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26 de fev. de 2013

A Influência Literária no Rock

Depois de um bom tempo sem aparecer pelo blog "Antes que Ordinárias", volto as atividades neste ano de 2013 com a seção "Opinião" onde falo e coloco em questão diversos temas políticos, sociais e até mesmo de entretenimento.

Aldous Huxley
 Abro a  seção falando de rock e literatura. Duas coisas que não vivo sem e que juntas ficam melhor ainda. Um texto que aborda cantores e sua influência literária.

O número de cantores/bandas  que tem em sua bagagem musical a influência direta de poetas, escritores e mesmo obras literárias é muito grande e cresce ainda mais quando o assunto é o rock' n' roll. Um gênero que se diferencia por sua grande quantidade de conteúdo, variações e temáticas.

 A literatura e musica possuem uma conexão de séculos, pensadores como Nietzsche já falavam da importância da musica para os seres humanos: "Sem a música, a vida seria um erro." Outro musico e até mesmo amigo de Nietzsche, Richard Wagner foi um famoso compositor alemão, e além de músico era também poeta e escreveu várias óperas e a tetralogia "O Anel do Nibelungo", um clássico mitologia nórdica.


 Mais a frente no tempo, muitas bandas de rock a partir da década de 1970 viriam a ter um autor como influência, principalmente escritores como Edgar Allan Poe.

Dentre um dos poetas mais aclamados dentro do rock/ punk está Arthur Rimbaud que foi um precoce poeta francês, escrevendo obras-primas entre os 15 e os 18 anosde idade,  influenciou a literatura, a música e as artes modernas. Era conhecido por sua fama de libertino e por uma alma inquieta, viajando de forma intensiva por três continentes antes de morrer de câncer aos 37 anos de idade. Talvez nascia aí a ideia do "morra jovem" cultuada pelos roqueiros dos anos 60 em diante.


A própria Biografia da banda Rolling Stones, tem como referência um livro de Rimbaud, "Uma Temporada No Inferno", que virou  "Uma Temporada No Inferno com os Rolling Stones".

A poesia de Rimbaud, bem como sua vida libertina, serviu de inspiração para músicos e artistas do século XX. Bob Dylan, Patti Smith, Van Morrison e Jim Morrison foram influenciados por sua poesia e por sua vida.


Jim Morrison lia muito as obras de poetas franceses, Rimbaud, além de outros como  Paul Velaire e Charles Baudelaire. Ainda falando de Jim Morrison, talvez um dos cantores com maior referência literária, é no escritor Aldous Huxley, que Jim se aprofundou para dar nome a sua banda "The Doors", inspirado no livro "The Doors of Perception" de Aldous Huxley ou "As portas da Percepção",  esse titulo de Aldous, veio de um verso do poema de William Blake, que dizia: " Se as portas da percepção estiverem limpas/ Todas as coisas se apresentarão ao homem como são, infinitas..."


A Poesia Beat dos anos 60 foi bastante influente na vida de Jim Morrison e muitos musicos daquela epoca e até depois, e um dos livros favoritos do cantor era ''On the Road'' de Jack Kerouac.

O cantor Bob Dylan foi um dos cantores que levantou a bandeira Beat, e principalmente um dos amantes dos livros de Kerouac. Dylan afirmou que "On the Road", foi  como uma bíblia para mim", ainda em conversa com Ginsberg, a cantor Dylan disse: "A leitura explodiu minha mente, foi a primeira poesia que falava a minha língua".

Aldous Huxley foi outro autor homenageado pela geração do acid-rock,  Jim Morrison lerá "The Doors of Perception", na adolescência e voltava a lê-lo quando estava em gravação do primeiro disco da banda californiana. Huxley também aparece na capa de Sgt Pepper’s dos Beatles. O Beatle John Lennon adorava os livros de Lewis Carroll, "Alice no País das Maravilhas" e "Alice através do Espelho".


A banda Queen, na música "Machines (or Back to Humans)", tem como inspiração o livro "1984", de George Orwell. O Blind Guardian tem influência das obras de J R R Tolkien como o "SIlmarillion".

O The Cure  tem uma forte ligação com as obras de Allan Poe, esse autor inclusive tem seus contos em forma de músicas nas mãos do guitarrista Allan Parsons.


O nome da banda "Joy Division" foi tirado do nome de uma casa de prostituição extraída de um romance chamado "The House Of Dolls", escrito por Yehiel De-Nur, em 1956. A banda ainda tem referência na poesia concreta de Marshall Berman, no documentário sobre o Joy Division, começa com uma citação do escritor: "Ser moderno é encontrar-nos em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, transformação de nós mesmos e do mundo - e, ao mesmo tempo em que ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos tudo o que somos. "


É uma descrição apropriada da banda, o escritor Marshall Berman ficava fascinado toda vez que escutava que vivia numa cidade “moderna”, num edifício “moderno”. Desde então, dedicou boa parte da sua vida à tentativa de decifrar o que é, enfim, a modernidade. É um dos grandes noems da poesia concreta.

O filósofo alemão Nietzsche inspirou músicos do Post-punk e do gênero musical heavy metal, particularmente os de black metal.

A banda black metal norueguesa Gorgoroth, indubitavelmente é uma das mais influenciadas pelas idéias nietzschianas, tanto que chegaram a afirmar que Nietzsche é a principal influência para a banda como autor. 

Afirmam: "Definitivamente, as obras Crepúsculo, O Anticristo e Ecce Homo estão entre os meus 5 livros favoritos."

O nome Gorgoroth foi retirado do livro "O Senhor dos Anéis", de J.R.R. Tolkien, a região onde está situada Mordor, onde reina o cruel Melkor.

Assim como o Gorgoroth, o nome da banda Burzum, também foi retirado do livro de Tolkien. "Burzum" é uma das palavras que estão escritas em Língua Negra no Anel de Sauron, a última sentença é "ash nazg durbabatuluk agh burzum ishi krimpatul", que significa "um anel para atrair todos eles e uni-los através da escuridão". Burzum seria "escuridão"


A banda Inglesa Anaal Nathrakh também apresenta forte influência de Friedrich Nietzsche. Outro bom exemplo de influências nietzschianas no metal é o álbum da banda Bathory intitulado "Twilight of the Gods", lançado em 1991, que traz na contra-capa trechos de 1871 de Friedrich Nietzsche.

