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1 de mar. de 2013

Se7en

Já dizia, Ernest Hemingway: "O mundo é um local bom, pelo qual vale a pena lutar". Concordo, com a segunda parte.Afinal, o que é céu e inferno? O que é pecado? 
Sou fã da frase: "O inferno está vazio e todos os demonios estão aqui". A Tempestade - Shakespeare. 
É conflitante pensar em outro humano(seja Padre, Pastor,Ministro...) absolvendo nossos 'pecados', não é?
O filme Seven, de Fincher é um soco na alma e ao mesmo tempo uma série de possibilidades interpretativas.Fincher assumiu as funções de diretor dando ao filme características singulares. Com um trabalho aclamado no que diz respeito à conjugação dos vários elementos essenciais ao sucesso do filme, luz, som, tipografia entre outros.A luz trabalhada de forma exemplar sendo através da mesma que o artista identifica o protagonismo a dar às várias personagens.Fincher e seus vários planos também marcam a assinatura do filme.O som e tipografia foram duas características analisadas em aula através da visualização do trailer do filme onde mais uma vez trabalho de Fincher é agradado pelos críticos e público.
Agora, vamos entender um pouquinho essa miscelânea sobre pecados, DEUS, Mandamentos de Moisés, Fé e etc.  
No filme, temos Brad Pitt e Morgan Freeman como detetives. Morgan(Sommerset) prestes a se aposentar e Brad Pitt(recem promovido) ávido por solucionar casos tendo como pano de fundo sua paixão e emoções à flor da pele. Em meio ao cenário urbano, macabro e noturno(gosto dessas locações) os dois saem a caça de da compreensão da mente 'doentia' de John Doe(Kevin Spacey- o 'ator' original seria o vocalista do REM).  
Para isso os detetives precisam ter uma 'aula' sobre fé e pecados. 

