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11 de mar. de 2013

Poeta do amor e também da amizade...

Olá, queridos visitantes do Antes que ordinárias!

Então agora vamos ao breve post de hoje, na verdade, trazendo uma postagem que fiz em meu blog pessoal, Umas e outras. Neste final de semana assisti pela enésima vez o filme "O carteiro e o poeta". Então, resolvi compartilhar e indicar para os que ainda não viram e/ou para os que já assistiram e desejam se deliciar novamente com esse belo filme.


O carteiro e o poeta conta a história do simplório Mário(Massimo Troisi), que vive em uma ilha, na itália. Ele é filho de pescador(ofício exercido pela maioria dos homens de seu vilarejo) que por desejar fugir de seu "carma" de se tornar também pescador, acaba por trabalhar no correio, onde exerce a função de entregar cartas, exclusivamente, ao exilado(por razões políticas) poeta Pablo Neruda(Philippe Noiret). 
Dessas visitas nasce uma bela amizade e Mário acaba recorrendo ao poeta para que o ajude a conquistar a bela Beatrice.  


Esse filme é uma poesia em forma de película. Simplesmente lindo... cada vez que assisto me encanto mais e mais pela simplicidade de Mário e a sensibilidade de Neruda. Por meio das palavras os dois se tornam imensamente ligados.


Um dos diálogos que mais gosto é quando Mário diz à Pablo que A poesia não é de quem a escreve. Mas de quem precisa dela.

Um filme que vai além do título de Poeta do Amor, que Neruda carrega. 

 Enfim, o poeta do amor, num filme que fala não só de amor, mas, principalmente de amizade!



Se você não assistiu, então fica a dica. 




Beijinhos...


Câmbio, desligo!

5 de mar. de 2013

Dois Momentos Irônicos na Trilha Sonora de Nascido para Matar


No post do Questionário Cinematográfico respondi algumas questões com filmes de um cineasta adorado por muitos, inclusive por mim: Stanley Kubrick. Neste final de semana tive a felicidade de esbarrar com uma de suas películas passando na telinha, mais precisamente no canal TCM durante um especial sobre a Guerra do Vietnã. Nem preciso falar qual é a obra cinematográfica de Kubrick, neh?!

Nascido para Matar é baseado em um livro de Gustav Hasford, chamado The Short-Timers. A trama é claramente dividida em duas partes: o Treinamento e a Batalha. Em ambos os segmentos a principal característica fixa-se na frieza/crueldade, no sabor de desumanidade recaída em cada instante. Com certeza é um retrato bem particular de uma das guerras mais contorversas já registradas.

Como não poderia deixar de ser, a trilha sonora corresponde a altura! Desde as composições específicas para a película até os clássicos da cultura popular, como Paint it Black ressoando nos créditos finais, funcionam. Mas, foram as inserções musicais com ar contraditório que concederam a cena - como se quisessem desdizer o já dito -  as que mais me encantaram.

Desta forma, selecionei duas cenas do filme que combinam músicas improváveis e um gostinho de ironia, bem no estilo ousado de Stanley; Confira:

Ordem dos Vídeos:
Música Original. . ........ . .... Música no Filme
A canção de Nancy Sinatra - como podem ver pela tradução AQUI inclusa - conta a história de uma garota sensual e decidida, pronta para desprezar. Quando da gravação Nancy foi incentivada a cantar como se fosse uma adolescente esnobando um quarentão. Sabendo disto, fica fácil de notar a ironia na cena de Nascido para Matar quando a protagonista do momento é uma prostituta vietnamita tentando conseguir um trabalho. Por mais que, como diria Satine de Moulin Rouge, "a girl has got to eat", garanto que ela estaria pensando no quanto adoraria aniquilar os soldados americanos com suas botas!


Ordem dos Vídeos:
Música no Filme. . ........ . .... Música Original
Que Surfin' Bird é um clássico do surf-rock todos sabem. Ou, caso não se tenha associado o título da música a própria fica aqui uma dica: "Papa-Oom-Mow-Mow". Gravada em 1963 pela banda The Trashmen, a canção logo chegou entre os hits mais executados graças ao ritmo contagiante e letra nonsense super divertida. Até aqui tudo bem. Contudo, ao ver esta música servindo de fundo para cenas de combate emolduradas por sorrisos insensíveis diante da guerra, gera-se certo incômodo. O humor inerente da canção serve de contraste entre o horror e o prazer de matar. A ironia do divertimento perante a destruição do outrem é perfeitamente desenhada com esta soundtrack.


Irônico, não?!


