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3 de nov. de 2012

Perfis de Mulher: Maila Nurmi, a Vampira

Ainda no clima de Dia das Bruxas, vem a lembrança de uma pioneira no gênero de terror na televisão: a Vampira. Uma verdadeira rainha do grito, ela se tornou uma figura cult em apenas um ano em que seu programa ficou no ar. Com uma vida nem sempre glamourosa e um visual difícil de esquecer, Maila Nurmi nunca se diferenciou de sua macabra e divertida criação.

Nascida Maila Elizabeth Syrjäniemi em 1922, na Finlândia, adotou o sobrenome Nurmi após alegar que era sobrinha do atleta Paavo Nurmi, um recordista em corridas de longa distância. Maila mudou-se para os Estados Unidos com a família aos dois anos de idade, vivendo em várias cidades até se instalar em Los Angeles.
Na juventude foi modelo do famoso pintor Alberto Vargas e apareceu na Broadway, chamando atenção em um show de horror chamado “Spook Scandals”, que incluía um exagero na atuação de Maila, mas ainda não foi desta vez que ela estourou como símbolo vamp. Até meados da década de 1950, ela trabalhou como modelo pin-up para fotos de revistas e também em chapelarias de clubes de Hollywood.

Foi em uma festa a fantasia que sua sorte mudou. Maila estava vestida de Morticia Adams e um produtor de TV, interessado em uma apresentadora para sessões de filmes de terror, ficou enfeitiçado por ela. Depois de conseguir o telefone dela, o produtor expôs sua ideia, que foi prontamente aceita. O nome Vampira foi sugestão do então marido de Maila, um ex-ator mirim que se tornou roteirista. O visual continuou tendo inspiração em Morticia e também na bruxa da Branca de Neve, mas Maila adicionou, como ela própria mais tarde declarou, um toque de comicidade e um jeito “trash” de atuar.
Em 1954 estreava The Vampira Show, um dos mais bizarros programas já exibidos na televisão americana. Vampira descia as escadas, gritava, usava roupas pretas justíssimas, fazia trocadilhos infames, brincava com sua aranha de estimação e finalmente dava uma breve e irônica introdução para o filme da noite. A série durou apenas uma temporada, mas Vampira virou assunto de muitos artigos de jornais e revistas e objeto de adoração de vários fã-clubes. Ela também foi indicada ao Emmy como “personalidade do ano”.


A partir daí a existência de Maila passou a girar em torno de Vampira. Em 1956 ela participou daquele que é considerado o pior filme do mundo, “Plano 9 do Espaço Sideral”. Maila era amiga do ator principal, Bela Lugosi, o famoso primeiro intérprete de Drácula, que morreu durante as filmagens de Plano 9. Os bastidores desse filme, assim como alguns momentos do show de Vampira, são recriados em “Ed Wood”(1994), cinebiografia do diretor de mesmo nome. No filme Maila é interpretada por Lisa Marie.
Depois do sucesso, Maila passou a instalar pisos de linóleo quando suas aparições como Vampira não eram mais requisitadas. No fim dos anos 1960 ela abriu uma espécie de boutique como o nome “O Sótão da Vampira” para vender antiguidades, além de joias e roupas feitas à mão, que em 2001 evoluiu para um negócio na Internet, que incluía peças autografadas.

A vida de Maila teve apenas alguns pontos mencionados à exaustão. Após a morte prematura do astro James Dean em 1955, Maila declarou que era sua amiga, algo que muitas fontes vieram a confirmar e outras a contestar. Outra situação em que ela voltou a ser destaque foi a polêmica com uma emissora de TV que nos anos 80 a contratou para discutir uma volta de seu show, mas no meio das negociações ela soube que Vampira seria interpretada por outra atriz. Não deixando a emissora usar o nome Vampira, coube à substituta atuar sob o nome Elvira, mas ainda assim ela recebeu críticas de Maila.
Apesar de ter tido, literalmente, quinze minutos de fama, Maila Nurmi permaneceu como Vampira no imaginário popular. Após o cancelamento de seu show, estações de TV locais começaram a ter seus filmes de terror apresentados por cópias de Vampira e muitas bandas fizeram músicas em sua homenagem. Sua personagem surgiu antes mesmo de Marticia Adams ir para a televisão e a matriarca interpretada por Carolyn Jones nos anos 60 tem toques de Vampira. Maila deu muitas entrevistas relacionadas a seu trabalho até falecer em 2008, após três casamentos, sem deixar herdeiros, mas nos legando a personagem mais divertidamente sombria da televisão.
Maila Nurmi (1922 - 2008)

10 Mães Apavorantes do Cinema

A figura materna de forma geral é associada a zelo e carinho; Aquele ser disposto a tudo pelo bem estar de sua "cria". Contudo, as pessoas são falhas, obscuras e imprevisíveis. Verdade seja dita, estamos distantes do que é tido como ideal. Como o cinema terror é baseado nos equívocos de caráter, nas más escolhas e - é claro - no lado sombrio da humanidade, obviamente que as Mães não fugiriam a regra. Para comprovar tal, fiz uma lista com 10 das Mães Mais Apavorantes do Cinema; Confira:


Mrs. Bates
Psicose (1960)
E quem é a pedra basilar das mães insanas? Claro que um fruto de uma película sob o olhar da mente inquieta de Alfred Hitchcock! A história deste jovem que sofre com a dominação da mãe e seus resultados extremos é tão bem trabalhada que acabou abrindo precedentes até hoje seguidos.