Afinal, o que é DEUS?
Ao longo da história da humanidade a idéia ou compreensão de Deus assumiu várias concepções em todas sociedades e grupos já existentes, desde as primitivas formas pré-clássicas das crenças provenientes das tribos da Antiguidade até os dogmas das modernas religiões da civilização atual.Deus muitas vezes é expressado como o criador e Senhor do universo.
O que são os 10 Mandamentos?
Os Dez Mandamentos ou o Decálogo é o nome dado ao conjunto de leis que segundo a Bíblia, teriam sido originalmente escritos por Deus em tábuas de pedra e entregues ao profeta Moisés (as Tábuas da Lei). As tábuas de pedra originais foram quebradas, de modo que, segundo Êxodo 34:1, Deus teve de escrever outras. De acordo com o livro bíblico de Êxodo, Moisés conduziu os israelitas que haviam sido escravizados no Egito, atravessando o Mar Vermelho dirigindo-se ao Monte Horeb, na Península do Sinai. No sopé do Monte Sinai, Moisés ao receber as duas "Tábuas da Lei" contendo os Dez Mandamentos de Deus, estabeleceu solenemente um Pacto (ou Aliança) entre YHWH (ou JHVH) e povo de Israel.
Quais são os 7 Pecados Capitais?
Os sete pecados capitais são quase tão antigos quanto o cristianismo. Mas eles só foram formalizados no século 6, quando o papa Gregório Magno, tomando por base as Epístolas de São Paulo, definiu como sendo sete os principais vícios de conduta: gula, luxúria, avareza, ira, soberba, preguiça e inveja. Mas a lista só se tornou "oficial" na Igreja Católica no século 13, com a Suma Teológica, documento publicado pelo teólogo são Tomás de Aquino. No documento, ele explica o que os tais sete pecados têm que os outros não têm. O termo "capital" deriva do latim caput, que significa cabeça, líder ou chefe, o que quer dizer que as sete infrações são as "líderes" de todas as outras. E, do ponto de vista teológico, o pecado mais grave é a soberba, afinal é nesta categoria que se enquadra o pecado original: Adão e Eva aceitaram o fruto proibido da árvore do conhecimento, querendo igualar-se a Deus. A Igreja até tentou oferecer soluções para os pecados capitais, criando uma lista de sete virtudes fundamentais - humildade, disciplina, caridade, castidade, paciência, generosidade e temperança -, mas os pecados acabaram ficando mais famosos. Outras religiões, como o judaísmo e o protestantismo, também têm o conceito de pecado em suas doutrinas, mas os sete pecados capitais são exclusivos do catolicismo.
Paralelo, a toda essa pesquisa sobre fé, tenho meu humilde pensamento que expressa a seguinte opinião: sou uma cientista que acredita em DEUS. Tivemos o Big Bang( teoria sobre o desenvolvimento inicial do universo. Os cosmólogos usam o termo "Big Bang" para se referir à ideia de que o universo estava originalmente muito quente e denso em algum tempo finito no passado e, desde então tem se resfriado pela expansão ao estado diluído atual e continua em expansão atualmente) e o período anterior ao Big Bang?
A frase do físico Clerk Maxwell: "Somente um principiante que não sabe nada sobre ciência diria que a ciência descarta a fé. Se você realmente estudar a ciência, ela certamente o levará para mais perto de Deus." Resume um pouco o meu pensamento.
Voltando ao filme, temos uma frase muito instigante da obra Divina Comédia dita por Sommerset(Morgan Freeman) "É longo e difícil o caminho que do Inferno leva à luz". 
O Inferno é a primeira parte da Divina Comédia, sendo as outras duas o Purgatório e o Paraíso. Nessa parte, Dante Alighieri relata a odisseia pelo mundo subterrâneo para onde se dirigem após a morte, segundo a crença cristã, aqueles que pecaram e não se arrependeram em vida. A viagem, composta por 4720 versos rimados em tercetos, é realizada pelo próprio Dante guiado pelo espírito de Virgílio - famoso poeta romano dos tempos de Júlio César. 
No filme, temos um psicopata brilhantemente feito por Kevin Spacey, que remete seus crimes como uma obra divina, um ato de pregação seguido de punições. Longe, de ser um Padre, Pastor ou Ministro do Bem(esses em 'teoria' serviriam à Deus) John Doe, serve a ele mesmo praticando a contrição forçada onde seus 'pecadores': um obeso, um advogado pederasta, uma prostituta, um preguiçoso, uma modelo viciada em plásticas e outros dois que fecham o filme, não se arrependem por terem fé e sim por medo da morte imposta por ele.
Muitas vezes, o íntimo de cada humano clama por tragédias.Por exemplo, em caso de estupro nunca deve-se gritar "socorrro" e sim "Fogo", só assim alguém irá aparecer para ver qual desgraça esta por vir. Deprimente, não é?

Nosso John Doe, teve prazer em torturar sua vítimas em nome da boa Obra de Deus. Ele não praticou o martírio. O que faz dele um Psicopata em potencial. 
Por outro lado, o que me deixa assustada são os ditos 'Religiosos', como Padres, Pastores, MInistros que fazem tudo em nome de DEUS: matam, roubam, praticam pedofilia..
Seriam,psicopatas,sociopatas, louco...?
Como disse John Doe: " É confortável para você, me rotular como louco". Vivemos um pecado mortal em cada esquina e toleramos.Porque é trivial."
Mills(Brad Pitt) Responde:" Você não é o Messias. No máximo a notícia da semana ou uma camiseta". Essa prática de assassinatos como sermões é complexa e ao mesmo tempo digna de se estudar e investigar. Como disse Sommerset(Morgan Freeman) "Em tempos como esses acolher a apatia como virtude é a única saída."

