11 de ago de 2013

Feliz Dia dos Pais, mamãe!

Ano passado, em uma data que há muito passa despercebida para mim, tive uma agradável surpresa na linha do tempo do meu Facebook. Várias pessoas, em especial as mais jovens, estavam desejando feliz Dia dos Pais... para suas mães. Durante todo o dia amontoaram-se fotos, homenagens e mensagens para as mães batalhadoras que precisam desempenhar um papel duplo na criação de seus filhos. E até há pouco tempo essas mulheres admiráveis eram vistas com maus olhos.
Uma das boas consequências da Primeira Guerra Mundial (e, acredite se quiser, guerras têm boas consequências, como o avanço tecnológico) foi a inserção mais rápida da mulher no mercado de trabalho, que seria inevitável, mas talvez demorasse mais em tempos de paz. Milhões de mulheres foram trabalhar nas fábricas e passaram a sustentar a casa na ausência dos maridos, sendo que muitos deles não voltaram dos campos de batalha.

A partir da década de 1960, com conquistas sobre seu próprio corpo, como o direito de decidir quando e mesmo se querem ter filhos, as mulheres avançaram ainda mais. Entretanto, em especial em cidades pequenas, a mulher divorciada era vista com muito preconceito, a começar pela Igreja.    

Segundo o Censo de 2010, mais de 37% das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres. Em 12,2% dos lares, moravam a mulher e seus filhos, sem um cônjuge do sexo masculino. Infelizmente, das famílias chefiadas por mulheres, 53% se encontram abaixo da linha da pobreza, isso devido à velha condição da disparidade de salários entre os sexos, além do fato de que muitas meninas pobres engravidam e seus companheiros não assumem a responsabilidade. 
Muitas vezes essa “família disfuncional” é apontada como causa primeira de traumas e problemas diversos para os filhos. A falta de uma figura paterna às vezes é apontada como causa de criminalidade, uma vez que alguns adolescentes não se acostumaram a receber ordens de adultos do sexo masculino. Sim, as mães solteiras ou divorciadas devem ter o máximo de cuidado com seus filhos, da mesma maneira que as casadas. Indo para o lado pessoal, fui criada por minha mãe e por meus avós, e não me transformei em delinquente. Sim, tenho problemas, mas estes todos nós enfrentamos. Entretanto, não consigo imaginar a palavra “pai” saindo de minha boca, seja falando sobre meu próprio pai ou, num futuro que nem sei se ou como vai acontecer, falando de um companheiro para um filho.  

As mulheres sempre sofrem pressão para terem filhos. Se os têm e se separam, a criança ou adolescente acaba virando um repelente para outros relacionamentos e motivo constante de preocupação e, às vezes, de batalhas judiciais. As mulheres que são pai e mãe merecem todo nosso respeito não só em datas comemorativas, mas em todos os 365 dias do ano.

15 de jul de 2013

Secret Window












"Seria enterrada no jardim que ela própria cuidava...". Shoot her!
Janela Secreta, é um filme baseado no livro homônimo escrito por Stephen King em 2004. Dirigido por David Koepp e produzido por Gavin Polone. A trilha sonora é assinada por Philip Glass.
Não é de hoje, que sou fã de Stephen Edwin King, meu escritor preferido, reconhecido como um dos mais notáveis quando o assunto são contos de horror fantástico e ficção.Os seus livros venderam mais de 350 milhões de cópias. Seus livros foram publicados em mais de 40 países e muitas das suas obras foram adaptadas para o cinema. É o nono autor mais traduzido no mundo .
Embora seu talento se destaque na literatura de terror/horror, escreveu algumas obras de qualidade reconhecida fora desse gênero e cuja popularidade aumentou ao serem levadas ao cinema, como nos filmes Carrie a Estranha, O ILUMINADO, Conta Comigo, Um Sonho de Liberdade (contos retirados do livro As Quatro Estações),Christine, Eclipse Total, Lembranças de um Verão e À Espera de um Milagre, entre outros.O seu livro, The Dead Zone, originou a série da FOX com o mesmo nome. O próprio King já escreveu roteiros de episódios para séries, como Arquivo X, em que ele escreveu o roteiro do episódio "Feitiço", da quinta temporada.
Em Janela Secreta, temos a marcante atuação do perfeccionista Depp e grande destaque para a trilha sonora de Philip Glass, sua música é normalmente chamada de minimalista, embora ele não aprecie esta expressão.Glass compôs trilhas sonoras para diversos filmes, começando por Koyaanisqatsi (1982), dirigido por Godfrey Reggio que está entre as trilhas sonoras mais influentes. Podemos citar também como trabalhos na área de trilha sonora para filmes Mishima (1985), Kundun (1997) sobre o Dalai Lama, a trilha sonora dos demais documentários da trilogia Qatsi em Powaqqatsi (1988) e Naqoyqatsi (2002), além de O Show de Truman: O Show da Vida (1998) que usou partes das trilhas de Mishima e Powaqqatsi e As Horas (2002) o qual recebeu uma indicação para o Óscar. Recentemente produziu a trilha para os filmes O Ilusionista (2006) e Notas Sobre um Escândalo (2006), este último lhe rendendo uma indicação ao Óscar de melhor trilha sonora.
Ele ainda possui um estúdio freqüentado por artistas famosos como David Bowie, Lou Reed e Bjork, chamado Looking Glass. É ou não um nome de peso para composição de TSO? rs.





Voltando ao filme, temos o 'esquizofrênico' Mort Rainey (Johnny Depp) um escritor bem sucedido de livros comerciais que está em crise, enfrentando um conflito pessoal após o fim de seu casamento e da separação com sua esposa adúltera, Amy (Maria Bello) após tê-la flagrado com Ted (Timothy Hutton). Mort então decide se isolar em uma cabana à beira do lago Tashmore, em busca de tranquilidade. Não conseguindo escrever nada novo, sofrendo um embaraço criativo por causa da sua separação traumática com Amy, aproveitando o tempo para descansar. Para complicação da circunstância, a aparente tranquilidade da cabana desaparece quando um místico homem, John Shoother (John Turturro), vindo de Mississipi, aparece inesperadamente e começa a atormentá-lo dizendo que Rainey se favoreceu do plágio de um de seus melhores contos que tinha escrito diversos anos antes de 1997, e que exclusivamente o final foi modificado. Diante disso, o curioso homem agora está exigindo uma reparação pública e indenização ou uma prova concreta do contrário num breve período de apenas três dias, pressionando de forma invasiva o escritor e demonstrando também possuir sinais de ser um sujeito mentalmente alterado e ameaçador.


O filme, é um ótimo suspense, sem muitos sustos ou grandes produções. Temos o protagonista em seu momento de isolamento como peça chave, os pensamentos de solidão/auto destruição, a 'possível' esquizofrenia de Tom, um cenário bucólico, uma trilha espetacular e Depp.

No filme, Mort se esconde atrás da suposta acusação de plágio, para cometer suas 'atrocidades', ele fica confuso, e acha 'impossível' ter plagiado um conto. Tudo começa a ficar mais sombrio[o que é delicioso para os fãs de suspense) quando Mort encontra seu cachorro morto e ao lado um manuscrito original com a autoria de Shooter, cuja história é surpreendente identica ao do seu livro.
As manifestações deste possível e severo transtorno do funcionamento cerebral, começam a mostrar sua cara.
O que é esquizofrenia? Como saber se tenho? A esquizofrenia pode desenvolver-se gradualmente, tão lentamente que nem o paciente nem as pessoas próximas percebem que algo vai errado: só quando comportamentos abertamente desviantes se manifestam. O período entre a normalidade e a doença deflagrada pode levar meses.
Por outro lado há pacientes que desenvolvem esquizofrenia rapidamente, em questão de poucas semanas ou mesmo de dias. A pessoa muda seu comportamento e entra no mundo esquizofrênico, o que geralmente alarma e assusta muito os parentes.
Não há uma regra fixa quanto ao modo de início: tanto pode começar repentinamente e eclodir numa crise exuberante, como começar lentamente sem apresentar mudanças extraordinárias, e somente depois de anos surgir uma crise característica.





