Então
agora vamos ao breve post de hoje, na verdade, trazendo uma postagem que fiz em meu blog pessoal, Umas e outras. Neste final de semana assisti pela
enésima vez o filme "O carteiro e o poeta". Então, resolvi compartilhar e
indicar para os que ainda não viram e/ou para os que já assistiram e
desejam se deliciar novamente com esse belo filme.
O carteiro e o poeta conta a história do simplório Mário(Massimo Troisi), que vive em uma ilha, na itália.
Ele é filho de pescador(ofício exercido pela maioria dos homens de seu
vilarejo) que por desejar fugir de seu "carma" de se tornar também
pescador, acaba por trabalhar no correio, onde exerce a função de
entregar cartas, exclusivamente, ao exilado(por razões políticas) poeta
Pablo Neruda(Philippe Noiret). Dessas visitas nasce uma bela amizade e Mário acaba recorrendo ao poeta para que o ajude a conquistar a bela Beatrice.
Esse
filme é uma poesia em forma de película. Simplesmente lindo... cada vez
que assisto me encanto mais e mais pela simplicidade de Mário e a
sensibilidade de Neruda. Por meio das palavras os dois se tornam
imensamente ligados.
Um dos diálogos que mais gosto é quando Mário diz à Pablo que A poesia não é de quem a escreve. Mas de quem precisa dela.
Um filme que vai além do título de Poeta do Amor, que Neruda carrega.
Enfim, o poeta do amor, num filme que fala não só de amor, mas, principalmente de amizade!
No post do Questionário Cinematográfico respondi algumas questões com filmes de um cineasta adorado por muitos, inclusive por mim: Stanley Kubrick. Neste final de semana tive a felicidade de esbarrar com uma de suas películas passando na telinha, mais precisamente no canal TCM durante um especial sobre a Guerra do Vietnã. Nem preciso falar qual é a obra cinematográfica de Kubrick, neh?!
Nascido para Matar é baseado em um livro de Gustav Hasford, chamado The Short-Timers. A trama é claramente dividida em duas partes: o Treinamento e a Batalha. Em ambos os segmentos a principal característica fixa-se na frieza/crueldade, no sabor de desumanidade recaída em cada instante. Com certeza é um retrato bem particular de uma das guerras mais contorversas já registradas.
Como não poderia deixar de ser, a trilha sonora corresponde a altura! Desde as composições específicas para a película até os clássicos da cultura popular, como Paint it Black ressoando nos créditos finais, funcionam. Mas, foram as inserções musicais com ar contraditório que concederam a cena - como se quisessem desdizer o já dito - as que mais me encantaram.
Desta forma, selecionei duas cenas do filme que combinam músicas improváveis e um gostinho de ironia, bem no estilo ousado de Stanley; Confira:
Ordem dos Vídeos: Música Original. . ........ . ....Música no Filme
A canção de Nancy Sinatra - como podem ver pela tradução AQUI inclusa - conta a história de uma garota sensual e decidida, pronta para desprezar. Quando da gravação Nancy foi incentivada a cantar como se fosse uma adolescente esnobando um quarentão. Sabendo disto, fica fácil de notar a ironia na cena de Nascido para Matar quando a protagonista do momento é uma prostituta vietnamita tentando conseguir um trabalho. Por mais que, como diria Satine de Moulin Rouge, "a girl has got to eat", garanto que ela estaria pensando no quanto adoraria aniquilar os soldados americanos com suas botas!
Ordem dos Vídeos: Música no Filme. . ........ . .... Música Original
Que Surfin' Bird é um clássico do surf-rock todos sabem. Ou, caso não se tenha associado o título da música a própria fica aqui uma dica: "Papa-Oom-Mow-Mow". Gravada em 1963 pela banda The Trashmen, a canção logo chegou entre os hits mais executados graças ao ritmo contagiante e letra nonsense super divertida. Até aqui tudo bem. Contudo, ao ver esta música servindo de fundo para cenas de combate emolduradas por sorrisos insensíveis diante da guerra, gera-se certo incômodo. O humor inerente da canção serve de contraste entre o horror e o prazer de matar. A ironia do divertimento perante a destruição do outrem é perfeitamente desenhada com esta soundtrack.
Hoje não consigo parar de ouvir uma certa música do ZZ Top- Over You; Aquela voz cortada implorando por encontrar uma forma de esquecer o passado, mantendo a resistência necessária para levantar-se e mudar de vida... Impossível deixar de correlacionar conosco, não é verdade?
