Tem certas coisas que são difíceis de engolir e uma dessas coisas,certamente é a patrulha excessiva do "politicamente correto",tudo tem limites,inclusive a perfeição. Acontece que essa marcação cerrada,para manter tudo na ordem,evitar injustiças,tornar tudo mais igualitário,acaba gerando um efeito contrário gerando mais desordem,mais injustiça,mais desigualdade.
Tudo que se tenta colocar numa fôrma perde a forma,perde a originalidade, o conteúdo,a essência! Imaginem só,estão querendo censurar as obras de Monteiro Lobato! Motivo: A presença constante de preconceito nas páginas dos livros que marcaram as nossas infâncias. A polêmica já está rolando há dois anos e está longe de chegar a um consenso.
Desde que alguém analisou cuidadosamente e encontrou cabelo em ovo,chifre em cabeça de burro,entre outras cosítas mais,um parecer foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Nacional de Educação e a finalidade deste era que a obra Caçadas de Pedrinho fosse redistribuído às escolas públicas com o acréscimo de notas explicativas sobre estereótipos raciais em certos trechos e foi rejeitado pelo ministro da Educação,Fernando Haddad. Isso foi em outubro de 2010.
E embora os que estivessem na mesa redonda tivessem argumentos realmente sólidos para justificar a não-censura do autor,simplesmente eles não tinham chance de falar,pois uma antropóloga,estereótipo das figuras de antropólogas que se vê à exaustão na tv,toda trabalhada nos badulaques étnicos exagerados para a sua figura,fora a roupa,não lhes dava chance de concluir sua linha de raciocínio,só dava ela ali,somente o que ela falava era certo e ponto final! Era um tal de bullying pra lá,preconceito contra os negros pra lá,mimimi pra lá,mimimi pra lá.
Já repararam que a "patrulha" do politicamente correto sempre se excede? Tudo hoje se excede,exatamente por causa de uma escassez de idéias,atitudes,contextualizações,curiosidade...
Ferramentas necessárias para entender não somente a Literatura,que era a questão do debate a que eu assisti,mas que servem à criação dos juízos de valor frente à vida em sociedade e é claro que precisamos ter contato com os dois lados da moeda,nem só de momentos gloriosos vive a sociedade,os momentos menos prestigiados também contam na formação de um povo. E não é censurando obras de autores como Monteiro Lobato que o preconceito deixará de existir. Falo preconceito por que essa palavra bullying não existia até pouco tempo atrás aqui no Brasil.
Ora se vierem com notas explicativas,vão tolher logo de cara o encanto que as obras produzem ao primeiro olhar,a criatura já vai iniciar a leitura com uma idéia pré-concebida,quando a idéia principal é que seja criada uma idéia a partir do que se leu. Se a pessoa lê algo com um contexto diferente de sua realidade,logicamente surgirá a curiosidade de saber o porquê de determinado acontecimento, porquê o psicológico de um personagem é assim ou assado,o lugar onde ele vive,ou porque o autor tal escreveu isso e aquilo,porque ele pensava dessa forma... é assim que se explora de uma forma lúdica o interesse das pessoas,contextualizações de época e ética. Não existe essa de o meu grupo tem mais direito que o seu,porque historicamente isso,historicamente aquilo.Não se deve perpetuar a atmosfera limitadora de uma época,geração após geração. Temos a sorte de viver numa época onde tudo pode,então devemos fazer bom uso dessa possibilidade.Todos nós temos direitos e deveres,ninguém é melhor que ninguém. Ao invés de militar por esta ao aquela bandeira,que tal ensinar o primordial? Não se deve fazer aos outros aquilo mesmo que não gostamos que façam à gente. Simples,direto,honesto,firme.
A única coisa que conseguirão com isso é apagar o nosso passado histórico,se hipoteticamente ocorrer mesmo uma censura e retirarem toda e qualquer obra do autor de circulação,imagino que será como descreveram perfeitamente George Orwel e Aldous Huxley,como seria uma sociedade dominada por uma estrutura que se inicia com esses combates às injustiças passadas e futuras e acaba por se tornar uma ditadura onde a liberdade é censurada e o simples ato de querer viver simplesmente,pensar ou escrever é passível de punição.Pouco a pouco,as memórias vão se apagando e aquela sociedade perde o seu passado. Se por algum motivo alguém lembra de algo ou insiste em querer saber o que houve antes,é punido de morte.
É uma visão terrível,e que nós sabemos,é passível de acontecer. Já aconteceu várias vezes na História. Vide os regimes Stalinista e Hitlerista,só para mencionar os mais conhecidos.
Concordo que deveriam haver professores capacitados que pudessem abordar o tema em classe,mas existem inúmeros obstáculos e eles não vêm apenas por parte da falta de investimento dos profissionais,o próprio publico trata o hábito da leitura com descaso,aliás tratam qualquer forma de aprendizagem desse modo. Professores,dia após dia são agredidos por alunos e desistem da profissão,quando não desistem,basta reclamarem para levar chibata também por parte dos orgãos repressores. Ai que animo né gente,para se especializar e dar alguma dignidade aos futuros cidadãos deste país! Aliás,acha que pessoas como essas perderão seus tempos se inspirando em qualquer coisa que venha de livros? Elas são preconceituosas e violentas por si,se tiverem que se inspirar em alguma coisa para isso servem as novelas televisivas...Está longe delas saberem que as novelas tem origens literárias...E concluindo tudo o que eu disse,não estou sendo preconceituosa,estou expondo um conceito verdadeiro,ele reflete esses dias de hoje,tão excessivo em suas informações porém desprovidos de conteúdo. A solução não está na censura,está na reavaliação de valores.
Como eu sempre posto um vídeo no final das minhas postagens,hoje vou postar o ótimo filme "Idiocracy". Assistam o filme e reflitam:
Beijocas,espero que gostem!