Bem esses foram alguns artistas que tem influência literária que lembrei, porém é um campo vasto demais para ser exposto em uma única postagem, mas espero que tenham gostado do texto :)

Fonte: 
whiplash.net
Wikipédia


15 de fev. de 2013

A Identidade de Milan Kundera

Lançado em 1997. Tradução de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca. São Paulo. Companhia das Letras, 2009.

Meu primeiro contato com a obra do escritor tcheco Milan Kundera foi através do já clássico A Insustentável Leveza do Ser, livro que causou um impacto enorme em minha percepção sobre aquilo que sou e principalmente sobre a maneira com a qual lido com meus sentimentos, desde que o li pela primeira vez, há cerca de um ano, tenho percebido reflexos do que foi dito pelo autor em quase todas as áreas de minha vida. Nenhuma outra obra literária provocou em mim reações tão intensas e marcantes. Como valorizo autores capazes de me proporcionar tal tipo de imersão, fui logo em busca de outros escritos de Kundera e foi assim que cheguei até A Identidade, obra não tão grandiosa, mas tão bela e profunda quanto a primeira que li.

Em A Identidade, que foi escrito em 1997, podem ser percebidos diversos elementos que estão presentes também em A Insustentável Leveza do Ser, dentre eles as reflexões acerca da sexualidade, a dor existencial e o estudo minucioso do comportamento humano, realizado através da construção psicológica de cada um dos personagens. Pela maneira cuidadosa com que apresenta e desenvolve cada um deles, Kundera, de uma forma poética e cheia de sensibilidade, nos leva à identificação com alguns de seus pensamentos e atitudes e à medida em que ele ensaia reflexões sobre a história contada, somos instigados a refletir sobre a nossa própria condição.

Na história contada, Chantal é uma publicitária de meia idade que começa a viver uma crise ao perceber que não é mais desejada pelos homens como fora um dia, à princípio ela não quer se envolver com nenhum dos estranhos, cujos olhares cobiça, o que ela deseja é sentir-se ainda capaz de acender a libido dos desconhecidos, como se a atenção devotada por eles fosse uma espécie de confirmação de que ela ainda não perdeu aquilo que acredita ser a sua essência, sua identidade.


Quando já estava tomada pela melancolia, Chantal começa a receber cartas anônimas de um admirador que conhece sua rotina e acompanha seus passos, estas correspondências reascendem nela o amor próprio e um tesão que há muito ela não sentia. Curiosamente, o assédio do desconhecido dá um novo gás para o relacionamento de Chantal com Jean-Marc, seu segundo marido. Este já vinha percebendo há algum tempo a dor que ela dissimulava, porém sem saber o que fazer para ajudá-la. Ele sabia que todo seu amor e carinho já não eram o suficiente para ela.

No decorrer da história, uma atitude bem intencionada, quase inocente, desencadeia uma série de acontecimentos que atenua a dor existencial sentida por Chantal, levando-a a profundas reflexões sobre a sexualidade e a natureza do amor. Ela então se vê dividida entre a rotina segura e tranquila que leva ao lado de seu esposo e uma vida de aventuras sexuais com estranhos capazes de satisfazer sua maior necessidade, a de se reencontrar com uma parte de si mesma que já não mais existia. Esta dicotomia conduz a personagem à um tormento psicológico, durante o qual sua noção de realidade se torna cada vez mais fragilizada.

A Identidade consegue, em suas poucas páginas, transcender a história que conta, se tornando desta forma muito mais que um romance. Não seria exagero afirmar que ele, assim como A Insustentável Leveza do Ser, é também um livro filosófico, nele as ponderações de Kundera sobre o a identidade que buscamos adquirem tanta consistência que chegam bem próximo de constituir um ensaio sobre a limitação e a submissão do individuo frente aos inúmeros olhares alheios que estão direcionados ou não para ele, ora punindo, cobrando-o, cobiçando-o, ou tão somente ignorando-o, forjando assim frágeis identidades que nem sempre condizem com o real...

A literatura de Milan Kundera é essencial justamente por desbravar trilhas obscuras do comportamento humano, onde a complexidade de sentimentos e ações não são reduzidas a meros estereótipos, ao mergulharmos em seus escritos nos deparamos não com um mundo romantizado, mas com um espelho de nossas próprias vidas, que nos dá a oportunidade de olharmos, ainda que à distância, para dentro de nós mesmos...


Escrito por José Bruno Ap Silva, autor do excelente blog Sublime Irrealidade.

13 de fev. de 2013

Lya Luft, Madame Bovary e 50 Tons de Cinza


Então, está no ar mais um vídeo do nosso vlog - estreando as atividades de 2013 neste quesito. O mesmo traz uma análise comparativa entre três livros e a evolução social feminina: Identidade pessoal X Repressões. Segue:


Os livros citados no vídeo são:

  • A Mulher, O Lúdico e O Grotesco em Lya Luft (Maria Osana de Medeiros Costa): Ótima leitura, a autora fez um apanhado curiosos sobre as personagens femininas no universo Luftiniano, correlacionando com a sociedade patriarcal e elementos Freudiano.
  • Madame Bovary (Gustave Flaubert): Clássico literário com um certo ponto mítico em sua publicação, já que o autor chegou a ser preso em função da obra ter sido considerada promíscua, além de que teria sido baseada em eventos reais.
  • 50 Tons de Cinza (E. L. James): Romance com pegada de "soft porn" e um tom tradicional daqueles folhetins açucarados. É uma leitura para entretenimento, recomendada aos fãs do estilo.
Espero que tenham gostado,
Até mais!

7 de fev. de 2013

Dicas de leitura da Carol # 5 - Sangue Quente

Capa do Livro


Boa tarde Antes Que Ordinárias!

 Hoje é o meu dia de compartilhar idéias com vocês povo,de acordo com o novo calendário do blog! Como está sendo um recomeço,eu estava com sérias dúvidas sobre o quê eu iria compartilhar com vocês,e finalmente decidi que vou explanar um pouco sobre o livro Sangue Quente,que tem dado muito o que falar graças à sua adaptação cinematográfica que ainda nem estreiou!

 Posso lhes dizer que como tantas outras pessoas  estive cética até o presente momento acerca da qualidade tanto do livro quando da película,porque confessemos né,lembra muito Crepúsculo, com um enredo focado no amor entre um ser não-humano com uma humana...