Há quem diga que a insatisfação é condição humana primordial, não se exaure. Penso, particularmente, que a questão não se rege pela satisfação do esperado, mas, pela busca por tal. Afinal, que força motriz consideraria a mudança se o aguardado não fosse extraordinário? Esta foi a premissa que enxerguei na película Broken English de 2007. A personagem principal Nora Wilder está vivendo uma sequência de eventos cômodos, os quais chama de vida. Na casa dos 30, solitária e confusa, Nora inicia uma jornada de pequenos trajetos rumo ao equilíbrio. Entretanto, em que pese jure ser amante da estagnação, vê-se arrebatada ao conhecer Julien. Uma atitude drástica é o que lhe resta.
Atire a primeira pedra quem nunca quis acordar da apatia diária.
Qual é a melhor forma de escapismo para uma realidade melhor? Sou das que foge ou em letras ou em cenas; Quando escolhi este filme, estava fugindo daquela insatisfação pungente de quem tem manias de poeta. Não imaginava eu que esbarraria com um leve contorno dos meus medos e anseios. Carregamos a vida ou o seu fluxo é que nos conduz? A resposta sempre vem depois de uma ressaca moral, precedida de uma conjugação de passos anestesiados... Um dia você acorda e percebe que deixou de perceber; Seu trabalho é automático, seus gestos são uma cópia apagada dos de ontem, seus relacionamentos rasos. Um dia você acorda em apatia. O que resta é agir ou continuar. Norma agiu, ZZ Top agiu, eu agi.... e você? Vai ficar só na crise ou correr em direção a magia?
- It’s not wrong to want someone to love you. Most people are together just so they are not alone. But some people want magic. I think you are one of them.
- Something wrong with that?
- Nothing, but it doesn’t happen all the time.
— Broken English
Quando falo em magia, não tento expressar algo tão inalcançável quanto o conceito literal prega. Não! Imagino as escolhas que evitamos por comodismo e que, no final da equação, fariam a diferença necessária para um melhor estado de espírito. Acomodar-se até as situações mais desagradáveis é fácil; O complicado é encarar a mudança. Nisto baseia-se o filme Good Dick de 2008, o qual traz uma jovem problemática, presa em si mesma, mas que, graças a estas intempéries da existência, encontra alguém disposto a impor uma alteração.
Confronta-te!
Já parou na frente do espelho perguntando-se: Como me transformei em quem sou? Gosto disto? Por mais que as circunstâncias do ontem sejam bagagens pesadas e assustadoras, uma hora temos que enfrentar o que está escondido nas reentrâncias caladas do passado. Encarar, selecionar e deixar para trás. Somente abrindo espaço é que o novo pode aninhar-se. Quer uma perspectiva nova em sua vida? Que tal começar dando um novo passo, tomando um novo rumo, bancando seu guia pessoal ao mágico...
"Nego-me a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária, a estabelecer relações ordinárias. Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Adapto-me a mim mesma."
Em época de carnaval, nos lembramos de grandes nomes
do samba. Quem quer dar um toque mais vintage à folia com certeza dança ao som
de Carmen Miranda, portuguesa de coração e alma brasileiros, que levou a música
e os estereótipos do nosso país para o mundo e, apesar da vida curta, permanece
um ícone não apenas na mente dos foliões, mas também de todos que apreciam bons
filmes e boa música.
Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu em 1909 numa
pequena vila perto do município de Marco de Canaveses, em Portugal. Apelidada
de Carmen pelo pai, um amante de ópera, era a segunda de seis filhos. Quando
tinha um ano de idade, veio com a mãe para o Rio de Janeiro, onde o pai já
estava havia alguns meses. Aos 14 anos parou de estudar e foi trabalhar em uma
boutique, a fim de ajudar a pagar o tratamento de tuberculose da irmã mais
velha. Aprendeu a costurar e abriu sua própria chapelaria, onde cantava
enquanto trabalhava. Esse hábito lhe trouxe a oferta de gravar um disco.
O sucesso de seu disco levou Carmen a seu feito
pioneiro inicial: ela foi a primeira pessoa a ter um contrato com uma rádio no
Brasil, a Mayrink Veiga do Rio de Janeiro. Suas apresentações no rádio e ao
vivo faziam sucesso e, em 1939, ela foi abordada por um agente da Broadway que
queria levá-la para seu show. Ela aceitou, com a condição de que seus companheiros
do Bando da Lua fossem junto.
O êxito na Broadway se repetiu nos filmes. Sua primeira experiência
cinematográfica foi em 1933, no documentário “A voz do carnaval”, mas foi com
os musicais que ela se consolidou. Se Getúlio Vargas apoiou sua ida para os Estados
Unidos, em um fato inédito, durante a Segunda Guerra Mundial o presidente
Roosevelt resolveu usá-la como parte da “política da boa vizinhança”, que
consistia em manobras culturais para aproximar os EUA dos países
latino-americanos. A ideia funcionou, e os filmes de Carmen fizeram imenso
sucesso.