Lucy Harbin
Almas Mortas (1964)
Aqui a mãe do filme foi internada em um Hospital Psiquiátrico após matar seu marido e a amante dele com machadadas - detalhe, na frente da filha. Após 20 anos de internação ela é liberada e se reúne com a filha, já adulta. Contudo, as mortes voltam a acontecer... Coincidência?

Margaret White
Na minha sincera opinião esta é a PIOR mãe dos cinemas (e literatura)! Usando da religião como desculpa para torturar a pobrezinha da Carrie, deixa claro que o fato desta ter nascido mulher já era por si só pecado. Abusiva ao extremo - louvores para Piper Laurie que está surreal no papel -, com certeza não facilitou para a filha, que além de sofrer bullying no colégio era telecinética. Como é que Carrie teria alguma chance com uma mãe destas?

Mrs. Wadsworth
The Baby (1973)
Mais uma mãe abusiva para a lista, esta acompanhada de suas duas filhas. Este terror cult com ares de drama, conta a história de uma assistente social que tenta ajudar um garoto de 21 anos vivendo como um bebê, literalmente. Proibido de falar, andar e crescer intelectualmente por seus familiares, fica num berço e é submetido a castigos.

Vera Cosgrove
Fome Animal (1992)
Quem diria que Peter Jackson sairia do Gore para o Oscar! Nesta película de zumbis, com boas doses de sustos, humor e gosma, Vera Cosgrove se mostra uma mãe castradora e dominadora - até mesmo depois de "morta". 


Beverly R. Sitphin
Uma mãe suburbana esconde um segredo: É uma Serial Killer! Nesta sátira com pitadas de horror de John Waters - aquele de Pink Flamingos - traça-se o perfil de uma verdadeira psicopata. Alguns detalhes do filme são inesquecíveis, como a referência ao Almas Mortas, acima citado.


Gertrude Baniszewski
Baseado em uma história real, este drama - que para mim soou como terror psicológico - conta a história desta garota deixada pelos pais aos cuidados de Gertrude, uma mulher amargurada e sem vocação para ser mãe, em que pese tenha vários filhos. Os abusos cometidos por ela e/ou incitados pela mesma a serem cometidos pelas outras crianças são revoltantes. Neste link você pode ler sobre o crime real. 


Mrs. Pamela Voorhees
Ah... Não dava para deixar de comentar sobre a mãe de Jason. Esta sim é a verdadeira percursora da franquia, e tudo isto por vingança! Aparentemente, talento para a matança pode ser genético.


Joan Crawford
Você pode me perguntar: Mas, a atriz Joan Crawford? Ela mesma, sob a ótica da filha que escreveu uma biografia chamada Mommie Dearest, contando todos os abusos que sofreu por parte da estrela. Nos anos 80 levou-se a história para o cinema. O quanto disto é real, não sei. Mas, com certeza a Joan Crawford retratada no filme é uma mãe apavorante! No blog La Dolce Vita há um post bem interessante comentando sobre o filme.


Dorothy Yates
Frightmare (1974)
Nesta produção inglesa a matriarca da família é completamente desajustada. Assassina por compulsão, nem  o tempo em que foi internada ajudou, ao retornar para a sociedade mantém os antigos e pavorosos hábitos. 


Só para terminar de dar o tom desta lista, deixo aqui o bom e assustador curta metragem espanhol intitulado Mamá:


29 de out. de 2012

Mulher de Preto

Aproveitando o mês Helloween(Dia das Bruxas  - USA) vou teclar sobre um suspense no mínimo interessante: Mulher de Preto, com nosso querido e eterno Bruxinho Harry Potter que semelhante a um bom vinho quanto mais velho melhor..
Quero começar nosso texto com um pequeno pensamento: O que eles chamam de fantasmas...Nós, chamamos de espíritos!
Vamos ao filme?
Um suspense interessante. Daniel Radcliffe, consegue fazer o advogado Arthur Kipps de maneira honesta e cativante. Viúvo, pai de um filho pequeno, vai ao interior da Inglaterra finalizar papeladas de uma família que vivia em um casarão abandonado. Lá, encontra mistérios e terror nesta casa 'assombrada' por um terrível espírito maligno e vingativo. Um filme que conta com a produção da Hammer Film Productions, que foi uma companhia cinematográfica britânica, fundada em 1934, célebre por realizar uma série de filmes de terror, entre os anos 1955 e 1979. Chegou ao auge nos anos 60, revelando para o mundo atores do porte de Christopher Lee e Peter Cushing, sua decadência iniciou-se em meados dos anos 70, sendo que suas últimas produções datam da década de 1980, com séries de terror para a televisão. Ressurgiu sob nova direção em 2008 realizando filmes como “Deixe-me Entrar” e “A Inquilina”. Em 2011 produziu “A Mulher de Preto”. Dirigido por James Watkins e escrito por Jane Goldman é baseado no romance de Susan Hill, com o mesmo nome.