Geralmente a esquizofrenia começa durante a adolescência ou quando adulto jovem. Os sintomas aparecem gradualmente ao longo de meses e a família e os amigos que mantêm contato freqüente podem não notar nada. É mais comum que uma pessoa com contato espaçado por meses perceba melhor a esquizofrenia desenvolvendo-se. Geralmente os primeiros sintomas são a dificuldade de concentração, prejudicando o rendimento nos estudos; estados de tensão de origem desconhecida mesmo pela própria pessoa e insônia e desinteresse pelas atividades sociais com conseqüente isolamento. A partir de certo momento, mesmo antes da esquizofrenia ter deflagrado, as pessoas próximas se dão conta de que algo errado está acontecendo. Nos dias de hoje os pais pensarão que se trata de drogas, os amigos podem achar que são dúvidas quanto à sexualidade, outros julgarão ser dúvidas existenciais próprias da idade. Psicoterapia contra a vontade do próprio será indicada e muitas vezes realizada sem nenhum melhora para o paciente. A permanência da dificuldade de concentração levará à interrupção dos estudos e perda do trabalho. Aqueles que não sabem o que está acontecendo, começam a cobrar e até hostilizar o paciente que por sua vez não entende o que está se passando, sofrendo pela doença incipiente e pelas injustiças impostas pela família. É comum nessas fases o desleixo com a aparência(semelhante ao que acontece na aparência de Mort no filme-roupãp o dia todo, cabelo desgrenhado...) ou mudanças no visual em relação ao modo de ser, como a realização de tatuagens, piercing, cortes de cabelo, indumentárias estranhas e descuido com a higiene pessoal. Desde o surgimento dos hippies e dos punks essas formas estranhas de se apresentar, deixaram de ser tão estranhas, passando mesmo a se confundirem com elas. O que contribui ainda mais para o falso julgamento de que o filho é apenas um "rebelde" ou um "desviante social".
Muitas vezes não há uma fronteira clara entre a fase inicial com comportamento anormal e a esquizofrenia propriamente dita. A família pode considerar o comportamento como tendo passado dos limites, mas os mecanismos de defesa dos pais os impede muitas vezes de verem que o que está acontecendo; não é culpa ou escolha do filho, é uma doença mental, fato muito mais grave.
A fase inicial pode durar meses enquanto a família espera por uma recuperação do comportamento. Enquanto o tempo passa os sintomas se aprofundam, o paciente apresenta uma conversa estranha, irreal, passa a ter experiências diferentes e não usuais o que leva as pessoas próximas a julgarem ainda mais que o paciente está fazendo uso de drogas ilícitas. É possível que o paciente já esteja tendo sintomas psicóticos durante algum tempo antes de ser levado a um médico.
Quando um fato grave acontece não há mais meios de se negar que algo muito errado está acontecendo, seja por uma atitude fisicamente agressiva, seja por tentativa de suicídio, seja por manifestar seus sintomas claramente ao afirmar que é Jesus Cristo ou que está recebendo mensagens do além e falando com os mortos. Nesse ponto a psicose está clara, o diagnóstico de psicose é inevitável. Infelizmente o tratamento precoce não previne a esquizofrenia, que é uma doença inexorável. As medicações controlam parcialmente os sintomas: não normalizam o paciente. Quando isso acontece é por remissão espontânea da doença e por nenhum outro motivo.




O filme, consegue seguir uma sequência alucinante e nos mostra aos poucos como é sofrível a vida de Mort. Seus momentos perturbadores, arrepiantes e violentos tomam forma, seus pensamentos, sua solidão, suas conversas consigo mesmo, essa reviravolta é impressionante. O final é brilhante e ao mesmo tempo triste para Mort, que finalmente conseguirá seu isolamento social 100% completo.
O clímax, que Stephen King, consegue criar em cada obra é algo de tirar o fôlego, ele consegue em cada livro e adaptação para o cinema, um novo olhar, um ângulo singular que consegue deixar o fã com aquele gosto peculiar pelo medo.Em Secret Window, além de abordar sutilmente o sofrimento da esquizofrenia, ele conseguiu mais uma vez, fazer com que tenhamos uma grande reflexão: afinal, qual será nossa janela secreta? Todos temos, ou não?
Em nossa vida real esquizofrenia não é bacana e precisa de acompanhamento, tratamento, muito amor, paciência, companheirismo e zero preconceito.













19 de jun de 2013

Edifício Master

Edifício Master é um filme documentário brasileiro de 2002, dirigido pelo cineasta Eduardo Coutinho, sobre um antigo e tradicional edifício situado em Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, que tem em média 500 moradores.Eduardo Coutinho é, atualmente, um dos documentaristas mais destacados de sua geração, e se caracteriza pela forma direta na produção de seus documentários, sem a utilização de muitos efeitos.
Um dos pontos mais abordados(pelo menos o que percebi) foi a solidão e como isso é infinitamente expressivo em grandes centros urbanos. Ao mesmo tempo que estamos ao lado de milhões pessoas,oportunidades, encontros amorosos, não temos nada(ou somos nada) somos apenas mais um na multidão, apenas mais um número no crachá... Atualmente, o individualismo e a solidão vem sendo uma tendência marcante das sociedades contemporâneas. No entanto, mais do que marcar uma característica dos nossos tempos, a questão do isolamento é mais um dos vários fenômenos sócio-culturais abrangidos pelos estudos da sociologia. Além disso, a questão do isolamento não se limita a seres isolados, sendo também vivenciado por certos grupos sociais.Nas últimas décadas, o isolamento social pode ser presenciado na chamada “tendência single”, onde um grande número de pessoas – que vivem em grandes centros urbanos – prefere experimentar uma rotina solitária. Nesse tipo de fenômeno, o indivíduo não se mostra totalmente recluso da sociedade. Entretanto, o individualismo e o receio de estabelecer laços e compromissos com outro acabam transformando a solidão em uma opção mais confortável para o “single”. O filme mostra  exatamente isso e nos presenteia com a identidade dos moradores, suas particularidades, suas condições e formas de vida. Realizamos um passeio ao lírico e ao mesmo tempo decadente pelo edifício através de sua estrutura física, com misteriosos corredores.

Voltando ao aspeto solidão X humanos.  Ao longo da História, poderíamos encontrar outros casos de isolamento social. Na Idade Média, por exemplo, diversos membros da Igreja procuravam a elevação de sua condição espiritual buscando uma vida reclusa no interior dos mosteiros. Na Grécia Antiga, os instrumentos da democracia ateniense poderiam condenar um cidadão ao ostracismo, espécie de degredo onde as pessoas que ameaçavam a ordem política ficavam exiladas por dez anos.No âmbito coletivo, o isolamento social também atingiu grupos sociais que tinham suas liberdades restringidas. Durante o processo de colonização da África do Sul, por exemplo, as autoridades inglesas adotaram uma política de isolamento socialmente conhecida pelo nome de “apartheid”. O apartheid previa uma série de leis que visavam impedir que os indivíduos considerados negros tivessem algum tipo de contato com qualquer pessoa de descendência européia. 



No documentário, uma das cenas que mais comove é de um senhor(Henrique)que é fã do Frank Sinatra.Em meio ao contexto da entrevista ele coloca "My Way" e ao olhar aquele senhor em sua simplicidade revivendo seu passado em um presente tão singular e solitário, sinto um vazio(até que necessário) que no meu caso refere-se ao profissional e derramo lágrimas.Talvez uma das mais tristes e preocupantes consequências de vivermos cercados de pessoas egoístas seja a dificuldade de confiar. É que quem só pensa em si mesmo sequer reconhece como traição suas mentiras ou omissões mal intencionadas. Talvez por falta de consciência, por excesso de autoindulgência ou pela simples ausência de um autoexame, essas pessoas consideram naturais e justificáveis todas as suas ações, não se importando com quem ficar ferido pelo caminho. Cada um que cuide de si.

