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22 de fev. de 2013

Depoimento de Mulher

Em meus textos, poesias, sempre falei/falo da feminilidade e do universo que é Ser Mulher – já que vivemos num limiar fantástico entre a sensibilidade e a razão, entre a força e a delicadeza, cada uma na proporção que julga acertada.
Somos a diversidade!

Os homens, em sua maioria, não conseguem compreender porque tamanha complicação existe na mulher quando o quesito é definir-se, amar-se, aceitar-se. Alguns até julgam tratar-se de pura frescura ou mesmo insanidade. Só que se esquecem da quantidade de funções e pré-definições que cada uma acaba aglomerando ao longo do tempo. A mulher não é apenas mulher: é mãe, é profissional, é amante, é amiga e mais outras tantas subdivisões inclusas nisto. Complicado resta localizar-se nesta confusão toda.

Levei muito tempo para compreender quem sou e mais outro tanto para permitir-me ser/gostar de quem eu sou. Agora estou confortável em minha pele, sem demagogias, sem frases feitas, estou de bem comigo. Para chegar neste ponto não foi nada fácil, vi-me presa em idéias do que seria correto, bonito, aceitável, que em muitas ocasiões não se encaixavam comigo e destruíram a minha auto-estima. Tenho certeza que não fui a única que teve que atravessar o inferno para notar que o céu em mim já residia.

Logo de pequena aprendi que existem duas realidades competindo entre si: A masculina e a feminina. Sendo que a primeira deveria brincar de bola, de carrinho, enquanto a segunda seria delicada e adoraria bonecas. Nunca fui assim. Sempre gostei de sujeira, de futebol e de brigar; Uma verdadeira moleca! Por um tempo ouvi comentários de como minha postura era inadequada e de menino. O bom de criança é isso, eu ouvia e não ligava. Só queria continuar como sempre.

Já na adolescência, continuei atípica. Não era de maquilar-me, ou de usar a última moda, ou mesmo de sair paquerar e ter um chilique porque "Aquele" guri que todas gostavam veio falar comigo. Usava roupas largas – algumas até do meu pai – num estilo beirando ao grunge. Não era depressiva, só fechada. Comecei a duvidar de mim.

Neste âmbito de questionamentos percebi-me fraca perante o ambiente. O primeiro ataque recai sobre a aparência. Pensava: “Não sou bonita. Desprovida de charme. Gorda.” E mais outras tantas besteiras que não calavam. Depois, comecei a achar que ser estudiosa também era um problema. Também via a sexualidade como algo até certo ponto limitado.

Por muitos anos pensei sim que a mulher tinha que ser: Magra, esbelta, inteligente – mas não demais –, delicada e sexualmente refreada. Dá para acreditar que na era digital, após tantos anos de acontecimentos marcantes para o feminismo, o conceito que me foi repassado era este! (Palhaçada, não é mesmo?)

O que me causa mais espanto é que ainda muitas mulheres entendem isto como sinônimo de feminilidade. Senão na totalidade, em partes. Por alguma razão estamos emperradas em quatro obstáculos, quatro papéis que, em separado, apenas servem para barrar a magnitude pessoal de cada uma de nós.

Nos prendemos a FÊMEA, exigindo que nossa aparência deve ser a mais perfeita e padronizada possível. Quando é a diferença que nos torna atraentes, interessantes. Se for magrinha, adore suas linhas retas, abuse das cores, arrase na sua miudeza. No caso de ser gordinha, ressalte as curvas, caminhe como se o mundo devesse seguir cada voltinha sua, idolatre sua abundância. Muito busto? Pouco Busto? Quadril largo? Fino? Alta? Baixa? Seja você, valorize você. Afinal, temos sorte, somos naturalmente lindas!

Emperramos na MÃE/ESPOSA. Ao contrário do dito, nem todas as mulheres tem os mesmos objetivos, a mesma ideia de família. Eu sonho em ser mãe, mas você pode não querer isto e está tudo bem. É um espírito livre e não pensa em casar? Ou acha que casar com seus 40/50/60 anos é o ideal? Ok. Ainda se critica as que escolhem um caminho diferente, rotula-se. Ser mulher é estar além disto e não ligar para tais. Seguir seu caminho conforme você julga certo; Isto sim é viver a sua infinidade.

Ficamos congeladas na PROFISSIONAL. Ambicionamos muito e somos incrivelmente capazes. Na expansão que vivemos, sabemos de nosso poder. Todavia, ainda há quem se intimide com a figura de uma mulher bem-sucedida, inteligente e decidida. Não devemos viver somente para o trabalho, isto é certo; Fechar os encantos em prol de terceiros. Podemos e devemos ser profissionais e femininas. Afinal, um lado não afeta o outro, não é verdade?

Travamos diante da VÊNUS. A sexualidade sempre será tabu e nem se sabe o porquê. Acredite na sua e a explore de maneira saudável e segura. Pense em você e não apenas no seu companheiro(a). Somos desejo somado a emocionalidade e devemos provar da nossa amplitude.

O que é ser mulher hoje senão o encontro de todas estas áreas em harmonia? Ainda estou muito longe do ideal; Vejo-me bem mais próxima, no entanto. Agora me sinto mais segura, fiel aos meus princípios, adorando a beleza real que há nas particularidades minhas. E todas nós merecemos este equilíbrio almejado. Como já se cantou em Pagu: “Porque nem toda feiticeira é corcunda; Nem toda brasileira é bunda. Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem...”. Somos iguais e opostas, corajosas e sem medidas; Desejo que, nesta miscelânea toda, possamos aproveitar a magia de cada aspecto, tornando-nos fortes como nascemos para ser.

Afinal, somos guerreiras e deusas do cotidiano.