Aliás o asco é unânime somente porque o livro é uma obra é um romance,inclusive eu,mas aí eu estava pensando cá com os meus botões...

O autor, Isaac Marion
 Carai...ninguém vive sem sentimentos,pode dar uma de durão,de bem resolvido segundo os padrões da sociedade,mas de nada serve  ter tudo isso se não tiver amor né,galera?  Exatamente como a mais famosa e poética passagem bíblica, a de Coríntios,que inspirou artistas como Luís de Camões e Renato Russo com seus versículos : "Ainda que eu falasse a língua dos anjos..." Eu viajo nestas palavras! Pensemos bem, o mundo em que este casal coexiste,apocaliptico,coincidentemente um EUA baqueado assim como deve estar o restante do mundo após sucessivas guerras,civilização em colapso,enfim tudo foi para o buraco. A situação que eles vivenciam mais uma vez não está muito longe do que pode acontecer conosco caso o mundo continue trilhando o atual caminho. Então devemos entender perfeitamente quem serão as hordas de zumbis famintos e ademais mortos vivos não?

R, o herói zumbi é uma criatura atormentada afinal de contas apesar de estar morto tem vagas recordações de seu passado e uma delas é a inicial de seu nome e na qualidade de zumbi vive de alimentar-se da vida dos outros e daí adquirir traços de outrém . Analisemos: Nesta sociedade coisificadora em que temos que ser o que adquirimos e jamais devemos ser aquilo que nos é inerente, a fome do zumbi vem bem a calhar,o que é essa fome senão o comportamento de se esquecer o que se é em detrimento de se apossar daquilo que não é nosso,principalmente o alheio,porque hoje, o importante são as metas,é mostrar a sua superioridade (decrepitude?) frente os semelhantes? Instintos primitivos de quem morrou alegoricamente e precisa manter-se absorvendo a vitalidade e a razão de outros?

É rir para não chorar,mas está é a verdadeira evolução humana!

O jovem rapaz zumbi tem sonhos mas não sabe como colocá-los em prática no mundo torpe onde vive,tão sombrio e macabro,com quem ele poderia compartilhar suas convicções? Seus iguais são apáticos,vide a conversa que ele tem com seu melhor "amigo" todo santo dia, os humanos,ele tem por obrigação devorá-los e estes mesmos,obviamente ou morreriam de medo dele ou tentariam matá-lo. E ainda existe um terceiro grupo feroz de zumbis,deteriorados até os ossos,que me lembram muito os NPCs do tradicional jogo Diablo. Com esses aí é que não tem conversa mesmo! Até o dia em que ele se apaixona por uma guria e tudo muda,obviamente por se tratar de uma obra baseada em zumbis então é claro que esse encontro vai ser turbinado à base de cérebro e vísceras...do falecido namorado da moça,mas isso realmente não importa, o que importa é que o coração do protagonista antes turbado pela perversão do meio ambiente que vive volta a vivificar como se fosse uma pequena chama,devido o amor doado pelo seu "alimento" e a partir daí quanto mais ele protege e convive com esta jovem mais menos "zumbi" ele fica. Tirando essa imagem hedionda de cérebro e visceras,este é o alimento certo, o amor,a vontade de praticar o bem,de voltar a ter a alma limpa das perversidades contidianas.

Tô igual?
 Observando deste ponto de vista não é tão piegas assim,porque todo e qualquer relacionamento se fortalece graças à convivência...É a famosa rotina que assusta as pessoas a ponto de espantá-las como o capiroto foge da cruz...Deve ser por isso que hoje os relacionamentos são tão furtuitos,crê-se piamente que todos devem ser experts e máquinas de fazer sexo que só isso basta para que a relação perdure, a paixão é o gatilho e a desilusão é a consequência! Amor,demora a se estabelecer mas depois que finca raízes não morre jamais! E os outros zumbis ao observarem o seu ato sentem-se tocados e a partir daí,mudanças começam a acontecer.

Considerações finais: Eu vi o vídeo promocional do filme, e até ali minha opnião escarnecedora se modificou,passei a achar que o zumbi apesar de estilizadinho ( Aff,imagina se fosse um zumbi de walking dead,um no estilo do zumbi do poço,argh,até parece que a guria ia dar uma bitoca!O.o) ele poderia muito bem não ser um zumbi completo,poderia ter o organismo resistente como o de Will Smith em Eu sou a Lenda,por exemplo,não achei de todo o mal não,até achei melhor que Crepúsculo. Os produtores acertaram em transformar em comédia pois sabe como expectadores podem ser bem críticos com relação à filmes... Então resolvi baixar e  ler o livro e gostei bastante dele, o clima obviamente, é mais opressivo mas não é nada risível,é bem consistente e mudou o meu pensamento,como vocês podem ver pelo que acabei de escrever. São pessoas com o coração pervertido que precisam de uma luz,um help,alguém que dê um primeiro passo para a mudança - para melhor. " Chegará o dia em que as pedras clamarão" - É uma boa analogia para o contexto do livro,pedras neste caso,seriam as pessoas de coração duro,pervertido,devido às inconsistências da vida,do mundo,da sociedade. E somente como o amor,não somente entre  homem e mulher,mas extendido a todo o semelhante é que resolveremos o problema. Agora... é esperar para ver qual a conclusão de vocês após a leitura!