Mas, no documentário temos um período de bonança com cenas agradabilissimas como: aniversário surpresa, romances,  cena do ínicio de uma vida em cidade grande entre outras. A produção foi bem bacana, o diretor e sua equipe mantiveram-se durante três semanas dentro do edifício, literalmente morando lá, com a intenção de que ocorresse uma ambientação entre a equipe que produzia o documentário e os moradores. Apesar do edifício Master estar localizado em uma área nobre da cidade do Rio de Janeiro, em Copacabana, a maioria de seus moradores pertence às classes médio-baixa e baixa, principalmente comparando com a realidade da sociedade carioca. Os moradores do edifício são pessoas provenientes de diversos locais e origem, com idades diversas, e com diversas histórias de vida, mas habitando todas em um mesmo local. Estes mesmos moradores raramente se vêem, ou nem sabem da existência um do outro.Mais ou menos equivalente ao COPAN SP.
Intrigante pensar que vivemos em um mundo "globalizado", onde vivemos a "era da informação" e ao mesmo tempo, um aniquilando o outro seja corporativamente ou socialmente falando. Tudo em nome de um pseudo final 'feliz'!Edifício Master, um excelente documentário que mostra um pouco do que é conviver com a solidão, diversidade e esperança.


9 de jun de 2013

Estatuto do nascituro, a questão do estupro e a pré-história dos direitos das mulheres

Atenção: Esse artigo reflete a opinião de apenas uma das colunistas do Antes que Ordinárias, Letícia Magalhães, e não necessariamente de todas as colaboradoras.

As leis brasileiras são algumas das mais complicadas e rebuscadas do mundo. A recente aprovação do Estatuto do Nascituro, além de causar muita polêmica, em especial na Internet, reflete essa complicação. Seu texto breve, que pode ser encontrado na íntegra AQUI, embora não revogue algumas medidas legais sobre o aborto, em muito as atrapalha ao estabelecer uma série de direitos ao embrião / feto.
No Brasil é permitido o aborto no caso de risco de vida para a mãe, gravidez resultante de estupro e fetos anencéfalos. Como o estatuto prevê que os direitos do embrião / feto devem ser garantidos mesmo em caso de deficiência física ou mental, a interrupção da gravidez no caso de anencefalia, aprovada em nosso país há pouco mais de um ano e bastante discutida, fica em aberto. Some à discussão o caso de uma moça de El Salvador, país que não permite o aborto, que descobriu que a gravidez de seu feto anencéfalo podia matá-la, considerando seu histórico de lúpus e problemas renais. Depois de debates e abaixo-assinados, foi realizada uma cesariana na moça.

O ponto mais polêmico, obviamente, é a garantia da continuidade de uma gravidez causada por estupro e, no caso de a mãe passar por dificuldades financeiras, receber ajuda governamental, medida que foi apelidada de Bolsa Estupro (e, conhecendo o “jeitinho brasileiro”, nem me espantaria ao ver alguém inventando um estupro para receber o benefício). Em tal caso a falta de dinheiro é o menor dos problemas: a tortura psicológica não está presente apenas em criar o filho de um estuprador (um ponto é que a criança pode ser dada para adoção se a mãe quiser), mas sim ter de gerá-lo, carregá-lo e pari-lo. Está prevista ajuda psicológica a estas gestantes, mas, como boa parte das promessas na área de saúde no Brasil, é muito provável que isto também não seja cumprido. O mais absurdo é a ideia de localizar o estuprador e obrigá-lo a pagar uma pensão, o que seria, além de uma humilhação incomensurável, a comuta da prisão por uma fiança.

Os debates sobre aborto são muito acalorados e os argumentos, os mais diversos possíveis, dos bem fundamentados até os esdrúxulos. Há quem diga que a legalização do aborto, assim como uma hipotética descriminalização da maconha, deixaria as mulheres menos conscientes, em especial as adolescentes, que transariam como se não houvesse amanhã, sabendo que poderiam interromper a gravidez. Porém, da mesma forma que acontece com quem realmente quer usar drogas, a mulher que de fato deseja um aborto vai procurar todos os meios de fazê-lo. Milhões de abortos são feitos clandestinamente todos os anos, tornando o assunto uma questão de saúde pública, de controle de danos.
De fato, muitas mulheres que optam pelo aborto não se protegeram na relação sexual. Mesmo assim, elas não deveriam ser obrigadas a levar a gestação adiante. Se elas querem abortar, provavelmente não quererão cuidar da criança após o nascimento e até ela ser independente. Boas pessoas podem nascer de gestações indesejadas, mas grandes bandidos, estupradores e males em geral para a sociedade também.

Outras tantas mulheres, meninas e adolescentes, por total impossibilidade de começarem a vida sexual, não usam contraceptivos. Se uma delas for estuprada, pode vir a engravidar. No caso de meninas muito jovens, o caso pode chegar ao absurdo, como um que ocorreu alguns anos atrás e cujos detalhes mais ínfimos não lembro. Era uma menina de nove anos que foi estuprada e engravidou de gêmeos. Uma quantidade vergonhosa de manifestantes se opôs à interrupção de uma gravidez provavelmente fatal. Muitos deles, como os religiosos, acreditam que um embrião que é apenas uma promessa de vida vale mais que a vida concreta de uma pessoa que já nasceu e pecou. Digo promessa de vida baseando-me em um documentário que vi nos idos de 2006 e que me causou profunda impressão. Nele, há um close no rosto de um embrião em um poderoso ultrassom 3D, e a fala: “não é garantido que isso vá se transformar em um olho. Aliás, é muito provável que isso nunca venha a ser um olho”. Que o digam as várias mulheres que sofreram um ou mais abortos espontâneos, a forma de a natureza dizer que algo não estava se desenvolvendo bem.
Voltando ao Estatuto, seu maior retrocesso está nas entrelinhas: a pesquisa com células-tronco seria proibida se o texto for interpretado ao pé da letra. Garantindo direitos até ao embrião fecundado in vitro, o Estatuto dá sua própria definição de quando a vida começa: na fecundação. Definição esta que, vale ressaltar, não se chegou a um acordo desde que os debates começaram, com os pais da filosofia na Grécia antiga. Assim, todas as pesquisas responsáveis por desenvolverem vacinas e darem esperança de cura e reabilitação para pessoas vivas seriam jogadas fora.
Nossos congressistas deveriam nos representar, mas a maioria tanto do Congresso quanto da Câmara é formada por homens maiores de quarenta anos, ou seja, com visões que tendem a ser mais conservadoras. Em geral, o aborto foi discutido e legalizado em países desenvolvidos recentemente. Em pesquisa para meu novo livro, já concluído mas ainda não publicado, descobri que até a década de 1970 o estupro era culpa da mulher, só deixando de lhe cair esta culpa se ela provasse que tentou seriamente se defender. Outro fenômeno recente são os abaixo-assinados na Internet e, obviamente, existe também um contra o Estatuto do Nascituro. Lembrando que a petição para o Impeachment de Renan Calheiros teve mais de um milhão de assinaturas e a para a saída de Feliciano da Comissão de Direitos Humanos contou outras tantas centenas de milhares, mas nenhuma das duas surtiu efeito, é provável que o fim do Estatuto também não seja alcançado. Mas que ele seja cumprido, essa já é outra história.