A admiração dos americanos e do povo brasileiro não era compartilhado
pela elite do Brasil. Em 1940, ao fazer um evento beneficente, ela foi vaiada e
criticada por levar uma imagem negativa do nosso país para o exterior. De fato,
era estereotipada os filmes, tendo de falar com forte sotaque. Depois do
incidente, gravou a música “Disseram que eu voltei americanizada” e ficou 14
anos sem voltar ao Brasil.
Nos EUA, continuava colhendo os frutos da popularidade: em 1941 foi a
primeira e até hoje única latina a imortalizar suas mãos e pés no cimento do
Grauman’s Chinese Theater. Em 1945, era a mulher mais bem paga de Hollywood.
Infelizmente, este foi também seu último ano de glórias. Seus próximos filmes
fracassaram, e sua imagem exótica já não mais agradava. Casou-se em 1947 com um
produtor de cinema, David Albert Sebastian, e sofreu um aborto espontâneo no
ano seguinte. O casamento também naufragou, embora ela não tenha tido tempo de
se divorciar.
Se em uma época ela era adorada e parodiada, lançava moda e hits
musicais, agora Carmen era consumida por álcool, tabaco, anfetaminas e
barbitúricos. Ela só se recuperou de um colapso nervoso ao voltar para o
Brasil, tendo desta vez uma recepção mais calorosa. De volta aos EUA, quis
encerrar sua carreira mas, durante a gravação de um episódio do programa de TV
“The Jimmy Durante Show”, ela teve um ataque cardíaco. Não se abalou e
continuou seus número. Naquela noite, enquanto dormia, teve outro ataque
cardíaco, este fatal. Aos 46 anos de idade, estava morta, e seu funeral no Rio
de Janeiro foi acompanhado por meio milhão de pessoas.
Selo americano de 2011
Suas músicas ainda são consideradas marcas registradas do Brasil. Sua
vida foi objeto de estudo, de livros e documentários. No entanto, o que mais
permanece é sua imagem. No início da década de 1940, as lojas norte-americanas
foram invadidas por roupas brilhantes, sapatos de plataforma, joias chamativas e
chapéus de fruta. Até hoje joias em formato de frutas são confeccionadas
inspiradas nela e todo carnaval podemos encontrar um folião fantasiado de
Carmen.
“Vou
empregar todos os meus esforços para que a música popular do Brasil conquiste a
América do Norte, o que seria um caminho para a sua consagração em todo o
mundo.”
No dia 20 de
janeiro foram lembrados os vinte anos da morte da atriz Audrey Hepburn.
Conhecida mundialmente como ícone fashion, ela revolucionou a relação entre
cinema e moda através de sua parceria com o estilista Givenchy. Considerada uma
das mais belas atrizes, mostrou-se também talentosa e versátil, além de ter um
importantíssimo legado: seu trabalho junto à UNICEF.
Audrey Kathleen
Ruston nasceu na Bélgica em 1929, vindo de família aristocrática por parte de
mãe. Tinha dois meio-irmãos mais velhos do primeiro casamento de sua mãe.
Depois que o pai saiu de casa ao ter uma traição descoberta pela esposa,
Audrey, a mãe e os meninos foram para a Holanda. A Segunda Guerra estourou e
trouxe dificuldades para a família. Um dos meio-irmãos foi para um campo de
trabalhos forçados, Audrey e a mãe ficaram escondidas na casa de parentes. A
menina sofreu de desnutrição e anemia. Transformava bulbos de tulipa em farinha
para fazer bolos e pães, além de depender das escassas rações que eram dadas às
populações dos locais ocupados. Especula-se que sua magreza posterior tenha
tido raízes nesses tempos difíceis.
Tendo lições de
balé desde os cinco anos e havendo inclusive se apresentado durante a guerra
para angariar fundos para a resistência holandesa, o palco era seu caminho
natural. Em Londres, tornou-se parte do coro teatral e, ao receber a notícia de
que seu físico alto e má nutrição a impediriam de ser tornar primeira
bailarina, resolveu virar atriz. Sua primeira aparição em um filme foi como uma
aeromoça numa película educativa que prometia ensinar “holandês em sete lições”.
Continuou no palco e nas telas, sendo seu primeiro papel mais importante no
cinema justamente o de uma bailarina.
1954 foi o
melhor ano de sua vida. Em tour com a peça “Gigi”, para a qual foi escolhida pela
própria autora, Audrey chegou aos Estados Unidos em 1953 e atraiu a atenção do
diretor William Wyler, que lhe deu o papel principal em “A princesa e o plebeu
/ Roman Holiday”. Esse filme lhe garante sucesso de crítica e também o Oscar,
BAFTA (prêmio inglês) e Globo de Ouro de Melhor Atriz. Seu estilo chama a
atenção das revistas e fashionistas. No mesmo ano estreia na Broadway, onde
conhece seu primeiro marido, o também ator Mel Ferrer. Ganha o Tony, prêmio
teatral, de Melhor Atriz, e se casa com Mel.