O filme consegue nos levar ao drama sufocante de James, em meio ao cenário bucólico, fotografia sombria e personagens sinistros. Sua dor em tentar entender e por fim auxiliar o espírito que vive na casa encontre seu caminho de luz é algo notável. O filme mostra de maneira 'sutil' o que 'entendemos' sobre espiritualidade. Não aprofunda e preenche algumas lacunas com os tais clichês.
Na Era Eduardiana, o jovem advogado Arthur Kipps vive com seu filho de quatro anos de idade, Joseph (Misha Handley) e babá de seu filho (Jessica Raine). A esposa de Kipps Stella (Sophie Stuckey) morreu após o parto. Kipps é atribuído a lidar com a propriedade de Alice Drablow, dona de uma mansão inglesa conhecida como Eel Marsh House, onde vivia com seu marido, o filho Nathaniel, e sua irmã Jennet Humfrye (Liz White). Embora os moradores queiram que ele vá embora, Kipps faz amizade com Sam Daily (Ciarán Hinds), um rico fazendeiro e sua esposa Elisabeth (Janet McTeer).
Na Eel Marsh House, localizada em uma ilha cheia de pântanos, Kipps vai para um quarto no andar de cima depois de ouvir passos e vê uma mulher vestida de preto fora da janela. Ele corre para os pântanos e as testemunhas do afogamento de Nathaniel. Acreditando que ele seja real, ele relata o avistamento na delegacia local e, enquanto lá, dois meninos trazem uma menina que havia tomado soda caústica, ela morre nos braços de Kipps.

Enquanto isso o espírito 'maligno' que vive na casa é vingativo e ao mesmo tempo solitário. Assim, como nós(vivos) sempre buscamos auxilio/ajuda/conselhos os espíritos também necessitam de tal apoio. Geralmente, filmes com a temática 'espiritualidade', remetem ao terror; o que não deveria. Ao mesmo tempo nossa sétima arte necessita do tal suspense para sairmos um pouco do modo documentário. Sobre, espiritualidade o que podemos começar a entender é essa idéia da imortalidade física proporcionando às pessoas a oportunidade de desvendar seu anseio inconsciente de morte e libertando da tirania da mentalidade de mortalidade.
 A derrota da morte é o teste básico de inteligência neste universo físico. A imortalidade física é o primeiro passo para qualquer prática de iluminação espiritual. Purificar a si mesmo significa manter seu amor tão puro, de modo que ele mantenha você praticando a verdade em todos os seus relacionamentos. A espécie de amor que produz imortalidade física é a paciência eterna. A vida na Terra não é para as pessoas fracas. Todas as pessoas fracas morreram no passado. E todas as pessoas que pensavam que eram fortes, mas não eram, também morreram. Mas muitas pessoas adquiriram integridade suficiente para conseguir a vida eterna de seus espíritos, mente e corpo. Entrei um pouco no assunto espiritualidade para mostrar o que talvez o autor, diretor quiseram mostrar com o espírito da Mulher de Preto. Nessa história o espírito torna-se vingativo devido uma série de acontecimentos supostamente mal resolvidos(em suas vidas) marcam sua existência física e cármica com ódios, mágoas, tristezas que  resultam nessa eterna vingança fazendo com que ele permaneca enraizado em nosso plano.

  Enfim, adoro teclar sobre os mistérios do Universo e sou fã de Carl Sagan. Creio, que somos infinitamente microscópicos quando comparados ao Cosmos e filmes com essa temática:espiritualidade  e ciência conseguem prender minha atenção.
Mulher de Preto,é digno de pipoca e ao mesmo tempo um filme que assistiria no máximo três vezes,rs.Esperava um pouco mais do final e a atuação do nosso eterno Potter ainda necessita de muitos reparos.Porém, o filme é bem produzido, bem dirigido e consegue cumprir o papel de suspense.





19 de out. de 2012

Psicose

Resolvi teclar sobre este clássico preferido da minha mãe por ter um amor não resolvido com este filme. Já assisti zilhões de vezes(2 versões) e minha mãe na última vez disse:"Acho esse filme triste. O sofrimento de Bates me deprime." Fiquei pensando sobre isto e no fim cheguei a conclusão que ela tem razão. O filme trata um pouco sobre esquizofrenia, loucura e psicose. Sim, existe diferença entre as doenças.Nem tudo é loucura,nem tudo é sociopatia, psicopatia, esquizofrenia ou psicose temos que entender um pouco a mente de Bates para depois apreciar ou não o filme.
Hitchcock nosso eterno gênio comprou anonimamente os direitos do livro de Robert Bloch, que deu origem ao roteiro do filme; ele pagou onze mil dólares e depois comprou todas as cópias disponíveis no mercado para que ninguém o lesse e, consequentemente, seu final não fosse revelado.Psicose custou 800 mil dólares e faturou 50 milhões de dólares nas bilheterias do mundo inteiro.Em 1998 o diretor Gus Van Sant fez um remake do filme, com Vince Vaughn e Anne Heche nos papéis de destaque. No elenco ainda contava com belissima Juliane Moore no papel da irmã de Marion.

