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28 de mai. de 2013

Mulheres de Celulóide # 5 - A Paixão de Arlequim


Olá povo do Antes Que Ordinárias!

Antes de tudo,desculpem titia Carol por ter tão poucas postagens em nosso querido blog, acreditem eu amo escrever por aqui e acompanhar o fantástico desempenho das colegas nada ordinárias,mas é porque eu sou assim mesmo, molenga mole,quase parando na maioria das vezes...Exceto quando acho uma conexão,aí sou bem agitada. Devo ter um seríssimo problema,só pode. ¬¬

 Mas vamos deixar de falar de mim,vamos falar de algo legal,vamos falar da Tek...Brincadeira! Logo,logo começará o mês dos namorados aqui no Brasil, e obviamente nós já vimos aqui e acolá, propagandas estimulando o consumo de bens materiais durante essa data festiva,assim como o fizeram noutras datas nem tão distantes assim, como foi o caso do Dia das Mães e da Páscoa.

Mesmo que essa comemoração seja reconhecidamente um caça- níqueis, há quem use esta data como pretexto para tudo,desde ofertar um singelo mimo para o seu parceiro de muito tempo,ou pouco tempo,passando por um "mea culpa",comprando assim o perdão daquele que foi ofendido ou lesado em sua dignidade, ou até mesmo para fisgar aquela pessoa que lhe agrada ou dá tesão,é tipo uma indireta do que poderá ser nos tempos vindouros..Talvez sejam daqui a 5 minutos depois, na escada, no elevador, no estacionamento, daqui a 1 ano durante um churrasco de apresentação para a família e quem sabe 10,20,30 anos ou até que a morte os separe? Seja daqui a 5 minutos ou daqui a 10,20,30 anos... O que importa realmente é o que se vive e não o tempo que se vive, o resto é resto Claro que o capitalismo desenfreado está pouco se lixando para tudo isso apesar de ser muito bem treinado para explorar sentimentos e sensações humanas desde que eles estejam lucrando.Algumas pessoas  porém,encontram formas surpreendentes de demonstrar que amam ou se interessam em alguém sem ter que recorrer a "sonhos vendidos". A mulher de celulóide de hoje chama-se Missy , a moça cortejada de modo não usual por Arlequim em pleno Dia dos Namorados,que em outras partes do mundo é comemorado com outro nome ( Dia de São Valentim) e noutra data ( 14/02),diferente de nós que comemoramos no dia 12  de junho. Ambos são personagens de uma HQ do selo Vertigo, especializado em quadrinhos com temática adulta. Foi escrita pelo mestre da literatura fantástica da atualidade, Neil Gaiman, o queridinho dos alternativos,das adolescentes "pseudo-góticas" cosplayers e fonte de inspiração descarada de Harry Potter.

A história é bem simples,não existem enigmas intrincados que consumam anos e anos luz de reflexão mental do leitor,sobre a razão disto ou daquilo, ela existe apenas e exclusivamente para a diversão.Na realidade a trama tem a pretensão de ser uma Commedia Dell'Arte moderna utilizando-se de antigos elementos da Idade Média,mas em se tratando de Gaiman, o pai dos Perpétuos, os seus personagens estão apenas repetindo uma pantomina que atravessa as eras,existindo antes mesmo da idéia do "Fiat Lux".Arlequim oferta a Missy o seu coração pregando-o em sua porta no Dia dos Namorados e ve-mo-lo segui-la por todos os lugares e aprontar todo o tipo de confusões benfazejas e traquinadas enquanto aguarda ser retribuído em sua paixão. Missy pareceu-me contida,distante demais quase até o final do conto mas como o Arlequim fui obrigada a me surpreender com a atitude da candidata a Colombina,que até então mantinha-se tão apática quanto lacônica.Moça jovem,de belo aspecto, a solitária Missy encontra um coração fincado à sua porta,mas ao invés de se horrorizar, friamente ela faz a assepsia do local e guarda o despojo em seu bolso e faz um verdadeiro tour pela cidade, sempre com poucas palavras,primeiro,no cemitério, o que explica a sua apatia em relação ao órgão. De volta a seu caminho uma senhora idosa de capuz misterioso a interpela e lhe faz uma pergunta, a qual ela responde de modo desconcertante para a figura à sua frente,que de mulher não tem nada. Logo após o encontro, Missy finalmente resolve parar para fazer um "lanche" e o que ela come em seu prato,me provoca náuseas até agora,mesmo sabendo que são quadrinhos. É,fazer o quê,sou muito sensível,vejo filmes de terror cabulosos,mas tenho horror a essa "psicopatia macabra" disfarçada em naturalidade,pessoas que são capazes de atos grotescos como esse com a naturalidade de quem toma um chá ou assiste à novela me provocam esse tipo de repulsa, e quem a olha,a julga tão insuspeita...
Enfim, até o Arlequim ficou sem ter o que fazer com a astúcia bisonha de sua Colombina eleita,logo ele acostumado a conquistar tantas Colombinas,logo ele,o rei dos embustes! As aparências enganam, o que se deve fazer depois que se consome do próprio veneno? Se eu contar mais estraga né? Melhor vocês mesmos tentarem descobrir o que há de maravilhoso neste conto!Convido-os a ler esta incrível Graphic Novel,inspirada nos contos de Neal Gaiman,deliciem-se tanto com a história quanto com a belíssima arte da HQ,que por ser uma Graphic Novel,prima pelo realismo das ilustrações a um nível "3D", é como se os personagens saltassem de uma fotografia em cores muito vivas.Por se tratar de uma fábula moderna, feita para ser uma versão atual da Commedia Dell'Arte,por curiosidade resolvi dar uma pesquisadinha sobre o assunto. Apesar da HQ trazer um apêndice explicativo redigido pelo próprio Neal muito mais completo,exponho abaixo o resultado de minhas pesquisas,olhem só:

Um pouco sobre a Commedia Dell'Arte:

Literalmente podemos chegar à conclusão que a Commedia Dell'Arte trata-se de um "circo mambembe" uma vez que seus integrantes raramente tinham locais fixos para se apresentar,então o jeito era viajar de cidade em cidade e pedir para se apresentar em praça pública. Apesar do baixo orçamento,as produções se caracterizavam por serem divertidas e coloridas. Outra característica é o improviso,o rumo das histórias, o que falar,com quem interagir,tudo isso ficava a cargo dos próprios atores que iam criando seus "cacos" conforme o ritmo da peça,imagino que seja conforme a reação da platéia. Essas companhias teatrais ambulantes costumavam ser familiares e cada indivíduo especializava-se num personagem fixo,que era interpretado até o fim de seus dias. Entrou em declínio por volta do séc. XVIII,porém é muito comum produções atuais revisitarem a estética "vaudeville",como podemos ver por exemplo na minissérie "Hoje é Dia de Maria".Com todas essas características,era uma modalidade que se opunha à sua versão mais rica, a Comédia Erudita. Os mais importantes personagens dessa modalidade eram: Arlequim, Pantaleão, Capitão, Polichinelo, e a Colombina e dividiam-se em categorias distintas: Patrões,Criados e Enamorados. A diferenciação entre eles fazia-se através da linguagem, gestuais característicos,status,qualidades e defeitos atribuídos a cada tipo de personalidade,artifício utilizado para exponenciar o efeito cômico.

Personagens:

Arlecchino – também conhecido como Harlequin, é um palhaço. Um dos zanni. Acróbata, amoral, glutão.É facilmente reconhecível pela roupa branca e preta com estampa em forma de diamantes O papel algumas vezes é substituído pelo Truffeldino, seu filho. Sua máscara possui uma testa baixa com uma verruga. Algumas vezes, usa um lenço negro sob o queixo e amarrado no alto da cabeça. Geralmente, Arlecchino é o servo do Pantalone, às vezes do Dottore. 
Ele ama Colombina, mas ela apenas o faz de idiota.





Brighella – Um trapaceiro, de pouca moral e desmerecedor de confiança. É retratado como agressivo, dissimulado e egoísta.



Il Capitano – Forte e imponente, mas não necessariamente heróico, geralmente usa uniforme militar, mas de forma exagerada e desnecessariamente pomposa. Conta vantagens como guerreiro e conquistador, mas acaba desmentido. Capa e espada são adereços obrigatórios.


Columbina – A contrapartida feminina do Arlecchino. Usualmente retratada como inteligente e habilidosa. É uma das servas, uma zanni. Algumas vezes, utiliza roupas com as mesmas cores do Arlecchino.


Dottore – O doutor. Visto como o homem intelectual, mas geralmente essa impressão é falsa. Ele é o mais velho e rico dos vecchi. Geralmente, interpretado como um pedante, avarento e sem o menor sucesso com as mulheres. Usa uma toga preta com gola branca, capuz preto apertado sob um chapéu preto com as abas largas viradas para cima.

Os Innamorati são os amantes.O innamorato e a innamorata têm muitos nomes. (Isabella era o nome mais popular usado para a innamorata). Eles são jovens, virtuosos e perdidamente apaixonados um pelo outro. Eles usam os trajes mais belos e de acordo com o período e a moda vingente e nunca usam máscara. Geralmente, cantam, dançam ou recitam poemas.