4 de jun de 2013

Little Miss Sunshine

Welcome to Hell! Assim, iniciamos nossa viagem cinematográfica por este excelente filme sobre uma família disfuncional e até bem humorada. O longa Little Miss Sunhine, é um filme norte-americano de 2006 dirigido pelo casal Jonathan Dayton e Valerie Faris e escrito por Michael Arndt. Temos no elenco nomes de peso como: e strelado por Greg Kinnear, Steve Carell, Toni Collette, Paul Dano, Abigail Breslin e Alan Arkin. 
Com um orçamento 'simpático' de oito milhões de dólares, sendo gravado durante um período de trinta dias no Arizona e no Sul da Califórnia.Teve sua estréia no Festival Sundance de Cinema(2006) e levou 2 Oscars(Melhor Roteiro Original e Melhor Ator Coadjuvante para Alan Arkin) um filme que devemos ter em nossa DVDteca. Um filme sobre cotidiano, egoísmos, solidão,amor, desilusões entre outros percalços. Uma temática que nos sensibiliza tendo como personagem principal a doce e talentosa Abigail Breslin, que faz Olive. O filme gira em torno do concurso "A Pequena Miss Sunshine" que acontece na Califórnia.
Olive, é a típica garota americana gordinha, usa óculos, um pouco geek e óbvio desprezada na escola.
No filme dá para perceber que a cabecinha dela gira em torno de 'agradar' pelo menos sua família. Ela almeja ser a ganhadora do concurso, sonha que seu Pai Richard (Greg Kinnear)tenha orgulha dela. É amorosa com todos, sonhadora e muito inteligente. 

Seu avô paterno (Alan Arkin), ensaia com ela todos os dias a coreografia para o concurso. Talvez, um dos únicos momentos de alegria onde ele deixa de lado seu  vicio em Cocaína, seu ódio latente por frango frito e promiscuidades.Por outro lado, um dos únicos dotado de lucidez e até sabedoria; o pai de Olive o Sr. 'Perfeito' Richard que adora vencer e odeia perder (Greg Kinnear) tenta emplacar seu programa de auto-ajuda. Uma série de palestras motivacionais para quem quer ser um vencedor; a mãe de Olive é Sheryl (Toni Collette), supervaloriza a honestidade, ama e odeia sua família, fumante invicta que tenta esconder isso de todos. Ainda temos o tio Frank (Steve Carell), irmão da mãe de Olive, que ama Proust e detesta viver,  gay que em uma tentativa frustrada de suicídio se torna o mais novo 'hospede' da família.
Olive, ainda conta com o 'apoio' do seu irmão mais velho Dwayne (Paul Dano) obcecado em ser piloto da Força Aérea, um adorador de Niezsche que faz um "voto de silêncio" no filme damos um logo passeio por toda sua crise profissional existencial pré-vida adulta(Caro, Dwayne isso é só o começo,rs) onde ele odeia tudo e todos. Todos encaram a disfuncionalidade familiar para levar Olive ao concurso, com a velha e companheira Kombi amarela e bastante usada. Nessa viagem, muitas descobertas, desabafos , desilusões e o retorno ao extinto sentimento: Amor.

Um dos aspectos abordados no filme é a cobrança que alguns pais fazem sobre os filhos. Essa incansável e exaustiva expectativa pode resultar em inúmeras desilusões.O peso do sucesso se complica quando os pais são profissionais de sucesso e exigem do filho o mesmo êxito. "O sucesso dos pais pode ser um modelo positivo, dependendo das expectativas que eles formam no filho. Se estimularem a auto-estima, independência, autoconhecimento, o sucesso não afeta". Porém, se os pais exigirem muito, o quadro se inverte.
Diante desta realidade, a criança pode desenvolver diversos comportamentos, dependendo da personalidade, que têm reflexos na carreira.Por exemplo, se a criança seguir a carreira que os pais desejam, ela  pode se anular e perder sua identidade.Outra crença que a criança pode desenvolver é de que não é competente, de que está fadada ao fracasso. Neste caso, falta confiança e a criança(posteriormente, jovem/adulto)acaba anulando a busca de seus próprios sonhos.Mostrar aos filhos que eles possuem escolhas, mostrar os erros cometidos e até criar um processo de reflexão sobre o que a criança realmente tem interesse é um bom começo. Pesquisar junto, incentivar o caminho profissional (com os pés no chão) muito diálogo e saber recomeçar é o que chamamos do bom convívio familiar. 
O que diferentemente ocorre no filme. O pai simplesmente pergunta" Você acha que irá ganhar o concurso? Por que não tem sentido participar de algo sem que você tenha certeza que irá ganhar." Outro ponto que chama atenção no filme é o egoísmo de cada personagem. Richard, é um excelente exemplo disso.Ele está tão preocupado em alcançar o sucesso com seu projeto de Palestras Auto Ajuda, que acaba esquecendo de ajudar sua própria família. Inconscientemente(ou não) ele anula seu convívio familiar em nome do 'pseudo sucesso'.  Quem é egoísta tem dificuldade em admitir ou prefere ficar calado, com medo das críticas. E quem se opõe a esse tipo de comportamento não perde a chance de criticá-lo. "Há uma idéia de que o egoísta sempre age em benefício próprio, mesmo que isso possa prejudicar alguém", afirma o psiquiatra Geraldo Possendoro, especialista em medicina comportamental. "Portanto, quem critica uma pessoa egoísta também está agindo em causa própria, com receio de que venha a sofrer os efeitos do egoísmo do outro".
Os especialistas ainda não sabem dizer se pensar demais em si mesmo é uma característica natural dos seres humanos ou um hábito que aparece com o tempo, conforme as experiências vividas. "Sabemos que as crianças são egoístas e dependem disso para afirmar suas vontades. Mas faz parte da passagem à idade adulta o abandono deste modelo", explica o médico. Com as responsabilidades crescendo, o individualismo tende a surgir, ou seja, um comportamento em que é preciso satisfazer suas necessidades, mas sem abrir mão de pensar nas outras pessoas.

Já, Tio Frank é um exemplo clássico de egocentrismo. A pessoa egocêntrica não olha para os lados, ela não quer saber como os outros estão se sentindo. O mundo inteiro precisa se adaptar aos interesses do egocêntrico.Na prática, a diferença aparece de forma bem simples. "O egoísta aceita ir ao cinema, mesmo detestando o filme, desde que o melhor lugar esteja reservado para ele. Já o egocêntrico só combina programas que ele aprove, jamais admitindo alguma contrariedade, por menor que seja ela", exemplifica a psicóloga Carmem da Nóbrega, de Campinas.Uma pessoa egoísta sempre tem como seu melhor amigo a solidão.Os amigos inventam desculpas para se afastar dele e a família não faz questão de tê-lo por perto. No trabalho, há problemas para desenvolver projetos em equipe entre outras coisas. Bom, já mostramos 2 grandes reflexões(impostas) ou não pelo filme. Ainda vemos um avô que demonstra ter tido uma vida bem atribulada no quesito sexo, drogas e rock & roll, um verdadeiro 'tsunami' sobre o que é ter uma vida louca.Ele é viciado em cocaína e ao mesmo tempo em uma das cenas mostra um carinho lírico e sábio por seu filho. Seu personagem é daqueles que fala pouco e certeiro. 

A mãe é uma fofa , fumante inveterada e adepta da honestidade, que tem na nicotina sua válvula de escape contra a depressão e frustrações. Uma mãe dedicada, amorosa e sempre presente. O filme ainda apresenta o típico adolescente Dwayne que está enfrentando o início de sua 'extensa' crise profissional/ pessoal.
Pequena Miss Sunshine, consegue arrancar sorrisos e lágrimas. Flerta com a velha temática do relacionamento familiar e possível final feliz.Um filme sobre desunião familiar, caos sentimental, hipocrisias e falta de expectativas, que faz tão bem aos olhos. Não sei se é pela suavidade como o enredo foi trabalhado ou a proximidade do tema e como isso reflete em nossas vidas. Um Road Movie,  que devido problemas financeiros demorou 5 anos para ser filmado, um filme encantador, sutil, com trilha sonora perfeita e para completar a 'coadjuvante'  Kombi amarela, com seu aspecto 'enferrujado' mostrando(talvez)o andar da carruagem do psicológico da família.