Seus trabalhos
no cinema são os mais variados, indo do drama “Uma cruz à beira do abismo / The
nun’s story” (1959) à comédia “Charada / Charade” (1963), passando por romances
como “Sabrina” (1954). No entanto, seu papel mais marcante com certeza foi
Holly Golightly em “Bonequinha de Luxo / Breakfast at Tiffany’s” (1960). Tanto
o autor do livro, Truman Capote, quanto a própria atriz acreditavam que ela não
era a melhor escolha para ser a protagonista, mas este se tornou seu mais
conhecido e amado filme.
Embora haja alguma
confusão sobre se há ou não parentesco entre Audrey e a também atriz americana
Katharine Hepburn, para resolver a dúvida é só buscar a origem do sobrenome na
vida de cada uma. Enquanto Kate foi batizada com o sobrenome, Audrey adquiriu-o
do pai após este adicioná-lo ao nome, pensando ser descendente da rainha Mary
da Escócia. O pai de Audrey nada tem a ver com a rainha, mas, curiosamente, Katharine
é uma descendente de Mary.
Embora
contribuísse para a UNICEF desde os anos 50, foi só na década de 1980 que seu
esforço passou a ser em tempo integral. Realizou visitas a diversos países, uma
vez que falava seis línguas, e se preocupou com as crianças carentes. Mesmo não
sendo este seu objetivo, Audrey ganhou prêmios também por seu trabalho
filantrópico, incluindo um prêmio humanitário no Oscar, sendo este póstumo.
Também ganhou postumamente o Emmy e o Grammy, o primeiro por um documentário
feito em vários países e o outro por um álbum de histórias para crianças.
Durante seu
casamento com Mel, sofreu quatro abortos espontâneos. Seu filho Sean nasceu em
1960 e, oito anos depois, ela e Mel se divorciaram. Seu segundo casamento foi
com o psiquiatra italiano Andrea Dotti, que conheceu em um cruzeiro pelas ilhas
gregas. Com ele teve o filho Lucca, já aos 40 anos, e sofreu mais um aborto,
aos 45. Sempre preocupada com os filhos, só iniciou ambos os divórcios quando
sentiu que os meninos poderiam lidar com o fato de serem criados só pela mãe.
Depois de se separar de Andrea, passou a viver com o ator holandês Robert
Wolders e, embora não fossem casados legalmente, Audrey disse que esse foi o
melhor período de sua vida. Hoje o filho Sean é o responsável pelo legado da
atriz.
Audrey faleceu
de câncer no apêndice. Descoberta quatro meses antes, a doença se mostrou
incurável. Seu legado é imenso e, apesar de ter um estilo invejável, suas
escolhas casuais demonstravam a simplicidade que sempre foi sua marca e sua
melhor qualidade.
“Lembre-se de que, se você precisar de uma mão amiga, estará
na ponta de seu braço. Quando você envelhecer, lembre-se de que você tem outra
mão: a primeira é para ajudar você mesmo, a segunda é para ajudar os outros”.
Se fosse
necessário apontar uma pioneira na área da comédia, esta com certeza seria a
atriz de cinema mudo Mabel Normand. Um dos mais importantes ícones de seu
estúdio e de sua era, ela não apenas fez multidões rirem, mas também criou
diversas situações cômicas ao escrever e dirigir alguns filmes. Sem ela, também,
provavelmente Chaplin não teria chance no cinema e alguns dos momentos mais
preciosos da sétima arte nunca teriam sido criados. Em paralelo às comédias que
interpretava nas telas, Mabel enfrentava dramas em sua vida pessoal.
Nascida Amabel
Ethelreid Normand em Staten Island, perto de Nova York, sua data de nascimento
é controversa: parentes dizem ser 1892, enquanto as publicações de quando ela
estava no auge diziam 1894 ou 1895. Era a filha mais nova de várias gestações
malfadadas. Quatro filhos sobreviveram ao parto e apenas três chegaram à idade
adulta. Aos 14 anos Mabel deixou o colégio interno, longe de casa, para
trabalhar como modelo e ajudar financeiramente a família, tendo tempo apenas
para estudar desenho e música à noite. Seu pai era carpinteiro e músico
itinerante e Mabel queria ser uma grande musicista.
