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5 de mar. de 2013

Dois Momentos Irônicos na Trilha Sonora de Nascido para Matar


No post do Questionário Cinematográfico respondi algumas questões com filmes de um cineasta adorado por muitos, inclusive por mim: Stanley Kubrick. Neste final de semana tive a felicidade de esbarrar com uma de suas películas passando na telinha, mais precisamente no canal TCM durante um especial sobre a Guerra do Vietnã. Nem preciso falar qual é a obra cinematográfica de Kubrick, neh?!

Nascido para Matar é baseado em um livro de Gustav Hasford, chamado The Short-Timers. A trama é claramente dividida em duas partes: o Treinamento e a Batalha. Em ambos os segmentos a principal característica fixa-se na frieza/crueldade, no sabor de desumanidade recaída em cada instante. Com certeza é um retrato bem particular de uma das guerras mais contorversas já registradas.

Como não poderia deixar de ser, a trilha sonora corresponde a altura! Desde as composições específicas para a película até os clássicos da cultura popular, como Paint it Black ressoando nos créditos finais, funcionam. Mas, foram as inserções musicais com ar contraditório que concederam a cena - como se quisessem desdizer o já dito -  as que mais me encantaram.

Desta forma, selecionei duas cenas do filme que combinam músicas improváveis e um gostinho de ironia, bem no estilo ousado de Stanley; Confira:

Ordem dos Vídeos:
Música Original. . ........ . .... Música no Filme
A canção de Nancy Sinatra - como podem ver pela tradução AQUI inclusa - conta a história de uma garota sensual e decidida, pronta para desprezar. Quando da gravação Nancy foi incentivada a cantar como se fosse uma adolescente esnobando um quarentão. Sabendo disto, fica fácil de notar a ironia na cena de Nascido para Matar quando a protagonista do momento é uma prostituta vietnamita tentando conseguir um trabalho. Por mais que, como diria Satine de Moulin Rouge, "a girl has got to eat", garanto que ela estaria pensando no quanto adoraria aniquilar os soldados americanos com suas botas!


Ordem dos Vídeos:
Música no Filme. . ........ . .... Música Original
Que Surfin' Bird é um clássico do surf-rock todos sabem. Ou, caso não se tenha associado o título da música a própria fica aqui uma dica: "Papa-Oom-Mow-Mow". Gravada em 1963 pela banda The Trashmen, a canção logo chegou entre os hits mais executados graças ao ritmo contagiante e letra nonsense super divertida. Até aqui tudo bem. Contudo, ao ver esta música servindo de fundo para cenas de combate emolduradas por sorrisos insensíveis diante da guerra, gera-se certo incômodo. O humor inerente da canção serve de contraste entre o horror e o prazer de matar. A ironia do divertimento perante a destruição do outrem é perfeitamente desenhada com esta soundtrack.


Irônico, não?!