Concordo, com ele.Algumas pessoas em nosso mundo quase 'moderno' e mega globalizado 'não necessita' de civis bancando os hérois. Alguns só querem comer, trabalhar, amar, assistir TV, ler, ver filmes e jogar na Loto.Algumas pessoas simplesmente, não ligam. E o nascimento de um psicopata muitas vezes é resultado de uma série de negações das pessoas, referente ao seu modo de proceder(no caso deste filme- foi a crença de John)pessoas morrendo em nome de 'DEUS'. Já dizia, Carl Sagan:"Queremos buscar a verdade, não importa aonde ela nos leve. Mas para encontrá-la, precisaremos tanto de imaginação quanto de ceticismo. Não teremos medo de fazer especulações, mas teremos o cuidado de distinguir a especulação do fato".Não creio nas religiões criadas pelos homens. Simplesmente, porquê somos falhos/imperfeitos, somos o bem/mal e muitas vezes indignos de dizer o que está certo ou errado. O cristianismo utilizado como doutrina nunca deveria ser encarado como religião. Enfim, é muito nocivo um ser humano fazer o que quiser levando em conta: Tudo em nome de DEUS! Se quiser cometer algum 'pecado', matar, morrer...Faça e assuma. Prefiro crer no Big Bang e no período anterior ao fenômeno(este período seria DEUS? uma força  misteriosa Transcedental? um vazio?) Só sei que muitos físicos ainda não possuem uma assertiva referente a existência de um criador. O Físico Hawking em seu novo livro:
"O Grande Projeto" explica as teorias científicas recentes sobre o surgimento do universo para o leitor comum.Em coautoria com Leonard Mlodinow, Hawking apresenta o que há de mais novo na física moderna.Basicamente são novas propostas para cobrir as lacunas da teoria quântica, colocando um fim no grande mistério da origem do universo, do ponto de vista científico.
 "Cada universo tem muitas histórias possíveis e muitos estados possíveis em instantes posteriores, isto é, em instantes como o presente, muito tempo após sua criação. A maioria desses estados será muito diferente do universo que observamos e será inadequa¬do à existência de qualquer forma de vida. Só pouquíssimos deles permitiriam a existência de criaturas como nós. Assim, nossa presença seleciona desse vasto conjunto somente aqueles universos que sejam compatíveis com nossa existência. Ainda que sejamos desprezíveis e insignificantes na escala cósmica, isso faz de nós, em certo sentido, os senhores da criação."
Longe de ser uma resposta definitiva a todas as questões existenciais da humanidade, "O Grande Projeto" introduz um avanço em nossas dúvidas.
 Voltando ao nosso filme,não esconda o que realmente quer, pensa ou faz atrás das Religiões(seja ela qual for) ah! Ainda em tempo tenho profundo respeito por toda e qualquer crença, ok?
Se7en, um filme que todos deveriam conhecer.

  

  
     

4 de dez. de 2012

O Iluminado - The Shining


Seria o livro O Iluminado uma inspiração do Cinq Contes(O albergue/Pousada) de Guy Maupassant?“Mais tarde, assim que as trevas desceram sobre a montanha, novos terrores o assaltaram. Começou a andar pela cozinha escura, mal-iluminada pela chama da vela, andava de um para o outro lado, com passos largos, atento, desejoso de certificar-se se o grito apavorante da noite anterior não tornaria a romper o silencio morno lá de fora. E o desgraçado sentia-se só como nenhum outro homem jamais estivera! Estava sozinho naquele imenso deserto de neve, sozinho a dois mil metros acima da terra habitada, acima das moradas humanas, acima da vida que se agitava, rumorejava e palpitava, sozinho no céu gelado! Atenazava-o uma vontade louca de fugir para qualquer outro lugar, fosse qual fosse, de atirar-se ao abismo para chegar a Loeche; mas nem sequer ousava abrir a porta, na certeza de que o outro, o morto, lhe interceptaria o passo a fim de também não ficar sozinho naquelas alturas.” O tratamento que Kubrick deu ao filme te agradou? Crítica 'especializada' reclamou da extinção de sustos, arrepios e fidelização ao livro. King é "o rei do terror", já Kubrick resolveu fazer um filme que não fosse uma reprodução filmada do romance.Pauline Kael da revista The New Yorker, por exemplo, censurava alguns 'excessos' técnicos de Kubrick como distração para o que deveria ser uma honesta e amedrontadora história de terror. 