18 de fev. de 2013

Crise de Abstinência de Magia


Hoje não consigo parar de ouvir uma certa música do ZZ Top - Over You; Aquela voz cortada implorando por encontrar uma forma de esquecer o passado, mantendo a resistência necessária para levantar-se e mudar de vida... Impossível deixar de correlacionar conosco, não é verdade?


Há quem diga que a insatisfação é condição humana primordial, não se exaure. Penso, particularmente, que a questão não se rege pela satisfação do esperado, mas, pela busca por tal. Afinal, que força motriz consideraria a mudança se o aguardado não fosse extraordinário? Esta foi a premissa que enxerguei na película Broken English de 2007. A personagem principal Nora Wilder está vivendo uma sequência de eventos cômodos, os quais chama de vida. Na casa dos 30, solitária e confusa, Nora inicia uma jornada de pequenos trajetos rumo ao equilíbrio. Entretanto, em que pese jure ser amante da estagnação, vê-se arrebatada ao conhecer Julien. Uma atitude drástica é o que lhe resta.

  • Atire a primeira pedra quem nunca quis acordar da apatia diária.
Qual é a melhor forma de escapismo para uma realidade melhor? Sou das que foge ou em letras ou em cenas; Quando escolhi este filme, estava fugindo daquela insatisfação pungente de quem tem manias de poeta. Não imaginava eu que esbarraria com um leve contorno dos meus medos e anseios. Carregamos a vida ou o seu fluxo é que nos conduz? A resposta sempre vem depois de uma ressaca moral, precedida de uma conjugação de passos anestesiados... Um dia você acorda e percebe que deixou de perceber; Seu trabalho é automático, seus gestos são uma cópia apagada dos de ontem, seus relacionamentos rasos. Um dia você acorda em apatia. O que resta é agir ou continuar. Norma agiu, ZZ Top agiu, eu agi.... e você? Vai ficar só na crise ou correr em direção a magia?

- It’s not wrong to want someone to love you. Most people are together just so they are not alone. But some people want magic. I think you are one of them. 
- Something wrong with that? 
- Nothing, but it doesn’t happen all the time.


— Broken English


Quando falo em magia, não tento expressar algo tão inalcançável quanto o conceito literal prega. Não! Imagino as escolhas que evitamos por comodismo e que, no final da equação, fariam a diferença necessária para um melhor estado de espírito. Acomodar-se até as situações mais desagradáveis é fácil; O complicado é encarar a mudança. Nisto baseia-se o filme Good Dick de 2008, o qual traz uma jovem problemática, presa em si mesma, mas que, graças a estas intempéries da existência, encontra alguém disposto a impor uma alteração.

  • Confronta-te!
Já parou na frente do espelho perguntando-se: Como me transformei em quem sou? Gosto disto? Por mais que as circunstâncias do ontem sejam bagagens pesadas e assustadoras, uma hora temos que enfrentar o que está escondido nas reentrâncias caladas do passado. Encarar, selecionar e deixar para trás. Somente abrindo espaço é que o novo pode aninhar-se. Quer uma perspectiva nova em sua vida? Que tal começar dando um novo passo, tomando um novo rumo, bancando seu guia pessoal ao mágico...   

Que vida?! O que você faz? Você não faz nada!

- Good Dick

... Já disse Anäis Nin:
"Nego-me a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária, a estabelecer relações ordinárias. Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Adapto-me a mim mesma."

