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10 de ago. de 2012

E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor?

Quem acompanha o blog sabe que estamos na semana LGBTT do Antes que Ordinárias. Contudo, não foi explicado aos detalhes a motivação para nossa mobilização sobre o tema. Dia 11/08 irá fazer um ano que um garoto inteligente, engraçado e com um futuro brilhante cometeu suicídio: Richard. Vindo de uma família extremamente religiosa, o fato dele ter assumido sua sexualidade acabou desestruturando a falsa harmonia. O resultado foi o afastamento e não aceitação de seus pais, somados a um peso - que agravado com outros fatores - o levaram a uma morte injustificada e prematura. Ele era amigo de uma das colaboradoras daqui e nós achamos que seria uma forma bonita de lembrá-lo fazendo uma série de postagens sobre tolerância.

É estranho quando se percebe uma história como esta tão próxima, mas, quando foi distante? A intolerância e preconceito são traços da humanidade desde seus primórdios - seja por medo, seja por ignorância - sempre rondaram. Assim, finais como este não são tão incomuns; Veja a história do filme Orações para Bobby (disponibilizado por completo abaixo), o qual é baseado em acontecimentos reais.
Sinopse: Uma mãe religiosa após a descoberta de que seu filho Bobby é homossexual resolve levá-lo a terapia e cultos religiosos com a intenção de "curá-lo". Bobby não aguenta a pressão e acaba cometendo suicídio. Somente depois de encontrar o diário de seu filho é que ela percebe a situação sobre uma nova perspectiva e torna-se uma ativista a favor dos direitos dos homoafetivos.

Com tudo isto como fonte de inspiração, hoje no Assunto de Mulher resolvi falar sobre a descoberta do filho homossexual dentro do seio familiar e, com auxílio de pesquisa realizada, elencar algumas fases e posturas saudáveis para que a relação pais e filho não seja desgastada, mas sim, renovada.

Fase do Luto: A Descoberta
Mesmo que haja um diálogo e uma visão mais liberal dentro de uma família, o instante da confissão, da descoberta da homossexualidade de um filho é sempre um choque. Edith Modesto - filósofa, presidente da ONG Grupo de Pais de Homossexuais e mãe de um homossexual - compara tal a um luto: 
"Quando uma mulher está grávida ela pensa em diversas possibilidades. ‘Será que meu filho vai ser menina? Será que vai ser inteligente? Será que vai ter os olhos do pai?’ Porém, mãe nenhuma se pergunta: será que meu filho vai ser gay? Dessa forma é como se o filho esperado tivesse que morrer para que possamos aprender a amar o filho real."
Ou seja, cria-se uma idealização difícil de romper. A sociedade age considerando sempre a heterossexualidade como primária, fazendo com que  ninguém esteja preparado para ter filho gay. Quando se vê uma mulher grávida, ninguém pergunta se é menino, menina ou homossexual. Elabora-se toda uma possibilidade de vida que não acontecerá da forma imaginada. É normal o baque, contudo, o que se faz a partir dele passa a ser uma escolha.

Onde Errei?
Opção esta que não existe no quesito sexualidade, ao contrário do que a "crendice" popular incita. A orientação sexual é algo que nasce com a pessoa; Então, não há motivos para se questionar "no que foi que errei?". Não existe um erro de criação que transforma alguém em homossexual. Como também não existe uma "cura".  O psicólogo especialista em sexualidade Claudio Picazio elucida isto:
“A pessoa não escolhe. E não há explicação para o desejo erótico”. E aquela teoria de que o certo é o homem se atrair por uma mulher, por uma questão de reprodução, é uma besteira. “Nenhum homem olha uma gostosa na rua e diz: ‘quero ter um filho com ela’, certo?”
Por mais que procure respostas em vivências passadas, a orientação sexual não estará ligada a isto, quanto menos a estereótipos. Ampliar a visão e livrar-se de uma culpa inexistente é essencial para o caminho da aceitação.