Uma das frases que mais gosto é:
"Ela só fica meio zangada às vezes. Todos ficamos um pouco zangados de vez em quando, não ficamos?" Norman Bates.
Bates usa para justificar a fúria com que a mãe fala para ele.Será que Hitchcock quis falar algo para platéia? Até que ponto somos passíveis de cometermos um crime? Este filme atemporal nos conecta com nossos medos. Um dos filmes mais impactantes e Hitchcock nos despista, para nos apresentar quase na metade da projeção uma trama macabra, representada pelo fantástico personagem Norman Bates e o seu hotel no meio do nada.
A cena memorável do filme possui uma sequência construída como uma sucessão de cortes ritmados pela trilha sonora e pelo som da faca.Se observarmos, vemos que a arma sequer encosta na atriz. A violência está na genial montagem de Hitchcock e na trilha sonora de arrepiar de Bernard Herrmann.
Ao refletir sobre o assunto "Loucura" é inevitável para uma apreciadora da sétima arte como eu, deixar de pensar neste filme com tanto amor. Esse enigma fílmico de duas ou três incógnitas: Janeth Leigh, Anthony Perkins e a Mãe num jogo de repetições e de duplicações em que o mestre do suspense leva à conclusão o tema da duplacidade: a dupla personalidade.Que outros sentimentos poderiam, aliás, provocar um personagem tão absolutamente e inevitavelmente amarrado a um destino fatal e destruidor, e que não morre no final, ou antes, sobrevive noutra personalidade, pela qual é morto e "denunciado"? Personagem dominado pela mãe, pelo passado, pelo isolamento, pelo desejo sexual que se transforma em desejo de morte ou de destruição.Nessa perspectiva o "Louco" é considerado menos como uma pessoa do que como um dos pontos de relação, um dos nódulos de intercâmbio de um sistema de interações, de uma rede de comunicação: a família. Seus sintomas, suas anomalias, suas "crises" são substituídos e reexaminados no sistema dinâmico das trocas familiares. duas características fundamentais estão sempre presentes entre essas famílias ou esses grupos: seu funcionamento como sistema fechado, relativamente isolado, e sua repressão de toda sexualidade genital.A componente patológica carrega o filme em tons de comédia e drama, ou de comédia dramática, Hitchcock vinha repetindo desde os seus filmes mudos as relações familiares e o seu peso, o papel e a figura da mulher, os diversos comportamentos do homem em função da mulher, a contraposição e identidade entre a mãe e a mulher, o desejo e o desejo de morte, sobre essa imperceptível fração de segundo em que um indivíduo age e, agindo, transforma o ato desejado num ato outro, que o nega.Os esquizofrênicos e suas famílias mantêm o mito e o credo de uma harmonia inabalável na família, que tem prioridade sobre tudo. Eles se comportam como se toda motivação que contraria a autonomia da criança fosse qualificada de "boa", independente de sua idade; e todo pensamento ou ação autônoma seria "mau". Essa família que é uma pseudofamília, onde ninguém fez sua individuação, vive num estado de reciprocidade sem identidade e consideram a ordem e a limpeza como valores supremos; sua casa é uma fortaleza: ninguém tem o direito de atacá-la (lembram do desespero de Norman quando qualquer um se aproximava da casa). Todos esses conceitos são tão importantes que a casa da família Bates transformou-se no símbolo do filme e também inspirou outras obras de suspense de diretores vindos depois de Hitchcock.
 Resta, deste tipo de relacionamento a submissão; a revolta final é a loucura. Norman Bates é o personagem anormal e patológico do filme, as suas motivações acabam por lhe conferir um grau de humanidade, a um ponto que é o comportamento normal e humano de Marion (Janet Leigh) que se transforma no elemento perturbador que se vem instalar na paz familiar dos Bates, desencadeando o ciúme e a ira da mãe, e o desejo de Norman que Hitchcock, de forma magistral, distingue e identifica. A mãe morta e embalsamada é mantida viva pelo desdobramento da personalidade do filho privado, que se  traveste, retirando-a da sua "vida" embalsamada para uma vida real e concreta. Essa genialidade de Alfred é algo sinistramente encantador, concordam?
Nosso Anthony Perkins na personalidade da mãe de Norman, acompanhada pelo monólogo interior, explicativo para o filho, que constitui um dos momentos mais terríveis da história do cinema.Os discursos eruditos sobre a loucura descrevem o louco não só como um frustrado do tipo pessoal, normal, equilibrado e correto, mas deixam também outra possível explicação, que louco é fundamentalmente um frustrado da espécie, razão pela qual uma imagem de "monstro" paira no discurso psiquiátrico. Essa imagem, com a alteridade radical que supõe, tende a excluir o louco da comunidade humana. Seria a loucura é um ritual de rebelião? O psicótico não é nunca um revolucionário, é um revoltado que não consegue expressar sua revolta. A expressão dessa revolta na forma de psicodrama o dispensa de realizá-la.A loucura, com efeito, é menos uma fatalidade ou uma maldição do que uma companheira que nos indica os limites de nossa liberdade.Uma variedade infinita das situações humanas, onde todos podem, um dia, experimentar essa sensação de inquietude estranheza de exílio interior, de desmoronamento psíquico, que anuncia um naufrágio interior. Cabe a nós estarmos atentos aos nossos pensamentos para detectarmos nosso Bates interior. Ou não...



8 de set. de 2012

Martha Beck: Quando um Coração Solitário Mata


Aqui no blog já foi comentado sobre casais assassinos e o estrago deixado por eles. Este é mais um destes casos, onde duas pessoas em sintonia maligna unem-se no intento de levar suas fantasias mais perversas ao concreto. Alguns se conhecem pelo acaso, outros - como na história de Martha e Raymond - estavam procurando encontrar. 

Martha era uma mulher insegura com seu peso, oriundo de um problema glandular que também causou-lhe uma puberdade precoce. Durante seu crescimento Martha teria sido abusada sexualmente por seu próprio irmão. Ao contar a sua mãe, esta agrediu-lhe afirmando que a culpa era dela. Depois disto o assunto foi ignorado e ela continuou estudando até formar-se em enfermagem, entretanto, não conseguiu emprego mafacilmente devido ao seu peso. Quando conseguiu foi numa funerária. Mas, não aguentou muito tempo e largou o emprego para ir a Califórnia.