10 de nov. de 2012

Perfis de Mulher: Clara Nunes


A voz do Brasil? Sem dúvida, a voz que melhor cantou as coisas do Brasil: o samba, o mar, a religiosidade, o romantismo e a alegria. Uma exuberância sem igual, vestida como uma praticante da umbanda, sem a produção exagerada de suas contemporâneas, Clara Nunes conquistou o mundo em menos de 40 anos de uma existência intensa.
Nascida Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, num distrito da cidade de Paraopeba, em Minas Gerais, era a caçula de sete filhos. Tendo ficado órfã muito pequena, ficou sob a tutela de dois irmãos, mas teve de se mudar para a casa de outra irmã, em Belo Horizonte, quando seu irmão matou um namoradinho dela. Tragédias à parte, já na infância Clara mostrava ter talento, pois ganhou um concurso de canto aos dez anos, em 1952, e se apresentava sempre no coral da Igreja.
Em Belo Horizonte, trabalhando como tecelã de dia e estudando à noite, Cara foi descoberta por um violinista que, empolgado, levou-a a vários programas de rádio. Seria aos 18 que ela teria o talento reconhecido ao vencer a etapa mineira de um concurso de rádio, ficando com o terceiro lugar na etapa nacional. Dessa vez ela deixou seu trabalho como tecelã para se apresentar na Rádio Inconfidência, sendo considerada por três anos consecutivos a melhor cantora de Minas Gerais. Já assinava o sobrenome Nunes, da família materna. Apareceu no programa de Hebe Camargo antes de ganhar seu próprio programa em uma TV local, em que recebia grandes nomes da música brasileira.
Aos 23 anos mudou-se para o Rio de Janeiro. Sem preconceitos, apresentou-se em bares, casas noturnas e escolas de samba do subúrbio. No mesmo ano ela assinou contrato com a gravadora Odeon e lançou seu primeiro LP, “A Voz Adorável de Clara Nunes”, um fracasso de vendas devido à insistência da gravadora para que o repertório fosse de músicas românticas, como boleros. Três anos depois, a consagração: seu segundo LP, além de ser um sucesso, foi sua porta de entrada para o mundo do samba.
Em 1970 Clara se tornou uma artista internacional ao se apresentar em Angola. Na capa de seu novo LP, o quarto da carreira, ela apareceu com roupas relacionadas às vestimentas afro-brasilerias e passou a adotar esse estilo. Nos anos seguintes, com a venda de LPs aumentando a cada novo lançamento, a cantora foi convidada a se apresentar na televisão de Portugal e também na Suécia e França.      
Seu disco “Alvorecer” vendeu mais de 300 mil cópias, quebrando o tabu de que mulheres não vendiam LPs no Brasil. No mesmo ano, 1974, Clara participou da peça “Brasileiro, Profissão Esperança”, sobre a cantora Dolores Duran. Nos anos seguintes, gravou sua primeira composição própria, “À flor da pele” e participou do lendário show do Riocentro, espetáculo em prol da anistia durante o qual um atentado foi planejado, mas não ocorreu como o esperado. Ela também voltou a Angola e se apresentou na Alemanha e na TV japonesa.  
Clara casou-se com o poeta, compositor e produtor Paulo César Pinheiro em 1976 e, após três abortos espontâneos, teve de se submeter à retirada do útero. Com a negação do sonho de ser mãe, ela focou-se cada vez mais na carreira, obtendo sucesso até o último dia. Em 1983 ela se submeteu a uma cirurgia para retirar varizes que a incomodavam. Um componente do anestésico causou-lhe um choque anafilático que provocou a dilatação de seus vasos sanguíneos, resultando em um edema. Após o problema ser controlado, a cantora permaneceu em coma por 28 dias durante os quais as mais estapafúrdias teorias sobre a causa do coma surgiram entre seus fãs e a imprensa. Clara, temerosa de tomar uma anestesia peridural devido ao risco de ficar paraplégica caso tivesse uma reação, insistiu por uma anestesia geral. Em 2 de abril de 1983, Clara faleceu, dando início a um grande tumulto e comoção durante seu velório, ocorrido na quadra de sua escola de samba do coração, a Portela.     
Mesmo depois da morte, vários discos foram lançados com gravações da cantora, trazendo-lhes novos fãs. Outros álbuns surgiram em sua homenagem, incluindo “Clara Nunes com vida”, em que outros cantores gravaram duetos póstumos com ela. Sua voz também se fez ouvir em diversas coletâneas de música brasileira lançadas em outros países. Sua história virou musical e livro.
O distrito de Cedro, onde Clara nasceu, emancipou-se e adotou o nome de Caetanópolis. Graças ao esforço da primogênita da família, hoje essa cidade conta com uma creche, um acervo, uma casa da cultura, um memorial e um festival em homenagem a ela, que perpetuam o legado desta inesquecível brasileira.   

3 de nov. de 2012

10 Mães Apavorantes do Cinema

A figura materna de forma geral é associada a zelo e carinho; Aquele ser disposto a tudo pelo bem estar de sua "cria". Contudo, as pessoas são falhas, obscuras e imprevisíveis. Verdade seja dita, estamos distantes do que é tido como ideal. Como o cinema terror é baseado nos equívocos de caráter, nas más escolhas e - é claro - no lado sombrio da humanidade, obviamente que as Mães não fugiriam a regra. Para comprovar tal, fiz uma lista com 10 das Mães Mais Apavorantes do Cinema; Confira:


Mrs. Bates
Psicose (1960)
E quem é a pedra basilar das mães insanas? Claro que um fruto de uma película sob o olhar da mente inquieta de Alfred Hitchcock! A história deste jovem que sofre com a dominação da mãe e seus resultados extremos é tão bem trabalhada que acabou abrindo precedentes até hoje seguidos.