Através da Perspectiva do Filho
Se para os pais é complicado, para o filho revelar sua homossexualidade é muito mais difícil. Os genitores devem tentar olhar a situação pela perspectiva de seu rebento; Notar que o ato de contar veio depois de muita luta interna, muitos enfrentamentos e confrontos com visões de mundo diversas. Claudio Picazio ressalta com maestria qual é o papel parental na situação:
“São os pais que devem consolar o filho. E não ao contrário. Eles precisam dar suporte a esse filho que está vivendo a angústia de descobrir que é homossexual. E não esperar que os filhos lhe amparem. Essa obrigação é dos pais”
Aos filhos cabem ser apenas eles mesmos. Aos pais, apoio e suporte são responsabilidades irrefutáveis.

Vencendo os Preconceitos
Um dos principais passos é a noção de que os preconceitos limitam a boa relação com o filho. Desta maneira, os antigos conceitos devem ser revistos e vivenciados sob uma nova luz. Não soa nada fácil, não é verdade? Entretanto, a busca por terapia, grupos de pais que convivem com seus filhos homossexuais e a constante vontade de ampliação de barreiras são vitais neste processo. Então, nada de sentir-se envergonhado por necessitar de ajuda neste trajeto pela aceitação.

Novos Sonhos: Alcançando a Aceitação
É muito improvável encontrar pais que não sonhem com o futuro dos filhos. Imaginam o casamento, a profissão, o sucesso... Até aí tudo bem, todavia, quando estes sonhos são impositores não possuem validade. Sejam eles quais forem. As aspirações dos pais para os filhos devem ser hipotéticas e mutáveis, já que os verdadeiros influenciados por sonhos são os que o vivem; Daí devem ser pessoais. Nem sempre o que se espera é o que trará felicidade. E não é esta a busca e o o desejo de qualquer pai para com seu filho? Perceber a alteração de sonhos apenas como um caminho diferente - e talvez melhor - para a felicidade é um grande passo até a aceitação. O filho não muda, continua sendo quem sempre foi, seus prospectos sim.  

Que tal um teste?
Leia o trecho abaixo e perceba como se sente em relação ao mesmo:
"E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo. No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural "
- Caio Fernando de Abreu 

Responda honestamente: Imaginou tratar-se de uma relação amorosa exclusivamente homossexual? Se foi assim, o que isto lhe causou? Ficou incômodo? Se eu retirasse a imagem, pensaria que se tratava da paixão nascendo de um homem para com uma mulher? Faz alguma diferença? Todos nós sentimos amor, tesão, carinho, respeito. As pessoas vão muito além de seus gêneros e de sua orientação sexual. Perder a chance de conhecer seu filho por completo, pela pessoa extraordinária que ele realmente é, por conta de um detalhe está longe de ser uma boa postura. Então, caso a aceitação não esteja chegando para você, procure ajuda. Vai valer a pena!

Para maiores informações, não deixe de conferir a entrevista de Edith Modesto, a ONG Grupo de Pais de Homossexuais e  ao blog Mães pela Igualdade. Ainda, o site MdeMulher selecionou alguns bons livros para saber mais sobre o tema:

Ser homossexual não exige tratamento. 
Ser preconceituoso, sim.

4 de ago. de 2012

Mary Bell: Quando uma Criança Mata

Retirada DAQUI
É estranho imaginar que um ser frágil como uma criança é capaz de matar alguém. Ainda mais se for uma bela menina de olhos claros. Contudo, o mundo é um lugar imperfeito, as aparências enganam e o passado - por mais curto que seja - interfere na visão de mundo. Quando o assunto é crime as justificações são dúbias e nunca concretas; Mas, quando as coisas são encaixes exatos do real?