"She's a very kinky girl
The kind you don't take home to mother
She will never let your spirits down
Once you get her off the street, ow girl

She likes the boys in the band
She says that I'm her all-time favorite
When I make my move to her room it's the right time
She's never hard to please, oh no

That girl is pretty wild now
(The girl's a super freak)"



Little Miss Sunshine, um filme GENIAL!




28 de mai de 2013

Mulheres de Celulóide # 5 - A Paixão de Arlequim


Olá povo do Antes Que Ordinárias!

Antes de tudo,desculpem titia Carol por ter tão poucas postagens em nosso querido blog, acreditem eu amo escrever por aqui e acompanhar o fantástico desempenho das colegas nada ordinárias,mas é porque eu sou assim mesmo, molenga mole,quase parando na maioria das vezes...Exceto quando acho uma conexão,aí sou bem agitada. Devo ter um seríssimo problema,só pode. ¬¬

 Mas vamos deixar de falar de mim,vamos falar de algo legal,vamos falar da Tek...Brincadeira! Logo,logo começará o mês dos namorados aqui no Brasil, e obviamente nós já vimos aqui e acolá, propagandas estimulando o consumo de bens materiais durante essa data festiva,assim como o fizeram noutras datas nem tão distantes assim, como foi o caso do Dia das Mães e da Páscoa.

Mesmo que essa comemoração seja reconhecidamente um caça- níqueis, há quem use esta data como pretexto para tudo,desde ofertar um singelo mimo para o seu parceiro de muito tempo,ou pouco tempo,passando por um "mea culpa",comprando assim o perdão daquele que foi ofendido ou lesado em sua dignidade, ou até mesmo para fisgar aquela pessoa que lhe agrada ou dá tesão,é tipo uma indireta do que poderá ser nos tempos vindouros..Talvez sejam daqui a 5 minutos depois, na escada, no elevador, no estacionamento, daqui a 1 ano durante um churrasco de apresentação para a família e quem sabe 10,20,30 anos ou até que a morte os separe? Seja daqui a 5 minutos ou daqui a 10,20,30 anos... O que importa realmente é o que se vive e não o tempo que se vive, o resto é resto Claro que o capitalismo desenfreado está pouco se lixando para tudo isso apesar de ser muito bem treinado para explorar sentimentos e sensações humanas desde que eles estejam lucrando.Algumas pessoas  porém,encontram formas surpreendentes de demonstrar que amam ou se interessam em alguém sem ter que recorrer a "sonhos vendidos". A mulher de celulóide de hoje chama-se Missy , a moça cortejada de modo não usual por Arlequim em pleno Dia dos Namorados,que em outras partes do mundo é comemorado com outro nome ( Dia de São Valentim) e noutra data ( 14/02),diferente de nós que comemoramos no dia 12  de junho. Ambos são personagens de uma HQ do selo Vertigo, especializado em quadrinhos com temática adulta. Foi escrita pelo mestre da literatura fantástica da atualidade, Neil Gaiman, o queridinho dos alternativos,das adolescentes "pseudo-góticas" cosplayers e fonte de inspiração descarada de Harry Potter.

A história é bem simples,não existem enigmas intrincados que consumam anos e anos luz de reflexão mental do leitor,sobre a razão disto ou daquilo, ela existe apenas e exclusivamente para a diversão.Na realidade a trama tem a pretensão de ser uma Commedia Dell'Arte moderna utilizando-se de antigos elementos da Idade Média,mas em se tratando de Gaiman, o pai dos Perpétuos, os seus personagens estão apenas repetindo uma pantomina que atravessa as eras,existindo antes mesmo da idéia do "Fiat Lux".Arlequim oferta a Missy o seu coração pregando-o em sua porta no Dia dos Namorados e ve-mo-lo segui-la por todos os lugares e aprontar todo o tipo de confusões benfazejas e traquinadas enquanto aguarda ser retribuído em sua paixão. Missy pareceu-me contida,distante demais quase até o final do conto mas como o Arlequim fui obrigada a me surpreender com a atitude da candidata a Colombina,que até então mantinha-se tão apática quanto lacônica.Moça jovem,de belo aspecto, a solitária Missy encontra um coração fincado à sua porta,mas ao invés de se horrorizar, friamente ela faz a assepsia do local e guarda o despojo em seu bolso e faz um verdadeiro tour pela cidade, sempre com poucas palavras,primeiro,no cemitério, o que explica a sua apatia em relação ao órgão. De volta a seu caminho uma senhora idosa de capuz misterioso a interpela e lhe faz uma pergunta, a qual ela responde de modo desconcertante para a figura à sua frente,que de mulher não tem nada. Logo após o encontro, Missy finalmente resolve parar para fazer um "lanche" e o que ela come em seu prato,me provoca náuseas até agora,mesmo sabendo que são quadrinhos. É,fazer o quê,sou muito sensível,vejo filmes de terror cabulosos,mas tenho horror a essa "psicopatia macabra" disfarçada em naturalidade,pessoas que são capazes de atos grotescos como esse com a naturalidade de quem toma um chá ou assiste à novela me provocam esse tipo de repulsa, e quem a olha,a julga tão insuspeita...
Enfim, até o Arlequim ficou sem ter o que fazer com a astúcia bisonha de sua Colombina eleita,logo ele acostumado a conquistar tantas Colombinas,logo ele,o rei dos embustes! As aparências enganam, o que se deve fazer depois que se consome do próprio veneno? Se eu contar mais estraga né? Melhor vocês mesmos tentarem descobrir o que há de maravilhoso neste conto!Convido-os a ler esta incrível Graphic Novel,inspirada nos contos de Neal Gaiman,deliciem-se tanto com a história quanto com a belíssima arte da HQ,que por ser uma Graphic Novel,prima pelo realismo das ilustrações a um nível "3D", é como se os personagens saltassem de uma fotografia em cores muito vivas.Por se tratar de uma fábula moderna, feita para ser uma versão atual da Commedia Dell'Arte,por curiosidade resolvi dar uma pesquisadinha sobre o assunto. Apesar da HQ trazer um apêndice explicativo redigido pelo próprio Neal muito mais completo,exponho abaixo o resultado de minhas pesquisas,olhem só:

Um pouco sobre a Commedia Dell'Arte:

Literalmente podemos chegar à conclusão que a Commedia Dell'Arte trata-se de um "circo mambembe" uma vez que seus integrantes raramente tinham locais fixos para se apresentar,então o jeito era viajar de cidade em cidade e pedir para se apresentar em praça pública. Apesar do baixo orçamento,as produções se caracterizavam por serem divertidas e coloridas. Outra característica é o improviso,o rumo das histórias, o que falar,com quem interagir,tudo isso ficava a cargo dos próprios atores que iam criando seus "cacos" conforme o ritmo da peça,imagino que seja conforme a reação da platéia. Essas companhias teatrais ambulantes costumavam ser familiares e cada indivíduo especializava-se num personagem fixo,que era interpretado até o fim de seus dias. Entrou em declínio por volta do séc. XVIII,porém é muito comum produções atuais revisitarem a estética "vaudeville",como podemos ver por exemplo na minissérie "Hoje é Dia de Maria".Com todas essas características,era uma modalidade que se opunha à sua versão mais rica, a Comédia Erudita. Os mais importantes personagens dessa modalidade eram: Arlequim, Pantaleão, Capitão, Polichinelo, e a Colombina e dividiam-se em categorias distintas: Patrões,Criados e Enamorados. A diferenciação entre eles fazia-se através da linguagem, gestuais característicos,status,qualidades e defeitos atribuídos a cada tipo de personalidade,artifício utilizado para exponenciar o efeito cômico.

