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3 de nov. de 2012

10 Mães Apavorantes do Cinema

A figura materna de forma geral é associada a zelo e carinho; Aquele ser disposto a tudo pelo bem estar de sua "cria". Contudo, as pessoas são falhas, obscuras e imprevisíveis. Verdade seja dita, estamos distantes do que é tido como ideal. Como o cinema terror é baseado nos equívocos de caráter, nas más escolhas e - é claro - no lado sombrio da humanidade, obviamente que as Mães não fugiriam a regra. Para comprovar tal, fiz uma lista com 10 das Mães Mais Apavorantes do Cinema; Confira:


Mrs. Bates
Psicose (1960)
E quem é a pedra basilar das mães insanas? Claro que um fruto de uma película sob o olhar da mente inquieta de Alfred Hitchcock! A história deste jovem que sofre com a dominação da mãe e seus resultados extremos é tão bem trabalhada que acabou abrindo precedentes até hoje seguidos.

Lucy Harbin
Almas Mortas (1964)
Aqui a mãe do filme foi internada em um Hospital Psiquiátrico após matar seu marido e a amante dele com machadadas - detalhe, na frente da filha. Após 20 anos de internação ela é liberada e se reúne com a filha, já adulta. Contudo, as mortes voltam a acontecer... Coincidência?

Margaret White
Na minha sincera opinião esta é a PIOR mãe dos cinemas (e literatura)! Usando da religião como desculpa para torturar a pobrezinha da Carrie, deixa claro que o fato desta ter nascido mulher já era por si só pecado. Abusiva ao extremo - louvores para Piper Laurie que está surreal no papel -, com certeza não facilitou para a filha, que além de sofrer bullying no colégio era telecinética. Como é que Carrie teria alguma chance com uma mãe destas?

Mrs. Wadsworth
The Baby (1973)
Mais uma mãe abusiva para a lista, esta acompanhada de suas duas filhas. Este terror cult com ares de drama, conta a história de uma assistente social que tenta ajudar um garoto de 21 anos vivendo como um bebê, literalmente. Proibido de falar, andar e crescer intelectualmente por seus familiares, fica num berço e é submetido a castigos.

Vera Cosgrove
Fome Animal (1992)
Quem diria que Peter Jackson sairia do Gore para o Oscar! Nesta película de zumbis, com boas doses de sustos, humor e gosma, Vera Cosgrove se mostra uma mãe castradora e dominadora - até mesmo depois de "morta". 


Beverly R. Sitphin
Uma mãe suburbana esconde um segredo: É uma Serial Killer! Nesta sátira com pitadas de horror de John Waters - aquele de Pink Flamingos - traça-se o perfil de uma verdadeira psicopata. Alguns detalhes do filme são inesquecíveis, como a referência ao Almas Mortas, acima citado.


Gertrude Baniszewski
Baseado em uma história real, este drama - que para mim soou como terror psicológico - conta a história desta garota deixada pelos pais aos cuidados de Gertrude, uma mulher amargurada e sem vocação para ser mãe, em que pese tenha vários filhos. Os abusos cometidos por ela e/ou incitados pela mesma a serem cometidos pelas outras crianças são revoltantes. Neste link você pode ler sobre o crime real. 


Mrs. Pamela Voorhees
Ah... Não dava para deixar de comentar sobre a mãe de Jason. Esta sim é a verdadeira percursora da franquia, e tudo isto por vingança! Aparentemente, talento para a matança pode ser genético.


Joan Crawford
Você pode me perguntar: Mas, a atriz Joan Crawford? Ela mesma, sob a ótica da filha que escreveu uma biografia chamada Mommie Dearest, contando todos os abusos que sofreu por parte da estrela. Nos anos 80 levou-se a história para o cinema. O quanto disto é real, não sei. Mas, com certeza a Joan Crawford retratada no filme é uma mãe apavorante! No blog La Dolce Vita há um post bem interessante comentando sobre o filme.


Dorothy Yates
Frightmare (1974)
Nesta produção inglesa a matriarca da família é completamente desajustada. Assassina por compulsão, nem  o tempo em que foi internada ajudou, ao retornar para a sociedade mantém os antigos e pavorosos hábitos. 