11 de fev. de 2013

Perfis de Mulher: Carmen Miranda


Em época de carnaval, nos lembramos de grandes nomes do samba. Quem quer dar um toque mais vintage à folia com certeza dança ao som de Carmen Miranda, portuguesa de coração e alma brasileiros, que levou a música e os estereótipos do nosso país para o mundo e, apesar da vida curta, permanece um ícone não apenas na mente dos foliões, mas também de todos que apreciam bons filmes e boa música.
Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu em 1909 numa pequena vila perto do município de Marco de Canaveses, em Portugal. Apelidada de Carmen pelo pai, um amante de ópera, era a segunda de seis filhos. Quando tinha um ano de idade, veio com a mãe para o Rio de Janeiro, onde o pai já estava havia alguns meses. Aos 14 anos parou de estudar e foi trabalhar em uma boutique, a fim de ajudar a pagar o tratamento de tuberculose da irmã mais velha. Aprendeu a costurar e abriu sua própria chapelaria, onde cantava enquanto trabalhava. Esse hábito lhe trouxe a oferta de gravar um disco.
O sucesso de seu disco levou Carmen a seu feito pioneiro inicial: ela foi a primeira pessoa a ter um contrato com uma rádio no Brasil, a Mayrink Veiga do Rio de Janeiro. Suas apresentações no rádio e ao vivo faziam sucesso e, em 1939, ela foi abordada por um agente da Broadway que queria levá-la para seu show. Ela aceitou, com a condição de que seus companheiros do Bando da Lua fossem junto.
O êxito na Broadway se repetiu nos filmes. Sua primeira experiência cinematográfica foi em 1933, no documentário “A voz do carnaval”, mas foi com os musicais que ela se consolidou. Se Getúlio Vargas apoiou sua ida para os Estados Unidos, em um fato inédito, durante a Segunda Guerra Mundial o presidente Roosevelt resolveu usá-la como parte da “política da boa vizinhança”, que consistia em manobras culturais para aproximar os EUA dos países latino-americanos. A ideia funcionou, e os filmes de Carmen fizeram imenso sucesso.
A admiração dos americanos e do povo brasileiro não era compartilhado pela elite do Brasil. Em 1940, ao fazer um evento beneficente, ela foi vaiada e criticada por levar uma imagem negativa do nosso país para o exterior. De fato, era estereotipada os filmes, tendo de falar com forte sotaque. Depois do incidente, gravou a música “Disseram que eu voltei americanizada” e ficou 14 anos sem voltar ao Brasil.
Nos EUA, continuava colhendo os frutos da popularidade: em 1941 foi a primeira e até hoje única latina a imortalizar suas mãos e pés no cimento do Grauman’s Chinese Theater. Em 1945, era a mulher mais bem paga de Hollywood. Infelizmente, este foi também seu último ano de glórias. Seus próximos filmes fracassaram, e sua imagem exótica já não mais agradava. Casou-se em 1947 com um produtor de cinema, David Albert Sebastian, e sofreu um aborto espontâneo no ano seguinte. O casamento também naufragou, embora ela não tenha tido tempo de se divorciar.
Se em uma época ela era adorada e parodiada, lançava moda e hits musicais, agora Carmen era consumida por álcool, tabaco, anfetaminas e barbitúricos. Ela só se recuperou de um colapso nervoso ao voltar para o Brasil, tendo desta vez uma recepção mais calorosa. De volta aos EUA, quis encerrar sua carreira mas, durante a gravação de um episódio do programa de TV “The Jimmy Durante Show”, ela teve um ataque cardíaco. Não se abalou e continuou seus número. Naquela noite, enquanto dormia, teve outro ataque cardíaco, este fatal. Aos 46 anos de idade, estava morta, e seu funeral no Rio de Janeiro foi acompanhado por meio milhão de pessoas.
Selo americano de 2011
Suas músicas ainda são consideradas marcas registradas do Brasil. Sua vida foi objeto de estudo, de livros e documentários. No entanto, o que mais permanece é sua imagem. No início da década de 1940, as lojas norte-americanas foram invadidas por roupas brilhantes, sapatos de plataforma, joias chamativas e chapéus de fruta. Até hoje joias em formato de frutas são confeccionadas inspiradas nela e todo carnaval podemos encontrar um folião fantasiado de Carmen.     

“Vou empregar todos os meus esforços para que a música popular do Brasil conquiste a América do Norte, o que seria um caminho para a sua consagração em todo o mundo.”

Carmen Miranda (1909 – 1955)