Em 1910 ela
conseguiu alguns trabalhos como extra em estúdios de cinema e logo evoluiu para
papéis maiores. Seus primeiros empregadores e colegas de cena ensinaram-lhe
muito, embora ela já tivesse aprendido várias expressões faciais, tão
essenciais no cinema mudo, durante sua experiência como modelo. Nesse tempo ela
atuou com igual sucesso em dramas e comédias, tornando-se logo ídolo das
plateias.
Sua
predisposição para a comédia falou mais forte e, quando foi para a Califórnia,
logo se juntou ao recém-fundado estúdio Keystone. Seus trabalhos lá eram
basicamente filmes curtos e que causavam riso fácil. Sua persona
cinematográfica se consolidou nesta época: Mabel, a personagem, era uma moça
espoleta que vivia as mais loucas situações, que exigiam que Mabel, a atriz,
fizesse cenas arriscadas sem dublê.
No final de
1913, Mabel era a mais importante estrela feminina do estúdio, mas seu chefe,
Mack Sennett, sofria com a perda de dois atores que foram tentar carreira solo.
Para substitui-los, ele foi até a Inglaterra e contratou um comediante do
teatro, chamado Charles Chaplin. Reza a lenda que Sennett detestou os primeiros
trabalhos de Chaplin para o estúdio e queria demiti-lo, mas Mabel insistiu para
que Charlie ficasse. Esta passagem é retratada no filme “Chaplin” (1992), em
que Mabel foi interpretada por Marisa Tomei. O ator permaneceu no estúdio,
Mabel tornou-se sua melhor amiga e ele foi ganhando prestígio e o melhor,
liberdade criativa.
Em meio a alguns
de seus maiores sucessos, como “Mickey” (1918), feito em sua própria produtora,
Mabel viu-se no meio dos maiores escândalos de sua época. Em 1921, seu antigo
colega de trabalho Roscoe “Fatty” Arbuckle foi acusado de estupro e assassinato
de uma jovem atriz em uma festa, gerando um debate inédito sobre a moral nos
filmes e a conduta dos atores. No ano seguinte, o diretor William DesmondTaylor, que estava lhe ensinando muito sobre artes, foi assassinado e Mabel foi
a última amiga a vê-lo com vida. Muitos questionaram o envolvimento dela com o
diretor e levantaram a hipótese de o culpado ter cometido o crime por ciúmes de
Mabel. Logo no início de 1924 seu motorista atirou em um magnata que havia
feito um comentário maldoso sobre ela. E, no mesmo ano, ela foi apontada como
pivô de uma separação, o que mais tarde foi comprovado ser uma acusação falsa.
Todos esses
problemas geraram consequências para Mabel, embora seu envolvimento fosse
mínimo. O destaque dado a ela pela imprensa acabou ajudando a divulgar alguns
de seus filmes que viraram sucesso de bilheteria, mas a cada nova confusão ela
se tornava mais triste e sua atuação tinha mais traços de sofrimento. O
fracasso de sua única peça, feita em 1925, também não ajudou.
Sua saúde
começou a declinar já em 1915, quando ela sofreu uma concussão mal explicada na
cabeça. Há quem diga que foi a amante de Mack Sennett, então noivo de Mabel,
que tenha atirado um objeto na cabeça da atriz. Depois de um tempo no hospital,
ela começou a tomar remédio para aliviar a dor, viciando-se no medicamento.
Algumas fontes citam que ela também seria viciada em cocaína e foi o desejo de
livrar-se do vício, e não o interesse por livros, que a fez se aproximar de
William Desmond Taylor. Assim como muitas estrelas da época, ela também não
levava uma vida regrada, alimentando-se de forma errada e participando de
festas selvagens que duravam a noite toda. Todos esses fatores, aliados a
fraturas ocorridas em suas cenas sem dublê, levaram-na a contrair pneumonia em
1923, tendo uma recaída quatro anos depois. A pneumonia evoluiu para uma
tubercolose que acabou por matá-la em 1930.
Mabel e Lew Cody
Novamente há
muitos boatos sobre a vida amorosa de Mabel. Sua relação com Chaplin e o
magnata Samuel Goldwyn ainda é motivo de controvérsia. Sennett, seu ex-noivo,
jamais se casou. Estando em Paris em 1922, ela foi pedida em casamento por um
príncipe egípcio, mas recusou. Em 1926, casou-se com Lew Cody, com quem já
havia contracenado. Os dois tinham grandes diferenças e viviam separados, mas
Cody, assim como seus muitos amigos de Hollywood, foi de total importância para
Mabel em seus tempos difíceis. Cody faleceu em 1934, vítima de problemas
cardíacos. Sem viver para enfrentar as mudanças causadas pela chegada do som ao
cinema, Mabel Normand deixou um legado de comédias que ainda divertem e uma
história de vida que ainda emociona.