Só para terminar de dar o tom desta lista, deixo aqui o bom e assustador curta metragem espanhol intitulado Mamá:


13 de out. de 2012

Perfis de Mulher: Janis Joplin


Uma artista que revolucionou a música no século XX e conseguiu uma legião de fãs teve sua carreira precocemente interrompida pela morte aos 27 anos, causada por overdose. As drogas e a bebida tolheram sua saúde e muitas vezes prejudicaram suas apresentações, mas não impediram que ela escrevesse seu nome na história da música.  
Nascida Janis Lyn Joplin em 19 de janeiro de 1943 no Texas, era a mais velha de três filhos e, segundo seus pais, sempre demandou mais atenção que os outros. Na adolescência fez amizade com um grupo de pessoas que, como ela, se sentiam excluídas pela maioria. Acima do peso e com a pele marcada pela acne, Janis era motivo constante de chacota por parte de seus colegas. Mesmo depois de famosa, ao participar de uma reunião de ex-alunos, Janis sentiu-se desconfortável e fora de seu ambiente natural.
Janis começou a cantar no coro da Igreja, como muitas outras cantoras de sucesso. Na época de estudante, no entanto, ela preferia se dedicar à pintura. No começo de 1963 ela decidiu sair da Universidade do Texas e ir para San Francisco, onde teve seu primeiro contato com as drogas. Usou muita heroína enquanto gravava suas primeiras fitas, até ser persuadida a voltar a sua terra natal para livrar-se das drogas. Lá ela até pensou em mudar de vida e estudar Sociologia, mas uma apresentação solo em Austin mudou os rumos de sua carreira.
Um promoter da banda “The Big Brother and the Holding Company” a viu e a convidou para se juntar a eles e mudar-se para a Califórnia. A primeira grande apresentação com a banda foi em um templo Hare Krishna. Janis e outros membros do grupo já estavam então há um ano usando drogas intravenosas. Depois do primeiro álbum, a banda começou uma turnê por várias cidades e participou de alguns festivais, mas foi só com o segundo disco, capitaneado por Janis, que eles alcançaram imenso sucesso: “Cheap Thrills” ficou no topo das paradas por oito semanas e vendeu um milhão de cópias em um mês.
O maior destaque dado pela imprensa a Janis em eventos e programas de televisão gerou descontentamento nos outros membros da banda. Em 1969, usando 200 dólares de heroína por dia, Janis deixou The Big Brother e formou outra banda, chamada The Kozmic Blues Band, com a qual fez uma turnê pela Europa no mesmo ano. Outro momento importante com o grupo foi a apresentação em Woodstock. Após uma espera de dez horas regada a uma mistura de drogas e bebida, Janis subiu ao palco mas não ficou feliz com sua performance, mesmo assim permaneceu até o fim do festival. Um problema semelhante ocorreu na apresentação da banda no Madison Square Garden, quando, de acordo com depoimentos, a plateia assistia a seus números sem saber se ela conseguiria chegar ao final. Na ocasião ela cantou com Tina Turner, cantora de quem Janis era fã.
Após o fim de The Kozmic Blues Band depois de um disco e menos de um ano, Janis veio para o Brasil, onde parou de beber e usar drogas e se envolveu com David Niehaus, rico estudante Americano que estava dando a volta ao mundo. Ela e Niehaus romperam após a volta aos EUA, uma vez que Janis não estava disposta a deixar a carreira em segundo plano para viajar com David e ele também não tolerava que ela usasse drogas. Então ela fundou a Full Tilt Boogie Band, com a qual iniciou uma turnê e a gravação de um álbum que não terminaria.
Janis no Brasil
Em 4 de outubro de 1970 ela foi encontrada morta em um quarto de hotel. Ela estava neste hotel de Los Angeles desde o final de agosto para a gravação do album Pearl, nome que faz referência ao apelido dado por seus amigos. Também estava noiva do estudante Seth Morgan, que na época tinha 21 anos. Poucos dias antes de morrer havia gravado uma mensagem musical para o aniversário de 30 anos de John Lennon.  Hoje a hipótese mais aceita é a de que sua morte foi causada por uma overdose accidental, visto que ela recebera um tipo de heroína muito mais forte do que estava acostumada, o que aconteceu com outros usuários na mesma época. Sua morte chocou o mundo da música, que dezesseis dias antes havia perdido o guitarrista Jimi Hendrix, também aos 27 anos.     
Comparada a grandes músicos como Elvis Presley, tinha uma presença única e elétrica. Seu disco póstumo foi um grande sucesso e influenciou inúmeras outras bandas e cantores. Seu estilo despojado virou marca dos hippies na década de 1970 e suas tatuagens abriram uma porta para que os desenhos no corpo passassem a ser melhor aceitos pela sociedade. Dezenas de compilações de suas músicas foram feitas e muitos livros foram escritos. Uma biografia lançada por sua irmã em 1992 virou peça de teatro em 2001. No ano de 1979 o filme The Rose foi feito inspirando-se na vida da cantora, mas até hoje ela ainda não ganhou sua merecida cinebiografia.   

