, que se comparado ao filme, Canibal Holocausto, Hannibal parece 'brincadeira de criança' um excelente cartão postal da bela Florença, um pouco de sangue e nada mais.Muitos dizem, que Ridley pecou em fazer um filme tão 'lado B' como este e que o único diretor autêntico, no que se diz suspense/terror, foi o nosso adorado Stanley Kubrick. Mesmo com todas críticas, talvez por ser fã de Hopkins e secretamente adorar a 'companhia' de serial killers, no café da manhã(vide Michael C.Hall) adoro este filme. Porém,quero destacar um comentário pertinente, sobre o longa:
 by Daniel Galera
"Quem já assistiu Hannibal e principalmente quem leu um bom punhado de resenhas que detonam o filme, tem OBRIGAÇÃO de ler esse artigo na Salon, de autoria de um escritor e um filósofo:
Os caras entendem que Hannibal é uma obra-prima, um dos mais autênticos filmes sobre o amor dos últimos tempos, e chegam a comparar o personagem do Lecter com Nietzsche. Provável exagero, mas o texto nos força a repensar o filme e a opinião consensual da crítica de que se trata de um abacaxi sem nenhuma possibilidade de redenção.
Quando eu assisti, saí com uma impressão dividida, o filme tem várias incongruências narrativas e coincidências meio absurdas, mas tem realmente uma porção de cenas impressionantes, principalmente na parte final. A cena do cérebro é uma das coisas mais chocantes que já vi no cinema, e não sei dizer se ela possui apenas choque vazio, ou se é uma sátira genial da ultra-violência no cinema americano. Uma coisa é preciso admitir: a sequencia final, desde o despertar da Clarice, passando pelo banquete macabro, até a mão decepada, foi concebida de maneira admirável pelo Ridley Scott, e resolve o filme de tal maneira que não se pode descartá-lo como lixo sem uma ponderação mais cuidadosa.
Eu li o livro do Thomas Harris e achei uma bosta. A história está fielmente reproduzida no filme do Scott, logo continuou a mesma bosta. Mas essa tensão mais passional entre o Lecter e a Clarice é algo novo, exclusiva do filme; a atração entre eles é intrigante e pode merecer alguma atenção, mesmo que pra isso a gente precise ignorar todas as falhas do enredo. E a cena do corte da mão algemada é um daqueles casos típicos onde uma narrativa tem desfecho ao mesmo tempo óbvio e surpreendente, como nos bons contos. Causa surpresa, seguido da sensação de que aquela era a única coisa que poderia e deveria acontecer.
E então, Hannibal é um thriller de terror absurdo e descartável, uma história de amor sarcasticamente oculta atrás de violência indigesta, ou um pouco de ambos? Ainda estou pensando nisso..."
De: Gerbase
Vou ler esse artigo e depois conversamos. Me cobra. Mas acho MUITO difícil transformar essa Hannibal em obra-prima. Com aqueles javalis? Com aqueles personagens idiotas? Com aqueles ventiladores de teto? Com aquele conflito de Briggite Monfort? MUUUUUITO difícil. E NÃO é uma história de amor. Se fosse, talvez ficasse bem interessante."
Leia mais emDr.Gerbase

Parece, que este tal de Dr. Gerbase é um entendido da sétima arte, não é? rs.
 Voltando, ao filme e nosso papo sobre Psicopatia. Vejo no filme um personagem, brilhante, urbano e totalmente insano. Ele é um assassino 'gourmet' que combina os prazeres de sua vida dupla[matar e comer] com eficiência admirável. Para mim, Hannibal é hipnoticamente mal, frio, calculista e deliciosamente essencial. O que às vezes, me deixa um grama chocada com boa parte a população é o seguinte, algumas vezes muitos adoram filmes com essa temática, não é? Por que, quando vemos essa situação na vida real, muitos acham um absurdo? Como foi o caso de Jeff Dahmer, que matava, violava e comia meninos. Um homem, bom de lábia, na época 31 anos que convenceria a Polícia que um menino asiático de 14 anos, que corria pelado em plena 2 da manhã era seu namorado, então tá né?! Dahmer, seria uma das inspirações para o livro de Thomas Harris? Ele nasceu em Wisconsin(EUA) em 1960, e passou a infância quieto, sem amigos. Um dia seu pai sentiu um cheiro horrível no porão, onde achou uma pilha de ossos de animais. Jeff, tinha 4 anos e começou a pensar em defuntos aos 14 anos, mas só realizou seu 'sonho' aos 18 anos. Deu carona a um rapaz e o levou ao seu quarto para transarem. Depois o matou com uma pancada na cabeça, picou o corpo e o enterrou no quintal. Com uma vida adulta, desregrada, largou a universidade, empregos, não durou no exército, bebia e se envolvia em atentados ao pudor.Quando foi julgado, conseguiu passar a perna no juiz:"Imploro, poupem meu emprego, me deem a chance de mostrar que posso tomar rumo". E deu certo,rs. Após, 10 meses, estava livre e se mudou para casa da avó. Levou o corpo da segunda vítima para o porão, transou com o cadáver e o desmembrou. Cansada dos barulhos, sua avó o expulsou. Dahmer, alugou um apartamento: ambiente ideal, para, em 15 meses, matar mais de 12 rapazes. Teria matado mais se não fosse o azar em Julho de 1991. Policiais viram na rua outro jovem correndo algemado. Ele dizia que um louco tentava matá-lo.