     Caso se interessem aqui está o livro: Sangue Quente - Isaac Marion




17 de nov. de 2012

Perfis de Mulher: Martha Gellhorn


Uma das mais competentes jornalistas do século XX, Martha Gellhorn foi correspondente de guerra quando as mulheres ainda lutavam por seus direitos nos campos de batalha urbanos. Em mais de 60 anos de carreira, ela cobriu os principais conflitos de sua época e usou seu talento para escrever 21 livros, entre novelas e coletâneas de seus artigos.
Martha Ellis Gellhorn nasceu em 1908, filha do meio de uma sufragista e um ginecologista descendente de judeus. Seus dois irmãos também tiveram carreiras brilhantes, um como professor universitário no curso de Direito e outro como oncologista. Ela foi estudar na famosa universidade feminista Bryn Mawr, mas não acabou o curso.
Com a intenção de se tornar correspondente estrangeira, Martha foi para a Fança em 1930, ficando dois anos por lá. Voltou para ajudar o governo americano a ter um retrato exato de como a Depressão econômica havia afetado a população. Os frutos de sua investigação foram tão originais que chamaram a atenção da primeira-dama Eleanor Roosevelt, de quem Martha se tornou amiga.
Ela já estava na Europa cobrindo a Guerra Civil Espanhola quando Hitler deu início à Segunda Guerra Mundial. Desde a experiência na França ela havia se tornado pacifista, mas mesmo assim Martha fez questão de acompanhar o conflito de perto, fazendo de tudo para estar ao lado da notícia. Boa observadora, ela se preocupava muito mais em relatar os sofrimentos dos civis em meio à guerra que os conflitos nas trincheiras, embora ela estivesse presente em vários momentos importantes, como em um bombardeio dos ingleses em território alemão e até mesmo no “Dia D”, de desembarque das tropas aliadas na Normandia, ocasião em que ela ajudou os feridos carregando-os em macas.
Selo de 2007. Martha foi a única mulher a figurar entre os jornalistas homenageados
Sempre atuante em causas políticas, Martha atacou os governos dos presidentes americanos Nixon e Reagan, além do fascismo, racismo e caça aos comunistas. Ela sempre foi favorável à esquerda política, embora seus sentimentos em relação ao comunismo tenham sido controversos, uma vez que ela nem o criticou nem elogiou. Por ter sido uma das primeiras repórteres a entrar no campo de concentração de Dachau após sua libertação, Martha também se tornou simpatizante da causa dos judeus e a luta pela criação do Estado de Israel, inclusive pensando em mudar-se para o país em sua velhice.  
Martha Gellhorn casou-se duas vezes. Seu primeiro matrimônio foi com o escritor Ernest Hemingway, que conheceu em 1936 e com quem viveu entre idas e vindas durante quatro anos até a oficialização do casamento. Ernest nem sempre gostava das ausências de sua terceira esposa quando ela estava viajando. Ela também não gostava de estar sempre associada ao seu marido e quando era convidada para entrevistas, exigia que o nome de Ernest não fosse pronunciado. Eles ficaram casados durante os turbulentos anos da guerra e se separam em 1945. Um filme sobre a relação desses dois ícones foi feito para a TV em 2012, com Nicole Kidman no papel de Gellhorn e Clive Owen como Hemingway.
Martha casou-se novamente em 1954 com um editor da Time Magazine, Tom Matthews. Ele se tornou o padrasto do garoto Sandy, que ela havia adotado em um orfanato italiano cinco anos antes. Apesar de ser uma mãe esforçada, ela deixava o filho longos períodos com parentes para fazer suas reportagens, gerando certo afastamento entre eles. Martha divorciou-se de Tom em 1963, mas continuou vivendo em Londres, cidade em que havia se estabelecido com ele, até 1998, quando, sofrendo de câncer e totalmente cega, suicidou-se com uma overdose de remédios.
Hoje vemos inúmeras mulheres dominando a apresentação de telejornais e as redações de grandes editoras. Temos diversas correspondentes estrangeiras e repórteres de renome. Todas elas devem um pouco de seu prestígio a Marta Gellhorn, uma verdadeira mulher de fibra.

“Cidadania é uma tarefa complicada que obriga o cidadão a formar sua própria opinião e defendê-la”.
Martha Gellhorn (1908-1998)    

31 de out. de 2012

Doces ou Travessuras - Especial Livros e HQ´S

Preparem-se para muitos sustos porque hoje é Halloween,bebê !  E para não deixar passar em branco a data dos tons obscuros,eu resolvi fazer uma postagem especial,unindo as minhas especialidades aqui no blog que são a Literatura e os Quadrinhos,vulgo HQ´s,que seja!
No início da semana,comemoramos o Dia Mundial do Livro e não custa nada lembrar como livros são importantes em nossa formação pessoal,pois com o seu conteúdo nós temos a base para montar e seguir as nossas ideologias,tomamos nota de  todas as  informações existentes,além do requisito mínimo para entender o que eu citei acima,saber ler e escrever,não adianta negar é um processo mecânico nisso,é como malhar o bíceps: No começo é difícil,mas exercitando-se com regularidade,nota-se que o rendimento torna-se superior e logo é necessário aumentar a carga e assim sucessivamente vai ocorrendo o processo de aprendizagem de leitura e escrita. E não é bom se acomodar ao pensar que já consegue ler um livro ou escrever um bilhete: Assim como o músculo,se a acomodação se instalar e desse modo o exercício cessar, o músculo vai atrofiar! Ou seja,aquilo que você levou tanto tempo para aprender vai se dissipando de sua mente aí bebê você percebe que já não tem a mesma potência. 


E para recomeçar e logicamente recuperar o tempo perdido,haverá a necessidade de um sacrifício maior...Algum tempo atrás,eu fiz uma postagem sobre o Dia do Escritor,mas como ia ficar um assunto muito repetitivo,resolvi publicar hoje,juntamente com o que seria o espaço das HQ´S,pois posso abordar o mesmo tema para ambos os assuntos e prestar homenagem ao nosso mentor intelectual, o livro. O verdadeiro motivo para postar hoje,além do fato que seria dia de quadrinhos,é a data comemorativa comumente chamada o Dia das Bruxas, e encontra-se baseada na crença do antigo povo celta,que todo dia 31 de outubro,não é importante somente por causa da definição das estações do ano,mas segundo o que eles acreditavam,os espíritos andam entre os vivos neste dia e para espantá-los havia a necessidade de ornar habitats e pessoas com coisas feias como ossos por exemplo. Isso foi a uns 2500 anos atrás e é claro que hoje, o pessoal está mais interessado pelos concursos de fantasia e os doces! E sendo Halloween,eu resolvi elaborar um combo de obras diversificado e assombroso que eu recomendo para o dia de hoje,então certifiquem-se que as luzes estão acesas,olhem embaixo da cama, e não se desesperem!