Lucy Harbin
Almas Mortas (1964)
Aqui a mãe do filme foi internada em um Hospital Psiquiátrico após matar seu marido e a amante dele com machadadas - detalhe, na frente da filha. Após 20 anos de internação ela é liberada e se reúne com a filha, já adulta. Contudo, as mortes voltam a acontecer... Coincidência?

Margaret White
Na minha sincera opinião esta é a PIOR mãe dos cinemas (e literatura)! Usando da religião como desculpa para torturar a pobrezinha da Carrie, deixa claro que o fato desta ter nascido mulher já era por si só pecado. Abusiva ao extremo - louvores para Piper Laurie que está surreal no papel -, com certeza não facilitou para a filha, que além de sofrer bullying no colégio era telecinética. Como é que Carrie teria alguma chance com uma mãe destas?

Mrs. Wadsworth
The Baby (1973)
Mais uma mãe abusiva para a lista, esta acompanhada de suas duas filhas. Este terror cult com ares de drama, conta a história de uma assistente social que tenta ajudar um garoto de 21 anos vivendo como um bebê, literalmente. Proibido de falar, andar e crescer intelectualmente por seus familiares, fica num berço e é submetido a castigos.

Vera Cosgrove
Fome Animal (1992)
Quem diria que Peter Jackson sairia do Gore para o Oscar! Nesta película de zumbis, com boas doses de sustos, humor e gosma, Vera Cosgrove se mostra uma mãe castradora e dominadora - até mesmo depois de "morta". 


Beverly R. Sitphin
Uma mãe suburbana esconde um segredo: É uma Serial Killer! Nesta sátira com pitadas de horror de John Waters - aquele de Pink Flamingos - traça-se o perfil de uma verdadeira psicopata. Alguns detalhes do filme são inesquecíveis, como a referência ao Almas Mortas, acima citado.


Gertrude Baniszewski
Baseado em uma história real, este drama - que para mim soou como terror psicológico - conta a história desta garota deixada pelos pais aos cuidados de Gertrude, uma mulher amargurada e sem vocação para ser mãe, em que pese tenha vários filhos. Os abusos cometidos por ela e/ou incitados pela mesma a serem cometidos pelas outras crianças são revoltantes. Neste link você pode ler sobre o crime real. 


Mrs. Pamela Voorhees
Ah... Não dava para deixar de comentar sobre a mãe de Jason. Esta sim é a verdadeira percursora da franquia, e tudo isto por vingança! Aparentemente, talento para a matança pode ser genético.


Joan Crawford
Você pode me perguntar: Mas, a atriz Joan Crawford? Ela mesma, sob a ótica da filha que escreveu uma biografia chamada Mommie Dearest, contando todos os abusos que sofreu por parte da estrela. Nos anos 80 levou-se a história para o cinema. O quanto disto é real, não sei. Mas, com certeza a Joan Crawford retratada no filme é uma mãe apavorante! No blog La Dolce Vita há um post bem interessante comentando sobre o filme.


Dorothy Yates
Frightmare (1974)
Nesta produção inglesa a matriarca da família é completamente desajustada. Assassina por compulsão, nem  o tempo em que foi internada ajudou, ao retornar para a sociedade mantém os antigos e pavorosos hábitos. 


Só para terminar de dar o tom desta lista, deixo aqui o bom e assustador curta metragem espanhol intitulado Mamá:


30 de ago. de 2012

Enquanto isto na Sessão da Tarde... John Hughes!

Conhece aquele jogo de associações mentais onde alguém diz uma palavra e você tem que responder com a primeira que surgir em sua mente? Pois é, para mim, toda vez que penso em Sessão da Tarde, imediatamente, remeto-me a John Hughes. É impossível desvencilhar um do outro; São como queijo e goiabada:

A combinação perfeita!

No geral, nesta sessão do blog eu falo sobre algum programa em específico. Contudo, em virtude da magnitude do trabalho de Hughes - principalmente por ter representado toda uma geração - somado ao fato de que por vezes as pessoas não associam o filme ao diretor/roteirista, resolvi falar (confesso que por alto) de seu trabalho.
Os anos 80 não seriam os mesmos sem John;A Sessão da Tarde não seria tão nostálgica sem o trabalho de Hughes.
John Hughes Jr. nasceu em 18 de fevereiro de 1950, além de diretor, foi  produtor e roteirista. Sua carreira começou através de seus escritos, já que na década de 70,  trabalhou para a revista National Lampoon. Daí passou para os roteiros (filmes e séries), sendo que por ocasiões usou o pseudônimo Edmond Dantès, uma homenagem ao personagem principal de O Conde de Monte Cristo, para apresentar seus trabalhos.