18 de fev. de 2013

Crise de Abstinência de Magia


Hoje não consigo parar de ouvir uma certa música do ZZ Top - Over You; Aquela voz cortada implorando por encontrar uma forma de esquecer o passado, mantendo a resistência necessária para levantar-se e mudar de vida... Impossível deixar de correlacionar conosco, não é verdade?


Há quem diga que a insatisfação é condição humana primordial, não se exaure. Penso, particularmente, que a questão não se rege pela satisfação do esperado, mas, pela busca por tal. Afinal, que força motriz consideraria a mudança se o aguardado não fosse extraordinário? Esta foi a premissa que enxerguei na película Broken English de 2007. A personagem principal Nora Wilder está vivendo uma sequência de eventos cômodos, os quais chama de vida. Na casa dos 30, solitária e confusa, Nora inicia uma jornada de pequenos trajetos rumo ao equilíbrio. Entretanto, em que pese jure ser amante da estagnação, vê-se arrebatada ao conhecer Julien. Uma atitude drástica é o que lhe resta.

  • Atire a primeira pedra quem nunca quis acordar da apatia diária.
Qual é a melhor forma de escapismo para uma realidade melhor? Sou das que foge ou em letras ou em cenas; Quando escolhi este filme, estava fugindo daquela insatisfação pungente de quem tem manias de poeta. Não imaginava eu que esbarraria com um leve contorno dos meus medos e anseios. Carregamos a vida ou o seu fluxo é que nos conduz? A resposta sempre vem depois de uma ressaca moral, precedida de uma conjugação de passos anestesiados... Um dia você acorda e percebe que deixou de perceber; Seu trabalho é automático, seus gestos são uma cópia apagada dos de ontem, seus relacionamentos rasos. Um dia você acorda em apatia. O que resta é agir ou continuar. Norma agiu, ZZ Top agiu, eu agi.... e você? Vai ficar só na crise ou correr em direção a magia?

- It’s not wrong to want someone to love you. Most people are together just so they are not alone. But some people want magic. I think you are one of them. 
- Something wrong with that? 
- Nothing, but it doesn’t happen all the time.


— Broken English


Quando falo em magia, não tento expressar algo tão inalcançável quanto o conceito literal prega. Não! Imagino as escolhas que evitamos por comodismo e que, no final da equação, fariam a diferença necessária para um melhor estado de espírito. Acomodar-se até as situações mais desagradáveis é fácil; O complicado é encarar a mudança. Nisto baseia-se o filme Good Dick de 2008, o qual traz uma jovem problemática, presa em si mesma, mas que, graças a estas intempéries da existência, encontra alguém disposto a impor uma alteração.

  • Confronta-te!
Já parou na frente do espelho perguntando-se: Como me transformei em quem sou? Gosto disto? Por mais que as circunstâncias do ontem sejam bagagens pesadas e assustadoras, uma hora temos que enfrentar o que está escondido nas reentrâncias caladas do passado. Encarar, selecionar e deixar para trás. Somente abrindo espaço é que o novo pode aninhar-se. Quer uma perspectiva nova em sua vida? Que tal começar dando um novo passo, tomando um novo rumo, bancando seu guia pessoal ao mágico...   

Que vida?! O que você faz? Você não faz nada!

- Good Dick

... Já disse Anäis Nin:
"Nego-me a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária, a estabelecer relações ordinárias. Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Adapto-me a mim mesma."

13 de fev. de 2013

Lya Luft, Madame Bovary e 50 Tons de Cinza


Então, está no ar mais um vídeo do nosso vlog - estreando as atividades de 2013 neste quesito. O mesmo traz uma análise comparativa entre três livros e a evolução social feminina: Identidade pessoal X Repressões. Segue:


Os livros citados no vídeo são:

  • A Mulher, O Lúdico e O Grotesco em Lya Luft (Maria Osana de Medeiros Costa): Ótima leitura, a autora fez um apanhado curiosos sobre as personagens femininas no universo Luftiniano, correlacionando com a sociedade patriarcal e elementos Freudiano.
  • Madame Bovary (Gustave Flaubert): Clássico literário com um certo ponto mítico em sua publicação, já que o autor chegou a ser preso em função da obra ter sido considerada promíscua, além de que teria sido baseada em eventos reais.
  • 50 Tons de Cinza (E. L. James): Romance com pegada de "soft porn" e um tom tradicional daqueles folhetins açucarados. É uma leitura para entretenimento, recomendada aos fãs do estilo.
Espero que tenham gostado,
Até mais!

4 de fev. de 2013

8 Exames Essenciais para as Mulheres Acima de 20 anos


Que cuidar da saúde é importantíssimo, todo mundo sabe. Infelizmente, entre saber e cuidar-se há uma lacuna corriqueira. Em que pese saibamos da importância de mantermos uma rotina de cuidados e exames, deixamos para verificar nossa condução de saúde somente quando presenciamos sintomas. Acredito que até seja cultural nos mantermos em uma posição de tratamento e não de saúde preventiva - como deveria ser. Desta forma, valendo-me de uma matéria feita pelo site Assunto de Mulher, em que este elencou alguns exames essenciais para que as mulheres acima de 20 anos e sexualmente ativas, listo os mesmos abaixo: 


  • Exame Pélvico e das Mamas: Trata-se de uma observação visual do colo do útero, com toque e apalpação dos órgãos reprodutivos e dos dos seios. Tem como objetivo a verificação da presença de corrimentos anormais e infecções ou doenças na região do colo do útero, e de nódulos e outras irregularidades nos ovários, trompas e nas mamas. Todas as mulheres de mais de 20 anos que tem vida sexual ativa devem realizar o exame junto ao seu médico. Em geral é feito anualmente, quando fora de situações de risco. Contudo diante destas situações - início precoce da atividade sexual, gravidez antes dos 18 anos, mais de quatro gestações, multiplicidade de parceiros, histórica de doença venérea, higiene vaginal precária - fica a critério do médico.
  • Mamografia: Trata-se de uma investigação radiológica das mamas que serve para detectar microcalcificações e outros sinais do câncer de mama. Todas as mulheres com mais de 30 anos devem realizar o exame. Depois do primeiro, a cada três anos, quando fora de situações de risco, do contrário, anualmente. Neste exame as condições de risco são vitais para determinar a frequência em que deverá ser efetado e, em alguns casos, quando. Referidas situações são: Mulheres com história familiar de câncer, ou que menstruaram cedo, ou que não tem filhos ou que engravidaram após os 30 anos. Destaca-se que o auto-exame mensal é indispensável para toda a mulher - independente de idade e fatores.