Pantalone – Um dos vecchi. Geralmente, muito rico e muito avarento. O arquétipo do velho pão-duro. Não se preocupa com mais nada além de dinheiro. O cavanhaque branco e o manto negro sobre o casaco vermelho, possui uma filha casadoira ou é ele próprio um cortejador tardio.





Pedrolino, – Também conhecido como Pierrot ou Pedro, é o servo fiel. Ele é forte, confiável, honesto e devotado a seu mestre. Ele também é charmoso e carismático e usa roupas brancas folgadas com um lenço no pescoço.



Pulcinella – Muitas vezes conhecido como “Punch”. O esquisito, inspirador de pena, vulnerável e geralmente desfigurado. Na maioria das vezes, com uma corcunda. Muitas vezes, não é capaz de falar e, por isso, comunica-se através de sinais e sons estranhos Sua personalidade pode ser a de um tolo, ou de um enganador. Tem a voz estridente e sua máscara tem um nariz grande e curvo, como o bico de um papagaio.






Scaramuccia – Também conhecido como Scaramouche, é um pilantra. Usa uma máscara de veludo negro, assim como também são suas roupas e seu chapéu. Um bufão, geralmente retratado como um contador de mentiras covarde.





Ficaram interessados na HQ?  Eu a disponibilizarei para download,é só clicar no link abaixo e boa leitura!
                                              A PAIXÃO DE ARLEQUIM

25 de ago. de 2012

Perfis de Mulher: Nair de Tefé


Ainda hoje é ínfima a contribuição das mulheres no mundo dos quadrinhos e charges. Raramente vemos uma artista brasileira fazer sucesso desenhando e criando caricaturas para fazer críticas políticas. Falta de inspirção do passado não é a causa disso, pois tivemos, no início do século passado, uma grande caricaturista que foi até primeira-dama do país! 
Nascida Nair de Tefé Von Hoonholtz em 1886, era filha de um importante barão, herói da Guerra do Paraguai e diplomata. Ainda muito pequena foi morar na Europa, tendo uma educação privilegiada na França. Aos nove anos fez sua primeira caricatura e aos vinte, já de volta ao Brasil, começou a expor seus desenhos em vitrines de lojas da Rua do Ouvidor, a mais elegante do Rio de Janeiro. Ela tamém cantava, pintava, tocava piano e atuava, tendo criado uma trupe que montava espetáculos beneficentes.
Em 1909 ela publicou sua primeira caricatura na revista Fon-Fon, com a qual colaborou muito nos anos seguintes. Em 1910 seu trabalho foi destaque também em revistas francesas. Dois anos depois realizou uma exposição com 200 caricaturas. Ela as assinava com o pseudônimo Rian que, além de ser seu nome ao contrário, também siginfica “ninguém” em francês.
No ano de 1913 ela se casou com Hermes da Fonseca, presidente do Brasil desde 1910. Apesar de ter parado de desenhar, não sossegou: fazia saraus de música popular na residência presidencial, tocava violão ao lado da amiga Chiquinha Gonzaga e planejou a estreia do maxixe “Corta Jaca”, de autoria de Chiquinha. Tudo isso gerava muitas críticas, por se tratar de uma chocante quebra de protocolo. E não foi só isso: reza a lenda que, durante uma reunião dos ministérios, Nair desenhou na barra de seu vestido caricaturas de todos os ministros.
Caricatura do próprio marido
Depois do fim do mandato do marido, eles foram morar em Petrópolis e, depois, na Europa. Nair voltou para participar da Semana de Arte Moderna de 1922, ano em que enviuvou e voltou a desenhar brevemente a pedido de algumas revistas. Nair adotou três crianças e não se casou novamente.  
Voltando-se para o mundo literário, foi eleita para a Academia de Ciências e Letras em 1928 e, no ano seguinte, a extinguiu, fundando a Academia Petropolitana de Letras em seu lugar. No ano de 1932 também fundou um cinema em Copacabana, o Cinema Rian.
Sua arte e seu pioneirismo voltaram a ser destaque na década de 1950. Na década de 1960 declarou ser fã da Jovem guarda e gostar da nascente moda da minissaia, mas "apenas para quem tem pernas adequadas". Aos 88 anos escreveu um livro de memórias. Nair faleceu em 1981, no dia de seu aniversário de 95 anos. Em 1982 foi fundado o Centro Artístico Rian, para incentivo às artes plásticas, mas infelizmente este sobreviveu apenas um ano. O que permanece é o legado de Nair, a primeira mulher cartunista não apenas do Brasil, mas do mundo.

“A gente quando é jovem, complica muito a vida e estraga a mocidade”
Nair de Teffé (1886-1981)          

14 de ago. de 2012

Quadrinhos de mulheres para mulheres # 2 - Como surgiram os quadrinhos?