“Quando eu canto, eu me sinto como quando você se apaixona pela primeira vez. É mais que sexo. É quando duas pessoas têm o que realmente se pode chamar de amor, quando você toca alguém pela primeira vez, mas é enorme, multiplicado por todo o público.”
Janis Joplin (1943-1970)                      

18 de ago. de 2012

Perfis de Mulher: Nico

Num mundo machista, muitas vezes é difícil para uma mulher se destacar numa área artística. No entanto, algumas são polivalentes e acabam por chamar a atenção por seu talento em várias áreas. Uma delas foi a alemã Nico, atriz, modelo e, apesar de ser surda de um ouvido, também cantora e compositora, influenciando diversos músicos.

Nascida Christa Päffgen em Colônia em 1938, ficou órfã de pai durante a Segunda Guerra, pois ele faleceu em um campo de concentração. Aos treze anos ela parou de estudar para trabalhar em uma loja de lingeries. Foi lá que, aos dezesseis, ela conheceu o fotógrafo Herbert Tobias, que escolheu Nico como seu nome artístico, e começou a trabalhar como modelo. Foi eleita representante da grife Chanel, mas deixou o emprego para atuar. Depois de várias propagandas na televisão, viu a oportunidade no cinema italiano, trabalhando com grandes diretores cmo Alberto Lattuada e Federico Fellini, aparecendo brevemente no clássico “A Doce Vida” (1960).


Em 1965 ela conheceu personalidades da música como Bob Dylan e Brian Jones, guitarrista do Rolling Stones. Também caiu nas graças de Andy Warhol, participando de alguns de seus filmes experimentais. Foi Warhol que sugeriu ao grupo The Velvet Underground que usasse os talentos de cantora de Nico. Um pouco relutante, eles aceitaram e, apesar do fracasso do álbum feito com ela, hoje o disco é considerado um dos mais importantes da história.

A partir daí ela investiu na carreira solo. O primeiro disco, lançado em 1967, posuía músicas de outros autores e apenas uma da qual ela era co-autora, mas Nico não ficou feliz com o resultado, pois teve pouca participação na tomada de decisões, que ficaram a cargo de músicos mais experientes. John Cale, do Velvet Underground, era um deles, e permaneceu parceiro musical de Nico até o fim de sua carreira, mas agora era ela que compunha.


Através de uma participação musical em um filme de 1969, Nico conheceu o diretor francês Phillipe Garrel, com quem passaria a viver na década de 1970, fazendo sete filmes com ele, tanto atuando como compondo a trilha sonora.

Ela teve apenas um filho, chamado Christian, em 1962. Os rumores apontam para Alain Delon como sendo o pai, o que ele sempre negou, embora o menino tenha sido criado pela mãe do ator francês. Nico viveu em vários lugares da Europa e dos Estados Unidos durante a vida, dominando quatro idiomas. Durante 15 anos foi viciada em heroína e no fim da vida tentava se livrar da droga. Em 1988, quando estava de férias com o filho em Ibiza, sofreu um ataque cardíaco enquanto andava de bicicleta e acabou caindo e batendo a cabeça. Foi difícil encontrar uma vaga em um hospital e Nico morreu horas depois na sede da Cruz Vermelha, vítima de hemorragia cerebral.

Nico virou personagem de filme duas vezes: em 1991, num filme sobre a banda The Doors, foi interpretada por Christina Fulton e, em 2005, no filme “A Garota Irresistível”, sobre Andy Warhol e sua musa Edie Sedgwick, foi interpretada pela atriz Meredith Ostrom. Sua música foi usada em diversas produções e seu estilo serviu de inspiração para inúmeras bandas. De voz forte e poderosa, Nico mostrou que tinha talento para se destacar em diversas áreas e marcar a cena musical do século XX.        