1 de fev. de 2013

Perfis de Mulher: Audrey Hepburn

No dia 20 de janeiro foram lembrados os vinte anos da morte da atriz Audrey Hepburn. Conhecida mundialmente como ícone fashion, ela revolucionou a relação entre cinema e moda através de sua parceria com o estilista Givenchy. Considerada uma das mais belas atrizes, mostrou-se também talentosa e versátil, além de ter um importantíssimo legado: seu trabalho junto à UNICEF.
Audrey Kathleen Ruston nasceu na Bélgica em 1929, vindo de família aristocrática por parte de mãe. Tinha dois meio-irmãos mais velhos do primeiro casamento de sua mãe. Depois que o pai saiu de casa ao ter uma traição descoberta pela esposa, Audrey, a mãe e os meninos foram para a Holanda. A Segunda Guerra estourou e trouxe dificuldades para a família. Um dos meio-irmãos foi para um campo de trabalhos forçados, Audrey e a mãe ficaram escondidas na casa de parentes. A menina sofreu de desnutrição e anemia. Transformava bulbos de tulipa em farinha para fazer bolos e pães, além de depender das escassas rações que eram dadas às populações dos locais ocupados. Especula-se que sua magreza posterior tenha tido raízes nesses tempos difíceis.
Tendo lições de balé desde os cinco anos e havendo inclusive se apresentado durante a guerra para angariar fundos para a resistência holandesa, o palco era seu caminho natural. Em Londres, tornou-se parte do coro teatral e, ao receber a notícia de que seu físico alto e má nutrição a impediriam de ser tornar primeira bailarina, resolveu virar atriz. Sua primeira aparição em um filme foi como uma aeromoça numa película educativa que prometia ensinar “holandês em sete lições”. Continuou no palco e nas telas, sendo seu primeiro papel mais importante no cinema justamente o de uma bailarina.
1954 foi o melhor ano de sua vida. Em tour com a peça “Gigi”, para a qual foi escolhida pela própria autora, Audrey chegou aos Estados Unidos em 1953 e atraiu a atenção do diretor William Wyler, que lhe deu o papel principal em “A princesa e o plebeu / Roman Holiday”. Esse filme lhe garante sucesso de crítica e também o Oscar, BAFTA (prêmio inglês) e Globo de Ouro de Melhor Atriz. Seu estilo chama a atenção das revistas e fashionistas. No mesmo ano estreia na Broadway, onde conhece seu primeiro marido, o também ator Mel Ferrer. Ganha o Tony, prêmio teatral, de Melhor Atriz, e se casa com Mel.    
Seus trabalhos no cinema são os mais variados, indo do drama “Uma cruz à beira do abismo / The nun’s story” (1959) à comédia “Charada / Charade” (1963), passando por romances como “Sabrina” (1954). No entanto, seu papel mais marcante com certeza foi Holly Golightly em “Bonequinha de Luxo / Breakfast at Tiffany’s” (1960). Tanto o autor do livro, Truman Capote, quanto a própria atriz acreditavam que ela não era a melhor escolha para ser a protagonista, mas este se tornou seu mais conhecido e amado filme.
Embora haja alguma confusão sobre se há ou não parentesco entre Audrey e a também atriz americana Katharine Hepburn, para resolver a dúvida é só buscar a origem do sobrenome na vida de cada uma. Enquanto Kate foi batizada com o sobrenome, Audrey adquiriu-o do pai após este adicioná-lo ao nome, pensando ser descendente da rainha Mary da Escócia. O pai de Audrey nada tem a ver com a rainha, mas, curiosamente, Katharine é uma descendente de Mary.
Embora contribuísse para a UNICEF desde os anos 50, foi só na década de 1980 que seu esforço passou a ser em tempo integral. Realizou visitas a diversos países, uma vez que falava seis línguas, e se preocupou com as crianças carentes. Mesmo não sendo este seu objetivo, Audrey ganhou prêmios também por seu trabalho filantrópico, incluindo um prêmio humanitário no Oscar, sendo este póstumo. Também ganhou postumamente o Emmy e o Grammy, o primeiro por um documentário feito em vários países e o outro por um álbum de histórias para crianças.
Durante seu casamento com Mel, sofreu quatro abortos espontâneos. Seu filho Sean nasceu em 1960 e, oito anos depois, ela e Mel se divorciaram. Seu segundo casamento foi com o psiquiatra italiano Andrea Dotti, que conheceu em um cruzeiro pelas ilhas gregas. Com ele teve o filho Lucca, já aos 40 anos, e sofreu mais um aborto, aos 45. Sempre preocupada com os filhos, só iniciou ambos os divórcios quando sentiu que os meninos poderiam lidar com o fato de serem criados só pela mãe. Depois de se separar de Andrea, passou a viver com o ator holandês Robert Wolders e, embora não fossem casados legalmente, Audrey disse que esse foi o melhor período de sua vida. Hoje o filho Sean é o responsável pelo legado da atriz.
Audrey faleceu de câncer no apêndice. Descoberta quatro meses antes, a doença se mostrou incurável. Seu legado é imenso e, apesar de ter um estilo invejável, suas escolhas casuais demonstravam a simplicidade que sempre foi sua marca e sua melhor qualidade.