Mary Bell tinha apenas 10 anos - na verdade, um dia antes de completar 11 anos de idade - quando ela matou a primeira vez. Voltou a assassinar com 11 anos. Suas vítimas foram dois menininhos, Martin Brown de 4 anos - o qual foi estrangulado - e Brian Howe de 3 anos - estrangulado, perfurado nas coxas e genitais e  cravado um M na sua barriga com uma lâmina de barbear. Houveram outras acusações de tentativas de estrangulamento dela contra quatro meninas. A natureza cruel de seus atos e a pouca idade da garota tornaram o seu caso muito expoente, havendo as mais variadas teorias sobre sua postura social e psicológica. Seria ela um monstro ou vítima das circunstâncias?

A vida familiar de Mary era completamente desestruturada, sua mãe era prostituta, além de ser uma ausente. Bell nunca chegou a conhecer seu pai. Em compensação sua mãe aplicava castigos severos, chegando a permitir - forneceu o consentimento - que ela fosse abusada sexualmente, isto tudo antes dela completar 5 anos de idade. Alguns familiares afirmaram que a mãe de Mary Bell tentou matá-la e fazer parecer acidente. Durante o seu julgamento psiquiatras deixaram claro que havia sinais de psicopatia nela - Mary chegou a declarar que: "Eu gosto de ferir os seres vivos, animais e pessoas que são mais fracos do que eu, que não podem se defender" -, influenciando para que a mesma fosse condenada a prisão por tempo indeterminado, mediante avaliações psiquiátricas.

Durante o seu aprisionamento não possuiu o melhor comportamento, tentando fugir da Prisão de Moore, local onde foi designada. O tempo passou e após muitos tratamentos e avaliações ela foi liberada em 1980, com 23 anos, sob supervisão. Teve alguns empregos que não foram bem sucedidos, em parte pela preocupação de que voltasse a transgredir, como no caso de uma enfermagem para crianças. Mais tarde engravidou e teve que lutar pelo direito de criar sua filha, a qual nasceu em 1984, uma vez que evidente o zelo perante seu passado. Neste ínterim, foi-lhe concedido o anonimato, bem como o de sua filha. Todavia, em mais do que uma ocasião foi descoberta e coagida. Em 2007, depois da morte da sua mãe Mary Bell aceitou ser entrevistada, o que resultou no livro "Gritos no Vazio". As últimas notícias que se tem dela é que hoje está casada, é avó e vive sob o medo da exposição.

Deixo aqui o episódio completo de uma série de cunho documental chamada "Children of Crime" lançada em 1998, o qual conta sobre o caso de Mary Bell - áudio em inglês

"Brian Howe had no mother, so he won't be missed."

2 de ago. de 2012

Mundo da Lua, onde tudo pode acontecer…

“Alô! Alô! Planeta Terra chamando, planeta Terra chamando! Alô! Esta é mais uma edição do diário de bordo de Lucas Silva e Silva, falando diretamente do Mundo da Lua, onde tudo pode acontecer…"
Se tem algo que acredito que deva ser estimulado durante toda a vida é a tal da "imaginação infantil". Coloco entre aspas vez que penso ser um fator além das idades, algo inerente ao espírito. A imaginação que esquece dos limites é responsável pelas maiores invenções e reviravoltas sociais, esta espécie de "sonhar" é característica daqueles insanos que nunca deixam de cogitar as impossibilidades. A exemplo de um certo garotinho que  figurou na telinha da TV Cultura lá no início dos anos 90; Já sabe quem é? Vai aí mais uma dica: "Ah, né?!"

O pequeno voluntarioso Lucas Silva e Silva - interpretado por Luciano Amaral, sim, aquele do Castelo Rá-Tim-Bum - era a personagem principal de um dos programas brazucas mais interessantes: O Mundo da Lua. Com o pretexto de um gravador que Lucas recebeu de seu avô no aniversário de 10 anos, inicia-se uma jornada entre a infância e a adolescência, seus conflitos e as escapatórias imaginativas do menino quando os problemas reais o afetavam.

De cara pode soar perigosa a alternativa dele, contudo, é neste espaço imaginário - o mundo da lua - que encontra as respostas, enxergando tudo sob uma nova perspectiva. Sem pretensões, acabava fazendo um verdadeiro exercício de autoconhecimento. O grande mérito disto resta, justamente, nas mãos do criador do programa e roteirista da maior parte dos episódios, Flávio de Souza.