  • Papanicolaou (útero): Análise de células retiradas do colo do útero, com o fim de detectar o câncer de colo de útero. O exame deve ser feito por todas as mulheres com mais de 20 anos que possuem vida sexual ativa; Anualmente, no início, durante três anos consecutivos. Diante da ausência de irregularidades depois disso, a critério médico.
  • Colposcopia (útero): É a observação visual do colo do útero ampliada com o auxílio de fonte de luz e lupa, detectando a presença de infecções, irregularidades ou sinais de doenças. Deve ser feito pelo mesmo grupo e com igual frequência ao Papanicolaou.
  • Colesterol e Triglicérides: Trata-se da análise laboratorial do sangue, com o intuito de prevenir doenças cardiovasculares. De modo geral, todas as mulheres com mais de 35 anos devem realizar este exame a critério médico. Contudo, devem ficar mais atentas as fumantes, hipertensas, com história familiar de colesterol elevado ou com obesidade.
  • Glicemia de Jejum: Outro exame oriundo da análise laboratorial do sangue, todavia, este busca prevenir o diabetes. Como no caso do anterior exame citado, todas as mulheres de mais de 35 anos devem fazê-lo a critério médico; Havendo um maior risco as mulheres com suspeita de distúrbio associados à produção de insulina.
  • Eletrocardiograma em Repouso: Trata-se de uma observação da frequência cardíaca em descanso, para detectar problemas com o batimento cardíaco.As doenças e os problemas cardiovasculares estão em constante crescimento na ala feminina. Assim, exames como este tornaram-se essenciais, especialmente as mulheres de mais de 35 anos. 
  • Eletrocardiograma de Esforço:  Similarmente ao anterior, este exame conta com a observação da frequência cardíada em movimento acelerado, medindo o potencial adequado de esforço físico. Deve ser feito a critério médico, em especial com mulheres de mais de 35 anos, sedentárias, em início de condicionamento físico.
Vale destacar aqui para as futuras mamães que, durante a gravidez, todos os exames e acompanhamentos do pré-natal são INDISPENSÁVEIS para uma boa gestação e garantia de saúde ao bebê.

E vamos nos cuidar melhor, afinal, nós merecemos!

2 de nov. de 2012

Assunto de Mulher: Quando Compreendi o que é Amor

Sempre vi o mundo como este lugar onde eu realmente não pertencia.

O título pode até soar pretensioso, como compreender o amor (falo aqui do romântico)? Não há como delimitar o sentimento em uma definição específica, ou mesmo uma manifestação tal que impeça a dúvida. Sei disto. Mas, a percepção pessoal do que seria esta vastidão ilusória que mistura tesão e carinho, esta sim pode ser revelada. O meu instante ocorreu frente ao filme Antes do Amanhecer, ainda nos idos da boa época da Sessão da Tarde.

Se me perguntarem qual o filme que eu considero mais romântico, com certeza seria este. É simples, arreigado a segundos de compartilhamento e reconhecimento pessoal. Poderia definir como: Uma conversa incessante de duas almas. O arrebatamento é construído  na importância das palavras cedidas e recebidas. Para alguns pode ser visto como "sem graça", para mim é a própria definição do que a intensidade significa, um mergulho interno sem pudores.

Celine e Jesse se conhecem no caminho de suas viagens. Cruzaram e arriscaram, mudando o trajeto para que algumas horas fossem vividas juntas. Há uma ousadia nesta ação, nem falo por serem desconhecidos, quando os dois optaram por saltar do trem, não temeram baixar a guarda e revelar-se. O trivial costuma dominar as relações de hoje... Eles tinham um dia, fizeram mais do que muitos fazem em uma vida.

Numa das cenas mais bonitas da película - que é repleta de momentos preciosos - o casal discute sobre o que seria mais importante na vida. Neste diálogo Celine definiu o amor como algo divino, residindo no espaço entre duas pessoas. Em suas palavras: "Se há algo de mágico neste mundo, deve estar na tentativa de compreender alguém, compartilhar algo. Sei que é quase impossível ter sucesso... Mas, quem se importa? A resposta deve estar na tentativa.":


Em que pese hoje viva um momento mais Jesse, querendo alguma coisa além, as pouquíssimas vezes em que me apaixonei - não sou daquelas que faz juras de amor tão facilmente - vi-me como Celine; Buscando  perceber o espaço entre nós dois.

Para mim não é possível falar de amor sem o conforto de "ser eu mesma" e vice-versa. O silêncio é um outro bom indicativo disto, as vezes palavras não valem tanto quanto o estar junto, ao som de Kath Bloom.


Celine e Jesse se perderam durante anos, até se reencontram no Antes do Pôr-do-Sol. Rever os dois e notar que aquela noite sobre as estrelas foi o referencial de amor deles, só me fez acreditar mais e mais de que compreender o sentir assim não era errado. Quem sabe um dia eu tenha a sorte e encontre o que não temo procurar.

Você não pode substituir ninguém... porque todos somos feitos de belos e específicos detalhes.