Uma curiosidade interessante é a de que seus filmes possuíam certa característica particular para a época, sempre apresentando cenas extras após os créditos finais.

Hughes faleceu em 2009, aos 59 anos, de ataque cardíaco, ao caminhar em Manhattan. No Oscar 2010 foi apresentada uma homenagem ao seu trabalho, a qual contou com a participação dos seus astros (agora não mais) adolescentes.

E por falar em adolescência, não consigo imaginar outro diretor/roteirista que tenha captado com a mesma destreza esta fase da vida. Sem exageros, John Hughes conseguiu transportar diversos aspectos irrefutáveis e dilemas atemporais - vide Clube dos CincoCurtindo a Vida Adoidado.
 
Como seus maiores destaques de trabalhos são de diretor e roteirista, trago a sua filmografia e faço um desafio para os que presenciaram a Sessão da Tarde principalmente nos anos 80/90: Quantos dos filmes listados você assistiu durante as tardes nas sessões de cinema da telinha? 

John Hughes como Diretor:
1991 - Curly Sue
1989 - Quem Vê Cara Não Vê Coração
1988 - Ela Vai Ter um Bebê
1987 - Antes Só do Que Mal Acompanhado
1986 - Curtindo a Vida Adoidado
1985 - Mulher Nota Mil
1985 - Clube dos Cinco
1984 - Gatinhas e Gatões

John Hughes como Roteirista:
2008 - Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor
2003 - Beethoven 5
2002 - Encontro de Amor
2002 - Esqueceram de Mim 4
2001 - Beethoven 4
2001 - Os Viajantes do Tempo
2000 - Beethoven 3 - Uma Família em Apuros
1998 - Nadando Contra a Corrente
1997 - Esqueceram de Mim 3
1997 - Flubber
1996 - 101 Dálmatas - O Filme
1994 - Milagre na Rua 34
1994 - Ninguém Segura Este Bebê
1993 - Beethoven 2
1993 - Denis, O Pimentinha
1992 - Esqueceram de Mim 2 - Perdido em Nova York
1992 - Beethoven - O Magnífico
1991 - Curly Sue
1991 - De Volta para Casa
1991 - Construindo uma Carreira
1990 - Esqueceram de Mim
1989 - Christmas Vacation
1989 - Quem Vê Cara Não Vê Coração
1988 - As Grandes Férias
1988 - Ela Vai Ter um Bebê
1987 - Antes Só do Que Mal Acompanhado
1987 - Alguém Muito Especial
1986 - Curtindo a Vida Adoidado
1986 - A Garota de Rosa-Shocking
1985 - Mulher Nota Mil
1985 - Férias Frustradas II
1985 - Clube dos Cinco
1984 - Gatinhas e Gatões
1983 - Piratas das Ilhas Selvagens
1983 - Mr. Mom
1982 - A Reunião dos Alunos Loucos


E aí, quantos filmes foram?


Para terminar esta singela homenagem a este mestre da Sessão da Tarde, deixo aqui uma Playlist que fiz com algumas músicas das trilhas sonoras dos filmes de John Hughes. Espero que gostem.

Ouça:



 

23 de ago. de 2012

O Double Dare Brasileiro

Acho divertido um game show, não para assistir com  frequência, mas, de vez em quando eu paro e curto responder as questões enquanto torço por alguma equipe. Jogo a culpa deste gosto duvidoso na SBT e sua mania de trazer o gênero para cá. Durante os anos 90 um ganhou destaque especial, já que envolvia tortas na cara - com esta dica ficou fácil -:
Sim, é o Passa ou Repassa

Inspirado no programa americano Double Dare, teve sua estréia em 1987, sob o comando de Silvio Santos - HahaHihi -, contudo, foi somente em  1989 que o programa realmente cau no gosto popular por conta  de seu quadro principal, Torta na Cara. A torta era feita completamente de chantili e graças a tal, mais um jargão nasceu: "Quem sabe responde, quem não sabe , leva torta na cara"



Para quem não se lembra, ou mesmo não conhece, vou explicar o conceito do programa:

  • Dois times competindo entre si pela maior pontuação. Por vezes celebridades, por vezes escolas.
  • Primeiro Bloco: Inicia-se com perguntas e respostas, caso o participante não saiba a resposta ele pode passar para o competidor contrário, só que o valor desta pergunta dobra. Um novo repasse é permitido, havendo a duplicação do valor novamente. Ignorando a resposta a equipe terá de pagar uma prenda, que se trata de uma prova valendo pontos. Não conseguindo cumprir, os pontos vão para a equipe adversária.
  • Segundo bloco: O famoso torta na cara, a qual é dada toda vez que um dos participantes não souber a resposta.
  • Terceiro Bloco: Uma gincana mesclando provas, perguntas e obstáculos, quem fizer em menor tempo dobra sua pontuação.
O programa sob este formato foi apresentado de 1987 a 2000, sendo que a ordem cronológica de apresentadores foi, Silvio Santos (1987-1988); Gugu Liberato (1988-1994); Angélica (1995-1996) e Celso Portiolli (1996-2000). Em 2000 houveram algumas alterações e as reprises do programa apresentado por Celso foram ao ar até 2004.

Na época do Gugu havia sido lançado um daqueles joguinhos - acho que era febre ter joguinhos de caixa - baseado no programa; Até hoje lembro como queria aquilo e não ganhei! Traumas da infância...


Para finalizar mais um pouquinho de Passa ou Repassa:



C.R.U.J.,  C.R.U.J., C.R.U.J., Tchau!
Ops... Fiz confusão!


26 de jul. de 2012

10 Desenhos Indispensáveis da Minha Infância

Nestes pouco mais de 2 meses de blog falando de TV Aberta, dei-me conta que esqueci de escrever sobre um dos maiores encantos que a telinha pode proporcionar ao imaginário: Os Desenhos Animados. Pois é, falei de novela, de sessão da tarde, de programas e, por puro descuido, não citei estas pérolas vitais da infância. Assim, para recompensar este esquecimento, vou fazer logo uma listagem de 10 cartoons que embalaram aquele meu período pueril e fizeram das minhas manhãs - ou tardes, ou noites - algo além do ordinário. Afinal, como já explicou Snoopy:
“Minha vida não tem qualquer finalidade, sem direção, sem objetivo, não faz sentido e, no entanto, estou feliz”. 
A infância também é um pouco assim.

Caverna do Dragão: Um dos desenhos mais "mitológicos" que conheço - falo isto sobre as teorias quanto a um episódio final e quem seria na verdade o Mestre dos Magos e o Vingador, quase lendas urbanas - conta a história deste grupo de crianças e adolescentes que acabam presos em uma realidade alternativa e tentam encontrar o caminho para casa. O que eu mais gostava no mesmo era a interação das personagens, cada qual com seus talentos e dificuldades. De todos eu queria ser a Diana!


He-Man: Este era o alter-ego do Príncipe Adam, o qual ganhou seus poderes quando encontrou a Espada de Grayskull. Ele vive em Eternia e está sempre lutando para que o bem vença, e não o Esqueleto. Adorava o Gato Guerreiro e o Gorpo, além dos conselhos que ele dava no final.


Thundercats: Aquela musiquinha de abertura grudava na minha cabeça! Fora isto, a animação contava com os habitantes de Thundera que lutavam contra Mumm-Ra. O ponto alto aqui para mim era a força guerreira dos personagens, em especial de Cheetara - uma das mulheres (ou quase) mais fortes dos desenhos da época.


Ursinhos Carinhosos: 5, 4, 3, 2, 1! Pois é, este aqui era um cúmulo de fofo. Tons pastéis, nuvens, doces... Tudo muito adorável. Por isto, acho ele recomendável aos menorzinhos! Fora as tradições "lições de moral" que cada episódio continha.


Cavalo de Fogo: "No meu sonho eu já vivi um lindo conto infantil. Tudo era magia, era um mundo fora do meu. E ao chegar desse sonho, acordei. Foi quando correndo eu vi um cavalo de fogo ali que tocou meu coração, quando me disse então, que um dia a rainha eu seria, se com a maldade pudesse acabar, no mundo dos sonhos pudesse chegar..." Por que eu gostava tanto? Oras, sendo menina, é obvio que eu queria um cavalo igual. Nunca fui muito fã de pôneis (hehehe).


Tom & Jerry: Preciso explicar? Era inocente, engraçado e com uma trilha sonora surreal - claro que eu não percebia isto na época. Acho que é um dos exemplos mais emblemáticos de desenho animado atemporal.