“Eu não tenho noção do tempo. O tempo é eterno para mim, e eu não tenho pressa de envelhecer. Quer dizer, se eu estivesse preocupada em relação ao tempo, isso seria terrível”.
Nico (1935-1985)

12 de jul. de 2012

A Era dos Festivais: Quando a Música era feita de Voz

Imagem Retirada do Era dos Festivais
Eu sei, uma coluna de televisão falando sobre música? Entretanto, este "tubo de raios catódicos" - já que eram assim na época - teve importância vital para a proliferação da música popular brasileira como hoje a conhecemos. Foi graças a iniciativa das emissoras TV Excelsior, TV Record, TV Rio e Rede Globo que a arte musical fixou-se ao público como forma de manifestação inteligente e nomes como Elis Regina, Caetano Veloso, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, entre outros tantos consolidaram-se.
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A Era dos Festivais teve início em meados de 1960 com o I Festival de Música Popular Brasileira, realizado em São Paulo e Transmitido pela TV Excelsior. Daí pra frente vários outros festivais foram surgindo, com formatos similares e transmitidos nas telinhas - dentre eles podemos citar: Festival Nacional de Música Popular Brasileira, Bienal do Samba, Festival Internacional da Canção, MPB 80, Festival dos Festivais, entre outros. A referida era findou-se em 1985, com o Festival dos Festivais apresentado pela Rede Globo.

Diversos movimentos ganharam espaço através de tais, a exemplo da Jovem Guarda e do Tropicalismo. Contudo foi o Festival de 1968 que mais repercutiu e gerou controvérsias, em que pese não tenha trazido grandes inovações. Como era costume, o público participava ativamente durante as músicas; Ou seja, aplaudiam se gostassem, vaiavam caso não. Caetano entrou para cantar É Proibido Proibir e foi vaiado do início ao fim de sua apresentação. Veloso, que por óbvio se alterou com a reação do público, encerrou sua participação com um discurso e a frase: "Se vocês forem para a política como são para a estética nós estamos feitos". Mais detalhes deste festival confira AQUI.

Vale ressaltar que um dos pontos mais importantes para a expensão musical lá foi a presença da Ditadura Militar. Com a necessidade de expressar-se e a limitação vivida, uma das saídas que restou jazia na composição de canções ambíguas e politizadas, onde a mensagem chegasse ao público passando pela censura. Veja-se o exemplo de Cálice, composta por Chico Buarque e Gilberto Gil. Havia evidente preocupação com a qualidade musical, mais do que com o seu sucesso. Havia uma magia tamanha arreigada em versos prontos para serem consumidos.

Difícil não fazer comparações entre o ontem e o hoje da esfera musical nacional. Com o fim dos festivais e novas vivências sociais, os Anos 90 aqui no Brasil surgiram com seu "Pega pra Capá" dançante do Axé Music; Já nos anos 2000 o duplo sentido musical ganhou as vezes das paradas e hoje ruídos melódicos de Tchu e Tcha são os donos do Top Hits. Longe de mim afirmar que a música brasileira não tem qualidade hoje, até porque vários artistas talentosos surgiram de lá para cá, a questão aqui se fixa no gosto popular; Aí sim, não dá para negar que os festivais foram a Era de Voz, num sentido amplo da palavra.

  • Vamos a alguns vídeos:
Não existe nada mais subversivo do que um subdesenvolvido erudito.

7 de jul. de 2012

Mrs. Bates e a Psicose

Via Tumbrl
Quando abri esta sessão de terror por aqui - falando do universo imaginário e do real - um dos primeiros nomes que me surgiu a mente foi a pedra basilar das mães insanas: a Sra. Bates. Falar de matriarcas fugidias dos padrões de zelo e carinho pode soar desrespeitoso, já que se costuma  atersse ao lado positivo. Contudo, especialmente no gênero horror, mães malvadas ganham uma força assustadoramente interessante. Uma lupa analisando relações extraordinariamente apavorantes.