Os policiais foram até o apartamento de Dahmer. Quem abriu a porta foi um homem calmo,eloquente,que se ofereceu para soltar as algemas. Até então, uma brincadeira erótica? Rá, não foi bem isso que os policiais notaram. Quando entraram no apartamento[muito bem arrumado] sentiram um cheiro nauseante. Acharam fotos de cadáveres, cabeças no freezer, mãos decompostas, vários pênis conservados em formol, alguns relatos mostraram que ele chegou a abrir com uma broca a cabeça de alguns rapazes vivos para injetar ácido muriático. Jeff, queria ver se eles virariam zumbis.Outro aspecto interessante do relato foi, o lado Chef de Dahmer(semelhante ao nosso Lecter) para descarnar cabeças, ele cozinhava-as. Chegou até ao canibalismo:confessou ter se servido do bíceps de sua oitava vítima.Para melhorar o gosto, refogou com vegetais. Por fim,  Dahmer, foi preso.
O que passava na cabeça dele? teria se perdido na loucura? Ou seria mais um psicopata frio, calculista e brilhante? Após, ouvir psiquiatras, o jurí decidiu que ele sabia o que fazia. E sua sentença seria perpétua.
Em sua 'nova casa', ele foi morto por seu colega de cela, em 1994, ano em que foi batizado como 'cristão'.
Fico curiosa, em saber como é a anatomia do cérebro de um psicopata. Neurocientistas britânicos identificaram diferenças anatômicas no cérebro de psicopatas que podem explicar as origens biológicas deste distúrbio frequentemente associado a comportamentos criminosos.o estudo publicado na revista Molecular Psychiatry revelou modificações discretas, mas significativas, numa área conhecida como fascículo uncinato, uma via composta por matéria branca (formada pelos axônios dos neurônios) que conecta as duas estruturas anteriores.Essas alterações foram detectadas por meio de tractografia – um tipo específico de ressonância magnética funcional usada para varrer o cérebro de pacientes, em processo pré-cirúrgico, em busca de tratos neurais. Os resultados revelaram ainda que o grau de anormalidade observado nessa região se correlacionou positivamente à gravidade do distúrbio. Segundo os autores, as evidências sugerem fortemente uma base biológica da psicopatia, embora não seja possível afirmar ainda se estas alterações são inatas ou adquiridas ao longo do desenvolvimento cerebral. 



Outro exemplo, de um filme inspirado em um Psicopata(vida real) foi Psicose(1960), de Alfred Hitchcock, escrito por Joseph Stefano, é inspirado na vida de Ed Gein, que cometeu assassinatos em Wisconsin, nos Estados Unidos.
Parece, que somos fascinados pelo lado oculto do nosso SER, não é? Pelo menos na ficção, parece que sim,rs.
Ou não[risada maléfica] e encerrando o post!




8 de set. de 2012

Martha Beck: Quando um Coração Solitário Mata


Aqui no blog já foi comentado sobre casais assassinos e o estrago deixado por eles. Este é mais um destes casos, onde duas pessoas em sintonia maligna unem-se no intento de levar suas fantasias mais perversas ao concreto. Alguns se conhecem pelo acaso, outros - como na história de Martha e Raymond - estavam procurando encontrar. 

Martha era uma mulher insegura com seu peso, oriundo de um problema glandular que também causou-lhe uma puberdade precoce. Durante seu crescimento Martha teria sido abusada sexualmente por seu próprio irmão. Ao contar a sua mãe, esta agrediu-lhe afirmando que a culpa era dela. Depois disto o assunto foi ignorado e ela continuou estudando até formar-se em enfermagem, entretanto, não conseguiu emprego mafacilmente devido ao seu peso. Quando conseguiu foi numa funerária. Mas, não aguentou muito tempo e largou o emprego para ir a Califórnia.

Foi aí que ela conseguiu trabalho num hospital e engajar num comportamento sexual lascivo. De uma destas aventuras acabou engravidando, todavia, o pai não quis assumir a criança. Sem alternativa, ela retornou a sua cidade e inventou a história de que estava casada com um soldado, o qual faleceu em combate. Sua filha nasceu e pouco tempo depois ela retornou a engravidar, desta vez casou-se com um motorista de ônibus chamado Alfred Beck. O casamento não durou e ao ver-se com dois filhos e sem perspectiva, Martha procurou uma resposta escapista em revistas, livros e filmes românticos. Isto tudo até 1947, quando ela colocou um anúncio na sessão "Lonely-Hearts" - Corações Solitários - de um jornal; Este foi respondido por Raymond Fernandez.

No instante que estes dois ingressaram num romance intenso o rumo de suas vidas cruzaram com a de suas vítimas; Martha perdeu o emprego, entregou seus filhos para o Exército da Salvação e passou a aplicar golpes junto com Raymond. Tais golpes consistiam em Martha posar de irmã de Raymond, enquanto este seduzia a vítima e retirava-lhe dinheiro. Beck sempre mostrou-se ciumenta e violenta com a possibilidade de Fernadez engajar numa relação sexual com as vítimas, assim, sempre vigiando de perto.

Aos poucos o temperamento colérico de Beck evidenciou-se, sendo que em 1949 a dupla matou 3 pessoas:  + Janet Fay: A mesma, com 66 anos, ficou noiva de Raymond durante uma das ações da dupla; Contudo, Beck flagrou os dois na cama e deu uma martelada na cabeça dela e depois a estrangulou;
Delphine Dowing e sua filha: O golpe seguinte foi na jovem viúva Delphine, a qual possuía uma filha de 02 anos, esta passou a manter um comportamento agitado que era manejado pela dupla através de comprimidos. Num dia a garotinha de 02 anos caiu num choro descontrolado e Beck irritou-se matando-a afogada numa bacia de água. A vitimização por assassinato foi o destino de Delphine. As duas foram enterradas no porão da casa. Os vizinhos estranharam e denunciaram. Foram presos em 28 de fevereiro de 1949.