Drácula - Bram Stoker

Esse aí é o vampiro verdadeiro,com ele não tem essa história de sentimentos ou pó de pirlimpimpim, com ele a sequência não é do pente,é do predador e caça.Enquanto você ao menos cogitar a idéia de ser como a Bella Swan,no mínimo sua jugular já estará seca e antes que você possa protestar vai levar uma estacada de madeira direto no coração,sem delicadeza,assim na maior, dentro de um caixão e se possível,em um cemitério realmente tenebroso para deixar de ser tola por querer se envolver com vampiros! O Drácula de Bram Stoker é de 1897 e foi escrito com base no folclore e lendas do povo romeno...Ou seja,se você for a inúmeros cemitérios antigos desse povo,você vai reparar que os mortos descansam com uma estaca enfiada no peito...Edward não sobreviveria nem um mês na Romênia...

DRÁCULA - BRAM STOKER 



Crônicas Vampirescas - Anne Rice

Os vampiros de Anne Rice são existencialistas sim mas essa característica não os deixam delicados como fadas,muito pelo contrário. O único mundo que eles conhecem está mergulhado em trevas,não apenas as trevas da noite e a sua impossibilidade de andar à luz do sol,são trevas mais significativas,que concentram perversidade,luxúria,dominação. Se você não souber fazer a sua vida,és literalmente devorado por outros "peixes" maiores que você neste gigantesco mar de podridão. Dentre as crônicas vampirescas,a mais popular dentre elas é "Entrevista com o Vampiro",principalmente depois que recebeu a sua versão cinematográfica com Brad Pitt encarnando o existencialista Louis e Tom Cruise o psicopata Lestat. Uma coisa interessante,é que as obras de Anne Rice sempre deixam escapar nas entrelinhas aspectos da vida pessoal da autora. Cláudia,a vampira que viveria eternamente sob um aspecto infantil foi inspirada na filha de Anne,que morreu aos cinco anos,vítima de leucemia. As crônicas foram escritas no período entre 1976 e 2003. Se você quer saber como é a vida dos predadores eles contam. Só não garanto que você estará respirando no final.

                             ENTREVISTA COM O VAMPIRO - ANNE RICE  



                                       Lord Byron e Álvares de Azevedo


Estamos aqui falando de vampiros ficcionais,mas porquê não dar espaço aos vampiros "reais",se levarmos em conta a fascinação que um devasso Lestat nos provoca, o que levou gerações e mais gerações de mulheres a terem sonhos eróticos com os filhos de Caim ( segundo a mitologia de Vampiro- A Máscara,que é descaradamente inspirado no mundo criado por Anne Rice). Mulheres que enlouquecem por tipos intelectuais,erráticos e boêmios conheçam Lord Byron,esse escritor pertencente à casta dos ultra-românticos que morreu jovem,tinha limitações físicas,porém teve uma vida muito produtiva,aventuresca e luxurienta,além de muitas e muitas polêmicas,como é o caso do incesto e do romance com centenas de mulheres comprometidas. Ele era doce como mel e amargo como fel...De onde vocês acham que surgiu a figura de Don Juan?Ele foi nitidamente imortalizado como vampiro na obra de seu amigo John Polidore,cujo título é,adivinhem,O Vampiro!E o nosso conquistador também escreveu sobre vampiros em seu poema The Giaour,ou o Infiel,em árabe. Sabe,a ele não bastava falar sobre vampiros,tinha que ter algum elemento exótico!  E desculpa aí meninas,Ghouls,são muito mais do que vampiros,são demônios árabes comedores de carne e sedentos por sangue que vivem em cemitérios,prontos para lanchar algum desavisado.Se por acaso passar por essa imprudente cabecinha de tentar beijar um ghoul,devo lhe alertar que o bafo do galã das catacumbas não deve ser nem um pouco agradável! A alma gêmea de Lord Byron nasceu no Brasil e atendia pelo nome de Alvares de Azevedo e como o escritor anterior,morreu jovem,escreveu muito e era um boêmio inveterado. Para este Halloween sugiro Noite na Taverna,tem o clima propício para a data!

                                            THE GIAOUR- LORD BYRON
                            NOITE NA TAVERNA:ÁLVARES DE AZEVEDO


                             


                                            Frankestein - Mary Shelley

Outro monstro clássico é o Frankestein e surpreenderia a vocês saberem que quem inventou a sua história foi uma jovem, de nome Mary Shelley? Ah,mas hoje mulheres escrevem livros principalmente,livros sobre vampiros fadas! Na época em que viveu,digamos que a mulher não era estimulada a pensar e nem muito menos a se intrometer em assuntos que seriam restritos aos homens que seriam política,filosofia,ciências...Coisas complexas demais para cabecinhas que eram treinadas desde a mais tenra idade apenas para discutir frivolidades. Com Mary foi diferente,ela teve toda a assistência do pai e fazia muito bom uso dessa educação avant - gardé. E foi num bate papo gostoso e descompromissado que ela criou o seu tão famoso personagem,afinal naquela época havia ocorrido um boom significativo no campo das experiências científicas,então era realmente estimulante tentar reanimar defuntos. Aliás é um desafio magnífico...Seria a solução definitiva para o apocalipse zumbi,é só pegar as sobras que os zumbis não devoram,uni-las e esperar uma tempestade! Pronto,temos um mundo repovoado de novo! Ficou curiosa para saber se rolaria umas  civilidades com essa criatura artificial? Dê uma lida e confira!

                                     FRANKESTEIN - MARY SHELLEY



                                     O Chamado de Cthulhu - H.P Lovecraft

Lovecraft de longe é o Pai da Literatura de Terror,criou um universo fantástico com todo o tipo de coisas horripilantes que se possa imaginar portanto ele é a cara, o espírito e a mentalidade do Halloween! Dentro desse mundo extraordinário existem panteões de deuses que lutam entre si sobre a soberania sobre a Terra,planeta que a bilhões de anos atrás,eles mesmos fizeram surgir a vida,inclusive a humanidade. Existem aqueles que acreditam em ANNUNNAKIS e que nós descendemos de extraterrestres e esta sua crença se assemelha e muito com o imaginário Crafteriano. Sua obra é tão impressionante que há os que juram de pés juntos que o Necronomicon,livro de invocações de demônios é de verdade,porém ele é mais um ingrediente da cosmogonia de Lovecraft. Apesar de reunir vários contos,o livro leva o nome de uma criatura chamada Cthulhu,uma criatura anterior ao aparecimento de vida sobre a Terra e é cultuada como se fosse uma divindade em corpo de barro para que um dia retorne à vida. Porém na qualidade de extraterrestre e criatura bestial,a Humanidade não será beneficiada com esse retorno e todos irão para o beleléu. E nada de beijinho!