A figura materna de forma geral é associada a zelo e carinho; Aquele ser disposto a tudo pelo bem estar de sua "cria". Contudo, as pessoas são falhas, obscuras e imprevisíveis. Verdade seja dita, estamos distantes do que é tido como ideal. Como o cinema terror é baseado nos equívocos de caráter, nas más escolhas e - é claro - no lado sombrio da humanidade, obviamente que as Mães não fugiriam a regra. Para comprovar tal, fiz uma lista com 10 das Mães Mais Apavorantes do Cinema; Confira:
E quem é a pedra basilar das mães insanas? Claro que um fruto de uma película sob o olhar da mente inquieta de Alfred Hitchcock! A história deste jovem que sofre com a dominação da mãe e seus resultados extremos é tão bem trabalhada que acabou abrindo precedentes até hoje seguidos.
Aqui a mãe do filme foi internada em um Hospital Psiquiátrico após matar seu marido e a amante dele com machadadas - detalhe, na frente da filha. Após 20 anos de internação ela é liberada e se reúne com a filha, já adulta. Contudo, as mortes voltam a acontecer... Coincidência?
Na minha sincera opinião esta é a PIOR mãe dos cinemas (e literatura)! Usando da religião como desculpa para torturar a pobrezinha da Carrie, deixa claro que o fato desta ter nascido mulher já era por si só pecado. Abusiva ao extremo - louvores para Piper Laurie que está surreal no papel -, com certeza não facilitou para a filha, que além de sofrer bullying no colégio era telecinética. Como é que Carrie teria alguma chance com uma mãe destas?
Mais uma mãe abusiva para a lista, esta acompanhada de suas duas filhas. Este terror cult com ares de drama, conta a história de uma assistente social que tenta ajudar um garoto de 21 anos vivendo como um bebê, literalmente. Proibido de falar, andar e crescer intelectualmente por seus familiares, fica num berço e é submetido a castigos.
Quem diria que Peter Jackson sairia do Gore para o Oscar! Nesta película de zumbis, com boas doses de sustos, humor e gosma, Vera Cosgrove se mostra uma mãe castradora e dominadora - até mesmo depois de "morta".
Uma mãe suburbana esconde um segredo: É uma Serial Killer! Nesta sátira com pitadas de horror de John Waters- aquele de Pink Flamingos - traça-se o perfil de uma verdadeira psicopata. Alguns detalhes do filme são inesquecíveis, como a referência ao Almas Mortas, acima citado.
Baseado em uma história real, este drama - que para mim soou como terror psicológico - conta a história desta garota deixada pelos pais aos cuidados de Gertrude, uma mulher amargurada e sem vocação para ser mãe, em que pese tenha vários filhos. Os abusos cometidos por ela e/ou incitados pela mesma a serem cometidos pelas outras crianças são revoltantes. Neste link você pode ler sobre o crime real.
Ah... Não dava para deixar de comentar sobre a mãe de Jason. Esta sim é a verdadeira percursora da franquia, e tudo isto por vingança! Aparentemente, talento para a matança pode ser genético.
Você pode me perguntar: Mas, a atriz Joan Crawford? Ela mesma, sob a ótica da filha que escreveu uma biografia chamada Mommie Dearest, contando todos os abusos que sofreu por parte da estrela. Nos anos 80 levou-se a história para o cinema. O quanto disto é real, não sei. Mas, com certeza a Joan Crawford retratada no filme é uma mãe apavorante! No blog La Dolce Vita há um post bem interessante comentando sobre o filme.
Nesta produção inglesa a matriarca da família é completamente desajustada. Assassina por compulsão, nem o tempo em que foi internada ajudou, ao retornar para a sociedade mantém os antigos e pavorosos hábitos.
Só para terminar de dar o tom desta lista, deixo aqui o bom e assustador curta metragem espanhol intitulado Mamá:
Sempre vi o mundo como este lugar onde eu realmente não pertencia.
O título pode até soar pretensioso, como compreender o amor (falo aqui do romântico)? Não há como delimitar o sentimento em uma definição específica, ou mesmo uma manifestação tal que impeça a dúvida. Sei disto. Mas, a percepção pessoal do que seria esta vastidão ilusória que mistura tesão e carinho, esta sim pode ser revelada. O meu instante ocorreu frente ao filme Antes do Amanhecer, ainda nos idos da boa época da Sessão da Tarde.
Se me perguntarem qual o filme que eu considero mais romântico, com certeza seria este. É simples, arreigado a segundos de compartilhamento e reconhecimento pessoal. Poderia definir como: Uma conversa incessante de duas almas. O arrebatamento é construído na importância das palavras cedidas e recebidas. Para alguns pode ser visto como "sem graça", para mim é a própria definição do que a intensidade significa, um mergulho interno sem pudores.