Foi aí que ela conseguiu trabalho num hospital e engajar num comportamento sexual lascivo. De uma destas aventuras acabou engravidando, todavia, o pai não quis assumir a criança. Sem alternativa, ela retornou a sua cidade e inventou a história de que estava casada com um soldado, o qual faleceu em combate. Sua filha nasceu e pouco tempo depois ela retornou a engravidar, desta vez casou-se com um motorista de ônibus chamado Alfred Beck. O casamento não durou e ao ver-se com dois filhos e sem perspectiva, Martha procurou uma resposta escapista em revistas, livros e filmes românticos. Isto tudo até 1947, quando ela colocou um anúncio na sessão "Lonely-Hearts" - Corações Solitários - de um jornal; Este foi respondido por Raymond Fernandez.

No instante que estes dois ingressaram num romance intenso o rumo de suas vidas cruzaram com a de suas vítimas; Martha perdeu o emprego, entregou seus filhos para o Exército da Salvação e passou a aplicar golpes junto com Raymond. Tais golpes consistiam em Martha posar de irmã de Raymond, enquanto este seduzia a vítima e retirava-lhe dinheiro. Beck sempre mostrou-se ciumenta e violenta com a possibilidade de Fernadez engajar numa relação sexual com as vítimas, assim, sempre vigiando de perto.

Aos poucos o temperamento colérico de Beck evidenciou-se, sendo que em 1949 a dupla matou 3 pessoas:  + Janet Fay: A mesma, com 66 anos, ficou noiva de Raymond durante uma das ações da dupla; Contudo, Beck flagrou os dois na cama e deu uma martelada na cabeça dela e depois a estrangulou;
Delphine Dowing e sua filha: O golpe seguinte foi na jovem viúva Delphine, a qual possuía uma filha de 02 anos, esta passou a manter um comportamento agitado que era manejado pela dupla através de comprimidos. Num dia a garotinha de 02 anos caiu num choro descontrolado e Beck irritou-se matando-a afogada numa bacia de água. A vitimização por assassinato foi o destino de Delphine. As duas foram enterradas no porão da casa. Os vizinhos estranharam e denunciaram. Foram presos em 28 de fevereiro de 1949.

O julgamento foi extremamente sensacionalista, especialmente no que tangia ao comportamento sexual do casal. A sentença final foi a execução na cadeira elétrica, a qual ocorreu em 1951.

A história destes assassinos em lua-de-mel teve duas versões cinematográficas, uma de 1969 chamada de The Honeymoon Killers e Lonely Hearts de 2006 - gosto mais da versão antiga -, seguem os trailers: 



My story is a love story. But only those tortured by love can know what I mean [...] Imprisonment in the Death House has only strengthened my feeling for Raymond....


1 de set. de 2012

As Bruxas dos Anos 90

Para quem sempre teve um fascínio pelo sobrenatural crescer na década de 90 foi extremamente produtivo. Quem curtiu a infância e a adolescência neste período com certeza deve ter presenciado a "febre wicca", geralmente ligada a garotas buscando uma diferenciação do resto da multidão de jovens. Claro que a grande maioria - assim como eu - só gostava do ideia de estar compartilhando um conceito medieval questionado pela igreja católica - aqui falando esta guria que estudou em um colégio de irmãos - somado ao glamour que alguns filmes da época imbuíram a magia das ditas Bruxas! 

Relembrando um pouco a minha fase de ter várias bruxinhas espalhadas pelo quarto, resolvi fazer uma lista de películas e séries lançadas de 1990 a 1999 com a temática. Segue a Lista:

(1990)
Já comentei no meu blog pessoal que esta película está entre os meus Traumas de Infância; Em que pese tenha assistido diversos filmes com uma temática de "bruxas más" nenhuma supera a bela - na real - medonha - no filme - Anjelica Huston e seu plano de aniquilar com as crianças. Ainda que cite ele como trauma, recomendo. É bem montado, efeitos especiais muito bons para a época e atuação da malévola antagonista está soberba.

(1993)
Do susto pueril para a comédia infantil, temos o adorável Abracadabra. A Disney entrou na onda do Halloween e suas bruxas com três figuras bem diferentes: A chefe (Bette Midlerr), a atrapalhada (Kathy Najimy) e a burra (Sarah Jessica Parker), conhecidas como as Irmãs Sanderson. Elas acordam depois de 300 anos tentando impor o terror, mas dois adolescentes, uma menina e um gato estão dispostos a lutar. O grande trunfo do filme? A escolha das atrizes para as estilizadas bruxas.

(Série - 1996)
Esta é uma série conhecida e no maior estilo família. Sabrina é uma adolescente que descobre que é feiticeira; Assim, ela tem que conviver com suas crises da fase e aprender a usar seus poderes. Hoje em dia seria um equivalente ao Os Feiticeiros de Waverly Place.

(1996)
O maior epítome no quesito "Desejo de conhecer o universo Wicca na adolescência". Contando a história destas quatro garotas que se envolvem no universo da bruxaria, cada qual com o seu objetivo de ganho pessoal. Aos poucos, contudo, Sarah Bailey - a mais poderosa delas - percebe o rumo perigoso de suas brincadeiras , querendo sair. Aí entra a persona de Nancy Downs (interpretada pela estranhamente bela Fairuza Balk). O visual delas era muito copiado - tá, pelo menos por mim, hehehe.

(1996)
Um wannabe de Jovens Bruxas, deixa a desejar em seu enredo - garotas de um colégio católico que acabam sem querer se envolvendo com o oculto - e produção de baixo custo. Mas, como segue a linha de sucesso da época, vale  a menção. 

(1996)
O que eu mais gosto nesta obra cinematográfica? O elenco, é claro! Winona Rider e Daniel Day-Lewis já servem para atrair a atenção. O filme tem como premissa os infames julgamentos ocorridos em Salém durante o século 17, onde diversas mulheres foram condenadas por bruxaria. É baseada em uma peça de Arthur Miller.