                               O CHAMADO DE CTHULHU - H.P LOVECRAFT



                                                     A Coisa - Stephen King

A última criatura de livros que eu vou falar pertence às obras de Stephen King e embora ele e outros autores tenham vampiros,lobisomens e zumbis à vontade para nos exibir,vou falar deste palhaço tenebroso comedor de criancinhas,porque ele personifica o terror que as pessoas sentem com a figura do palhaço,notadamente quem está do lado de lá,nos EUA,porque houve uma vez,um maníaco que se vestia de palhaço e matou muitas pessoas.  O personagem de Stephen não é meramente um serial killer,é uma entidade sobrenatural que não se alimenta apenas dos corpos,mas principalmente do medo de suas vítimas ( a la Fred Krueguer ),principalmente crianças. Um grupo de sete crianças uma vez o enfrentou e trinta anos se passaram desde então,até que um deles que ainda morava na cidade,pressentiu que o perigo retornou e solicitou que seus amigos também retornassem à cidade para o confronto final. A minha opinião pessoal é que a versão cinematográfica não consegue nem de longe ser aterrorizante como o livro,porque obviamente no livro existem muitas coisas que gerariam polêmica se fossem exibidas no cinema,mas que funcionam de um jeito perturbador no contexto da obra. Recomendo a leitura imediata e se possível que se ignore a versão em filme. Não me meteu medo,deu vontade de rir do filme. Com o Pennywise eu aprendi que não se deve confiar em palhaços que te oferecem coisas legais de dentro  de uma vala de esgoto. Meninas, ele é dentuço,fica a dica!



                                                     
                                                        Quanto aos quadrinhos:


 Dos títulos da Vertigo,vou escolher os menos óbvios.Títulos como Hellblazer, Sandman e Monstro do Pântano,deixemos para conferir depois,mesmo que estes combinem muito com Hallowen!

FÁBULAS: Criaturas das histórias de contos de fadas coexistem com os seres humanos,embora procurem não se misturar com eles. Se você já viu Shrek,imaginem o mundo do ogro de uma perspectiva macabra e terão idéia do que é ler esta HQ! Aqui está um exemplar da série:

                                                                  1001 NOITES
                                                                  
A TESSALÍADA: Esta minissérie conta a história da bruxa Tessaly,a última das bruxas da Tessália na Grécia. Apesar de manter-se no anonimato como uma jovem estudante de literatura de Nova York,ela terá que lutar contra ecos de seu passado,pois cães de caça infernais estão em seu encalço e ela tem que descobrir quem ou o quê está por trás dos acontecimentos estranhos. Eu tive o prazer de ter a minissérie completa em mãos e é uma leitura surpreendente,mais uma vez o fantástico e o sobrenatural entrelaçam-se de modo hábil de acordo com a brilhante mentalidade de Neil Gaiman!

Aqui estão os  volumes da mini- série:

                                                         TESSALÍADA # 1
                                                         TESSALÍADA # 2
                                                         TESSALÍADA # 3
                                                         TESSALÍADA #4

EU,ZUMBI: Eu fiquei sabendo que está em fase de produção uma série para a TV de uma versão zumbi para o dilema do vampiro borboleta e este zumbi é todo cheio de bons sentimentos e pó de arroz,assim como o seu colega Edward. Mas antes disso,já existia uma zumbi gostosona,que namora um lobisomem e tem uma amiga fantasma que ao comer o cérebro de pessoas já falecidas no cemitério,absorve uma parte do que elas eram. Mas ao invés de se apaixonar pelo parceiro do defunto,ela se incumbe de solucionar questões como assassinado e assim honrar a comida que tem à mesa.Interessante,não? Vai um pedacinho aí?

Primeiro volume:

                                                    EU,ZUMBI # 1
BRUXARIA,UMA HISTÓRIA DE VINGANÇA: Secretamente,mulheres cultuam às deusas obscuras na floresta em noite oportuna ,quando um bárbaro interrompe a celebração e acaba estuprando e matando uma delas que antes de morrer faz um juramento de que se vingará em outra vida, e o seu desejo é tão extremo que as deusas,uma velha,uma matrona e uma jovem o concedem à moribunda. Nesta época o Império Romano ainda dominava o mundo até então conhecido, e o local era Londres. Então através dos séculos e sob diversas aparências,esta pessoa perseguirá seu assassino,mas até que ponto essa perseguição é coerente? Confiram a minissérie inteira em 3 volumes:

                    BRUXARIA,UMA HISTÓRIA DE VINGANÇA-COMPLETO


UZUMAKI: O clima deste mangá é extremamente perturbador. Uma cidade  começa a ser assombrada por padrões geométricos que lembram espirais e influenciam os moradores de modo extremamente bizarro e logo o local todo é tomado pelas espirais assassinas e a heroína Kirie ,uma das poucas pessoas sobreviventes à possessão,assiste intrigada um a um os seus conhecidos serem destruídos e logo tudo será destruído.Essa é história  para ler  de dia ou de preferência de luz acesa,e de preferência bem longe dos caracóis!

Primeiro capítulo:


                                  UZUMAKI - A ESPIRAL DO HORROR


Gente,acho melhor eu parar por aqui senão eu ficarei dias e dias listando tudo o que eu conheço na área,espero que vocês gostem da seleção que fiz,desculpem-me a demora,a internet está oscilante. Beijocas!