“Lembre-se de que, se você precisar de uma mão amiga, estará na ponta de seu braço. Quando você envelhecer, lembre-se de que você tem outra mão: a primeira é para ajudar você mesmo, a segunda é para ajudar os outros”.
Audrey Hepburn (1929-1993)

1 de dez. de 2012

Perfis de Mulher: Mabel Normand


Se fosse necessário apontar uma pioneira na área da comédia, esta com certeza seria a atriz de cinema mudo Mabel Normand. Um dos mais importantes ícones de seu estúdio e de sua era, ela não apenas fez multidões rirem, mas também criou diversas situações cômicas ao escrever e dirigir alguns filmes. Sem ela, também, provavelmente Chaplin não teria chance no cinema e alguns dos momentos mais preciosos da sétima arte nunca teriam sido criados. Em paralelo às comédias que interpretava nas telas, Mabel enfrentava dramas em sua vida pessoal.
Nascida Amabel Ethelreid Normand em Staten Island, perto de Nova York, sua data de nascimento é controversa: parentes dizem ser 1892, enquanto as publicações de quando ela estava no auge diziam 1894 ou 1895. Era a filha mais nova de várias gestações malfadadas. Quatro filhos sobreviveram ao parto e apenas três chegaram à idade adulta. Aos 14 anos Mabel deixou o colégio interno, longe de casa, para trabalhar como modelo e ajudar financeiramente a família, tendo tempo apenas para estudar desenho e música à noite. Seu pai era carpinteiro e músico itinerante e Mabel queria ser uma grande musicista.
Em 1910 ela conseguiu alguns trabalhos como extra em estúdios de cinema e logo evoluiu para papéis maiores. Seus primeiros empregadores e colegas de cena ensinaram-lhe muito, embora ela já tivesse aprendido várias expressões faciais, tão essenciais no cinema mudo, durante sua experiência como modelo. Nesse tempo ela atuou com igual sucesso em dramas e comédias, tornando-se logo ídolo das plateias.
Sua predisposição para a comédia falou mais forte e, quando foi para a Califórnia, logo se juntou ao recém-fundado estúdio Keystone. Seus trabalhos lá eram basicamente filmes curtos e que causavam riso fácil. Sua persona cinematográfica se consolidou nesta época: Mabel, a personagem, era uma moça espoleta que vivia as mais loucas situações, que exigiam que Mabel, a atriz, fizesse cenas arriscadas sem dublê.   
No final de 1913, Mabel era a mais importante estrela feminina do estúdio, mas seu chefe, Mack Sennett, sofria com a perda de dois atores que foram tentar carreira solo. Para substitui-los, ele foi até a Inglaterra e contratou um comediante do teatro, chamado Charles Chaplin. Reza a lenda que Sennett detestou os primeiros trabalhos de Chaplin para o estúdio e queria demiti-lo, mas Mabel insistiu para que Charlie ficasse. Esta passagem é retratada no filme “Chaplin” (1992), em que Mabel foi interpretada por Marisa Tomei. O ator permaneceu no estúdio, Mabel tornou-se sua melhor amiga e ele foi ganhando prestígio e o melhor, liberdade criativa.
Em meio a alguns de seus maiores sucessos, como “Mickey” (1918), feito em sua própria produtora, Mabel viu-se no meio dos maiores escândalos de sua época. Em 1921, seu antigo colega de trabalho Roscoe “Fatty” Arbuckle foi acusado de estupro e assassinato de uma jovem atriz em uma festa, gerando um debate inédito sobre a moral nos filmes e a conduta dos atores. No ano seguinte, o diretor William DesmondTaylor, que estava lhe ensinando muito sobre artes, foi assassinado e Mabel foi a última amiga a vê-lo com vida. Muitos questionaram o envolvimento dela com o diretor e levantaram a hipótese de o culpado ter cometido o crime por ciúmes de Mabel. Logo no início de 1924 seu motorista atirou em um magnata que havia feito um comentário maldoso sobre ela. E, no mesmo ano, ela foi apontada como pivô de uma separação, o que mais tarde foi comprovado ser uma acusação falsa.
Todos esses problemas geraram consequências para Mabel, embora seu envolvimento fosse mínimo. O destaque dado a ela pela imprensa acabou ajudando a divulgar alguns de seus filmes que viraram sucesso de bilheteria, mas a cada nova confusão ela se tornava mais triste e sua atuação tinha mais traços de sofrimento. O fracasso de sua única peça, feita em 1925, também não ajudou.
Sua saúde começou a declinar já em 1915, quando ela sofreu uma concussão mal explicada na cabeça. Há quem diga que foi a amante de Mack Sennett, então noivo de Mabel, que tenha atirado um objeto na cabeça da atriz. Depois de um tempo no hospital, ela começou a tomar remédio para aliviar a dor, viciando-se no medicamento. Algumas fontes citam que ela também seria viciada em cocaína e foi o desejo de livrar-se do vício, e não o interesse por livros, que a fez se aproximar de William Desmond Taylor. Assim como muitas estrelas da época, ela também não levava uma vida regrada, alimentando-se de forma errada e participando de festas selvagens que duravam a noite toda. Todos esses fatores, aliados a fraturas ocorridas em suas cenas sem dublê, levaram-na a contrair pneumonia em 1923, tendo uma recaída quatro anos depois. A pneumonia evoluiu para uma tubercolose que acabou por matá-la em 1930.
Mabel e Lew Cody
Novamente há muitos boatos sobre a vida amorosa de Mabel. Sua relação com Chaplin e o magnata Samuel Goldwyn ainda é motivo de controvérsia. Sennett, seu ex-noivo, jamais se casou. Estando em Paris em 1922, ela foi pedida em casamento por um príncipe egípcio, mas recusou. Em 1926, casou-se com Lew Cody, com quem já havia contracenado. Os dois tinham grandes diferenças e viviam separados, mas Cody, assim como seus muitos amigos de Hollywood, foi de total importância para Mabel em seus tempos difíceis. Cody faleceu em 1934, vítima de problemas cardíacos. Sem viver para enfrentar as mudanças causadas pela chegada do som ao cinema, Mabel Normand deixou um legado de comédias que ainda divertem e uma história de vida que ainda emociona.   