Ela também ia diretamente ao ponto quando investia contra a mania metafísica do diretor, que colocava Jack Torrance (Jack Nicholson) como o zelador eterno do hotel Overlook, o que é parte de um diálogo de um garçom-fantasma com Jack. Kael faz a dedução perfeita: se o mal é eterno, o osso projetado no ar, de 2001, seria a 'forma primitiva' do machado de Jack em O iluminado
Jack e seus roncos furiosos/animalescos na perseguição dos animais recortados nos arbustos do jardim, seria a transformação dele mesmo em macaco?  Maybe!
Fãs de Kubrick gostaram já os fãs de King 'detestaram'. Eu adoro os dois portanto AMEI.No livro, entende-se que o hotel, uma entidade do Mal, queria se apoderar da capacidade paranormal de Danny, o menino da história. Isso é tratado de raspão no filme. Jack, no livro, é um alcoólatra que está se recuperando. O hotel aproveita para dominar sua mente. No filme não se fala disso, o que faz a frase de Jack ― "Daria qualquer coisa por um drinque" ― uma espécie de oferenda de sua alma para o Mal, sem efeito para quem não conheça o livro.Do que se tem medo em O iluminado
A loucura de Jack poderia ser sinonimo de esquizofrenia?
O simples e inofensivo ato de pensar estar na pele de Torrance é intimidador? Não acho. 
Talvez a ficção, mais especificamente o cinema, seja o único modo de enfrentarmos de CARA LIMPA algo que nos é implícito: a violência. Mesmo que contra as pessoas que mais amamos. E nenhuma outra obra representaria com tanta autoridade o saciamento deste desejo primário. Stanley Kubrick ensaia entregar uma válvula, um passaporte para aquele mundo onde podemos liberar raiva e fúria acumuladas sem maiores problemas. Onde se ensaia o sentido mais bruto de “liberdade”, cortado ao meio pelo final feliz mais triste de todos os tempos.
Jack Torrance meio a frustrações e incapacidade de levar seu projeto adiante.


Exibe um festival de ações/sentimentos para o deleite de qualquer psiquiatra forense.
O diretor faz de Jack Torrance um resumo do seu próprio estilo. Um círculo fechado, um pesadelo, um labirinto infinito pelo qual, em toda obra com a insígnia do Stanley, somos convidados a passear, a nos perder e a enlouquecer tentando nos encontrar.
Fotografia é muito bonita, como na cena do bar. Trilha sonora me agrade muito. Jack Nicholson em seu estilo "Estranho no Ninho" , sou fã, rs.
De qualquer forma um dos mais desajustes esquizofrênicos mais geniais do cinema.

19 de out. de 2012

Psicose

Resolvi teclar sobre este clássico preferido da minha mãe por ter um amor não resolvido com este filme. Já assisti zilhões de vezes(2 versões) e minha mãe na última vez disse:"Acho esse filme triste. O sofrimento de Bates me deprime." Fiquei pensando sobre isto e no fim cheguei a conclusão que ela tem razão. O filme trata um pouco sobre esquizofrenia, loucura e psicose. Sim, existe diferença entre as doenças.Nem tudo é loucura,nem tudo é sociopatia, psicopatia, esquizofrenia ou psicose temos que entender um pouco a mente de Bates para depois apreciar ou não o filme.
Hitchcock nosso eterno gênio comprou anonimamente os direitos do livro de Robert Bloch, que deu origem ao roteiro do filme; ele pagou onze mil dólares e depois comprou todas as cópias disponíveis no mercado para que ninguém o lesse e, consequentemente, seu final não fosse revelado.Psicose custou 800 mil dólares e faturou 50 milhões de dólares nas bilheterias do mundo inteiro.Em 1998 o diretor Gus Van Sant fez um remake do filme, com Vince Vaughn e Anne Heche nos papéis de destaque. No elenco ainda contava com belissima Juliane Moore no papel da irmã de Marion.