Imagem retirada daqui.
A equipe de sucesso não parava por aí, afinal, o elenco de apoio era tão fantástico quanto o protagonista; A começar por seu avô Orlando, que nas mãos de Gianfrancesco Guarnieri virou um simpático e engraçado ser. Também se tinha a hilária empregada - Ana D'Lira - e seus amores por um apresentador de rádio. Há que se falar dos pais, típicos e amorosos, Rogério (Antônio Fagundes) e Carolina (Mira Haar); Para fechar, uma tradicional adolescente e seus rompantes, a qual servia de contrassenso para Lucas, sua irmã Juliana (Mayana Blum).

No fim, nada mais era do que uma família como qualquer outra, com seus problemas e suas percepções do crescimento. Daí a graça da imaginação como elemento fabuloso para ensinar e alargar os olhares infantis. O encanto das desventuras descritas naqueles diários de bordo era tamanho que, como guria que cresceu aos embalos culturais, fica difícil de esquecer aquela abertura anunciando que tudo poderia acontecer.

Caso você não conheça, ou mesmo queira relembrar, deixo aqui o primeiro episódio - de 52 - para conferir. E boa viagem ao universo lunar:

"I believe in the imagination. What I cannot see is infinitely more important than what I can see". 

13 de jul. de 2012

Toda Mulher Tem um Pouco de Bruxa!

Mas há algumas coisas que tenho por certeza: Sempre jogue uma pitada do sal derramado sobre seu ombro, tenha alecrim em seu jardim, plante lavanda para dar sorte, e apaixone-se sempre que puder. (via Tumblr.)
A figura mística da bruxa é associada, no imaginário popular, por uma mulher má, talvez velha, talvez feia, que busca a solução de certos problemas através da magia negra. Conceito que pode ser muito bem relacionado ao tratamento dado a mulheres "rebeldes" na idade média. Tratá-las como hereges era algo fácil, já que os sinais vistos como pecaminosos tinham em sua base desde superstições a marcas/doenças genéticas. 
Quem nunca fez uso de alguma "sabedoria popular" que atire a primeira pedra. 
Eu cresci brincando na casa da minha avó materna. Ela era doceira de mão cheia, apesar de nunca ter tido treinamento profissional; Chegar lá era provar de uma infinidade de sabores deliciosamente combinados. Tudo que sabia aprendeu com sua mãe, e esta com a sua figura materna e assim por diante. Os segredos daquela culinária caseira foram passados de geração a geração, como também algumas orações e bençãos que ajudavam a encontrar objetos perdidos, curar o amarelão e proteger contra a "maligonia" - seja lá o que for isto. Minha avó sempre foi mágica ao meus olhos. Sim, eu acho que ela tinha um "q" de bruxa.

Qual o meu ponto com este breve relato de minha infância? Provar que "bruxaria" pode ter um conceito muito mais amplo do que os dados malévolos que nos são repassados. Por exemplo, o uso de um amuleto da sorte, uma simpatia de final de ano, uma prece libertadora, algo em que se deposite a confiança e o poder, para mim isto tudo faz parte do conceito de magia/feitiço/mágica.

Via Tumblr.
Não poderia ser diferente com a dita Sexta-feira 13, cercada de mistérios e crendices - basta dar uma olhada no MEDOB que traz algumas curiosidades sobre a data, confiram AQUI.O número 13 é por vezes associado a incompletude, má sorte e inclusive morte, fazendo com a data ganhasse uma conotação fantástica. Assim, se tem uma época em que as pessoas ficam mais atentas as superstições é esta; Não se passa debaixo de uma escada, não se deixa um gato preto atravessar o caminho, quiçá quebrar um espelho... Sete anos de azar é muito tempo.