O julgamento foi extremamente sensacionalista, especialmente no que tangia ao comportamento sexual do casal. A sentença final foi a execução na cadeira elétrica, a qual ocorreu em 1951.

A história destes assassinos em lua-de-mel teve duas versões cinematográficas, uma de 1969 chamada de The Honeymoon Killers e Lonely Hearts de 2006 - gosto mais da versão antiga -, seguem os trailers: 



My story is a love story. But only those tortured by love can know what I mean [...] Imprisonment in the Death House has only strengthened my feeling for Raymond....


25 de ago. de 2012

Amor doentio... casais que matam!

Ontem eu terminei de ler o livro "Serial Killers - Nas mentes dos monstros" de Charlotte Greig. Quando comecei a folhear as páginas dessa obra, pensei em uma postagem sobre alguns dos assassinos em séries apresentados nele. Fiquei tentada em publicar algo sobre as mulheres assassinas, citadas pela autora. Contudo, quando li a sessão "Amantes demoníacos" achei que seria interessante publicar à respeito. Fiquei espantada com o relacionamento desses casais apresentados de forma detalhada, no livro em questão. Assustador! Principalmente, diante do pressuposto de que os assassinos em séries são pessoas solitárias e que gostam de agir em segredo, ou seja, sem compartilhar com outros suas fantasias terríveis. Com isso, quando encontramos casos de pessoas que encontram outro ser tão doente quanto(ou mais) para realizar suas fantasias inescrupulosas, ficamos de fato boquiabertos.


Diante disso, irei apresentar na sessão "Terror" de hoje alguns dos amantes doentios, que são abordados no livro. São eles:

Ian Brady and Myra Hindley
Conhecidos como "Os assassinos dos pântanos", Ian Brady e Myra Hindley foram vistos como a própria personificação do mal. De maneira brutal eles torturaram e mataram pelo menos cinco crianças no início dos anos 1960. O que deixou todos ainda mais chocados e revoltados foi o fato de uma mulher estar envolvida nessa monstruosidade, ainda mais porque até então só se ouvia falar de homens envolvidos em casos de assassinatos em série de cunho sexual, envolvendo crianças. Não é à toa que Hindley se tornou ainda mais odiada do que o autor principal dos crimes, Ian. O ápice da loucura de Ian aconteceu quando ele começou a se vangloriar de seus crimes para o cunhado de Hindley, David Smith. Quando este não acreditou, Brady fez com que Hindley levasse Smith à sua casa no dia 6/10/1965 para que ele presenciasse o assassinato de sua mais recente vítima, Edward Evans. Contudo, o rapaz ficou aterrorizado e fez uma denúncia formal à polícia que chegou ao local e encontrou o corpo. Depois de uma investigação detalhada encontraram fotos e uma fita com o assassinato de uma das vítimas. Os dois foram condenados à prisão perpétua. Estima-se que houve mais vítimas do que 5 vítimas.
 Charles Starkweather e Caril Ann Fugate
Casal composto por uma adolescente de 13 anos de idade, apaixonada pelo rapaz de 19 anos, rebelde, que adotava "estilo" de se vestir de James Dean. Uma história assustadora que pareceu motivada não apenas pela extrema violência, mas também por sua curiosa falta de inteligência. Em dezembro de 1957, em meio a uma grande discussão com a mãe de Caril(13 anos), quando Charles(19 anos) foi até a casa da garota para vê-la, ele teve um ataque de fúria, atirou nos pais dela e esfaqueou até a morte a irmã pequena de sua namorada. Quando Caril chegou da escola e viu o que tinha acontecido, ajudou Charles a limpar todo o sangue e os dois ficaram por vários dias, sozinhos, na casa. Sempre que chegava alguém para visitar a família, a menina dizia que todos estavam com "gripe" e não podiam receber ninguém. Até que a polícia chegou para investigar e o casal acabou fugindo. Depois disso os dois fizeram uma "farra" de assassinatos até que fossem pegos, em janeiro de 1958. Starkweather foi condenado à morte e Fugate, por sua pouca idade, recebeu prisão perpétua. 

Douglas Clark e Carol Bundy
Na época em que foram presos os críticos fizeram comentários à respeito de suas diferenças físicas, dizendo que os dois formavam um casal incomum, pois Douglas era um homem rico e sedutor, com inúmeras garotas em sua 'cola', enquanto Carol era uma mulher divorciada, com óculos de lentes grossas e problemas de peso. Acredita-se que Bundy tenha embarcado na "onda" de Clark por sua carência afetiva(aliada ao seu ledo 'sombrio', também, claro!). Não demorou muito para que Clark percebesse que Bundy seria a mulher perfeita(e imensamente manipulável) para que ele pudesse colocar suas perversões criminosas em prática. Bundy foi sentenciada à prisão perpétua e Clark recebeu a pena de morte.

Paul Bernado e Karla Homolka
Dois belos jovens de classe média, envolvidos em crimes bizarros. Bernado e Homolka tramaram juntos o estupro, tortura e assassinato de pelo menos 3 jovens, incluindo a irmã mais nova(15 anos) de Karla. Quando os assassinatos foram descobertos, Homolka se colocou como mais uma vítima, apenas, e aceitou fazer uma barganha onde ela assumiria a responsabilidade de homicídio culposo e receberia uma pena de 12 anos em troca de seu testemunho contra Bernado. Durante seu julgamento, em 1993, ela culpou seu abusivo marido Paul por todos os crimes, fazendo o papel de esposa abusada, recebendo a sentença combinada, no entanto, 2 anos depois, durante o julgamento de Paul Bernado, evidências mostraram que ela também estava diretamente envolvida nos assassinatos, permitindo que todos conseguissem perceber o quão solícita a cúmplice Karla havia sido durante o estupro e assassinato de duas vítimas. Bernardo tentou jogar toda a culpa na esposa, contudo as gravações em vídeo era altamente comprementedoras e ele recebeu prisão perpétua. Homolka ficou presa até 2005(o que gerou grande revolta entre a população canadense).