Celine e Jesse se conhecem no caminho de suas viagens. Cruzaram e arriscaram, mudando o trajeto para que algumas horas fossem vividas juntas. Há uma ousadia nesta ação, nem falo por serem desconhecidos, quando os dois optaram por saltar do trem, não temeram baixar a guarda e revelar-se. O trivial costuma dominar as relações de hoje... Eles tinham um dia, fizeram mais do que muitos fazem em uma vida.
Em que pese hoje viva um momento mais Jesse, querendo alguma coisa além, as pouquíssimas vezes em que me apaixonei - não sou daquelas que faz juras de amor tão facilmente - vi-me como Celine; Buscando perceber o espaço entre nós dois.
Para mim não é possível falar de amor sem o conforto de "ser eu mesma" e vice-versa. O silêncio é um outro bom indicativo disto, as vezes palavras não valem tanto quanto o estar junto, ao som de Kath Bloom.
Celine e Jesse se perderam durante anos, até se reencontram no Antes do Pôr-do-Sol. Rever os dois e notar que aquela noite sobre as estrelas foi o referencial de amor deles, só me fez acreditar mais e mais de que compreender o sentir assim não era errado. Quem sabe um dia eu tenha a sorte e encontre o que não temo procurar.
Você não pode substituir ninguém... porque todos somos feitos de belos e específicos detalhes.
Antes de
existir Marilyn Monroe, a loira sensual, havia ela: Jean Harlow, a sex-symbol platinada. Jean foi a
inspiração de Marilyn e em muito suas vidas coincidem. Jean viveu apenas 26
anos, teve uma carreira que durou menos de uma década, casou-se três vezes,
jamais concretizou seu amor verdadeiro, mas, de certa forma, teve mais sorte e
talento que Marilyn.
Nascida Harlean
Carpenter, em 03 de março de 1911, filha única e apelidada de Baby, foi criada
com muitos mimos por sua mãe, de quem permaneceu muito próxima a vida toda. Aos
16 anos Jean fugiu para casar-se e foi para Hollywood. Conseguiu destaque em
pequenos filmes da dupla O Gordo e o Magro, na época da transição do cinema
mudo para o falado, mas seu maior sucesso veio com o filme de 1930 “Hell’s Angels”.
Jean transitava
com facilidade entre o drama e a comédia, pois, ao contrário de Marilyn, nunca
foi estereotipada. Um de seus maiores sucessos foi a comédia “Jantar às Oito”,
de 1933. Contracenou seis vezes com Clark Gable, que a chamava de irmãzinha.
Foi também durante as gravações de um filme, “Reckless”, de 1934, que ela
conheceu o grande amor de sua vida: o ator William Powell.
William era 17
anos mais velho que ela, tinha um filho e duas ex-mulheres quando eles se
conheceram. Jean já havia sido casada três vezes, sendo que o segundo marido,
um feioso assistente de Hollywood, cometeu suicídio após uma desastrosa
lua-de-mel. Apesar da tragédia, Jean não se fechou para o amor, pois seu maior
sonho era ser esposa e mãe, e viu no seu relacionamento com William a
possibilidade de realizar esse sonho.
As condições de
sua morte, aos 26 anos, ainda são controversas. Algumas teorias apontam para alcoolismo,
intoxicação pela água oxigenada que usava nos cabelos ou consequência trágica
de um aborto feito anos antes, enquanto uma história bastante difundida culpa a
mãe da estrela de não querer hospitalizá-la. Hoje a hipótese mais aceita aponta
para falência dos rins, que foram se degenerando a partir dos 15 anos, quando
Jean teve febre escarlatina. Ela não terminou seu último filme, “Saratoga”, e
uma dublê foi usada para as cenas restantes. Há relatos de que, após a notícia
de sua morte, houve silêncio absoluto durante três horas nos estúdios da MGM.
Ídolo de
Marilyn Monroe, havia na época da morte de Marilyn negociações para que ela
interpretasse Jean nas telas. Isso só se concretizou em 1965, quando a loira
foi interpretada por Carroll Baker. No mesmo ano foi publicado um livro de
ficção escrito por Jean em 1934, “Today is Tonight”. Recentemente sua “figura”
apareceu brevemente no filme “O Aviador” (2004), em que ela foi interpretada
pela cantora Gwen Stefani. Algo esquecida atualmente, permanece viva na memória
dos cinéfilos. Cada um que vê um filme com Jean se encanta com sua figura que
misturava sensualidade e travessura.
“Eu não nasci atriz. Ninguém sabe disso melhor do que eu. Se
eu tenho algum talento, eu tive que trabalhar duro, ouvir com atenção, fazer as
coisas de novo e de novo e de novo até conseguir.”