(1998)
Baseado no livro Practical Magic de Alice Hoffman, traz a bruxaria para o gênero romance, tratando da história de duas irmãs bem opostas em comportamento e que compartilham do dom para a magia. Uma deles vive de paixões e a outra teme se apaixonar por conta de uma maldição. É um filme bem leve e gostoso de assistir.

(Série - 1998)
Outra referência master para o desejo de "ser bruxa" é a premiada série Charmed. As três irmãs tem de lidar com suas vidas pessoais enquanto enfrentam demônios, fantasmas, poltergeist e pesadelos. Eu, particularmente, adorava esta série - especialmente a Piper Halliwell

(1999)
Nem preciso falar a premissa aqui, não é verdade? Este falso documentário causou um verdadeiro furor e, por bem ou mal, modificou a direção que ia o cinema horror. Quando vi a primeira vez tinha 15 anos e realmente me assustei, confesso.

(1999)
O belo trabalho de Tim Burton traz um cético investigador caindo num emaranhado de instantes e mortes sobrenaturais. O visual gótico e a forma como trata o lado oculto de bruxas e magias transforma o filme num tom de conto espetacular.


Anos 90, Magia para Todos os Gostos!


25 de ago. de 2012

Amor doentio... casais que matam!

Ontem eu terminei de ler o livro "Serial Killers - Nas mentes dos monstros" de Charlotte Greig. Quando comecei a folhear as páginas dessa obra, pensei em uma postagem sobre alguns dos assassinos em séries apresentados nele. Fiquei tentada em publicar algo sobre as mulheres assassinas, citadas pela autora. Contudo, quando li a sessão "Amantes demoníacos" achei que seria interessante publicar à respeito. Fiquei espantada com o relacionamento desses casais apresentados de forma detalhada, no livro em questão. Assustador! Principalmente, diante do pressuposto de que os assassinos em séries são pessoas solitárias e que gostam de agir em segredo, ou seja, sem compartilhar com outros suas fantasias terríveis. Com isso, quando encontramos casos de pessoas que encontram outro ser tão doente quanto(ou mais) para realizar suas fantasias inescrupulosas, ficamos de fato boquiabertos.


Diante disso, irei apresentar na sessão "Terror" de hoje alguns dos amantes doentios, que são abordados no livro. São eles:

Ian Brady and Myra Hindley
Conhecidos como "Os assassinos dos pântanos", Ian Brady e Myra Hindley foram vistos como a própria personificação do mal. De maneira brutal eles torturaram e mataram pelo menos cinco crianças no início dos anos 1960. O que deixou todos ainda mais chocados e revoltados foi o fato de uma mulher estar envolvida nessa monstruosidade, ainda mais porque até então só se ouvia falar de homens envolvidos em casos de assassinatos em série de cunho sexual, envolvendo crianças. Não é à toa que Hindley se tornou ainda mais odiada do que o autor principal dos crimes, Ian. O ápice da loucura de Ian aconteceu quando ele começou a se vangloriar de seus crimes para o cunhado de Hindley, David Smith. Quando este não acreditou, Brady fez com que Hindley levasse Smith à sua casa no dia 6/10/1965 para que ele presenciasse o assassinato de sua mais recente vítima, Edward Evans. Contudo, o rapaz ficou aterrorizado e fez uma denúncia formal à polícia que chegou ao local e encontrou o corpo. Depois de uma investigação detalhada encontraram fotos e uma fita com o assassinato de uma das vítimas. Os dois foram condenados à prisão perpétua. Estima-se que houve mais vítimas do que 5 vítimas.
 Charles Starkweather e Caril Ann Fugate
Casal composto por uma adolescente de 13 anos de idade, apaixonada pelo rapaz de 19 anos, rebelde, que adotava "estilo" de se vestir de James Dean. Uma história assustadora que pareceu motivada não apenas pela extrema violência, mas também por sua curiosa falta de inteligência. Em dezembro de 1957, em meio a uma grande discussão com a mãe de Caril(13 anos), quando Charles(19 anos) foi até a casa da garota para vê-la, ele teve um ataque de fúria, atirou nos pais dela e esfaqueou até a morte a irmã pequena de sua namorada. Quando Caril chegou da escola e viu o que tinha acontecido, ajudou Charles a limpar todo o sangue e os dois ficaram por vários dias, sozinhos, na casa. Sempre que chegava alguém para visitar a família, a menina dizia que todos estavam com "gripe" e não podiam receber ninguém. Até que a polícia chegou para investigar e o casal acabou fugindo. Depois disso os dois fizeram uma "farra" de assassinatos até que fossem pegos, em janeiro de 1958. Starkweather foi condenado à morte e Fugate, por sua pouca idade, recebeu prisão perpétua. 

Douglas Clark e Carol Bundy
Na época em que foram presos os críticos fizeram comentários à respeito de suas diferenças físicas, dizendo que os dois formavam um casal incomum, pois Douglas era um homem rico e sedutor, com inúmeras garotas em sua 'cola', enquanto Carol era uma mulher divorciada, com óculos de lentes grossas e problemas de peso. Acredita-se que Bundy tenha embarcado na "onda" de Clark por sua carência afetiva(aliada ao seu ledo 'sombrio', também, claro!). Não demorou muito para que Clark percebesse que Bundy seria a mulher perfeita(e imensamente manipulável) para que ele pudesse colocar suas perversões criminosas em prática. Bundy foi sentenciada à prisão perpétua e Clark recebeu a pena de morte.