Fred e Rosemary West
Os crimes desse casal, de uma família aparentemente normal, chocaram o povo da Grã Bretanha, quando foram descobertos. Assassinatos que aconteceram por mais de 20 anos. Entre os corpos encontrados em sua casa, estavam os de Charmaine(filha de Fred com sua antiga esposa, foi morta por Rose num ataque de fúria), Heather, filha do casal e Rena(mãe de Charmaine, quando ela veio em busca da menina). Um total de 9 corpos foram retirados do pátio da residência dos West, bem como os corpos de outras vítimas em locais diferentes, achados posteriormente. Uma semana depois de terem sido acusados de assassinatos(dezembro de 1994) Fred se enforcou na cadeia. Rose recebeu pena de prisão perpétua.

As informações para essa postagem foram retiradas do livro citado no início: "Serial Killers - Nas mentes dos monstros" de Charlotte Greig.

Câmbio, desligo!

18 de ago. de 2012

Aileen Wuornos: O Monstro da Insanidade

Via Tumblr.
O termo Serial Killer já traz em si o pressuposto de insanidade. Difícil imaginar que alguém em perfeito balanço mental sairia por aí matando pessoas, por mais elaborados e bem planejados que os crimes fossem. Contudo, alguns casos assombram pelo grau de "loucura" envolvido. Esta é a situação de Aileen Wuornoos, a qual ficou conhecida mundialmente após sua história virar o filme Monster - Desejo Assassino. Aileen matou 7 homens baleados por diversas vezes: Richard Mallory, 51 anos; Charles "Dick" Humphreys, 56 anos; David Spears, 43 anos; Charles Carskaddon, 40 anos; Peter Siems, 65 anos; Troy Buress, 50 anos; E, Walter Jeno Antonio, 62 anos.

A vida da assassina nunca foi fácil, o que não é novidade no quesito de matadores em série, começando por sua infância. Filha de um homem condenado por abuso de menor foi abandonada conjuntamente com seu irmão Keith por sua mãe, passando a morar com sua avós maternos. Ali  passou a demonstrar os primeiros sinais de uma psique alterada quando se autoinflingiu queimaduras causando-lhe cicatrizes no rosto. Neste período passou demonstrar um comportamento sexual atípico, tendo vários parceiros, inclusive, seu irmão. Aos 13 anos ficou grávida e seu bebê colocado em adoção - já aqui ela afirmava ter sido estuprada. Sua avó veio a falecer e seus problemas com a justiça passaram acontecer, assim, quando Aileen tinha 15 anos foi expulsa de casa por seu avô. Sua vida na marginalidade e prostituição começara.

Os anos que se seguiram foram recheados de idas e vindas no sistema prisional, evidente desrespeito com autoridade e violência. Wuornos chegou a casar-se com Lewis Gratz Fell, 70 anos, presidente de um iate clube. Durante o matrimônio agrediu seu marido com a própria bengala, claro que ele conseguiu uma ordem de restrição contra ela. Entretanto, o relacionamento mais conhecido de Aileen foi com Tyria Moore, companheira dela na época dos crimes. As duas passaram a usar o dinheiro e carro das vítimas, o que acabou, eventualmente, conduzindo os policiais a pista para a solução dos crimes.

Aileen Wuornos durante o julgamento insistiu ter agido em legítima defesa, apesar de não haver provas de tal. Todavia, houve sinais de evidente desequilíbrio psiquiátrico por parte dela durante o julgamento, o que não a livrou da condenação de morte por injeção letal. Sua execução ocorreu em 2002, antes disto há uma filmagem dela relatando seus últimos momentos. O vídeo segue, mostrando um estado mental completamente alterado:



Como em outras tantas histórias de assassinos em série, a vida de Wuornos foi desvirtuada e assombrada por uma visão perturbada do mundo. A resposta, combinada com a insanidade, resultaram num monstro. 
Disease, insanity, and death were the angels that attended my cradle, and since then have followed me throughout my life. 

11 de ago. de 2012

A Metamorfose de Buffalo Bill

Imagem retirada DAQUI
Para mim o filme de serial killer a ser batido é, com certeza, O Silêncio dos Inocentes. Adoro cada detalhe de sua construção, seus personagens e o cuidado de mostrar o lado obscuro de forma inteligente. Neste ponto, a atuação dos intérpretes da trama é essencial para se captar todas as magnitudes e nuances envolvidas - Hannibal Lecter que o diga! 

Ao soar o nome das película, logo se pensa na mitológica figura do psiquiatra canibal, contudo, outra persona dá show em suas neuroses e patologias assassinas: Buffalo Bill, interpretado com precisão por Ted Levine. Logo cogitei falar sobre este quando o assunto LGBTT transformou-se na temática semanal. O motivo? Acho que é bem resumido por esta citação do filme:
Look for severe childhood disturbances associated with violence. Our Billy wasn't born a criminal, Clarice. He was made one through years of systematic abuse. Billy hates his own identity, you see, and he thinks that makes him a transsexual. But his pathology is a thousand times more savage and more terrifying. - Hannibal Lecter
Buffalo era um transexual que foi levado aos extremos quando seu desconforto corporal, seguido por anos de abusos, transformaram-se em um ódio por quem ele era. Não se tratava de estar vivendo dentro de uma morfologia corporal errônea, mas sim, de ser toda uma pessoa errada.