7 de set. de 2012

Cadê a Infância que Estava Aqui?


O que faz a pressão social em uma criança? Quais são os reflexos deste ambiente recheado de informações nestes seres pequeninos que chegam ao mundo? Sempre costumo discutir este assunto com meus amigos, sendo eles já pais ou não, e a máxima que sai é sempre esta:
- Fomos uma das últimas gerações que realmente teve infância!
Espanta-me cogitar tal ideia. Afinal, a inocência e o encanto pueril deveriam ser protegidos a todo custo. Antes mesmo de eu ser criança já havia situações que transformavam os pequenos em adultos, em descrentes, roubavam-lhes o brilho no olhar, e, por mais infeliz que isto seja, sempre existirão casos assim. Contudo, o que realmente me alarma é a possibilidade do que era exceção, agora está se transformando em regra.

Em um domingo destes assisti a um documentário feito para a TV chamado: “Dana: The 8-Year-Old Anorexic” (Oito anos e Anoréxica). Fiquei pasmada, como muitos ficaram, com a pouca idade de Dana para estar sofrendo de um distúrbio alimentar tão grave. Como noção da seriedade do caso, a menina contava as calorias – comendo um absurdo de 175 diárias –, além de exercitar-se por horas a fio.

Pensei comigo mesma; Eu com a idade dela só me preocupava em correr, em brincar e em assistir ao filme da Sessão da Tarde. Enquanto o meu maior problema era tirar uma nota baixa ou alguma briga que me metia, Dana e outras (uma vez que o índice de meninas com menos de 10 anos apresentando estes distúrbios vem crescendo muito nos últimos anos) são colocadas a prova, tendo que enfrentar um monstro que poderá assombrá-las para toda uma vida.

Só o fato da anorexia e da cobrança por uma aparência ideal renderia páginas e páginas; Mas, estes distúrbios demonstram algo muito mais profundo que o físico, é uma resposta inconsciente da criança para algo que não consegue expressar e dominar. Nossa atualidade figura em milhares de informações jogadas por segundo, cabendo tudo no alcance das mãos. Como não confundir e moldar as crianças se nós mesmos estamos apreendendo este ritmo frenético? A velocidade pode ser algo maravilhoso, mas também pode levar a colisão.

O contato com a natureza faz falta, ainda que não a conheçam. As brincadeiras em conjunto, o sujarem-se, até mesmo as brigas pesam ausentes para o espírito livre e curioso. Os eletrônicos roubaram o espaço do pique-esconde. Existe um tempo para tudo, com o passar dos anos percebemos isto com mais clareza, e perante a limitação do agir e o universo ilimitado de novidades, estão recaindo para a correria do mundo, sem aproveitar o encanto da infância.

Não é culpa só do meio, mas sim nossa, a mania de acreditar que os machucados podem ser evitados, que os erros negados, como se não fossem parte do processo, trazendo o resultado final e exigindo que pense como adulto alguém que a tão pouco tempo está na terra. Ao invés de deixar que haja uma introdução ao ser vivenciado, apertamos no skip intro e permitimos que esta fase torne-se cada dia mais curta.

A cena é mais comum do que se pensa, mas vi três meninas, com idade aproximada de 6/7 anos, sentadas, lindas, falando sobre a roupa, a maquiagem, os meninos e ignorando o intervalo das aulas, transcorrendo sem nenhuma brincadeira. Estas não deveriam ser as preocupações, os gostos, as fases são importantes e precisam ser saboreadas ao máximo.

A beleza da infância está nesta descoberta de ritmo descompassado ao nosso corre-corre diário, na inocência e na despreocupação. É nossa obrigação garantir que esta exista e dure, refreando o crescimento antecipado que tanto nos deparamos hoje em dia; Deixando para trás as preocupações com aparência e garotos/as para a correta fase. Afinal, se já é complicado na adolescência para que permitir que more na infância também?


24 de ago. de 2012

Qual é o Gênero da sua Atividade?

Imagem retirada DAQUI
Quando eu era criança adorava jogar bola, brincar de polícia e ladrão, caçar monstros imaginários e brigar na rua. Fui crescendo e continuei gostando de futebol, virei advogada, adoro terror e tenho interesse em artes marciais. Isto tudo me faz menos mulher? Perdi minhas nuances de sexo feminino?

Pelo Dicionário Priberam,  o conceito de Mulher e  Feminino são respectivamente:
Mulher: (latim mulier, -eris) s. f.
1. Pessoa adulta do sexo feminino.
2. Cônjuge ou pessoa do sexo feminino com quem se mantém uma relação sentimental e/ou sexual.
Feminino: adj.
1. Próprio de mulher.
2. Próprio de fêmea.
3. [Gramática] Que é do gênero feminino.
gênero feminino: gênero das palavras que indicam fêmea ou das que se consideram não masculinas.

Até onde eu sei, continuo com a minha fisiologia intacta, não mudei de sexo desde que ingressei em nenhuma das atividades que citei acima. Ainda sou fêmea! Para falar a verdade, sempre achei confusa a separação de ações por gênero. Desde quando um certo esporte, uma determinada profissão, uma cor, só serve para homem ou só para mulher? Tudo isto é assexuado, o que vai delimitar a habilitação ou não para exercê-los são as capacidades de cada um, que variam de pessoa para pessoa e não entre macho e fêmea. Não se trata de gênero, mas, de individualidade. Individualidade esta que é baseada em qualidades e defeitos inerentes do ser que as vive. Simples assim!