Assim se apresenta Mrs. Bates; Oriunda da obra-prima irretocável de Hitchcock: Psicose, uma película repleta de reviravoltas e metalinguagem. O filme vem retratar a história de Norman Bates que, perante a dominação materna, sofre drasticamente com os efeitos desta relação doente refletindo, inclusive, na sua forma de conviver com terceiros.
AVISO: Se você ainda não conferiu Psicose para de ler aqui e corra assistir! Além de ser um filme espetacular, SPOILERS importantes serão revelados no texto que segue.
Via Tumbrl
Expostos ao Bates Hotel, por um destes infortúnios da vida, o envolvimento com a história da bela Marion Crave (interpretada por Janet Leigh) já vem precedente. Contudo, a atenção desvirtua-se dela logo que Norman Bates (Anthony Perkins) salta em cena. Com um jeito esbaforido e um tanto inconveniente, deixa uma primeira impressão confusa, assim como o ambiente em si. Tudo parece estar envolto de um mistério silenciado. Aliás, o silêncio parece integrar aquele lugar de uma forma pavorosamente alta. Aos poucos as camadas deste artifício caem e os comportamentos obscuros são manifestos.

Norman não reside no casario próximo ao hotel sozinho, sua mãe é sua principal companhia. Quando Marion hospedasse ali, de alguma forma atinge a inadequada harmonia entre Mrs. Bates e seu filho, fazendo com que a dominação daquela sobre seu rebento torne-se evidente. Tal revelação aborrece inegavelmente a senhora, levando-a a parar esta turbulência causada por terceiros.

A cena a seguir é um ataque fatal contra Milton Arbogast (Martin Balsan):


Aqui temos a iconográfica sequência de morte no chuveiro e o desespero de Norman ao perceber que o assassinato havia acontecido:

"A boy's best friend is his mother".
O mecanismo básico (inconsciente) que uma mãe usa para dominar o filho é de torná-lo inseguro. Como? 1 – Educando-o sem muito carinho (“homem não precisa dessas coisas”) e censurando-o quando manifesta emoções ou chora (“homem não chora”). O filho assim, é reprimido e acaba fabricando uma “armadura” para esconder os próprios sentimentos. 2 – Punindo- quando brinca com os órgãos sexuais, ameaçando-o de castração, doenças, espinhas. 3 – Censurando toda manifestação de sexualidade, levando-o a julgá-la pecaminosa. 4 – Falando da maternidade como de algo ligado ao sofrimento, e fazendo com que o filho, indiretamente, se sinta culpado pelas dores de parte da mãe. 5 – Tratando o pai com desdém, caracterizando-o como fraco (compensado assim eventuais frustrações do casamento). Ao mesmo tempo, ensinando o filho a tratá-la com reverência. Todos os homens educados dentro de uma ou varias dessas formas, tendem a ser dominados pela mãe, tímidos e com pouca iniciativa. Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/1689166-homem-dominado-pela-m%C3%A3e/#ixzz1zxU4lMoy
No instante em que ele leva um sanduíche para a hóspede passa a travar uma conversa reveladora da película - a qual encontra-se nos vídeos abaixo. Relata o quanto sua mãe é um fardo, especialmente por ser mentalmente instável e absorver todo o seu tempo. Ao mesmo tempo deixa claro que não consegue viver sem ela, ao que diz "A melhor amiga de uma garoto é a sua mãe". Com uma pitada de descontrole, a insegurança do homem escancara-se e a estranha simpatia do tímido Norman demonstra-se construída por anos de isolamento e superproteção cedidas pela Sra. Bates.


Um dos vários detalhes inteligentes desta construção de suspense resta no enigma quanto a aparência da assassina. Em nenhum dos crimes o rosto da mãe aparece, apenas seu vulto. Por isto o impacto do clímax é capaz de dar a dimensão dos danos psicológicos de Norman:


A maldade da Sra. Bates - sendo voluntária ou não - atingiu seu filho irremediavelmente. Ainda que o filme não traga o histórico desta relação entre os dois, o presente mostrasse incontestável. Tamanha era a insegurança de Norman que após o falecimento da mãe não conseguiu lidar com um mundo em que ela não estivesse inserida. A suposta liberdade espelhou o lado mais sombrio dos estragos causados pela dominação: Ela sempre estaria nele. Qualquer pessoa que ameaçasse esta compreensão recebia fúria. Hitchcock completa este tratado psicológico com uma cena absurdamente incômoda; Mrs. Bates fala sobre a prisão de seu filho, que nunca foi um bom garoto, e agora tentava culpá-la por sua natureza má.   