Para quem não assistiu ao filme - corra ver - ou não se recorda muito bem, Bill é procurado por estar matando garotas plus size e retirando a pele delas. Seu intento é todo focado na necessidade de, literalmente, costurar uma nova identidade pessoal. Assim como na situação de Norman Bates, fico imaginando o inferno que o trouxe a tamanhas atrocidades. Uma das cenas mais emblemáticas para o deslindar do psicológico de Buffalo é a que segue; Dançando em frente ao espelho percebemos quem ele anseia ser. 


Outro uso belíssimo de metalinguagem artística é o casulo de uma mariposa depositada junto aos corpos. Ali se vê a esperança em fase de mutação, uma metamorfose que lhe foi negada sendo tomada a força.

O filme não mostra qual seria o passado sombrio de Buffalo Bill, entretanto, seus atos desesperados e desequilibrados demonstram uma "fé" maquiavélica de que, se a sociedade não lhe permitiu alcançar o que seu eu interno gritava, os fins justificariam os meios.

Aviso: Falo aqui de uma personagem. De maneira NENHUMA tais análises PESSOAIS refletem o real estado de um transexual. Esta é uma coluna dedicada ao terror visando ao entretenimento tão somente. Ademais, confiram as postagens da semana LGBTT

4 de ago. de 2012

Mary Bell: Quando uma Criança Mata

Retirada DAQUI
É estranho imaginar que um ser frágil como uma criança é capaz de matar alguém. Ainda mais se for uma bela menina de olhos claros. Contudo, o mundo é um lugar imperfeito, as aparências enganam e o passado - por mais curto que seja - interfere na visão de mundo. Quando o assunto é crime as justificações são dúbias e nunca concretas; Mas, quando as coisas são encaixes exatos do real?

Mary Bell tinha apenas 10 anos - na verdade, um dia antes de completar 11 anos de idade - quando ela matou a primeira vez. Voltou a assassinar com 11 anos. Suas vítimas foram dois menininhos, Martin Brown de 4 anos - o qual foi estrangulado - e Brian Howe de 3 anos - estrangulado, perfurado nas coxas e genitais e  cravado um M na sua barriga com uma lâmina de barbear. Houveram outras acusações de tentativas de estrangulamento dela contra quatro meninas. A natureza cruel de seus atos e a pouca idade da garota tornaram o seu caso muito expoente, havendo as mais variadas teorias sobre sua postura social e psicológica. Seria ela um monstro ou vítima das circunstâncias?

A vida familiar de Mary era completamente desestruturada, sua mãe era prostituta, além de ser uma ausente. Bell nunca chegou a conhecer seu pai. Em compensação sua mãe aplicava castigos severos, chegando a permitir - forneceu o consentimento - que ela fosse abusada sexualmente, isto tudo antes dela completar 5 anos de idade. Alguns familiares afirmaram que a mãe de Mary Bell tentou matá-la e fazer parecer acidente. Durante o seu julgamento psiquiatras deixaram claro que havia sinais de psicopatia nela - Mary chegou a declarar que: "Eu gosto de ferir os seres vivos, animais e pessoas que são mais fracos do que eu, que não podem se defender" -, influenciando para que a mesma fosse condenada a prisão por tempo indeterminado, mediante avaliações psiquiátricas.

Durante o seu aprisionamento não possuiu o melhor comportamento, tentando fugir da Prisão de Moore, local onde foi designada. O tempo passou e após muitos tratamentos e avaliações ela foi liberada em 1980, com 23 anos, sob supervisão. Teve alguns empregos que não foram bem sucedidos, em parte pela preocupação de que voltasse a transgredir, como no caso de uma enfermagem para crianças. Mais tarde engravidou e teve que lutar pelo direito de criar sua filha, a qual nasceu em 1984, uma vez que evidente o zelo perante seu passado. Neste ínterim, foi-lhe concedido o anonimato, bem como o de sua filha. Todavia, em mais do que uma ocasião foi descoberta e coagida. Em 2007, depois da morte da sua mãe Mary Bell aceitou ser entrevistada, o que resultou no livro "Gritos no Vazio". As últimas notícias que se tem dela é que hoje está casada, é avó e vive sob o medo da exposição.

Deixo aqui o episódio completo de uma série de cunho documental chamada "Children of Crime" lançada em 1998, o qual conta sobre o caso de Mary Bell - áudio em inglês

"Brian Howe had no mother, so he won't be missed."

28 de jul. de 2012

Playlist Bad Girls

Via Tumblr.
Dizem que, enquanto as boazinhas vão para o céu, as garotas malvadas vão para qualquer lugar; Então, como nesta sessão de terror eu já falei destas bad girls dentro do universo cinematográfico, da literatura e da realidade, resolvi dar uma pesquisada e ver como elas estavam sendo representadas dentro do cenário musical. Com isto, montei a playlist que segue, passando de mulheres assumindo o seu lado mais sombrio até eles reclamando da malvadeza delas. Peguem mais uma dose da sua bebida preferida e soltem suas feras ao som de:

E começo a listagem de músicas com a canção tema do nosso Vlog; A ousada voz de Ida Cox canta sobre a leveza de ser e viver no lado mais selvagem da história, sem o blues.

Tão purrfect é a Eartha Kitt miando aos quatro cantos do mundo que seu estilo garota boazinha nada lhe trouxe, a não ser cansaço. Estava mais do que na hora em ser má. 

Pode até ter sido por um momento de insanidade, mas, Marisa Orth agiu de forma extrema. E não dá para deixar de entender, quando a mulher é atingida assim na TPM....

Quem assistiu ao ótimo Assassinos por Natureza sabe que a voz hipnotizante de Juliette é um hino aos verdadeiros seres nascidos de pura maldade.

Talvez aqui não seja nem a questão do ser má, mas sim, de assumir seu papel feminino e provar que não há nada de degradante em ser mulher. You go Madonna!