Paul Bernado e Karla Homolka
Dois belos jovens de classe média, envolvidos em crimes bizarros. Bernado e Homolka tramaram juntos o estupro, tortura e assassinato de pelo menos 3 jovens, incluindo a irmã mais nova(15 anos) de Karla. Quando os assassinatos foram descobertos, Homolka se colocou como mais uma vítima, apenas, e aceitou fazer uma barganha onde ela assumiria a responsabilidade de homicídio culposo e receberia uma pena de 12 anos em troca de seu testemunho contra Bernado. Durante seu julgamento, em 1993, ela culpou seu abusivo marido Paul por todos os crimes, fazendo o papel de esposa abusada, recebendo a sentença combinada, no entanto, 2 anos depois, durante o julgamento de Paul Bernado, evidências mostraram que ela também estava diretamente envolvida nos assassinatos, permitindo que todos conseguissem perceber o quão solícita a cúmplice Karla havia sido durante o estupro e assassinato de duas vítimas. Bernardo tentou jogar toda a culpa na esposa, contudo as gravações em vídeo era altamente comprementedoras e ele recebeu prisão perpétua. Homolka ficou presa até 2005(o que gerou grande revolta entre a população canadense).

Fred e Rosemary West
Os crimes desse casal, de uma família aparentemente normal, chocaram o povo da Grã Bretanha, quando foram descobertos. Assassinatos que aconteceram por mais de 20 anos. Entre os corpos encontrados em sua casa, estavam os de Charmaine(filha de Fred com sua antiga esposa, foi morta por Rose num ataque de fúria), Heather, filha do casal e Rena(mãe de Charmaine, quando ela veio em busca da menina). Um total de 9 corpos foram retirados do pátio da residência dos West, bem como os corpos de outras vítimas em locais diferentes, achados posteriormente. Uma semana depois de terem sido acusados de assassinatos(dezembro de 1994) Fred se enforcou na cadeia. Rose recebeu pena de prisão perpétua.

As informações para essa postagem foram retiradas do livro citado no início: "Serial Killers - Nas mentes dos monstros" de Charlotte Greig.

Câmbio, desligo!

18 de ago. de 2012

Aileen Wuornos: O Monstro da Insanidade

Via Tumblr.
O termo Serial Killer já traz em si o pressuposto de insanidade. Difícil imaginar que alguém em perfeito balanço mental sairia por aí matando pessoas, por mais elaborados e bem planejados que os crimes fossem. Contudo, alguns casos assombram pelo grau de "loucura" envolvido. Esta é a situação de Aileen Wuornoos, a qual ficou conhecida mundialmente após sua história virar o filme Monster - Desejo Assassino. Aileen matou 7 homens baleados por diversas vezes: Richard Mallory, 51 anos; Charles "Dick" Humphreys, 56 anos; David Spears, 43 anos; Charles Carskaddon, 40 anos; Peter Siems, 65 anos; Troy Buress, 50 anos; E, Walter Jeno Antonio, 62 anos.

A vida da assassina nunca foi fácil, o que não é novidade no quesito de matadores em série, começando por sua infância. Filha de um homem condenado por abuso de menor foi abandonada conjuntamente com seu irmão Keith por sua mãe, passando a morar com sua avós maternos. Ali  passou a demonstrar os primeiros sinais de uma psique alterada quando se autoinflingiu queimaduras causando-lhe cicatrizes no rosto. Neste período passou demonstrar um comportamento sexual atípico, tendo vários parceiros, inclusive, seu irmão. Aos 13 anos ficou grávida e seu bebê colocado em adoção - já aqui ela afirmava ter sido estuprada. Sua avó veio a falecer e seus problemas com a justiça passaram acontecer, assim, quando Aileen tinha 15 anos foi expulsa de casa por seu avô. Sua vida na marginalidade e prostituição começara.

Os anos que se seguiram foram recheados de idas e vindas no sistema prisional, evidente desrespeito com autoridade e violência. Wuornos chegou a casar-se com Lewis Gratz Fell, 70 anos, presidente de um iate clube. Durante o matrimônio agrediu seu marido com a própria bengala, claro que ele conseguiu uma ordem de restrição contra ela. Entretanto, o relacionamento mais conhecido de Aileen foi com Tyria Moore, companheira dela na época dos crimes. As duas passaram a usar o dinheiro e carro das vítimas, o que acabou, eventualmente, conduzindo os policiais a pista para a solução dos crimes.

Aileen Wuornos durante o julgamento insistiu ter agido em legítima defesa, apesar de não haver provas de tal. Todavia, houve sinais de evidente desequilíbrio psiquiátrico por parte dela durante o julgamento, o que não a livrou da condenação de morte por injeção letal. Sua execução ocorreu em 2002, antes disto há uma filmagem dela relatando seus últimos momentos. O vídeo segue, mostrando um estado mental completamente alterado:



Como em outras tantas histórias de assassinos em série, a vida de Wuornos foi desvirtuada e assombrada por uma visão perturbada do mundo. A resposta, combinada com a insanidade, resultaram num monstro. 
Disease, insanity, and death were the angels that attended my cradle, and since then have followed me throughout my life. 

11 de ago. de 2012

A Metamorfose de Buffalo Bill

Imagem retirada DAQUI
Para mim o filme de serial killer a ser batido é, com certeza, O Silêncio dos Inocentes. Adoro cada detalhe de sua construção, seus personagens e o cuidado de mostrar o lado obscuro de forma inteligente. Neste ponto, a atuação dos intérpretes da trama é essencial para se captar todas as magnitudes e nuances envolvidas - Hannibal Lecter que o diga! 