Uma das frases que mais gosto é:
"Ela só fica meio zangada às vezes. Todos ficamos um pouco zangados de vez em quando, não ficamos?" Norman Bates.
Bates usa para justificar a fúria com que a mãe fala para ele.Será que Hitchcock quis falar algo para platéia? Até que ponto somos passíveis de cometermos um crime? Este filme atemporal nos conecta com nossos medos. Um dos filmes mais impactantes e Hitchcock nos despista, para nos apresentar quase na metade da projeção uma trama macabra, representada pelo fantástico personagem Norman Bates e o seu hotel no meio do nada.
A cena memorável do filme possui uma sequência construída como uma sucessão de cortes ritmados pela trilha sonora e pelo som da faca.Se observarmos, vemos que a arma sequer encosta na atriz. A violência está na genial montagem de Hitchcock e na trilha sonora de arrepiar de Bernard Herrmann.
Ao refletir sobre o assunto "Loucura" é inevitável para uma apreciadora da sétima arte como eu, deixar de pensar neste filme com tanto amor. Esse enigma fílmico de duas ou três incógnitas: Janeth Leigh, Anthony Perkins e a Mãe num jogo de repetições e de duplicações em que o mestre do suspense leva à conclusão o tema da duplacidade: a dupla personalidade.Que outros sentimentos poderiam, aliás, provocar um personagem tão absolutamente e inevitavelmente amarrado a um destino fatal e destruidor, e que não morre no final, ou antes, sobrevive noutra personalidade, pela qual é morto e "denunciado"? Personagem dominado pela mãe, pelo passado, pelo isolamento, pelo desejo sexual que se transforma em desejo de morte ou de destruição.Nessa perspectiva o "Louco" é considerado menos como uma pessoa do que como um dos pontos de relação, um dos nódulos de intercâmbio de um sistema de interações, de uma rede de comunicação: a família. Seus sintomas, suas anomalias, suas "crises" são substituídos e reexaminados no sistema dinâmico das trocas familiares. duas características fundamentais estão sempre presentes entre essas famílias ou esses grupos: seu funcionamento como sistema fechado, relativamente isolado, e sua repressão de toda sexualidade genital.A componente patológica carrega o filme em tons de comédia e drama, ou de comédia dramática, Hitchcock vinha repetindo desde os seus filmes mudos as relações familiares e o seu peso, o papel e a figura da mulher, os diversos comportamentos do homem em função da mulher, a contraposição e identidade entre a mãe e a mulher, o desejo e o desejo de morte, sobre essa imperceptível fração de segundo em que um indivíduo age e, agindo, transforma o ato desejado num ato outro, que o nega.Os esquizofrênicos e suas famílias mantêm o mito e o credo de uma harmonia inabalável na família, que tem prioridade sobre tudo. Eles se comportam como se toda motivação que contraria a autonomia da criança fosse qualificada de "boa", independente de sua idade; e todo pensamento ou ação autônoma seria "mau". Essa família que é uma pseudofamília, onde ninguém fez sua individuação, vive num estado de reciprocidade sem identidade e consideram a ordem e a limpeza como valores supremos; sua casa é uma fortaleza: ninguém tem o direito de atacá-la (lembram do desespero de Norman quando qualquer um se aproximava da casa). Todos esses conceitos são tão importantes que a casa da família Bates transformou-se no símbolo do filme e também inspirou outras obras de suspense de diretores vindos depois de Hitchcock.
 Resta, deste tipo de relacionamento a submissão; a revolta final é a loucura. Norman Bates é o personagem anormal e patológico do filme, as suas motivações acabam por lhe conferir um grau de humanidade, a um ponto que é o comportamento normal e humano de Marion (Janet Leigh) que se transforma no elemento perturbador que se vem instalar na paz familiar dos Bates, desencadeando o ciúme e a ira da mãe, e o desejo de Norman que Hitchcock, de forma magistral, distingue e identifica. A mãe morta e embalsamada é mantida viva pelo desdobramento da personalidade do filho privado, que se  traveste, retirando-a da sua "vida" embalsamada para uma vida real e concreta. Essa genialidade de Alfred é algo sinistramente encantador, concordam?
Nosso Anthony Perkins na personalidade da mãe de Norman, acompanhada pelo monólogo interior, explicativo para o filho, que constitui um dos momentos mais terríveis da história do cinema.Os discursos eruditos sobre a loucura descrevem o louco não só como um frustrado do tipo pessoal, normal, equilibrado e correto, mas deixam também outra possível explicação, que louco é fundamentalmente um frustrado da espécie, razão pela qual uma imagem de "monstro" paira no discurso psiquiátrico. Essa imagem, com a alteridade radical que supõe, tende a excluir o louco da comunidade humana. Seria a loucura é um ritual de rebelião? O psicótico não é nunca um revolucionário, é um revoltado que não consegue expressar sua revolta. A expressão dessa revolta na forma de psicodrama o dispensa de realizá-la.A loucura, com efeito, é menos uma fatalidade ou uma maldição do que uma companheira que nos indica os limites de nossa liberdade.Uma variedade infinita das situações humanas, onde todos podem, um dia, experimentar essa sensação de inquietude estranheza de exílio interior, de desmoronamento psíquico, que anuncia um naufrágio interior. Cabe a nós estarmos atentos aos nossos pensamentos para detectarmos nosso Bates interior. Ou não...