It's sad, when a mother has to speak the words that condemn her own son. But I couldn't allow them to believe that I would commit murder. They'll put him away now, as I should have years ago. He was always bad, and in the end he intended to tell them I killed those girls and that man... as if I could do anything but just sit and stare, like one of his stuffed birds. They know I can't move a finger, and I won't. I'll just sit here and be quiet, just in case they do... suspect me. They're probably watching me. Well, let them. Let them see what kind of a person I am. I'm not even going to swat that fly. I hope they are watching... they'll see. They'll see and they'll know, and they'll say, "Why, she wouldn't even harm a fly..."
 E de quem é a culpa? 
Do perturbado homem ou da castradora mãe?

28 de jun. de 2012

TV Cult: Sombras da Noite (1966-1971)

Aqui no Brasil, tirando o caso da Malhação, as novelas costumam ter a duração de, digamos, uns 12 meses. Contudo, nos Estados Unidos as novelas (soap opera) duram anos, sendo que a principal diferença entre elas e as séries fixa-se na narrativa aberta durando vários capítulos, sempre havendo ao final de um, a promessa de continuidade nos próximos episódios. A série, por sua vez, costuma encontrar a solução no mesmo dia. É com esta contextualização que começo meu post de hoje, já que estarei falando de uma novela americana de muito sucesso durante a década de 60 e que acaba de ser transformada em filme pelo cineasta Tim Burton
Já sabe de qual estou falando?

Dark Shadows - ou Sombras da Noite aqui em terras brasileiras - foi uma novela apresentada pela ABC Television Network entre 27 de junho de 1966 e 02 de abril de 1971. Contrariando o que costumeiramente passava nas telinhas da época, o plot da mesma era sombrio, sendo pioneira na temática sobrenatural. Ainda que nos seus primeiros 06 meses o elemento espiritual não tenha surgido, houve a inclusão de fantasmas após este período. O sucesso, entretanto, fez-se após a inserção do vampiro Barnabas Collins a trama, visto como a personagem mais carismática.

Vale dizer que não só de fantasmas e vampiros o programa era composto, outros membros do sobrenatural vagaram por entre os cômodos daquela mansão; Como lobisomens, zumbis, homens-monstros, bruxas, feiticeiros, viagens no tempo (tanto para o passado e no futuro) e universo paralelo. Temáticas até hoje abraçadas com vitorioso índice de audiência a exemplo de Arquivo X, SupernaturalThe Walking Dead e Charmed.

Como a atração televisiva teve diversas nuances durante os anos vou tentar montar uma sinopse: No início apresenta-se Victoria Winters, os membros da família Collins e a mansão Collinwood, localizada no topo da Widow's Hill. Victoria vai trabalhar lá tentando buscar saber mais sobre seu passado misterioso. Ali ela começa avistar fantasmas, receber tratamento hostil de alguns e o encantamento de Barnabas Collins para com ela. Todavia, ele sempre esteve em busca de seu grande amor: Josette Du Pres.
Deixo o vídeo com a abertura original do programa:

Como toda a boa atração que tenha este clima terror/terrir a combinação de histórias bem contadas, frases de efeito, música tenebrosa, uma pitada de aventura e - no caso da soap opera - o melodrama foram essenciais para o status de cult. 

Tamanha é/foi/será a popularidade do Sombras da Noite que mesmo após 30 anos do fim de sua exibição ainda cativa legiões de fãs. Além do programa em si surgiu uma versão em HQ - imagem ao lado, retirada do wikipedia -, isto sem falar da refilmagem para TV ocorrida em 1991 e agora a versão para o cinema lançada em 2012 com o lindo do Johnny Depp, declaradamente apaixonado pela Dark Shadows.
Confira algumas cenas:

Para finalizar resolvi fazer uma comparação entre os atores da novela de 1966 e do filme de 2012:









For most men, time moves slowly, oh so slowly, they don't even realize it. But time has revealed itself to me in a very special way. Time is a rushing, howling wind that rages past me, withering me in a single, relentless blast, and then continues on. I've been sitting here passively, submissive to its rage, watching its work. Listen! Time, howling, withering!
- Barnabas Collins