Personagens:

Arlecchino – também conhecido como Harlequin, é um palhaço. Um dos zanni. Acróbata, amoral, glutão.É facilmente reconhecível pela roupa branca e preta com estampa em forma de diamantes O papel algumas vezes é substituído pelo Truffeldino, seu filho. Sua máscara possui uma testa baixa com uma verruga. Algumas vezes, usa um lenço negro sob o queixo e amarrado no alto da cabeça. Geralmente, Arlecchino é o servo do Pantalone, às vezes do Dottore. 
Ele ama Colombina, mas ela apenas o faz de idiota.





Brighella – Um trapaceiro, de pouca moral e desmerecedor de confiança. É retratado como agressivo, dissimulado e egoísta.



Il Capitano – Forte e imponente, mas não necessariamente heróico, geralmente usa uniforme militar, mas de forma exagerada e desnecessariamente pomposa. Conta vantagens como guerreiro e conquistador, mas acaba desmentido. Capa e espada são adereços obrigatórios.


Columbina – A contrapartida feminina do Arlecchino. Usualmente retratada como inteligente e habilidosa. É uma das servas, uma zanni. Algumas vezes, utiliza roupas com as mesmas cores do Arlecchino.


Dottore – O doutor. Visto como o homem intelectual, mas geralmente essa impressão é falsa. Ele é o mais velho e rico dos vecchi. Geralmente, interpretado como um pedante, avarento e sem o menor sucesso com as mulheres. Usa uma toga preta com gola branca, capuz preto apertado sob um chapéu preto com as abas largas viradas para cima.

Os Innamorati são os amantes.O innamorato e a innamorata têm muitos nomes. (Isabella era o nome mais popular usado para a innamorata). Eles são jovens, virtuosos e perdidamente apaixonados um pelo outro. Eles usam os trajes mais belos e de acordo com o período e a moda vingente e nunca usam máscara. Geralmente, cantam, dançam ou recitam poemas.


Pantalone – Um dos vecchi. Geralmente, muito rico e muito avarento. O arquétipo do velho pão-duro. Não se preocupa com mais nada além de dinheiro. O cavanhaque branco e o manto negro sobre o casaco vermelho, possui uma filha casadoira ou é ele próprio um cortejador tardio.





Pedrolino, – Também conhecido como Pierrot ou Pedro, é o servo fiel. Ele é forte, confiável, honesto e devotado a seu mestre. Ele também é charmoso e carismático e usa roupas brancas folgadas com um lenço no pescoço.



Pulcinella – Muitas vezes conhecido como “Punch”. O esquisito, inspirador de pena, vulnerável e geralmente desfigurado. Na maioria das vezes, com uma corcunda. Muitas vezes, não é capaz de falar e, por isso, comunica-se através de sinais e sons estranhos Sua personalidade pode ser a de um tolo, ou de um enganador. Tem a voz estridente e sua máscara tem um nariz grande e curvo, como o bico de um papagaio.






Scaramuccia – Também conhecido como Scaramouche, é um pilantra. Usa uma máscara de veludo negro, assim como também são suas roupas e seu chapéu. Um bufão, geralmente retratado como um contador de mentiras covarde.





Ficaram interessados na HQ?  Eu a disponibilizarei para download,é só clicar no link abaixo e boa leitura!
                                              A PAIXÃO DE ARLEQUIM

3 de mai de 2013

HANNIBAL

O que nos torna psicopatas? Já nascemos com essa predisposição? É genético? O cotidiano pode nos direcionar para esse caminho?
Todos nós somos um pouco Psicopatas?
O neurologista Ricardo de Oliveira Souza se dedica há 30 anos à pesquisa de cérebros psicopatas. E como, sou apaixonada pelo assunto e às vezes tenho medo dos meus pensamentos(ainda não viraram atitudes) resolvi falar um pouco sobre um filme que amo e pontuar algumas 'curiosidades' sobre o tema[o qual é recorrente neste blog]. Parece, que ninguém é totalmente livre de uma atitude psicopata ,não é? Levante a mão quem nunca mentiu para levar vantagem(que fique registrado que isso não fiz, ok?), quem nunca teve ódio aniquilador de seu vizinho barulhento, que insiste em dar veneno ao seu cachorro(done)? quem nunca teve vontade de ver toda família do vizinho(que só provoca sua mãe) empilhada pelo quintal afora(done)?quem nunca não fez algo de bom ao outro somente por estar em um dia ruim? 
Pois é, nesta linha tênue seguimos com nossa mente, até aí, tudo bem e todos somos um 'pouquinho' psicopata. O problema está quando essas atitudes(ou pensamentos) se tornam um padrão recorrente aí o que temos a fazer? 
Abaixo, segue um pedacinho da pesquisa sobre Psicopatia do Dr. Ricardo de Oliveira Souza(52 anos, Neurocirurgião, formado pela UFRJ, pesquisador do Centro de Neurociências da rede Labs-D'Or)
Dr. Ricardo de Oliveira, explica que nossa mente é um detector que emite julgamentos morais o tempo todo. De vez em quando, escorregamos e caímos mais para o lado psicopata, egoísta." no fundo todos somos egoístas.A verdade é que, morfologicamente, nosso cérebro demonstra ativar áreas de bem estar quando fazemos coisas boas a alguém.O que nos leva a questionar qual a verdadeira motivação de fazer o bem? Por outro lado, no limite somos mais psicopatas do que imaginamos? Neste ponto, pode ser. As lesões cerebrais do psicopata envolvem mais do que isso e definitivamente não tem cura.Trabalhamos para detecção mais precoce.

Quem é o oposto do Psicopata? Nos primeiros estudos de ressonância magnética, demonstramos, entre outras coisas, que todos nós temos um radar, chamado detector moral. Ele fica ligado o tempo todo e nos faz emitir julgamentos morais sobre tudo aquilo que vemos, de forma natural. Um segundo estudo que fizemos nos EUA foi para pontuar o grau desses julgamentos.Imagine uma linha onde, em uma ponta,está o antissocial, que é psicopata. A maioria da população oscila no MEIO, a cada momento pendendo para um lado. Na outra ponta está o altruísta,o pró-social. Pode-se dizer que cerca de 5% da população em geral são exemplares morais.É esse cérebro que agora estamos estudando.
 