3 de nov. de 2012

10 Mães Apavorantes do Cinema

A figura materna de forma geral é associada a zelo e carinho; Aquele ser disposto a tudo pelo bem estar de sua "cria". Contudo, as pessoas são falhas, obscuras e imprevisíveis. Verdade seja dita, estamos distantes do que é tido como ideal. Como o cinema terror é baseado nos equívocos de caráter, nas más escolhas e - é claro - no lado sombrio da humanidade, obviamente que as Mães não fugiriam a regra. Para comprovar tal, fiz uma lista com 10 das Mães Mais Apavorantes do Cinema; Confira:


Mrs. Bates
Psicose (1960)
E quem é a pedra basilar das mães insanas? Claro que um fruto de uma película sob o olhar da mente inquieta de Alfred Hitchcock! A história deste jovem que sofre com a dominação da mãe e seus resultados extremos é tão bem trabalhada que acabou abrindo precedentes até hoje seguidos.

Lucy Harbin
Almas Mortas (1964)
Aqui a mãe do filme foi internada em um Hospital Psiquiátrico após matar seu marido e a amante dele com machadadas - detalhe, na frente da filha. Após 20 anos de internação ela é liberada e se reúne com a filha, já adulta. Contudo, as mortes voltam a acontecer... Coincidência?

Margaret White
Na minha sincera opinião esta é a PIOR mãe dos cinemas (e literatura)! Usando da religião como desculpa para torturar a pobrezinha da Carrie, deixa claro que o fato desta ter nascido mulher já era por si só pecado. Abusiva ao extremo - louvores para Piper Laurie que está surreal no papel -, com certeza não facilitou para a filha, que além de sofrer bullying no colégio era telecinética. Como é que Carrie teria alguma chance com uma mãe destas?

Mrs. Wadsworth
The Baby (1973)
Mais uma mãe abusiva para a lista, esta acompanhada de suas duas filhas. Este terror cult com ares de drama, conta a história de uma assistente social que tenta ajudar um garoto de 21 anos vivendo como um bebê, literalmente. Proibido de falar, andar e crescer intelectualmente por seus familiares, fica num berço e é submetido a castigos.

Vera Cosgrove
Fome Animal (1992)
Quem diria que Peter Jackson sairia do Gore para o Oscar! Nesta película de zumbis, com boas doses de sustos, humor e gosma, Vera Cosgrove se mostra uma mãe castradora e dominadora - até mesmo depois de "morta". 


Beverly R. Sitphin
Uma mãe suburbana esconde um segredo: É uma Serial Killer! Nesta sátira com pitadas de horror de John Waters - aquele de Pink Flamingos - traça-se o perfil de uma verdadeira psicopata. Alguns detalhes do filme são inesquecíveis, como a referência ao Almas Mortas, acima citado.


Gertrude Baniszewski
Baseado em uma história real, este drama - que para mim soou como terror psicológico - conta a história desta garota deixada pelos pais aos cuidados de Gertrude, uma mulher amargurada e sem vocação para ser mãe, em que pese tenha vários filhos. Os abusos cometidos por ela e/ou incitados pela mesma a serem cometidos pelas outras crianças são revoltantes. Neste link você pode ler sobre o crime real. 