Hello,povo do Antes Que Ordinárias! Hoje vou explicar de um modo mais técnico como os quadrinhos se originaram e como eles se subdividem,sacomé né,às vezes a gente tem que levar o trabalho à sério e torná-lo mais profissional,não podemos viver sempre de improviso!Quadrinhos ou melhor a banda desenhada é  considerada como a " Nona Arte " pois é a junção de três elementos pertencentes às Artes preexistentes. Estes elementos são: A cor inerente à pintura; a palavra que por sua vez pertence à Literatura e a imagem  que é uma característica da Fotografia,que por sua vez é considerada a " Oitava Arte ". De acordo com o avanço da minha matéria vocês perceberão o quanto os quadrinhos evoluiram e chegaram ao patamar de Artes.


 A função original dos quadrinhos era proporcionar entretenimento de fácil acesso à massa populacional carente de erudição e condição financeira, ou seja pessoas simples que não tinham como arcar com um estilo de vida intelectualizado que despende,tempo,dinheiro além de habilidades cognitivas que não eram comuns à base da pirâmide populacional. Tal estilo recheado de dolce far niente,academias literárias, e desafios mentais pertenciam à classe nobre. Há de se perceber que bem antes de figurar nas revistas e jornais,a função que os quadrinhos exercem hoje, já existia nos tempos antigos,vide por exemplo as clássicas representações da vida dos personagens da Bíblia em relevos e afrescos de igrejas do período medieval. Além de servir como elemento evangelizador pois repassavam o conteúdo sem precisar utilizar-se de palavras,também serviam de entretenimento aos que não tinham possibilidade de participar de eventos culturais. Vale lembrar que não se precisam as vezes das palavras para se repassar uma história e os quadrinhos muitas vezes lançam mão desse artifício.

Livro percursor dos quadrinhos atuais
O termo específico dos quadrinhos na verdade é banda desenhada, que com a conjugação de imagens e textos narram histórias que possuem vários estilos e gêneros e são publicadas em revistas,livros e tiras em jornais e revistas. Também pode ser denominada Narrativa figurativa. Compartilha com os infográficos e fotonovelas a idéia de arte sequencial,ou seja se aproximando um pouco mais das Artes Visuais. Como não há um nome oficial para essa modalidade,a banda desenhada recebeu diferentes nomes de acordo com a cultura de cada país onde é consumida e posta em prática,alguns exemplos são os Comics dos Estados Unidos;Mangás no Japão; Gibis no Brasil e por aí vai. Uma das primeiras publicações impressas que claramente foi influenciada por esse estilo,pertence ao séc. XIX, é o livro Max und Moritz,do autor Wilhelm Busch,considerado portanto precursor dos quadrinhos,quando no ano de 1865 resolveu criar algo que fosse mais agradável ao público infantil.Tempos depois com a popularização das tiras em jornais e revistas a transição para publicações próprias foi natural e progressiva. Quanto ao formatos os mais utilizados são:

Cartoons ou Charges são ilustrações cuja finalidade é satirizar por meio de figuras cômicas e caricaturais situações podem ser do dia a dia e históricas ou personagens comuns à população como por exemplo políticos,artistas,atletas,etc.

Cartoon/Charge
A Tira é compopsta de sequência de imagens. O termo abrange tantos as tiras publicadas em jornais como toda e qualquer tira em qualquer outra publicação,não havendo número máximo de tiras.Geralmente possuem duas tiras.

Tirinha
Revista em quadrinhos,gibi,como é chamada no Brasil,Comics nos EUA, Mangá no Japão é o formato comumente usado para a publicação de histórias do gênero. As mais populares são as dos super-heróis.

Gibi
Graphic novel,termo inglês para novela gráfica,é uma publicação mais requintada,tanto no ponto de vista visual com desenhos e cores mais estilizadas como em termos literários uma vez que suas histórias são mais longas e complexas.Além disso,em sua maioria são quadrinhos destinados ao público adulto.

Graphic Novel
Rapidamente os quadrinhos conquistaram o mundo das artes,pois como as outras modalidades artísticas é capaz de elevar o s sentidos humanos tornando-os plenos,agregam significados e deliciam os olhos com suas imagens e cores.E aí gostaram de saber um pouco mais sobre a história dos quadrinhos?  Aguardem-me que nas próximas postagens abordarei mais sobre termos técnicos e estéticos dos quadrinhos! Eu voltei com a corda toda!

* P.S: Desculpem-me postar sempre à noite,infelizmente sou uma pessoa que só funciona à luz da lua,relógio biológico ao contrário! Beijocas!