Eu sei que há todo um panorama social e antropológico para a construção de paradigmas persistentes até hoje. Contudo, falo aqui do que soa a incoerência perante a evolução tecnológica que presenciamos. Toda vez que saio da academia e encontro as lindas bailarinas mirins chegando para a aula (imagem ao lado retirada DAQUI) penso: Será que não há meninos nesta turma porque eles não querem ou porque ensinaram que não é atividade de garoto? Espero honestamente que seja a primeira opção, já que o mundo ficaria muito menos belo se fossem silenciados bailarinos como Mikhail Baryshnikov ou jogadoras como Marta.

Do not ghettoize society by putting people into legal categories of gender, race, ethnicity, language, or other such characteristics. 


10 de ago. de 2012

E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor?

Quem acompanha o blog sabe que estamos na semana LGBTT do Antes que Ordinárias. Contudo, não foi explicado aos detalhes a motivação para nossa mobilização sobre o tema. Dia 11/08 irá fazer um ano que um garoto inteligente, engraçado e com um futuro brilhante cometeu suicídio: Richard. Vindo de uma família extremamente religiosa, o fato dele ter assumido sua sexualidade acabou desestruturando a falsa harmonia. O resultado foi o afastamento e não aceitação de seus pais, somados a um peso - que agravado com outros fatores - o levaram a uma morte injustificada e prematura. Ele era amigo de uma das colaboradoras daqui e nós achamos que seria uma forma bonita de lembrá-lo fazendo uma série de postagens sobre tolerância.

É estranho quando se percebe uma história como esta tão próxima, mas, quando foi distante? A intolerância e preconceito são traços da humanidade desde seus primórdios - seja por medo, seja por ignorância - sempre rondaram. Assim, finais como este não são tão incomuns; Veja a história do filme Orações para Bobby (disponibilizado por completo abaixo), o qual é baseado em acontecimentos reais.
Sinopse: Uma mãe religiosa após a descoberta de que seu filho Bobby é homossexual resolve levá-lo a terapia e cultos religiosos com a intenção de "curá-lo". Bobby não aguenta a pressão e acaba cometendo suicídio. Somente depois de encontrar o diário de seu filho é que ela percebe a situação sobre uma nova perspectiva e torna-se uma ativista a favor dos direitos dos homoafetivos.

Com tudo isto como fonte de inspiração, hoje no Assunto de Mulher resolvi falar sobre a descoberta do filho homossexual dentro do seio familiar e, com auxílio de pesquisa realizada, elencar algumas fases e posturas saudáveis para que a relação pais e filho não seja desgastada, mas sim, renovada.

Fase do Luto: A Descoberta
Mesmo que haja um diálogo e uma visão mais liberal dentro de uma família, o instante da confissão, da descoberta da homossexualidade de um filho é sempre um choque. Edith Modesto - filósofa, presidente da ONG Grupo de Pais de Homossexuais e mãe de um homossexual - compara tal a um luto: 
"Quando uma mulher está grávida ela pensa em diversas possibilidades. ‘Será que meu filho vai ser menina? Será que vai ser inteligente? Será que vai ter os olhos do pai?’ Porém, mãe nenhuma se pergunta: será que meu filho vai ser gay? Dessa forma é como se o filho esperado tivesse que morrer para que possamos aprender a amar o filho real."
Ou seja, cria-se uma idealização difícil de romper. A sociedade age considerando sempre a heterossexualidade como primária, fazendo com que  ninguém esteja preparado para ter filho gay. Quando se vê uma mulher grávida, ninguém pergunta se é menino, menina ou homossexual. Elabora-se toda uma possibilidade de vida que não acontecerá da forma imaginada. É normal o baque, contudo, o que se faz a partir dele passa a ser uma escolha.

Onde Errei?
Opção esta que não existe no quesito sexualidade, ao contrário do que a "crendice" popular incita. A orientação sexual é algo que nasce com a pessoa; Então, não há motivos para se questionar "no que foi que errei?". Não existe um erro de criação que transforma alguém em homossexual. Como também não existe uma "cura".  O psicólogo especialista em sexualidade Claudio Picazio elucida isto:
“A pessoa não escolhe. E não há explicação para o desejo erótico”. E aquela teoria de que o certo é o homem se atrair por uma mulher, por uma questão de reprodução, é uma besteira. “Nenhum homem olha uma gostosa na rua e diz: ‘quero ter um filho com ela’, certo?”
Por mais que procure respostas em vivências passadas, a orientação sexual não estará ligada a isto, quanto menos a estereótipos. Ampliar a visão e livrar-se de uma culpa inexistente é essencial para o caminho da aceitação.

Através da Perspectiva do Filho
Se para os pais é complicado, para o filho revelar sua homossexualidade é muito mais difícil. Os genitores devem tentar olhar a situação pela perspectiva de seu rebento; Notar que o ato de contar veio depois de muita luta interna, muitos enfrentamentos e confrontos com visões de mundo diversas. Claudio Picazio ressalta com maestria qual é o papel parental na situação:
“São os pais que devem consolar o filho. E não ao contrário. Eles precisam dar suporte a esse filho que está vivendo a angústia de descobrir que é homossexual. E não esperar que os filhos lhe amparem. Essa obrigação é dos pais”
Aos filhos cabem ser apenas eles mesmos. Aos pais, apoio e suporte são responsabilidades irrefutáveis.

Vencendo os Preconceitos
Um dos principais passos é a noção de que os preconceitos limitam a boa relação com o filho. Desta maneira, os antigos conceitos devem ser revistos e vivenciados sob uma nova luz. Não soa nada fácil, não é verdade? Entretanto, a busca por terapia, grupos de pais que convivem com seus filhos homossexuais e a constante vontade de ampliação de barreiras são vitais neste processo. Então, nada de sentir-se envergonhado por necessitar de ajuda neste trajeto pela aceitação.