Mrs. Pamela Voorhees
Ah... Não dava para deixar de comentar sobre a mãe de Jason. Esta sim é a verdadeira percursora da franquia, e tudo isto por vingança! Aparentemente, talento para a matança pode ser genético.


Joan Crawford
Você pode me perguntar: Mas, a atriz Joan Crawford? Ela mesma, sob a ótica da filha que escreveu uma biografia chamada Mommie Dearest, contando todos os abusos que sofreu por parte da estrela. Nos anos 80 levou-se a história para o cinema. O quanto disto é real, não sei. Mas, com certeza a Joan Crawford retratada no filme é uma mãe apavorante! No blog La Dolce Vita há um post bem interessante comentando sobre o filme.


Dorothy Yates
Frightmare (1974)
Nesta produção inglesa a matriarca da família é completamente desajustada. Assassina por compulsão, nem  o tempo em que foi internada ajudou, ao retornar para a sociedade mantém os antigos e pavorosos hábitos. 


Só para terminar de dar o tom desta lista, deixo aqui o bom e assustador curta metragem espanhol intitulado Mamá:


2 de nov. de 2012

Assunto de Mulher: Quando Compreendi o que é Amor

Sempre vi o mundo como este lugar onde eu realmente não pertencia.

O título pode até soar pretensioso, como compreender o amor (falo aqui do romântico)? Não há como delimitar o sentimento em uma definição específica, ou mesmo uma manifestação tal que impeça a dúvida. Sei disto. Mas, a percepção pessoal do que seria esta vastidão ilusória que mistura tesão e carinho, esta sim pode ser revelada. O meu instante ocorreu frente ao filme Antes do Amanhecer, ainda nos idos da boa época da Sessão da Tarde.

Se me perguntarem qual o filme que eu considero mais romântico, com certeza seria este. É simples, arreigado a segundos de compartilhamento e reconhecimento pessoal. Poderia definir como: Uma conversa incessante de duas almas. O arrebatamento é construído  na importância das palavras cedidas e recebidas. Para alguns pode ser visto como "sem graça", para mim é a própria definição do que a intensidade significa, um mergulho interno sem pudores.

Celine e Jesse se conhecem no caminho de suas viagens. Cruzaram e arriscaram, mudando o trajeto para que algumas horas fossem vividas juntas. Há uma ousadia nesta ação, nem falo por serem desconhecidos, quando os dois optaram por saltar do trem, não temeram baixar a guarda e revelar-se. O trivial costuma dominar as relações de hoje... Eles tinham um dia, fizeram mais do que muitos fazem em uma vida.

Numa das cenas mais bonitas da película - que é repleta de momentos preciosos - o casal discute sobre o que seria mais importante na vida. Neste diálogo Celine definiu o amor como algo divino, residindo no espaço entre duas pessoas. Em suas palavras: "Se há algo de mágico neste mundo, deve estar na tentativa de compreender alguém, compartilhar algo. Sei que é quase impossível ter sucesso... Mas, quem se importa? A resposta deve estar na tentativa.":


Em que pese hoje viva um momento mais Jesse, querendo alguma coisa além, as pouquíssimas vezes em que me apaixonei - não sou daquelas que faz juras de amor tão facilmente - vi-me como Celine; Buscando  perceber o espaço entre nós dois.

Para mim não é possível falar de amor sem o conforto de "ser eu mesma" e vice-versa. O silêncio é um outro bom indicativo disto, as vezes palavras não valem tanto quanto o estar junto, ao som de Kath Bloom.


Celine e Jesse se perderam durante anos, até se reencontram no Antes do Pôr-do-Sol. Rever os dois e notar que aquela noite sobre as estrelas foi o referencial de amor deles, só me fez acreditar mais e mais de que compreender o sentir assim não era errado. Quem sabe um dia eu tenha a sorte e encontre o que não temo procurar.

Você não pode substituir ninguém... porque todos somos feitos de belos e específicos detalhes.