Os Cavaleiros do Zodíaco: Honra, luta entre o bem e o mal, uma saga, uma aventura... Os Cavaleiros do Zodíaco trata-se de um dos primeiros mangás - não vou falar sobre o tema, pois não sou conhecedora - a chegar aqui no Brasil. Foi um sucesso mundial e era impossível ficar de fora da febre.


Doug: O universo de um pré-adolescente pra lá de criativo é a temática deste desenho animado. Doug conseguia trafegar entre o lado infantil e o início dos interesses adolescentes de forma maravilhosa; Sem falar dos adorados Costelinha e Skeeter. Por bem ou por mal teve circunstâncias em que me identifiquei com o tresloucado jeito de ser de Doug. 


A Turma do Charlie Brown (Snoopy): De todos o que ainda assisto e penso: "Está acrescentando algo em minha vida". Faz a linha inteligente, ao estilo de O Pequeno Príncipe, que por mais infantil que se intitule, na verdade é um tratado sobre o como se viver para todas as idades. 


Popeye: Este marinheiro, apaixonado pela Olívia Palito e inimigo de Brutus, é a razão por eu ter experimentado Espinafre, a verdura que mais gosto. Por isto só já valia um lugar na minha lista. É o verdadeiro vintage do top.


Teve infância melhor que a nossa?

12 de jul. de 2012

A Era dos Festivais: Quando a Música era feita de Voz

Imagem Retirada do Era dos Festivais
Eu sei, uma coluna de televisão falando sobre música? Entretanto, este "tubo de raios catódicos" - já que eram assim na época - teve importância vital para a proliferação da música popular brasileira como hoje a conhecemos. Foi graças a iniciativa das emissoras TV Excelsior, TV Record, TV Rio e Rede Globo que a arte musical fixou-se ao público como forma de manifestação inteligente e nomes como Elis Regina, Caetano Veloso, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, entre outros tantos consolidaram-se.
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A Era dos Festivais teve início em meados de 1960 com o I Festival de Música Popular Brasileira, realizado em São Paulo e Transmitido pela TV Excelsior. Daí pra frente vários outros festivais foram surgindo, com formatos similares e transmitidos nas telinhas - dentre eles podemos citar: Festival Nacional de Música Popular Brasileira, Bienal do Samba, Festival Internacional da Canção, MPB 80, Festival dos Festivais, entre outros. A referida era findou-se em 1985, com o Festival dos Festivais apresentado pela Rede Globo.

Diversos movimentos ganharam espaço através de tais, a exemplo da Jovem Guarda e do Tropicalismo. Contudo foi o Festival de 1968 que mais repercutiu e gerou controvérsias, em que pese não tenha trazido grandes inovações. Como era costume, o público participava ativamente durante as músicas; Ou seja, aplaudiam se gostassem, vaiavam caso não. Caetano entrou para cantar É Proibido Proibir e foi vaiado do início ao fim de sua apresentação. Veloso, que por óbvio se alterou com a reação do público, encerrou sua participação com um discurso e a frase: "Se vocês forem para a política como são para a estética nós estamos feitos". Mais detalhes deste festival confira AQUI.

Vale ressaltar que um dos pontos mais importantes para a expensão musical lá foi a presença da Ditadura Militar. Com a necessidade de expressar-se e a limitação vivida, uma das saídas que restou jazia na composição de canções ambíguas e politizadas, onde a mensagem chegasse ao público passando pela censura. Veja-se o exemplo de Cálice, composta por Chico Buarque e Gilberto Gil. Havia evidente preocupação com a qualidade musical, mais do que com o seu sucesso. Havia uma magia tamanha arreigada em versos prontos para serem consumidos.

Difícil não fazer comparações entre o ontem e o hoje da esfera musical nacional. Com o fim dos festivais e novas vivências sociais, os Anos 90 aqui no Brasil surgiram com seu "Pega pra Capá" dançante do Axé Music; Já nos anos 2000 o duplo sentido musical ganhou as vezes das paradas e hoje ruídos melódicos de Tchu e Tcha são os donos do Top Hits. Longe de mim afirmar que a música brasileira não tem qualidade hoje, até porque vários artistas talentosos surgiram de lá para cá, a questão aqui se fixa no gosto popular; Aí sim, não dá para negar que os festivais foram a Era de Voz, num sentido amplo da palavra.

  • Vamos a alguns vídeos:
Não existe nada mais subversivo do que um subdesenvolvido erudito.