Novos Sonhos: Alcançando a Aceitação
É muito improvável encontrar pais que não sonhem com o futuro dos filhos. Imaginam o casamento, a profissão, o sucesso... Até aí tudo bem, todavia, quando estes sonhos são impositores não possuem validade. Sejam eles quais forem. As aspirações dos pais para os filhos devem ser hipotéticas e mutáveis, já que os verdadeiros influenciados por sonhos são os que o vivem; Daí devem ser pessoais. Nem sempre o que se espera é o que trará felicidade. E não é esta a busca e o o desejo de qualquer pai para com seu filho? Perceber a alteração de sonhos apenas como um caminho diferente - e talvez melhor - para a felicidade é um grande passo até a aceitação. O filho não muda, continua sendo quem sempre foi, seus prospectos sim.  

Que tal um teste?
Leia o trecho abaixo e perceba como se sente em relação ao mesmo:
"E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo. No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural "
- Caio Fernando de Abreu 

Responda honestamente: Imaginou tratar-se de uma relação amorosa exclusivamente homossexual? Se foi assim, o que isto lhe causou? Ficou incômodo? Se eu retirasse a imagem, pensaria que se tratava da paixão nascendo de um homem para com uma mulher? Faz alguma diferença? Todos nós sentimos amor, tesão, carinho, respeito. As pessoas vão muito além de seus gêneros e de sua orientação sexual. Perder a chance de conhecer seu filho por completo, pela pessoa extraordinária que ele realmente é, por conta de um detalhe está longe de ser uma boa postura. Então, caso a aceitação não esteja chegando para você, procure ajuda. Vai valer a pena!

Para maiores informações, não deixe de conferir a entrevista de Edith Modesto, a ONG Grupo de Pais de Homossexuais e  ao blog Mães pela Igualdade. Ainda, o site MdeMulher selecionou alguns bons livros para saber mais sobre o tema:

Ser homossexual não exige tratamento. 
Ser preconceituoso, sim.

27 de jul. de 2012

Estado Civil: Bem Resolvida!

Aviso: Não; Este não é um post sobre "solteirice" ou a disseminação de uma postura social ou sexual "mais saudável". Tão pouco tem pretensões filosóficas. Não. Esta postagem nasce como um retrato, buscando demonstrar o trajeto social feminino, as evoluções de conceitos e os que ainda são tidos de forma receosa. A principal objetivação deste texto é a expressão livre - sejam das palavras, sejam das escolhas - que cabe a cada mulher.
Imagem retirada DAQUI
Generalizando, antes o casamento era tido como uma negociação. As vezes feita por questões políticas, outras financeiras, algumas por status e assim por diante; Sem falar na perpetuação do nome através da procriação. Só os mais insanos buscavam amor e romance no casamento. A mulher cabia aceitar, para que não fosse um fardo - ou mesmo escapar - a seus pais. As que não se casavam eram vistas como solitárias e malfadadas. Em algumas culturas, como se pode ver em Como Água para Chocolate, uma filha era escolhida e proibida de casar-se, já que ficaria para cuidar de sua mãe. 

Além disto, havia o estigma da virgindade, da não expressão sexual - demonstrar prazer na hora do sexo era vergonhoso -, da impossibilidade do divórcio e da necessidade de se ter filhos. Ou seja, o casamento era uma obrigação e a felicidade era para os raros sortudos.

Aos poucos os ideais foram mudando, a busca por conhecimento e maior importância social pelas mulheres ampliando os horizontes, modificando conceitos não mais coerentes com a evolução da sociedade. As mais ousadas tomam seus corpos para si, modificam o vestuário, saem da cozinha, começam trabalhar, perdem a virgindade  - algumas tem filhos - antes do casamento, relacionam-se com quem desejam (inclusive mulheres), descobrem o anticoncepcional, divorciam-se e votam - imagem ao lado encontrada via Tumblr. 

Nada do acima citado veio de maneira fácil, há que se ressaltar. A maior parte destas "mulheres selvagens" enfrentaram represálias violentas, preconceito, foram excluídas de certos ambientes ou mesmo renegadas pela família. Foram anos e mais anos de verdadeira luta - basta saber que o primeiro divórcio legal que ocorreu no Brasil foi em 1977 -  até que se chegou  ao ponto conhecido hoje. 
Imagem Original retirada DAQUI
A teoria dos relacionamento na atualidade é excelente; Já que se anuncia o "Viva e deixe viver" ou mesmo a "busca pela felicidade". Contudo, as vertentes sociais - quando embebidas pelo extremismo - continuam a usar de uma discrimição, talvez não tão violenta, mas, igualmente devastadora- imagem abaixo encontrada via Tumblr. Por exemplo:

  • Os apaixonados pelo moralismo falam dos "absurdos" do ficante de uma noite, do sexo antes do casamento, da mãe-solteira, da inseminação artificial, dos relacionamentos homoafetivos, do excesso de separações, da banalização do matrimônio e por assim vai... 
  • Os amantes da liberdade chocam-se com os "despautérios" do guardar-se para uma só pessoa, da falta de experimentação, da hipocrisia da fidelidade, dos conceitos sexistas, da não liberação do aborto, das campanhas religiosas sobre posturas sexuais e assim segue...
Honestamente, não acredito que nenhum dos discursos tenha razão completa. É neste ponto que todo este lavrar intentava chegar; Se a sociedade evoluiu tanto de seus primórdios - e tem muito mais o que evoluir - por que se insiste em manter a ideia de que apenas uma forma de perceber o mundo é a correta? Como já foi citado por aqui: Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que éPara que oprimir?