7 de jul. de 2012

Mrs. Bates e a Psicose

Via Tumbrl
Quando abri esta sessão de terror por aqui - falando do universo imaginário e do real - um dos primeiros nomes que me surgiu a mente foi a pedra basilar das mães insanas: a Sra. Bates. Falar de matriarcas fugidias dos padrões de zelo e carinho pode soar desrespeitoso, já que se costuma  atersse ao lado positivo. Contudo, especialmente no gênero horror, mães malvadas ganham uma força assustadoramente interessante. Uma lupa analisando relações extraordinariamente apavorantes.

Assim se apresenta Mrs. Bates; Oriunda da obra-prima irretocável de Hitchcock: Psicose, uma película repleta de reviravoltas e metalinguagem. O filme vem retratar a história de Norman Bates que, perante a dominação materna, sofre drasticamente com os efeitos desta relação doente refletindo, inclusive, na sua forma de conviver com terceiros.
AVISO: Se você ainda não conferiu Psicose para de ler aqui e corra assistir! Além de ser um filme espetacular, SPOILERS importantes serão revelados no texto que segue.
Via Tumbrl
Expostos ao Bates Hotel, por um destes infortúnios da vida, o envolvimento com a história da bela Marion Crave (interpretada por Janet Leigh) já vem precedente. Contudo, a atenção desvirtua-se dela logo que Norman Bates (Anthony Perkins) salta em cena. Com um jeito esbaforido e um tanto inconveniente, deixa uma primeira impressão confusa, assim como o ambiente em si. Tudo parece estar envolto de um mistério silenciado. Aliás, o silêncio parece integrar aquele lugar de uma forma pavorosamente alta. Aos poucos as camadas deste artifício caem e os comportamentos obscuros são manifestos.

Norman não reside no casario próximo ao hotel sozinho, sua mãe é sua principal companhia. Quando Marion hospedasse ali, de alguma forma atinge a inadequada harmonia entre Mrs. Bates e seu filho, fazendo com que a dominação daquela sobre seu rebento torne-se evidente. Tal revelação aborrece inegavelmente a senhora, levando-a a parar esta turbulência causada por terceiros.