Faz um bom tempo que não posto por aqui, mas isso é culpa dos intermináveis trabalhos e provas da faculdade. Mas como hoje arrumei uma brechinha, aqui estou! :)
Hoje, decidi fazer uma lista de 50 filmes que mudaram a minha vida de alguma forma. Faltam, nessa lista, muitos filmes que são importantes para mim, mas todos que aí estão, têm um significado enorme e representam muito para mim.
Para quem sempre teve um fascínio pelo sobrenatural crescer na década de 90 foi extremamente produtivo. Quem curtiu a infância e a adolescência neste período com certeza deve ter presenciado a "febre wicca", geralmente ligada a garotas buscando uma diferenciação do resto da multidão de jovens. Claro que a grande maioria - assim como eu - só gostava do ideia de estar compartilhando um conceito medieval questionado pela igreja católica - aqui falando esta guria que estudou em um colégio de irmãos - somado ao glamour que alguns filmes da época imbuíram a magia das ditas Bruxas!
Relembrando um pouco a minha fase de ter várias bruxinhas espalhadas pelo quarto, resolvi fazer uma lista de películas e séries lançadas de 1990 a 1999 com a temática. Segue a Lista:
Já comentei no meu blog pessoal que esta película está entre os meus Traumas de Infância; Em que pese tenha assistido diversos filmes com uma temática de "bruxas más" nenhuma supera a bela - na real - medonha - no filme -Anjelica Huston e seu plano de aniquilar com as crianças. Ainda que cite ele como trauma, recomendo. É bem montado, efeitos especiais muito bons para a época e atuação da malévola antagonista está soberba.
Do susto pueril para a comédia infantil, temos o adorável Abracadabra. A Disney entrou na onda do Halloween e suas bruxas com três figuras bem diferentes: A chefe (Bette Midlerr), a atrapalhada (Kathy Najimy) e a burra (Sarah Jessica Parker), conhecidas como as Irmãs Sanderson. Elas acordam depois de 300 anos tentando impor o terror, mas dois adolescentes, uma menina e um gato estão dispostos a lutar. O grande trunfo do filme? A escolha das atrizes para as estilizadas bruxas.
Esta é uma série conhecida e no maior estilo família. Sabrina é uma adolescente que descobre que é feiticeira; Assim, ela tem que conviver com suas crises da fase e aprender a usar seus poderes. Hoje em dia seria um equivalente ao Os Feiticeiros de Waverly Place.
O maior epítome no quesito "Desejo de conhecer o universo Wicca na adolescência". Contando a história destas quatro garotas que se envolvem no universo da bruxaria, cada qual com o seu objetivo de ganho pessoal. Aos poucos, contudo, Sarah Bailey - a mais poderosa delas - percebe o rumo perigoso de suas brincadeiras , querendo sair. Aí entra a persona de Nancy Downs (interpretada pela estranhamente bela Fairuza Balk). O visual delas era muito copiado - tá, pelo menos por mim, hehehe.
Um wannabe de Jovens Bruxas, deixa a desejar em seu enredo - garotas de um colégio católico que acabam sem querer se envolvendo com o oculto - e produção de baixo custo. Mas, como segue a linha de sucesso da época, vale a menção.
O que eu mais gosto nesta obra cinematográfica? O elenco, é claro! Winona Rider e Daniel Day-Lewis já servem para atrair a atenção. O filme tem como premissa os infames julgamentos ocorridos em Salém durante o século 17, onde diversas mulheres foram condenadas por bruxaria. É baseada em uma peça de Arthur Miller.
Baseado no livro Practical Magic de Alice Hoffman, traz a bruxaria para o gênero romance, tratando da história de duas irmãs bem opostas em comportamento e que compartilham do dom para a magia. Uma deles vive de paixões e a outra teme se apaixonar por conta de uma maldição. É um filme bem leve e gostoso de assistir.
Outra referência master para o desejo de "ser bruxa" é a premiada série Charmed. As três irmãs tem de lidar com suas vidas pessoais enquanto enfrentam demônios, fantasmas, poltergeist e pesadelos. Eu, particularmente, adorava esta série - especialmente a Piper Halliwell.
Nem preciso falar a premissa aqui, não é verdade? Este falso documentário causou um verdadeiro furor e, por bem ou mal, modificou a direção que ia o cinema horror. Quando vi a primeira vez tinha 15 anos e realmente me assustei, confesso.
O belo trabalho de Tim Burton traz um cético investigador caindo num emaranhado de instantes e mortes sobrenaturais. O visual gótico e a forma como trata o lado oculto de bruxas e magias transforma o filme num tom de conto espetacular.