Ouça este decreto e saía de sua zona de conforto percebendo a mágica da diversidade. Esquece-se que é através desta que o crescimento acontece. Então, que tal tentar ultrapassar os conceitos pessoais e sociais, assumindo o que traz a sua felicidade sem ligar para o universo externo? Se o que busca é ser dona de casa, que bom! Se quer ficar solteira, que bom! Se o lance de vocês é algo aberto e sem cobranças, que bom! Desde que isto combine com o que lhe deixe leve e satisfeita... Busque a sua forma de amor e/ou de liberdade, mostre o que é ser uma mulher bem resolvida!
"Happiness does not lie in happiness, but in the achievement of it". 


13 de jul. de 2012

Toda Mulher Tem um Pouco de Bruxa!

Mas há algumas coisas que tenho por certeza: Sempre jogue uma pitada do sal derramado sobre seu ombro, tenha alecrim em seu jardim, plante lavanda para dar sorte, e apaixone-se sempre que puder. (via Tumblr.)
A figura mística da bruxa é associada, no imaginário popular, por uma mulher má, talvez velha, talvez feia, que busca a solução de certos problemas através da magia negra. Conceito que pode ser muito bem relacionado ao tratamento dado a mulheres "rebeldes" na idade média. Tratá-las como hereges era algo fácil, já que os sinais vistos como pecaminosos tinham em sua base desde superstições a marcas/doenças genéticas. 
Quem nunca fez uso de alguma "sabedoria popular" que atire a primeira pedra. 
Eu cresci brincando na casa da minha avó materna. Ela era doceira de mão cheia, apesar de nunca ter tido treinamento profissional; Chegar lá era provar de uma infinidade de sabores deliciosamente combinados. Tudo que sabia aprendeu com sua mãe, e esta com a sua figura materna e assim por diante. Os segredos daquela culinária caseira foram passados de geração a geração, como também algumas orações e bençãos que ajudavam a encontrar objetos perdidos, curar o amarelão e proteger contra a "maligonia" - seja lá o que for isto. Minha avó sempre foi mágica ao meus olhos. Sim, eu acho que ela tinha um "q" de bruxa.

Qual o meu ponto com este breve relato de minha infância? Provar que "bruxaria" pode ter um conceito muito mais amplo do que os dados malévolos que nos são repassados. Por exemplo, o uso de um amuleto da sorte, uma simpatia de final de ano, uma prece libertadora, algo em que se deposite a confiança e o poder, para mim isto tudo faz parte do conceito de magia/feitiço/mágica.

Via Tumblr.
Não poderia ser diferente com a dita Sexta-feira 13, cercada de mistérios e crendices - basta dar uma olhada no MEDOB que traz algumas curiosidades sobre a data, confiram AQUI.O número 13 é por vezes associado a incompletude, má sorte e inclusive morte, fazendo com a data ganhasse uma conotação fantástica. Assim, se tem uma época em que as pessoas ficam mais atentas as superstições é esta; Não se passa debaixo de uma escada, não se deixa um gato preto atravessar o caminho, quiçá quebrar um espelho... Sete anos de azar é muito tempo.

Bianca Passarge by Carlo Polito, 1958
- No, I'm not okay! You've turned me into a witch!
- You were born one. We all were. And I think we better start learning to deal with that.
Sejamos sinceras, todas temos alguns segredinhos infalíveis; Uma certa máscara caseira para pele, uma receita afrodisíaca, uma roupa que dá sorte, um chá para curar isto ou aquilo, um charme extra para conquistar algo... Nós mulheres somos sortudas, temos a magia ao nosso lado. Nascemos sobe o fortuito sexo dos mistérios a serem revelados, somos todas um tantinho "bruxas", e é melhor aprendermos a lidar com isto. 

Para finalizar, que tal exercitarmos o nosso lado feiticeira e assistindo ao primeiro episódio legendado de Charmed - série que já comentei no post As Bruxas dos Anos 90 em meu blog -, créditos ao Canal ViviHelenaSF:



Tenham uma ótima Sexta-feira 13!

29 de jun. de 2012

Violência Doméstica: Sinais de um Relacionamento Abusivo

Imagem retirada do site Shards of China
Tem quem julgue o assunto polêmico, tem os que afirmem ser saturado; É aquela contradição popular: De um lado fala-se "numa mulher não se bate nem com uma flor", de outro pragueja-se "tem mulher que gosta de apanhar mesmo". Tanto se comentou - argumentos a favor e contra - com o advento da Lei Maria da Penha que o interesse principal acabou mitigado, já que ao invés de analisar-se a situação de um ponto de vista estatístico, a conversa tomou o rumo do sexismo. Verdade seja dita, a violência doméstica - a qual ocorre em sua grande maioria contra mulheres e crianças - é um tópico que está muito distante de ser resolvido.

Há algumas postagens atrás comentei sobre a força devastadora de uma paixão mal direcionada; Karla Homolka e Paul Bernardo fizeram de seu relacionamento um conjunto de abusos físicos contra ela e contra terceiros resultando na morte de 4 adolescentes. Poucos momentos visualiza-se a força que um envolvimento íntimo pode ter, especialmente se a dinâmica existente entre os envolvidos não for saudável. Surge aí a dominação e a dependência, combinação perigosamente letal. Algo que era para ser um complemento da vida transforma-se em medo, insegurança, ciúme, agressões... Um jogo intermitente de amor possessivo e ódio, restando marcas difíceis de cura.

Trabalho no ambiente jurídico há anos, passei por fórum, escritórios de advocacia e delegacia, nesta última tive contato com alguns casos de agressões no ambiente do lar, todas sofridas por mulheres e crianças. Obviamente que cada situação vinha com suas particularidades, contudo, os pontos em comum eram: Não se tratava do primeiro abuso e a confusão interna da vítima, por vezes se percebendo como culpada. Soava estranho, mas, parecia um vício. De fato, a dissimulação do agressor é tamanha que a vítima perde o senso crítico habitual.