A cena a seguir é um ataque fatal contra Milton Arbogast (Martin Balsan):


Aqui temos a iconográfica sequência de morte no chuveiro e o desespero de Norman ao perceber que o assassinato havia acontecido:

"A boy's best friend is his mother".
O mecanismo básico (inconsciente) que uma mãe usa para dominar o filho é de torná-lo inseguro. Como? 1 – Educando-o sem muito carinho (“homem não precisa dessas coisas”) e censurando-o quando manifesta emoções ou chora (“homem não chora”). O filho assim, é reprimido e acaba fabricando uma “armadura” para esconder os próprios sentimentos. 2 – Punindo- quando brinca com os órgãos sexuais, ameaçando-o de castração, doenças, espinhas. 3 – Censurando toda manifestação de sexualidade, levando-o a julgá-la pecaminosa. 4 – Falando da maternidade como de algo ligado ao sofrimento, e fazendo com que o filho, indiretamente, se sinta culpado pelas dores de parte da mãe. 5 – Tratando o pai com desdém, caracterizando-o como fraco (compensado assim eventuais frustrações do casamento). Ao mesmo tempo, ensinando o filho a tratá-la com reverência. Todos os homens educados dentro de uma ou varias dessas formas, tendem a ser dominados pela mãe, tímidos e com pouca iniciativa. Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/1689166-homem-dominado-pela-m%C3%A3e/#ixzz1zxU4lMoy
No instante em que ele leva um sanduíche para a hóspede passa a travar uma conversa reveladora da película - a qual encontra-se nos vídeos abaixo. Relata o quanto sua mãe é um fardo, especialmente por ser mentalmente instável e absorver todo o seu tempo. Ao mesmo tempo deixa claro que não consegue viver sem ela, ao que diz "A melhor amiga de uma garoto é a sua mãe". Com uma pitada de descontrole, a insegurança do homem escancara-se e a estranha simpatia do tímido Norman demonstra-se construída por anos de isolamento e superproteção cedidas pela Sra. Bates.


Um dos vários detalhes inteligentes desta construção de suspense resta no enigma quanto a aparência da assassina. Em nenhum dos crimes o rosto da mãe aparece, apenas seu vulto. Por isto o impacto do clímax é capaz de dar a dimensão dos danos psicológicos de Norman:


A maldade da Sra. Bates - sendo voluntária ou não - atingiu seu filho irremediavelmente. Ainda que o filme não traga o histórico desta relação entre os dois, o presente mostrasse incontestável. Tamanha era a insegurança de Norman que após o falecimento da mãe não conseguiu lidar com um mundo em que ela não estivesse inserida. A suposta liberdade espelhou o lado mais sombrio dos estragos causados pela dominação: Ela sempre estaria nele. Qualquer pessoa que ameaçasse esta compreensão recebia fúria. Hitchcock completa este tratado psicológico com uma cena absurdamente incômoda; Mrs. Bates fala sobre a prisão de seu filho, que nunca foi um bom garoto, e agora tentava culpá-la por sua natureza má.   

It's sad, when a mother has to speak the words that condemn her own son. But I couldn't allow them to believe that I would commit murder. They'll put him away now, as I should have years ago. He was always bad, and in the end he intended to tell them I killed those girls and that man... as if I could do anything but just sit and stare, like one of his stuffed birds. They know I can't move a finger, and I won't. I'll just sit here and be quiet, just in case they do... suspect me. They're probably watching me. Well, let them. Let them see what kind of a person I am. I'm not even going to swat that fly. I hope they are watching... they'll see. They'll see and they'll know, and they'll say, "Why, she wouldn't even harm a fly..."
 E de quem é a culpa? 
Do perturbado homem ou da castradora mãe?