Bianca Passarge by Carlo Polito, 1958
- No, I'm not okay! You've turned me into a witch!
- You were born one. We all were. And I think we better start learning to deal with that.
Sejamos sinceras, todas temos alguns segredinhos infalíveis; Uma certa máscara caseira para pele, uma receita afrodisíaca, uma roupa que dá sorte, um chá para curar isto ou aquilo, um charme extra para conquistar algo... Nós mulheres somos sortudas, temos a magia ao nosso lado. Nascemos sobe o fortuito sexo dos mistérios a serem revelados, somos todas um tantinho "bruxas", e é melhor aprendermos a lidar com isto. 

Para finalizar, que tal exercitarmos o nosso lado feiticeira e assistindo ao primeiro episódio legendado de Charmed - série que já comentei no post As Bruxas dos Anos 90 em meu blog -, créditos ao Canal ViviHelenaSF:



Tenham uma ótima Sexta-feira 13!

29 de jun. de 2012

Violência Doméstica: Sinais de um Relacionamento Abusivo

Imagem retirada do site Shards of China
Tem quem julgue o assunto polêmico, tem os que afirmem ser saturado; É aquela contradição popular: De um lado fala-se "numa mulher não se bate nem com uma flor", de outro pragueja-se "tem mulher que gosta de apanhar mesmo". Tanto se comentou - argumentos a favor e contra - com o advento da Lei Maria da Penha que o interesse principal acabou mitigado, já que ao invés de analisar-se a situação de um ponto de vista estatístico, a conversa tomou o rumo do sexismo. Verdade seja dita, a violência doméstica - a qual ocorre em sua grande maioria contra mulheres e crianças - é um tópico que está muito distante de ser resolvido.

Há algumas postagens atrás comentei sobre a força devastadora de uma paixão mal direcionada; Karla Homolka e Paul Bernardo fizeram de seu relacionamento um conjunto de abusos físicos contra ela e contra terceiros resultando na morte de 4 adolescentes. Poucos momentos visualiza-se a força que um envolvimento íntimo pode ter, especialmente se a dinâmica existente entre os envolvidos não for saudável. Surge aí a dominação e a dependência, combinação perigosamente letal. Algo que era para ser um complemento da vida transforma-se em medo, insegurança, ciúme, agressões... Um jogo intermitente de amor possessivo e ódio, restando marcas difíceis de cura.

Trabalho no ambiente jurídico há anos, passei por fórum, escritórios de advocacia e delegacia, nesta última tive contato com alguns casos de agressões no ambiente do lar, todas sofridas por mulheres e crianças. Obviamente que cada situação vinha com suas particularidades, contudo, os pontos em comum eram: Não se tratava do primeiro abuso e a confusão interna da vítima, por vezes se percebendo como culpada. Soava estranho, mas, parecia um vício. De fato, a dissimulação do agressor é tamanha que a vítima perde o senso crítico habitual.

Não só de agressões físicas é construída a violência doméstica, também de abusos verbais - imagem ilustrativa ao lado foi retirada do blog Introduction of Ethics Discussion Forums - , degradando a pessoa por palavras, e até abusos sócio-econômicos, que consiste na limitação dos gastos e proibição de interação social. Ou seja, há vezes que a agressão fica num plano mais psicológico que físico, contudo, não menos aniquiladora. Então, como forma de atentar, fiz uma pesquisa em alguns sites a fim de listar certos comportamentos de alerta nos relacionamentos. Os sites que usei foram: Dryca Lys, Recovery Man, Primeiros Sinais de Violência no Namoro e Debora's Weblog

Segue a lista com Sinais de um Relacionamento Abusivo:

  • Desrespeito;
  • Agressividade sem motivo;
  • Imposição de um relacionamento baseado no medo e domínio, com ameças físicas e verbais de ferir o companheiro ou a si mesmo;
  • Ciúme e possessividade em evidência, com excesso de ligações, emails, SMS, além de uma constante vigilância do parceiro em mídias sociais, companhias e telefonemas;
  • Controle exacerbado da vítima, a exemplo das roupas, chegando a impor limitações de convívio com amigos, familiares e conhecidos;
  • Faz questão de colocar a culpa no parceiro (vítima) por seu comportamento alterado e atitudes violentas;
  • Impõe - soando a ordem - comportamentos sexuais com os quais o outro não se sinta confortável;
  • Há um temor de agir como "você mesmo" perante o parceiro, fazendo com que se preocupe com a reação dele ao que faz e/ou diz;
  • Amigos e parentes alertam sobre o parceiro e seu comportamento inadequado;
  • Mentiras e torturas emocionais são frequentes - aos poucos o companheiro distancia-se da pessoa que se apresentou inicialmente, acumulando promessas incongruentes aos atos -, chegando a ridicularizar as atitudes da vítima provocando constrangimentos;
  • Dificuldade em terminar o relacionamento mesmo sentindo que é o certo.
Parece simples a identificação, mas, uma vez que a pessoa está envolvida com o agressor, a clareza turvar-se. Então, se você ou algum conhecido seu se encontra num relacionamento que possua estas características, procure ajuda.

O vídeo abaixo é sobre duas situações distintas de violência doméstica relatadas pelas vítimas. O documentário curta-metragem é do Reino Unido e possuí legendas.

Ainda como meio de ilustrar, acrescento o filme completo da Nova Zelândia chamado O Amor e A Fúria - cujo título em inglês é muito melhor Once Were Warriors. É uma película pesada na violência, tem classificação 18 anos, sem legendas, e não recomendo aos mais sensíveis. Existem outros Filmes sobre violência doméstica, basta clicar no link para conferir algumas dicas. Fique com a sinopse do Cineplayers:
Uma família descendente dos guerreiros Maori, com cinco filhos, vive em um bairro violento. O pai, Jake, é intenso e vive a maior parte de seu tempo em um bar brigando e bebendo. Em casa, sua mulher é alvo de sua violência, mas a paixão sexual que ela sente por ele mantém os dois unidos. Enquanto isso os filhos vivem e causam problemas diversos.


Honestamente desisti de saber.
Ou sentir.
Ou entender.
Não sei mais o que pensar.
Foi na condenação minha que armei o meu sentimento,
Perdi os sentidos pelo tapa,
E, através de beijos seus o recobrei.


21 de jun. de 2012

Nos Idos do * Cinema em Casa *: Enchente - Quem Salvará Nossos Filhos?

imagem retirada do site iOffer
Os Estados Unidos está acostumado a realizar Filmes Para TV, já que certa demanda comercial não cobre determinadas produções caso fossem para o cinema - uma relação parecida entre as novelas e as minisséries aqui no Brasil, creio eu. Dentre as histórias que mais habituados estão a contar, as "baseadas em acontecimentos reais" fixam-se entre as preferidas. Referida moda pode não ter afetado diretamente esta terra de Vera Cruz, mas, com certeza teve repercurssões; Vide os filmes apresentados na Globo e na SBT durante as décadas de 80 e de 90: O Resgate de Jéssica, O Carro Desgovernado e Enchente - Quem Salvará Nossos Filhos? É justamente deste último que irei falar hoje.

A sinopse, segundo o site Cineplayers, é esta:
Um grupo de jovens evangélicos estão num acampamento. Na noite que antecede a partida, começa a chover fortemente. Na hora da partida percebe-se que a chuva havia comprometido a estrada e por isso terão que procurar uma rota alternativa... Porém a chuva não dá trégua e eles são surpreendidos por uma poderosa correnteza que faz o grupo se separar, cada um tentando enfrentar a correnteza como pode... Muitos não tem forças para tanto. Enquanto as crianças tentam sobreviver, as famílias vivem o desespero da dor.
Com um elenco formado por Joe Spano, David Lascher - deve ter visto ele em Sabrina - Aprendiz de Feiticeira e Blosson -, Michael A. Goorijan e Renée O'Connor - sim, é a Gabrielle de Xena -, a produção do filme é mediana, tudo dentro do contexto de filmes realizados para a exibição direta nas telinhas.
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Reneé O'Connor no TV Movie de 1993, imagem DAQUI.
Parecia maldição, toda vez que eu e a minha irmã (Karen Hack) íamos assistir este filme chovia. Sem exageros; Toda a memória que eu tenho desta película envolve doces (minha avó era confeiteira, então sempre tínhamos doces), cobertores e muita água rolando. Não sei se o SBT ficava esperando a épocas de chuvas para passar o filme, ou se São Pedro é um santo "trollador" e mandava o céu cair quando via a programação. O fato é que o clima dava o tom exato para fazer a imaginação fluir e carregar-nos junto ao desespero daquelas pessoas - pais e filhos.