Não só de agressões físicas é construída a violência doméstica, também de abusos verbais - imagem ilustrativa ao lado foi retirada do blog Introduction of Ethics Discussion Forums - , degradando a pessoa por palavras, e até abusos sócio-econômicos, que consiste na limitação dos gastos e proibição de interação social. Ou seja, há vezes que a agressão fica num plano mais psicológico que físico, contudo, não menos aniquiladora. Então, como forma de atentar, fiz uma pesquisa em alguns sites a fim de listar certos comportamentos de alerta nos relacionamentos. Os sites que usei foram: Dryca Lys, Recovery Man, Primeiros Sinais de Violência no Namoro e Debora's Weblog

Segue a lista com Sinais de um Relacionamento Abusivo:

  • Desrespeito;
  • Agressividade sem motivo;
  • Imposição de um relacionamento baseado no medo e domínio, com ameças físicas e verbais de ferir o companheiro ou a si mesmo;
  • Ciúme e possessividade em evidência, com excesso de ligações, emails, SMS, além de uma constante vigilância do parceiro em mídias sociais, companhias e telefonemas;
  • Controle exacerbado da vítima, a exemplo das roupas, chegando a impor limitações de convívio com amigos, familiares e conhecidos;
  • Faz questão de colocar a culpa no parceiro (vítima) por seu comportamento alterado e atitudes violentas;
  • Impõe - soando a ordem - comportamentos sexuais com os quais o outro não se sinta confortável;
  • Há um temor de agir como "você mesmo" perante o parceiro, fazendo com que se preocupe com a reação dele ao que faz e/ou diz;
  • Amigos e parentes alertam sobre o parceiro e seu comportamento inadequado;
  • Mentiras e torturas emocionais são frequentes - aos poucos o companheiro distancia-se da pessoa que se apresentou inicialmente, acumulando promessas incongruentes aos atos -, chegando a ridicularizar as atitudes da vítima provocando constrangimentos;
  • Dificuldade em terminar o relacionamento mesmo sentindo que é o certo.
Parece simples a identificação, mas, uma vez que a pessoa está envolvida com o agressor, a clareza turvar-se. Então, se você ou algum conhecido seu se encontra num relacionamento que possua estas características, procure ajuda.

O vídeo abaixo é sobre duas situações distintas de violência doméstica relatadas pelas vítimas. O documentário curta-metragem é do Reino Unido e possuí legendas.

Ainda como meio de ilustrar, acrescento o filme completo da Nova Zelândia chamado O Amor e A Fúria - cujo título em inglês é muito melhor Once Were Warriors. É uma película pesada na violência, tem classificação 18 anos, sem legendas, e não recomendo aos mais sensíveis. Existem outros Filmes sobre violência doméstica, basta clicar no link para conferir algumas dicas. Fique com a sinopse do Cineplayers:
Uma família descendente dos guerreiros Maori, com cinco filhos, vive em um bairro violento. O pai, Jake, é intenso e vive a maior parte de seu tempo em um bar brigando e bebendo. Em casa, sua mulher é alvo de sua violência, mas a paixão sexual que ela sente por ele mantém os dois unidos. Enquanto isso os filhos vivem e causam problemas diversos.


Honestamente desisti de saber.
Ou sentir.
Ou entender.
Não sei mais o que pensar.
Foi na condenação minha que armei o meu sentimento,
Perdi os sentidos pelo tapa,
E, através de beijos seus o recobrei.


22 de jun. de 2012

Cólica Menstrual É Normal?

Imagem retirada DAQUI
Conversando com algumas gurias semana passada tive a inspiração para esta nova sessão do blog: Assunto de Mulher. Um espaço para discutir alguns pensamentos e feminices como só nós entendemos. Assim, para começar, falarei de um mal que atormenta (ou atormentará) mais ou menos 50% das Mulheres, as malfadadas cólicas menstruais.

Quem já sentiu - e incluo-me entre elas - sabe o quanto estas dores torturam o útero. É aquela sensação de contrair o ventre e irradiando até as costas, sem falar do inchaço, dores de cabeça, náuseas, vômitos e até desmaios. Segundo o site do Drauzio Varella cólicas são:
É uma dor pélvica provocada pela liberação de prostaglandina, substância que faz o útero contrair para eliminar o endométrio (camada interna do útero que cresce para nutrir o embrião), em forma de sangramento, durante a menstruação, quando o óvulo não foi fecundado. A dismenorreia pode ser primária ou secundária. Primária, quando a causa é o aumento na produção de prostaglandina pelo endométrio, e secundária, quando resultante de alterações patológicas no aparelho reprodutivo (endometriose, miomas, tumores pélvicos, fibromas, estenose cervical, etc.). 
Desde sempre escutamos de nossas mães, avôs, tias e etc que cólicas são sintomas comuns daquele período do mês. Todavia, esta famosa generalização não é inteiramente verdade. O trecho acima é bem claro em separar a dismenorreia em duas categorias distintas, uma normal e outra decorrente de algum probleminha médico, como a Endometriose - que apesar de não ter cura é tratável. Ou seja, cólica menstrual é normal? Pode ser que não. Há de se ficar atenta quanto a intensidade da dor e contatar o seu médico. 

Via Tumblr.
Enquanto isto, que tal algumas dicas para aliviar o tormento? Fora a ação medicamentosa de analgésicos e de anti-inflamatórios, manter uma rotina de exercícios (especialmente os aeróbicos) além de uma alimentação rica em fibras (alimentos diuréticos idem) auxiliam. A água também é uma excelente aliada, (confira aqui) desde para se manter hidrata até para o uso de bolsas quentes em compressas locais. Outra dica é a de evitar o consumo de substâncias estimulantes como cafeína e cola. Ah... Sejamos sincera, quando na TPM dizer não para alguns exageros é praticamente inevitável.

Cuidar-se é Valorizar-se!