                                       

27 de out. de 2012

Perfis de Mulher: Agatha Christie


A rainha do suspense é a autora que vendeu mais livros na história segundo o Guinness Book: foram quatro bilhões de cópias em mais de cem idiomas. Sua peça “A Ratoeira” sustenta outro recorde: está há 60 anos em cartaz, somando mais de 24 mil apresentações. Seus trabalhos mirabolantes  e interessantíssimos serviram de base para 34 filmes, além de séries de animação japonesas, videogames e programas de televisão. E olhe que a vida de Agatha não perde em nada para suas histórias.
Nascida Agatha Mary Clarissa Miller em 15 de setembro de 1890, era a terceira e última filha de um casal da classe média-alta inglesa. Foi educada em casa, aprendeu a ler, escrever e tocar piano com sua mãe e passava a maior parte do tempo sozinha, lendo ou brincando com animais. Quando seu pai morreu, Agatha tinha apenas 11 anos e foi pela primeira vez para a escola, não se adaptando à disciplina rígida da instituição. De volta para casa, com seus irmãos já morando fora, ela foi enviada para estudar em Paris.
Aos 20 anos começou a procurar um marido por insistência da mãe. Enquanto a busca não tinha sucesso, Agatha escreveu e atuou em algumas peças de teatro amador e também escreveu poemas. Seu próximo passo foi criar histórias curtas com seus temas favoritos, que incluíam espiritualidade e experiências de viagem. Todas essas histórias, assim como seu primeiro romance, foram rejeitados pelos editores a quem os enviou.
Em 1912 conheceu Archibald Christie, um indiano que fazia parte do exército, e se casou com ele na véspera de Natal de 1914, já durante a Primeira Guerra Mundial, da qual Agatha participou sendo enfermeira voluntária. Com Archibald ela teria sua única filha, Rosalind.
Em 1919, finalmente, ela viu seu primeiro romance publicado: “O Primeiro Caso de Styles”, em que surge seu mais famoso personagem, Hercule Poirot, um detetive belga inspirado nos refugiados da Bélgica que ela conhecera durante a guerra. Poirot seria o protagonista de 33 de seus livros, além de 54 contos. Ele também tem a honra de ser o único personagem fictício a receber uma nota no obituário do New York Times quando da publicação do último romance de Agatha com Poirot, Curtain, em 1975. No entanto, mais de uma vez Agatha confessou estar cansada do personagem!
Outra investigadora famosa na galeria de Agatha é Miss Marple, uma senhorinha pessimista baseada na avó da escritora. O que também sempre está presente nas obras é uma investigação que termina com uma revelação surpreendente. Certa vez Agatha declarou que escrevia seus livros até o penúltimo capítulo, analisava os personagens para ver quem era o menos suspeito e depois de escolher o culpado voltava e completava os outros capítulos com algumas provas incriminatórias.   
Uma das paixões de Agatha, a arqueologia, está presente em vários de seus livros. Embora ela já tivesse visitado o Egito em 1910, foi só em 1930, quando conheceu seu segundo marido, Max Mallowan, que ela realmente começou a se interessar pelo assunto. Outra marca de sua experiência pessoal em livros é o uso de venenos em alguns romances escritos após a Segunda Guerra Mundial, durante a qual ela trabalhou em uma farmácia de uma universidade londrina.
O primeiro marido deixou-a em 1926, trocando-a por outra mulher. No mesmo dia em que o marido saiu de casa, Agatha viajou para Yorkshire sob um pseudônimo e sem avisar ninguém, deixando centenas de fãs apreensivos por seu sumiço, que foi um caso bastante difundido pela imprensa nos 11 dias em que ninguém soube notícias dela. Até hoje se especula porque ela sumiu: muitos fãs interpretaram como uma jogada de marketing ou forma de culpar o marido por um suposto assassinato; outros simplesmente aceitam a hipótese de um colapso nervoso, e ainda outros acham que Agatha queria apenas assustar o marido e não causar comoção nacional. Esse episódio foi desenvolvido ficcionalmente no filme “Agatha” (1979), com a atriz Vanessa Redgrave interpretando a escritora, e também num episódio da série “Dr. Who” em que o sumiço é interpretado como consequência da ligação com um alien.       
Agatha com o segundo marido
Agatha Christie faleceu em 1976, cinco anos após receber o título de “dama” da coroa britânica. Lembrada e homenageada tantas vezes ao redor do mundo, a autora nos legou 66 romances e 15 coletânea de contos. Sabendo entreter e surpreender como ninguém, toda vez que abrimos um livro de Agatha descobrimos um novo mundo e temos a oportunidade de sermos nós mesmos grandes detetives.     

"A melhor receita para o romance policial: o detective não deve saber nunca mais do que o leitor."
Agatha Christie (1890 – 1976)                                           

17 de out. de 2012

É de pequeno se faz um bom leitor!

Olá, queridos e queridas... quanto tempo que não escrevo aqui. Mas, hoje resolvi tirar a poeira do meu teclado extraordinário e partilhar uma ideia super bacana. 

A verdade é que eu pensei em aproveitar que estamos no mês de outubro que, de certa forma "é o mês das crianças", para dar uma dica super bacana aos pequenos e "quase grandes"(adolescentes).

Imagem retirada do google
Ano passado, por volta do mês de de outubro(há 1 ano), compartilhei no Facebook, uma dica super bacana do site "EducarParaCrescer". Era o link de um HotSite(clique AQUI para ser encaminhado até ele) muito legal com dicas de 204 livros para crianças e adolescentes. As sugestões de livros estão divididas por faixa etária, de 2 à 18 anos.
Imagem retirada do site Educar para crescer

Esse site é super legal e fácil de navegar. Ao entrar nele, basta clicar na faixa etária para você saber quais livros são indicados. Muiiito bom! Eu me esbaldei.

Penso que em época onde muitos só incentivam presentear com brinquedos(sim, crianças adoram brinquedos) se estimularmos nossos pequenos com mimos literários, acredito que podem passar a gostar muito de livros e você, adulto, é o grande responsável para que isso aconteça.
 
Já que estamos dando dicas, vou aproveitar para sugerir uma coleção infanto juvenil super legal. Meu filho estava numa fase muito "complicadinha", em que não se interessava por ler outra coisa que não fosse gibis(nada contra... eu adooooro! Mas, é importante abrir o leque para outras leituras). Foi então que resolvi comprar os dois primeiros volumes de "Diário de um banana", há algum tempo(a pedido dele). O danadinho gostou tanto, que pretende ler todos da saga(ganhou o terceiro, da tia e pretendo dar os outros da coleção).

Gustavinho(meu filho) e seus livros "Diário de um banana"
"Diário de um banana"
Todas as fotos dessa postagem são de meu(Joicy) arquivo pessoal.
Então é isso! A postagem é mais como uma super dica para papais, mamães, titias, titios, vovós, vovôs, dindas, dindos e todos que gostam de presentear com livros.

Beijinhos.
Câmbio, desligo!