Conflitante, não é? Ou seja, para psicopatas que viram criminosos as únicas leis são as suas próprias.Onde crueldade e o poder sobre pessoas lhes dão prazer. Bem semelhante, ao nosso filme de hoje.
Quem adivinha?
Um filme norte-americano do gênero suspense, dirigido por Ridley Scott e lançado em 2001, terceiro filme em que aparece o personagem "Hannibal Lecter"; os demais foram Dragão Vermelho (de 1986 e refilmagem de 2002) e O Silêncio dos Inocentes (1991)Em 2007 foi lançando um quarto filme, com Gaspard Ulliel e Gong Li, contando a infância e juventude de Hannibal Lecter e como ele se tornou o famoso canibal dos cinemas.Jonathan Demme, diretor de O Silêncio dos Inocentes, preferiu se afastar desta continuação por considerar a história muito violenta.Jodie Foster, que interpretou Clarice Starling no primeiro filme, decidiu não participar desta sequência por não concordar com os rumos tomados por sua personagem, os direitos de filmagem do livro lançado(1999) que deu origem ao filme pelo escritor Thomas Harris, foram vendidos a Dino de Laurentiis por US$ 10 milhões, o mais alto valor já pago até então por um produtor para adaptar um livro para o cinema, o final do filme é diferente do final do livro pois, de acordo com o diretor Ridley Scott, o final do livro era infilmável. O escritor Thomas Harris concordou com a mudança,o filme teve um orçamento de US$ 80 milhões e só nas duas primeiras semanas nos cinemas obteve mais de US$ 100 milhões, apenas nos Estados Unidos. 
No elenco,  Anthony Hopkins, Julianne Moore, Gary Oldman, Mason Verger, Ray Liotta entre outros, que fecham com perfeição este filme.
Qual é o filme?
                                                                           Se você, gritou em alto e bom som: Hannibal. 
Acertou em cheio. No filme, temos nosso (delicioso) Dr. Hannibal Lecter, um canibal que há dez anos fugiu da prisão, vive tranquilamente pelas ruas. Porém, a agente do FBI, Clarice Starling, nunca se esqueceu da conversa que teve com Lecter antes que esse fugisse, sendo ainda aterrorizada por sua voz fria. Entretanto, o milionário Mason Verger , uma vítima e sobrevivente do ataque de Lecter, procura vingança e usará Clarice como isca. O filme todo é um deleite. Porém, algumas cenas são majestosas.Como é o caso da cena do banquete incomum regado a sangue, maldade, obsessão, ganância e sede de vingança; o personagem principal, nos mostra sua destreza e compulsão por carne humana.Temos um Anthony Hopkins, em uma atuação visceral e marcante.Óbvio, que se comparado ao filme, Canibal Holocausto, Hannibal parece 'brincadeira de criança' um excelente cartão postal da bela Florença, um pouco de sangue e nada mais.Muitos dizem, que Ridley pecou em fazer um filme tão 'lado B' como este e que o único diretor autêntico, no que se diz suspense/terror, foi o nosso adorado Stanley Kubrick. Mesmo com todas críticas, talvez por ser fã de Hopkins e secretamente adorar a 'companhia' de serial killers, no café da manhã(vide Michael C.Hall) adoro este filme. Porém,quero destacar um comentário pertinente, sobre o longa:
 by Daniel Galera
"Quem já assistiu Hannibal e principalmente quem leu um bom punhado de resenhas que detonam o filme, tem OBRIGAÇÃO de ler esse artigo na Salon, de autoria de um escritor e um filósofo:
Os caras entendem que Hannibal é uma obra-prima, um dos mais autênticos filmes sobre o amor dos últimos tempos, e chegam a comparar o personagem do Lecter com Nietzsche. Provável exagero, mas o texto nos força a repensar o filme e a opinião consensual da crítica de que se trata de um abacaxi sem nenhuma possibilidade de redenção.
Quando eu assisti, saí com uma impressão dividida, o filme tem várias incongruências narrativas e coincidências meio absurdas, mas tem realmente uma porção de cenas impressionantes, principalmente na parte final. A cena do cérebro é uma das coisas mais chocantes que já vi no cinema, e não sei dizer se ela possui apenas choque vazio, ou se é uma sátira genial da ultra-violência no cinema americano. Uma coisa é preciso admitir: a sequencia final, desde o despertar da Clarice, passando pelo banquete macabro, até a mão decepada, foi concebida de maneira admirável pelo Ridley Scott, e resolve o filme de tal maneira que não se pode descartá-lo como lixo sem uma ponderação mais cuidadosa.
Eu li o livro do Thomas Harris e achei uma bosta. A história está fielmente reproduzida no filme do Scott, logo continuou a mesma bosta. Mas essa tensão mais passional entre o Lecter e a Clarice é algo novo, exclusiva do filme; a atração entre eles é intrigante e pode merecer alguma atenção, mesmo que pra isso a gente precise ignorar todas as falhas do enredo. E a cena do corte da mão algemada é um daqueles casos típicos onde uma narrativa tem desfecho ao mesmo tempo óbvio e surpreendente, como nos bons contos. Causa surpresa, seguido da sensação de que aquela era a única coisa que poderia e deveria acontecer.
E então, Hannibal é um thriller de terror absurdo e descartável, uma história de amor sarcasticamente oculta atrás de violência indigesta, ou um pouco de ambos? Ainda estou pensando nisso..."
De: Gerbase
Vou ler esse artigo e depois conversamos. Me cobra. Mas acho MUITO difícil transformar essa Hannibal em obra-prima. Com aqueles javalis? Com aqueles personagens idiotas? Com aqueles ventiladores de teto? Com aquele conflito de Briggite Monfort? MUUUUUITO difícil. E NÃO é uma história de amor. Se fosse, talvez ficasse bem interessante."
Leia mais emDr.Gerbase

Parece, que este tal de Dr. Gerbase é um entendido da sétima arte, não é? rs.
 Voltando, ao filme e nosso papo sobre Psicopatia. Vejo no filme um personagem, brilhante, urbano e totalmente insano. Ele é um assassino 'gourmet' que combina os prazeres de sua vida dupla[matar e comer] com eficiência admirável. Para mim, Hannibal é hipnoticamente mal, frio, calculista e deliciosamente essencial. O que às vezes, me deixa um grama chocada com boa parte a população é o seguinte, algumas vezes muitos adoram filmes com essa temática, não é? Por que, quando vemos essa situação na vida real, muitos acham um absurdo? Como foi o caso de Jeff Dahmer, que matava, violava e comia meninos. Um homem, bom de lábia, na época 31 anos que convenceria a Polícia que um menino asiático de 14 anos, que corria pelado em plena 2 da manhã era seu namorado, então tá né?! Dahmer, seria uma das inspirações para o livro de Thomas Harris? Ele nasceu em Wisconsin(EUA) em 1960, e passou a infância quieto, sem amigos. Um dia seu pai sentiu um cheiro horrível no porão, onde achou uma pilha de ossos de animais. Jeff, tinha 4 anos e começou a pensar em defuntos aos 14 anos, mas só realizou seu 'sonho' aos 18 anos. Deu carona a um rapaz e o levou ao seu quarto para transarem. Depois o matou com uma pancada na cabeça, picou o corpo e o enterrou no quintal. Com uma vida adulta, desregrada, largou a universidade, empregos, não durou no exército, bebia e se envolvia em atentados ao pudor.Quando foi julgado, conseguiu passar a perna no juiz:"Imploro, poupem meu emprego, me deem a chance de mostrar que posso tomar rumo". E deu certo,rs. Após, 10 meses, estava livre e se mudou para casa da avó. Levou o corpo da segunda vítima para o porão, transou com o cadáver e o desmembrou. Cansada dos barulhos, sua avó o expulsou. Dahmer, alugou um apartamento: ambiente ideal, para, em 15 meses, matar mais de 12 rapazes. Teria matado mais se não fosse o azar em Julho de 1991. Policiais viram na rua outro jovem correndo algemado. Ele dizia que um louco tentava matá-lo.

Os policiais foram até o apartamento de Dahmer. Quem abriu a porta foi um homem calmo,eloquente,que se ofereceu para soltar as algemas. Até então, uma brincadeira erótica? Rá, não foi bem isso que os policiais notaram. Quando entraram no apartamento[muito bem arrumado] sentiram um cheiro nauseante. Acharam fotos de cadáveres, cabeças no freezer, mãos decompostas, vários pênis conservados em formol, alguns relatos mostraram que ele chegou a abrir com uma broca a cabeça de alguns rapazes vivos para injetar ácido muriático. Jeff, queria ver se eles virariam zumbis.Outro aspecto interessante do relato foi, o lado Chef de Dahmer(semelhante ao nosso Lecter) para descarnar cabeças, ele cozinhava-as. Chegou até ao canibalismo:confessou ter se servido do bíceps de sua oitava vítima.Para melhorar o gosto, refogou com vegetais. Por fim,  Dahmer, foi preso.
O que passava na cabeça dele? teria se perdido na loucura? Ou seria mais um psicopata frio, calculista e brilhante? Após, ouvir psiquiatras, o jurí decidiu que ele sabia o que fazia. E sua sentença seria perpétua.
Em sua 'nova casa', ele foi morto por seu colega de cela, em 1994, ano em que foi batizado como 'cristão'.
Fico curiosa, em saber como é a anatomia do cérebro de um psicopata. Neurocientistas britânicos identificaram diferenças anatômicas no cérebro de psicopatas que podem explicar as origens biológicas deste distúrbio frequentemente associado a comportamentos criminosos.o estudo publicado na revista Molecular Psychiatry revelou modificações discretas, mas significativas, numa área conhecida como fascículo uncinato, uma via composta por matéria branca (formada pelos axônios dos neurônios) que conecta as duas estruturas anteriores.Essas alterações foram detectadas por meio de tractografia – um tipo específico de ressonância magnética funcional usada para varrer o cérebro de pacientes, em processo pré-cirúrgico, em busca de tratos neurais. Os resultados revelaram ainda que o grau de anormalidade observado nessa região se correlacionou positivamente à gravidade do distúrbio. Segundo os autores, as evidências sugerem fortemente uma base biológica da psicopatia, embora não seja possível afirmar ainda se estas alterações são inatas ou adquiridas ao longo do desenvolvimento cerebral. 