Imagem retirada do site iOffer
Considerando a quantidade de ocasiões que esta obra passou, devo ter assistido para mais de 05 ocas. Não que o filme seja excepcionalmente bom; Cinematograficamente falando é bem regular; Contudo, vivenciar a tragédia acontecendo com crianças e adolescentes marcou o meu córtex cerebral e deve ter feito o mesmo com outros tantos. 

Nunca ouviu falar do filme? Ouviu e não se recordar? Quer simplesmente matar a saudade? Então, não fique triste! Abaixo incluí a película completa e dublada, créditos do canal Latino211ale:




Curta Uma Boa Sessão Nostalgia!

16 de jun. de 2012

Annie Wilkes e sua Louca Obsessão

I am your number one fan.
There is nothing to worry about. 
You are going to be just fine.
 I am your number one fan. 
falando para o seu escritor predileto, Paul Sheldon.

Generalizando a personificação do ente fêmea no terror, percebe-se a tendência da reprodução de femme fatale, uma bela e maligna mulher. Outras tantas são mães desestruturadas atormentando seu (ou para o seu) rebento. Contudo, poucas vezes nos deparamos com ícones femininos do gênero sem maquiagem, com jeito de "boazinha", com cara de quem pode ser alguma vizinha solitária nossa. Não fosse Stephen King  ter escrito uma personagem tão extraordinariamente "comum", talvez a cinedramaturgia deixasse escapar seus olhos de alguém assim.

O livro - Angústia (Misery) - foi lançado em 1987 e contava a história do escritor Paul Sheldon, o qual após um acidente é socorrido por uma enfermeira que se considera a fã número um de seu trabalho. A aparente hospitalidade logo se transforma em horror, psicose e violência. Com esta trama de reviravoltas não é a toa que três anos após o lançamento fez-se uma versão para as telonas: Louca Obsessão

Tanto no livro quanto no filme a dita fã, Annie Wilkes, é descoberta a cada ação mínima sua. Aos poucos as nuances obscuras de sua personalidade aparecem. Nada de frágil ou submissa, Annie é a chefe de suas próprias fantasias, tem o poder de manter, de curar e de destruir. Todavia, enquanto no livro a narrativa é a grande causadora da tensão na película os seus méritos ficam com a fabulosa Kathy Bates, vencedora do Oscar neste papel.

Annie é obcecada, o que lhe permite agir sem estribeiras para conquistar o desejado, especialmente no que diz respeito a violência. Impossível negar que as ameaças físicas tendem pesar mais numa decisão a contragosto, não é verdade? A brutalidade de Wilkes transforma a aparência blasé dela em uma "feiura" amorfa. Combinando bem com a desesperança crescente no olhar de Paul.

A maldade assume várias formas, desde uma "brincadeira" de criança até um "carinho" exacerbado. Annie deve ter experimentado de cada uma delas - insinuações, remédios, isolamento, pequenas agressões, imposições, ameaças - até chegar ao ápice de "inutilizar" o pé do pobre escritor.


Tentado a conferir o filme? Pois coloquei ele completinho na sequência para o seu deleite, só tem o porém de estar sem legendas. As malignas fêmeas assumem as rédeas de formas inusitadas, Wilkes sabia bem disto. 


Ficou com medo?