"Live fast, die young; Bad Girls do it well" é com certeza um mantra para as mais ousadas e irresponsáveis mulheres, movidas pela emoção como a inglesa M.I.A. 

Quando tudo o que você deseja é aquele cara, sendo capaz de assumir os riscos mais loucos para tal, o resultado pode ser extremamente perigoso. Fergie demonstra muito bem o que é isto.

Todos temos a maldade arreigada em nossas almas, basta saber como e quando acessá-las. Hinder traz a opção dos sonhos, melhor dizendo, dos pesadelos.

Juanes traz a história triste de uma mulher que se viu obrigada, pelas circunstâncias desfavoráveis, a ser ríspida, crua e fria.

As malvadas podem ser extremamente sedutoras, especialmente após o anoitecer. E se for uma vampira então... Tito & Tarantula são presas fáceis.

Esta maravilha musical gravada por Nick & The Bad Seeds conta uma historinha com um início inocente, mas, a traição venha em ponta de faca.

Já falei da maligna Elizabeth Bathory por aqui. Os garotos do Venom trazem a sua vida musicada, com muitos riffs e voz profunda.

Sim, esta canção tem pouco mais que 30 segundos, entretanto, sua musicalidade é assombrosa. Valendo-se da história da menina Mary Bell - próxima a ser comentada nesta sessão - Macabre ressoa na mente.

Nickelback ficou impressionado com a frieza de uma adolescente que teve seu filho durante o baile de formatura, largou ele no lixo e voltou a dançar como se nada tivesse acontecido. E como não ficar? 

E, para finalizar, mais uma serial killer: a monstruosa Aileen Wournos foi a inspiração para esta música do Church of Misery.


Para finalizar um conselho:
Seja o tipo de mulher que toda a vez em que encoste o pé no chão pela manhã o Diabo diga: "Oh droga, ela acordou!"

21 de jul. de 2012

Madame Popova: Adeus Maridos Abusivos!

Há um tempo atrás falei sobre os sinais de um relacionamento abusivo, citei alguns dos aspectos da violência doméstica - seja ela física, sexual ou verbal - e mencionei por alto os danos que um envolvimento destes é capaz de causar. Trazer a ótica esta temática ainda é complicado nos dias de hoje, imagine ser uma mulher forçada a casar - e manter-se assim - com um homem abusivo no final do século XIX, início do XX. Não havia espaço para argumentos ou defesa capaz de libertá-las. Quer dizer, pelo menos não oficialmente.

A história é repleta de assassinos em série, no geral do sexo masculino. Contudo, algumas mulheres também acessaram o lado mais sombrio de seus seres e agiram friamente. Seja por puro sadismo - vide a Condessa Bathory -, seja por um amor obsessivo - vide Karla Homolka -, elas mataram. Agora, e quando o benefício parece correto? Quando por certo valor uma injusta situação pode ser cessada? Assassinos de aluguel não são raros, todavia, como a Madame Popova sim.

Nascida na Rússia, Alexe Popova foi uma serial killer responsável pela morte de cerca de 300 homens, atuando no período de 1879 a 1909, quando foi capturada e condenada ao fuzilamento (desenho retirado do Flickr da Cecilydevil), após uma viúva arrependida ter denunciado ela a polícia.

Ao contrário do que possa soar no parágrafo acima, Popova foi uma assassina de muita classe, já que nunca usou suas próprias mãos para aniquilar ninguém. Destaca-se que a indiferença a vida de outrem era um traço marcante dela. Com talento para venenos, a Madame dirigiu um negócio obscuro - o qual lhe foi permitido graças a suas condições financeiras - de libertar mulheres de seus maridos molestadores. Assim, a "cliente" que buscava seus serviços recebia o necessário dela para que o marido fosse morto, isto por um valor simbólico em dinheiro. Em que pese tivesse preferências pelos venenos, houve situações em que usou de atiradores.

Seu empreendimento foi muito bem sucedido e os cuidados tomados, como o de não ter relações de amizade com suas "futuras viúvas", contribuíram para o grande número de falecidos. Conseguiu manter-se assim até março de 1909, data de sua prisão. Enclausurada, Alexe orgulhava-se de nunca ter cometido qualquer ato contra outra mulher e confessou sem temores ter "libertado" mais de 300 esposas em sua carreira. Mesmo perante o pelotão responsável pela sua execução ela não demonstrou qualquer remorso.

De forma torta, Madame Popova pode ser considerada uma das primeiras defensoras da liberação feminina, causa que a época não tinha sequer nome. Por mais óbvio que a seus atos deveriam ser penalizados, os ideais a frente do seu tempo, bem como, a destreza em montar algo tão elaborado para um fim libertário feminino são admiráveis. Ressalto, não justificando seus crimes. Não há como deixar de pensar no desespero que algumas destas mulheres encontravam-se diariamente, sabendo que além de sofrerem pelos atos dos maridos, não havia como fugirem. Nada estava ao lado delas.

Tentei encontrar algum registro cinematográfico, televisivo e/ou musical sobre a história dela, não achei - se alguém souber, avise-me. Nestas minhas buscas encontrei um canal no youtube com o nome MadamePopova. Apesar de não ter qualquer referência com a personagem histórica, teve um dos vídeo que me chamou a atenção. É um clipe com cara de "primeiro olhar" e com uma música hipnotizante. Um dos trechos fala "you are aching to be free" - algo como, desesperado/louco para ser livre. Achei que combinava bem com o clima da postagem.

When anything goes, it's women who lose. 