Outro exemplo, de um filme inspirado em um Psicopata(vida real) foi Psicose(1960), de Alfred Hitchcock, escrito por Joseph Stefano, é inspirado na vida de Ed Gein, que cometeu assassinatos em Wisconsin, nos Estados Unidos.
Parece, que somos fascinados pelo lado oculto do nosso SER, não é? Pelo menos na ficção, parece que sim,rs.
Ou não[risada maléfica] e encerrando o post!




15 de abr de 2013

Nothing Personal

Segundo, dicionário Aurélio - Minimalismo é qualquer movimento artístico que se expressa através da extrema simplificação da forma.É assim que enxergo a película: Nothing Personal(Nada Pessoal)um cenário inóspito, fotografia singular, atuações brilhantes, enredo funcional e uma simplicidade detalhada sutilmente, tornam este filme essencial.
No filme, temos a estonteante holandesa, Lotte Verbeek(atriz no seriado The Borgias)no papel de Anne, conquistou o prêmio Leopardo de melhor atriz no Festival Internacional de Cinema de Locarno de 2009. Lotte Verbeek também conquistou, graças a este mesmo papel, o prêmio de melhor atriz do Festival Internacional de Cinema de Marrakech em dezembro de 2009.Em 2010, no Festival de Berlim, o Prêmio Shooting Stars, concedido anualmente pelo European Film Promotion a atores promissores.Ela intepreta, desde 2011, a personagem Giulia Farnese na série de televisão de ficção histórica The Borgias. No filme, de Urszula Antoniak, Anne é uma jovem mulher que, aparentemente devido ao fim do seu casamento, decide abandonar a Holanda, partindo para uma viagem solitária pela Irlanda. É durante essa viagem que encontra uma casa, onde habita o solitário Martin. Anne acaba por trabalhar para Martin, a princípio a troco de comida, com a exigência de nenhum contato. No decorrer esses personagens deixam sua solidão e vão lentamente se aproximando. O filme, é dividido em cinco partes, “Solidão”, “O fim de uma relação”, “Casamento”, “Início de uma relação” e “Sozinha”, basicamente é um filme sobre isolamento social e ausência do ser. Essa vontade que muitas vezes invade nossa mente, temos a 'idéia' de que essa 'ilusão' de isolamento, como um novo remomeço é algo promissor. Nada Pessoal, é um filme 'lento' o que para alguns é sinônimo de 'filme arrastado'[o que eu adoro] diálogos escassos que favorecem os cenários, deixando expressão corporal e fotografia em evidência. Não existem cenas 'hollywoodianas', que cortem a respiração, grandes mudanças ou qualquer passado misterioso dos personagens.

Temos simplesmente, duas vidas que se encontram, just it! Mas, o que mais me deixou sem fôlego, foram os cenários que são exuberantes, vários momentos do filme, em que a transição das paisagens pela Irlanda com a música escassa nos dizem muito, composições de Ethan Rose e os vinis de Martin, demonstram isso. Sou apaixonada pela camera que demora no olhar dos personagens, no gestual solitário de cada um, suas manias, no fogão o modo de bater um molho, na colheita da alga marinha, esses detalhes enriquecem e MUITO este filme. E justamente, a ausência de 'humanos', suas palavras existindo somente suas ações, fazem deste filme uma obra de arte. 
Por outro lado, faz pensar e muito sobre a questão do isolamento social.Que é abordado no filme de um modo suave, lírico e algumas vezes sufocante. O que é mais prejudicial ao organismo: fumar 15 cigarros por dia ou sentir-se sozinho? 

De acordo com o psicólogo John Cacioppo, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, as duas ações fazem igualmente mal, a longo prazo. O norte-americano baseou-se em pesquisas de outros cientistas com idosos e notou que o sentimento de solidão, mais do que o isolamento físico em si, aumenta os níveis de cortisol — hormônio ligado à resposta ao estresse no corpo."A presença do cortisol eleva a pressão arterial, reduz o sistema imunológico e pode, entre outros fatores, contribuir para o declínio da performance do sistema cognitivo. A falta de interação com amigos e familiares também colabora com o aparecimento da depressão, da demência precoce e de problemas cardíacos.O sentimento de estar sozinho é influenciado por fatores objetivos e subjetivos, como a genética, o ambiente familiar em que a pessoa viveu quando criança, normas culturais, deficiências físicas e discrepâncias entre expectativas das relações e como elas realmente ocorrem." A questão das expectativas nos relacionamentos é, para a psicóloga Kelly Gennari, de grande importância. “Somos seres sociáveis, treinados a viver pelo outro."

 Estar perto de alguém é necessário para que nos sintamos valorizados, mas o que esperamos das demais pessoas e como nos relacionamos com elas é ainda mais relevante. Cacioppo afirma que “o momento entre o fim da vida adulta e o início da terceira idade é quando o isolamento se manifesta mais intensamente, porque essas pessoas perderam seus pais, cônjuges, irmãos, amigos próximos e, em alguns casos, um ou todos os filhos”. No filme, temos um isolamento social proveniente de desilusões amorosas. Anne, busca um lugar solitário, para tentar recomeçar. No começo, vemos uma Anne fria, profundamente magoada com a vida. Que não deseja NENHUM contato pessoal. Até, que encontra Martin, que teve muita dificuldade neste retorno de aproximação com humanos. Anne, evita perguntas simples, ele também. 
No decorrer, acompanhamos sutilmente a mudança no comportamento de ambos. 
Aí, que entra um pouquinho da vida real, onde podemos observar a confiança chegando vagarosamente. Passamos do estágio 'robotizado' para uma sucessão de acontecimentos naturais. Talvez,assim começamos um processo de 'cura', do isolamento social.No filme, vemos essa passagem por meio dos gestos dos personagens, um toque de mãos, um soprar no campo ou uma bandeja de café da manhã na porta do quarto, nos brindam com esse 'renascer'.

 Como citei no início, a fotografia do filme é exuberante e muitas vezes, deu vontade de congelar algumas cenas para fazer foto, rs. Nothing Personal é assim, consegue acordar nossos sentidos para um problema sério que é o isolamento social. Às vezes necessário, outras destrutivo. Precisamos, ter cuidado com nossa mente(já passei por isso e na verdade ainda sofro)talvez, por ainda ter minha amiga-mãe ao lado, deixe essa vontade de largar tudo e simplesmente ir, adormecida. 
Enfim, este filme, mexeu comigo e não posso negar que algumas vontades estão ativas. 
Porém, ainda tenho responsabilidades que me impedem(o que por um lado é bom- viram só? Não sou tão psicopata assim,rs)o filme é belo, em seu modo implícito. Um filme, para ser revisto, observado, um filme, para se notar detalhes, para pensar, respirar e aí então decidir. Nothing Personal, é essencial e vital!