6 de out. de 2012

Perfis de Mulher: Clarice Lispector


Uma das autoras brasilerias com maior número de citações circulando pela Internet, Clarice Lispector é também uma das mulheres brasileiras mais respeitadas no exterior.
Nascida num vilarejo da Ucrânia em 1920, Clarice chegou ao Brasil ainda criança. Durante a guerra civil que se seguiu após a Revolução Russa de 1917, várias famílias judias foram perseguidas, e a de Calrice era uma delas. Já em terras brasileiras a maioria dos membros aportuguesou os nomes (o nome de batismo de Clarice era Chaya) e se instalou em Maceió, mudando para Recife três anos depois. Na capital pernambucana a mãe de Clarice veio a falecer quando ela tinha apenas nove anos, deixando na filha um forte sentimento de culpa e impotência frente à doença da mãe, sífilis, supostamente contraída após um estupro durante a guerra.
Aos 15 anos ela veio com a família para o Rio de Janeiro e, aos 17, entrou na faculdade de Direito. O curso não atingiu suas expectativas e Clarice passou a escrever para distrair-se. Em 1940, no mesmo ano da morte do pai após complicações em uma cirurgia simples, ela teve sua primeira história publicada em uma revista. Ao ver-se órfã, passou a trabalhar para sustentar-se, primeiro na Agência Nacional de imprensa, depois no jornal A Noite.
Em 1943, já com cidadania brasileira e casada com um colega da faculdade, Clarice publicou seu primeiro livro, sucesso imediato de crítica: “Perto do coração selvagem”. Pela primeira vez no Brasil um romance era apresentado através do fluxo de consciência do protagonista, deixando de lado algumas convenções na escrita. No ano seguinte à publicação, Clarice e o marido, Maury Gurgel Valente, foram morar na Europa, onde ela inclusive trabalhou como enfermeira durante a Segunda Guerra Mundial.
Já em tempos mais calmos, Clarice escreveu “A Cidade Sitiada” na Suíça, mesmo país em que nasceu seu filho Pedro, que mais tarde seria diagnosticado esquizofrênico. Os tempos no país dos Alpes não foram só de alegria, uma vez que a escritora expressou seu tédio e tristeza da vida naquela época. Além disso, “A Cidade Sitiada” não foi tão bem recebida quanto o primeiro livro ou mesmo o segundo, “O Lustre”, publicado três anos antes.
Depois de mais algumas viagens e um aborto sofrido durante uma visita a Londres, Clarice e a família ficaram no Rio por um ano, quando ela publicou uma série de contos que serviria de base para seu livro “Laços de Família” e também escreveu para a revista Comício sob o pseudônimo Teresa Quadros. Depois ela ficou sete anos nos Estados Unidos, onde nasceu seu segundo filho, Paulo. Neste período não publicou nenhum livro.
Os contatos de Clarice ao longo da vida foram importantes para sua carreira e seu desenvolvimento como escritora. Do poeta e novelista Lúcio Cardoso, homossexual por quem ela se apaixonou na juventude, resultou uma amizade duradoura. Enquanto esteve nos Estados Unidos, conviveu com o também famoso escritor Érico Veríssimo e a esposa do embaixador brasilerio, filha do ex-presidente Getúlio Vargas.
Suas obras mais celebradas seriam escritas com seu retorno definitivo ao Rio, deixando o marido nos EUA. As coletâneas de contos “Laços de Família” e “Legião Estrangeira” foram lançadas ainda na década de 1960. Em 1968 Clarice participou de uma manifestação contra o enrijecimento da repressão instituída pela ditadura militar.
As obras-primas viriam nos anos finais: “Água Viva”, romance filosófico que, segundo amigos, foi o que Clarice ficou mais insegura quanto à publicação, e “A Hora da Estrela”, com sua problemática social. Reza a lenda que o cantor Cazuza gostava tanto de “Água Viva” que leu o livro 111 vezes. Em 1973 Clarice tinha sido demitida do Jornal do Brasil, juntamente com todos os judeus que lá trabalhavam. Ela escrevia colunas para o público feminino do jornal e, vendo-se desempregada, passou a fazer traduções de livros. Era fluente em inglês francês e iídiche. Além disso, também escreveu cinco livros infantis, sendo dois de publicação póstuma.
Em 1966, ela sofreu um grave acidente ao tomar pílulas para dormir e cair no sono com um cigarro aceso que incendiou sua cama. Sua mão direita quase foi amputada e a escritora passou dois meses internada. Voltaria ao hospital em 1977, pouco depois da publicação de “A Hora da Estrela”. Ela tinha um câncer inoperável no ovário e mesmo assim continuou ditando suas ideias para uma amiga. Faleceu na véspera de seu aniversário de 57 anos.
Na juventude, foi considerada uma mulher tão bela quanto Marlene Dietrich e que escrevia tão bem quanto Virginia Woolf. Celebrada no mundo todo pela inovação de seus escritos, Clarice nasceu na Ucrânia, mas sempre se considerou brasileira. Assunto de tantas teses e debates, além de livros e biografias estrangeiras, Clarice pode ganhar sua própria cinebiografia e ser interpretada por Meryl Streep. 

“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
Clarice Lispector (1920-1977)

13 de set. de 2012

Bem vindo ao novo Sítio do Picapau Amarelo

Tenho certeza de que todos aqui já ouviram falar da boneca de pano serelepe e tagarela, Emília... também da menina linda, do nariz arrebitado, Narizinho... do valente Pedrinho, o inteligente Viconde Sabugosa e os demais personagens criados pelo maravilhoso Monteiro Lobato.

Depois de tantas versões do Sítio do Picapau Amarelo, eis que neste ano surgiu o desenho animado. São 26 episódios baseados na obra "Reinações de Narizinho". A dublagem de Emília, Narizinho e Pedrinho são feitas, respectivamente, pelos atores Isabella Guarnieri, Larissa Manoela e Vini Takahashi.

Para quem nunca viu, fica aqui a dica ... seguem alguns episódios completos!

 Um lugar diferente - Ep. 1

Um grande aventureiro - Ep. 2

As promessas do Rabicó - Ep. 3

O bolo da tia Nastácia - Ep. 4

A pílula do Dr. Caramujo

A princesa do Reino das Águas Claras

A viagem da dona Benta

Então é isso...

Me despeço por aqui.

Beijinhos!!

Câmbio, desligo.