7 de jul. de 2012

Mrs. Bates e a Psicose

Via Tumbrl
Quando abri esta sessão de terror por aqui - falando do universo imaginário e do real - um dos primeiros nomes que me surgiu a mente foi a pedra basilar das mães insanas: a Sra. Bates. Falar de matriarcas fugidias dos padrões de zelo e carinho pode soar desrespeitoso, já que se costuma  atersse ao lado positivo. Contudo, especialmente no gênero horror, mães malvadas ganham uma força assustadoramente interessante. Uma lupa analisando relações extraordinariamente apavorantes.

Assim se apresenta Mrs. Bates; Oriunda da obra-prima irretocável de Hitchcock: Psicose, uma película repleta de reviravoltas e metalinguagem. O filme vem retratar a história de Norman Bates que, perante a dominação materna, sofre drasticamente com os efeitos desta relação doente refletindo, inclusive, na sua forma de conviver com terceiros.
AVISO: Se você ainda não conferiu Psicose para de ler aqui e corra assistir! Além de ser um filme espetacular, SPOILERS importantes serão revelados no texto que segue.
Via Tumbrl
Expostos ao Bates Hotel, por um destes infortúnios da vida, o envolvimento com a história da bela Marion Crave (interpretada por Janet Leigh) já vem precedente. Contudo, a atenção desvirtua-se dela logo que Norman Bates (Anthony Perkins) salta em cena. Com um jeito esbaforido e um tanto inconveniente, deixa uma primeira impressão confusa, assim como o ambiente em si. Tudo parece estar envolto de um mistério silenciado. Aliás, o silêncio parece integrar aquele lugar de uma forma pavorosamente alta. Aos poucos as camadas deste artifício caem e os comportamentos obscuros são manifestos.

Norman não reside no casario próximo ao hotel sozinho, sua mãe é sua principal companhia. Quando Marion hospedasse ali, de alguma forma atinge a inadequada harmonia entre Mrs. Bates e seu filho, fazendo com que a dominação daquela sobre seu rebento torne-se evidente. Tal revelação aborrece inegavelmente a senhora, levando-a a parar esta turbulência causada por terceiros.

A cena a seguir é um ataque fatal contra Milton Arbogast (Martin Balsan):


Aqui temos a iconográfica sequência de morte no chuveiro e o desespero de Norman ao perceber que o assassinato havia acontecido:

"A boy's best friend is his mother".
O mecanismo básico (inconsciente) que uma mãe usa para dominar o filho é de torná-lo inseguro. Como? 1 – Educando-o sem muito carinho (“homem não precisa dessas coisas”) e censurando-o quando manifesta emoções ou chora (“homem não chora”). O filho assim, é reprimido e acaba fabricando uma “armadura” para esconder os próprios sentimentos. 2 – Punindo- quando brinca com os órgãos sexuais, ameaçando-o de castração, doenças, espinhas. 3 – Censurando toda manifestação de sexualidade, levando-o a julgá-la pecaminosa. 4 – Falando da maternidade como de algo ligado ao sofrimento, e fazendo com que o filho, indiretamente, se sinta culpado pelas dores de parte da mãe. 5 – Tratando o pai com desdém, caracterizando-o como fraco (compensado assim eventuais frustrações do casamento). Ao mesmo tempo, ensinando o filho a tratá-la com reverência. Todos os homens educados dentro de uma ou varias dessas formas, tendem a ser dominados pela mãe, tímidos e com pouca iniciativa. Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/1689166-homem-dominado-pela-m%C3%A3e/#ixzz1zxU4lMoy
No instante em que ele leva um sanduíche para a hóspede passa a travar uma conversa reveladora da película - a qual encontra-se nos vídeos abaixo. Relata o quanto sua mãe é um fardo, especialmente por ser mentalmente instável e absorver todo o seu tempo. Ao mesmo tempo deixa claro que não consegue viver sem ela, ao que diz "A melhor amiga de uma garoto é a sua mãe". Com uma pitada de descontrole, a insegurança do homem escancara-se e a estranha simpatia do tímido Norman demonstra-se construída por anos de isolamento e superproteção cedidas pela Sra. Bates.


Um dos vários detalhes inteligentes desta construção de suspense resta no enigma quanto a aparência da assassina. Em nenhum dos crimes o rosto da mãe aparece, apenas seu vulto. Por isto o impacto do clímax é capaz de dar a dimensão dos danos psicológicos de Norman:


A maldade da Sra. Bates - sendo voluntária ou não - atingiu seu filho irremediavelmente. Ainda que o filme não traga o histórico desta relação entre os dois, o presente mostrasse incontestável. Tamanha era a insegurança de Norman que após o falecimento da mãe não conseguiu lidar com um mundo em que ela não estivesse inserida. A suposta liberdade espelhou o lado mais sombrio dos estragos causados pela dominação: Ela sempre estaria nele. Qualquer pessoa que ameaçasse esta compreensão recebia fúria. Hitchcock completa este tratado psicológico com uma cena absurdamente incômoda; Mrs. Bates fala sobre a prisão de seu filho, que nunca foi um bom garoto, e agora tentava culpá-la por sua natureza má.   

It's sad, when a mother has to speak the words that condemn her own son. But I couldn't allow them to believe that I would commit murder. They'll put him away now, as I should have years ago. He was always bad, and in the end he intended to tell them I killed those girls and that man... as if I could do anything but just sit and stare, like one of his stuffed birds. They know I can't move a finger, and I won't. I'll just sit here and be quiet, just in case they do... suspect me. They're probably watching me. Well, let them. Let them see what kind of a person I am. I'm not even going to swat that fly. I hope they are watching... they'll see. They'll see and they'll know, and they'll say, "Why, she wouldn't even harm a fly..."
 E de quem é a culpa? 
Do perturbado homem ou da castradora mãe?