Ao soar o nome das película, logo se pensa na mitológica figura do psiquiatra canibal, contudo, outra persona dá show em suas neuroses e patologias assassinas: Buffalo Bill, interpretado com precisão por Ted Levine. Logo cogitei falar sobre este quando o assunto LGBTT transformou-se na temática semanal. O motivo? Acho que é bem resumido por esta citação do filme:
Look for severe childhood disturbances associated with violence. Our Billy wasn't born a criminal, Clarice. He was made one through years of systematic abuse. Billy hates his own identity, you see, and he thinks that makes him a transsexual. But his pathology is a thousand times more savage and more terrifying. - Hannibal Lecter
Buffalo era um transexual que foi levado aos extremos quando seu desconforto corporal, seguido por anos de abusos, transformaram-se em um ódio por quem ele era. Não se tratava de estar vivendo dentro de uma morfologia corporal errônea, mas sim, de ser toda uma pessoa errada.

Para quem não assistiu ao filme - corra ver - ou não se recorda muito bem, Bill é procurado por estar matando garotas plus size e retirando a pele delas. Seu intento é todo focado na necessidade de, literalmente, costurar uma nova identidade pessoal. Assim como na situação de Norman Bates, fico imaginando o inferno que o trouxe a tamanhas atrocidades. Uma das cenas mais emblemáticas para o deslindar do psicológico de Buffalo é a que segue; Dançando em frente ao espelho percebemos quem ele anseia ser. 


Outro uso belíssimo de metalinguagem artística é o casulo de uma mariposa depositada junto aos corpos. Ali se vê a esperança em fase de mutação, uma metamorfose que lhe foi negada sendo tomada a força.

O filme não mostra qual seria o passado sombrio de Buffalo Bill, entretanto, seus atos desesperados e desequilibrados demonstram uma "fé" maquiavélica de que, se a sociedade não lhe permitiu alcançar o que seu eu interno gritava, os fins justificariam os meios.

Aviso: Falo aqui de uma personagem. De maneira NENHUMA tais análises PESSOAIS refletem o real estado de um transexual. Esta é uma coluna dedicada ao terror visando ao entretenimento tão somente. Ademais, confiram as postagens da semana LGBTT

28 de jul. de 2012

Playlist Bad Girls

Via Tumblr.
Dizem que, enquanto as boazinhas vão para o céu, as garotas malvadas vão para qualquer lugar; Então, como nesta sessão de terror eu já falei destas bad girls dentro do universo cinematográfico, da literatura e da realidade, resolvi dar uma pesquisada e ver como elas estavam sendo representadas dentro do cenário musical. Com isto, montei a playlist que segue, passando de mulheres assumindo o seu lado mais sombrio até eles reclamando da malvadeza delas. Peguem mais uma dose da sua bebida preferida e soltem suas feras ao som de:

E começo a listagem de músicas com a canção tema do nosso Vlog; A ousada voz de Ida Cox canta sobre a leveza de ser e viver no lado mais selvagem da história, sem o blues.

Tão purrfect é a Eartha Kitt miando aos quatro cantos do mundo que seu estilo garota boazinha nada lhe trouxe, a não ser cansaço. Estava mais do que na hora em ser má. 

Pode até ter sido por um momento de insanidade, mas, Marisa Orth agiu de forma extrema. E não dá para deixar de entender, quando a mulher é atingida assim na TPM....

Quem assistiu ao ótimo Assassinos por Natureza sabe que a voz hipnotizante de Juliette é um hino aos verdadeiros seres nascidos de pura maldade.

Talvez aqui não seja nem a questão do ser má, mas sim, de assumir seu papel feminino e provar que não há nada de degradante em ser mulher. You go Madonna!

"Live fast, die young; Bad Girls do it well" é com certeza um mantra para as mais ousadas e irresponsáveis mulheres, movidas pela emoção como a inglesa M.I.A. 

Quando tudo o que você deseja é aquele cara, sendo capaz de assumir os riscos mais loucos para tal, o resultado pode ser extremamente perigoso. Fergie demonstra muito bem o que é isto.

Todos temos a maldade arreigada em nossas almas, basta saber como e quando acessá-las. Hinder traz a opção dos sonhos, melhor dizendo, dos pesadelos.

Juanes traz a história triste de uma mulher que se viu obrigada, pelas circunstâncias desfavoráveis, a ser ríspida, crua e fria.

As malvadas podem ser extremamente sedutoras, especialmente após o anoitecer. E se for uma vampira então... Tito & Tarantula são presas fáceis.

Esta maravilha musical gravada por Nick & The Bad Seeds conta uma historinha com um início inocente, mas, a traição venha em ponta de faca.

Já falei da maligna Elizabeth Bathory por aqui. Os garotos do Venom trazem a sua vida musicada, com muitos riffs e voz profunda.

Sim, esta canção tem pouco mais que 30 segundos, entretanto, sua musicalidade é assombrosa. Valendo-se da história da menina Mary Bell - próxima a ser comentada nesta sessão - Macabre ressoa na mente.

Nickelback ficou impressionado com a frieza de uma adolescente que teve seu filho durante o baile de formatura, largou ele no lixo e voltou a dançar como se nada tivesse acontecido. E como não ficar? 

E, para finalizar, mais uma serial killer: a monstruosa Aileen Wournos foi a inspiração para esta música do Church of Misery.


Para finalizar um conselho:
Seja o tipo de mulher que toda a vez em que encoste o pé no chão pela manhã o Diabo diga: "Oh droga, ela acordou!"