29 de set. de 2012

Perfis de Mulher: Jean Harlow


Antes de existir Marilyn Monroe, a loira sensual, havia ela: Jean Harlow, a sex-symbol platinada. Jean foi a inspiração de Marilyn e em muito suas vidas coincidem. Jean viveu apenas 26 anos, teve uma carreira que durou menos de uma década, casou-se três vezes, jamais concretizou seu amor verdadeiro, mas, de certa forma, teve mais sorte e talento que Marilyn.
Nascida Harlean Carpenter, em 03 de março de 1911, filha única e apelidada de Baby, foi criada com muitos mimos por sua mãe, de quem permaneceu muito próxima a vida toda. Aos 16 anos Jean fugiu para casar-se e foi para Hollywood. Conseguiu destaque em pequenos filmes da dupla O Gordo e o Magro, na época da transição do cinema mudo para o falado, mas seu maior sucesso veio com o filme de 1930 “Hell’s Angels”.
Jean transitava com facilidade entre o drama e a comédia, pois, ao contrário de Marilyn, nunca foi estereotipada. Um de seus maiores sucessos foi a comédia “Jantar às Oito”, de 1933. Contracenou seis vezes com Clark Gable, que a chamava de irmãzinha. Foi também durante as gravações de um filme, “Reckless”, de 1934, que ela conheceu o grande amor de sua vida: o ator William Powell.
William era 17 anos mais velho que ela, tinha um filho e duas ex-mulheres quando eles se conheceram. Jean já havia sido casada três vezes, sendo que o segundo marido, um feioso assistente de Hollywood, cometeu suicídio após uma desastrosa lua-de-mel. Apesar da tragédia, Jean não se fechou para o amor, pois seu maior sonho era ser esposa e mãe, e viu no seu relacionamento com William a possibilidade de realizar esse sonho.
As condições de sua morte, aos 26 anos, ainda são controversas. Algumas teorias apontam para alcoolismo, intoxicação pela água oxigenada que usava nos cabelos ou consequência trágica de um aborto feito anos antes, enquanto uma história bastante difundida culpa a mãe da estrela de não querer hospitalizá-la. Hoje a hipótese mais aceita aponta para falência dos rins, que foram se degenerando a partir dos 15 anos, quando Jean teve febre escarlatina. Ela não terminou seu último filme, “Saratoga”, e uma dublê foi usada para as cenas restantes. Há relatos de que, após a notícia de sua morte, houve silêncio absoluto durante três horas nos estúdios da MGM.  
Ídolo de Marilyn Monroe, havia na época da morte de Marilyn negociações para que ela interpretasse Jean nas telas. Isso só se concretizou em 1965, quando a loira foi interpretada por Carroll Baker. No mesmo ano foi publicado um livro de ficção escrito por Jean em 1934, “Today is Tonight”. Recentemente sua “figura” apareceu brevemente no filme “O Aviador” (2004), em que ela foi interpretada pela cantora Gwen Stefani. Algo esquecida atualmente, permanece viva na memória dos cinéfilos. Cada um que vê um filme com Jean se encanta com sua figura que misturava sensualidade e travessura.

“Eu não nasci atriz. Ninguém sabe disso melhor do que eu. Se eu tenho algum talento, eu tive que trabalhar duro, ouvir com atenção, fazer as coisas de novo e de novo e de novo até conseguir.”
Jean Harlow (1911-1937)

16 de set. de 2012

50 filmes que mudaram a minha vida.

Boa tarde, meus queridos!

Faz um bom tempo que não posto por aqui, mas isso é culpa dos intermináveis trabalhos e provas da faculdade. Mas como hoje arrumei uma brechinha, aqui estou! :)

Hoje, decidi fazer uma lista de 50 filmes que mudaram a minha vida de alguma forma. Faltam, nessa lista, muitos filmes que são importantes para mim, mas todos que aí estão, têm um significado enorme e representam muito para mim.




Requiem For a Dream
Trainspotting
Os Sonhadores
Edukators
Across the Universe
Mr Nobody
Mysterious Skin
Dogville
Paris, Texas
Central do Brasil 
A Lista de Schindler
Garota Interrompida
Forrest Gump
À Espera de Um Milagre
Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera!


C.R.A.Z.Y
O Pianista
A Pele Que Habito
A Excêntrica Família de Antônia
Tomates Verdes Fritos
A Lista de Schindler
Agora e Sempre
Diamante de Sangue
E Sua Mãe Também 
Lembranças de Outra Vida
A Estrada
Um Sonho de Liberdade
Lembranças de Um Verão 
Na Natureza Selvagem
Sociedade dos Poetas Mortos
O Menino do Pijama Listrado


Edward Mãos de Tesoura
Entrevista com o Vampiro
O Carteiro e o Poeta
Cinema Paradiso
Entre Dois Amores
Clube da Luta
Laranja Mecânica
Donnie Darko
Gênio Indomável
O Rei Leão
A Bela e A Fera
Wall-E
Lilya 4 ever
Garotos de Programa
Taxi Driver


O Silêncio dos Inocentes
Jovens Bruxas
Má Educação
As Melhores Coisas do Mundo
Morangos Silvestres

Beijos para meus cinéfilos queridos! ;**