23 de jun. de 2012

Karla Homolka: Paixão Assassina

Imagem retirada do Tumblr.
Em meu blog Nascida em Versos escrevi uma postagem com 10 Casais Assassinos - uma conjunção de amor, obsessão, fragilidade e morte -, e dentre eles havia a história de dois canadenses que com seus jogos de perversão sexual e boa aparência ganharam o apelido de "Barbie e Ken Murders". É justamente sobre a "Barbie" que irei falar hoje.

O amor é um sentimento complexo e muitas vezes confundido. Há quem diga ser instantâneo, outros acreditam na construção através da vivência e, ainda, a os que crêem que em nome deste extasiar de si justifique-se tudo. No meu ver, o exagero do sentir, quase que como de arroubo, ainda está na categoria Paixão. Ela é insana e insensata, o amor é compassivo e compreensivo. Por isto, é na paixão que irei classificar a relação que Karla Homolka vivia com Paul Bernardo; Não apenas me referindo a este sentir em seu estado puro - que sabe ser delicioso -, mas, arreigando um estado de co-dependência, de delírios e, por que não dizer, de doença. Quando a paixão nasce entre dois seres instáveis, o resultado muitas vezes é o mais desastroso possível. Aqui resultou na morte de 4 garotas, havendo a possibilidade de mais vítimas.

Karla Homolka era uma adolescente normal, bonita e um tanto intensa. Descrita como uma garota de personalidade, ela nasceu em 1970 e tinha duas irmãs. Sua família possuía uma boa condição financeira e a mesma estudava. Só que em 1987 sua vida tomou um rumo completamente diverso quando conheceu Paul Bernardo, com 23 anos na época. De cara apaixonou-se por ele, o qual costumava a presentear com frequência. Apesar dele residir em outra cidade, Homolka viu-se completamente seduzida e deixou que seus dias fossem em torno desta sua paixão.

Todavia, ela desconhecia o lado sombrio de Paul: Responsável por uma série de estupros ocorridos nos anos de 1987 a 1990. Aos poucos o caráter duvidoso do rapaz foi aparecendo na relação, como pequenos abusos e a revolta por ela não ser virgem quando iniciaram o namoro, engajando Karla a envolver-se de forma doentia com o mesmo. O namoro virou noivado e, para contentar a moça, seus pais permitiram que Paul viesse residir com eles, diminuindo a distância física entre os dois. 

O casamento deles ocorreria no ano de 1991 (imagem ao lado via Tumblr.).Paul cuidou detalhadamente da cerimônia: Vestido, penteado e votos de Karla - “ama-o, honra-o e obedece-o”, além de não ter permitindo que o ministro pronunciasse “marido e esposa”, mas apenas “homem e esposa”. Alguns meses antes dos votos Karla resolveu presentear seu marido - que há este ponto já tinha deixado claro o interesse pela irmã mais nova dela, a virgem Tammy. Assim, ela furtou da veterinária onde trabalhava um anestésico animal, dopou Tammy e a ofereceu ao seu esposo. Ambos filmaram a ação que envolveu estupro e posterior morte, a qual decorreu do abuso do medicamento fazendo com que a menina de 15 anos vomitasse e tivesse uma parada cardíaca. O casal chamou a ambulância e o falecimento entendido como acidental.

Quem não gostou nada deste desfecho foi Paul, que se demonstrou revoltado pelo seu "presente" não ter decorrido da forma imaginada. Karla tentou de diversas formas agradá-lo, como por exemplo com a prática de sexo no quarto da Tammy fingindo ser ela. Nada acalmou as demandas dele que exigiu uma reparação pelo acontecido.

Para saciá-lo, Homolka atraiu uma amiga a nova casa alugada dos dois e dopou-a. Paul e sua esposa fizeram o mesmo que com Tammy: Filmaram o estupro, inclusive sexo anal e interações entre ela e Karla. A garota acordou no dia seguinte desnorteada e ferida. Contudo, nada foi descoberto.

Os anos foram passando e agressividade de Paul combinada com a dependência dela aumentando, o que culminou em mais três assassinatos, com violência sexual, brutais: Leslie Mahaffy de 14 anos (1991, morta enforcada com fios e teve seu corpo dividido com uma serra), Terri Anderson de 14 anos (1991) e Kristen French de 16 anos (1992, corpo encontrado nu, o cabelo raspado). Mais detalhes dos crimes no site O Serial Killer.
Imagem retirada do site O Serial Killer
A denúncia contra o casal só aconteceu em 1993, após Karla ser hospitalizada em decorrência de agressões de Paul contra ela. A polícia ligou alguns detalhes e ela acabou confessando. Em troca das informações ela foi condenada a 12 anos de prisão, estando apta para condicional em 3, enquanto Paul foi a 25 anos mínimo para tentar a condicional. O acordo gerou revolta, já que pelos relatas ela participou ativamente dos delitos. Eles se divorciaram em 1994.

Abaixo seguem algumas imagens de vídeos caseiros do "Ken e da Barbie Killers":


O programa Índice de Maldade apresentou um especial sobre cúmplices Serial Killers, fazendo uma análise do caso dos canadenses. Vale a pena ser conferido.


Ademais, em 2006 a história do casal foi transformada em filme; Karla - Paixão Assassina:


Karla conseguiu alterar seu nome para Leanne Teale sendo que, atualmente, é mãe e casada com Thierry Bordelais. Em 2002 foi lançado o livro Le Pacte Avec Le Diable, escrito por Stephen Williams onde se publicou as correspondências entre ela e o autor. Foi liberta em 2005, em que pese as análises psicológicas tenham confirmado uma personalidade fria e anti-social.

Paul continua preso, isolado em uma cela 23 hora diárias.

Via Tumblr.
Certa vez Friedrich Nietzsche disse: "Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal". Será?