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18 de fev. de 2013

Crise de Abstinência de Magia


Hoje não consigo parar de ouvir uma certa música do ZZ Top - Over You; Aquela voz cortada implorando por encontrar uma forma de esquecer o passado, mantendo a resistência necessária para levantar-se e mudar de vida... Impossível deixar de correlacionar conosco, não é verdade?


Há quem diga que a insatisfação é condição humana primordial, não se exaure. Penso, particularmente, que a questão não se rege pela satisfação do esperado, mas, pela busca por tal. Afinal, que força motriz consideraria a mudança se o aguardado não fosse extraordinário? Esta foi a premissa que enxerguei na película Broken English de 2007. A personagem principal Nora Wilder está vivendo uma sequência de eventos cômodos, os quais chama de vida. Na casa dos 30, solitária e confusa, Nora inicia uma jornada de pequenos trajetos rumo ao equilíbrio. Entretanto, em que pese jure ser amante da estagnação, vê-se arrebatada ao conhecer Julien. Uma atitude drástica é o que lhe resta.

  • Atire a primeira pedra quem nunca quis acordar da apatia diária.
Qual é a melhor forma de escapismo para uma realidade melhor? Sou das que foge ou em letras ou em cenas; Quando escolhi este filme, estava fugindo daquela insatisfação pungente de quem tem manias de poeta. Não imaginava eu que esbarraria com um leve contorno dos meus medos e anseios. Carregamos a vida ou o seu fluxo é que nos conduz? A resposta sempre vem depois de uma ressaca moral, precedida de uma conjugação de passos anestesiados... Um dia você acorda e percebe que deixou de perceber; Seu trabalho é automático, seus gestos são uma cópia apagada dos de ontem, seus relacionamentos rasos. Um dia você acorda em apatia. O que resta é agir ou continuar. Norma agiu, ZZ Top agiu, eu agi.... e você? Vai ficar só na crise ou correr em direção a magia?

- It’s not wrong to want someone to love you. Most people are together just so they are not alone. But some people want magic. I think you are one of them. 
- Something wrong with that? 
- Nothing, but it doesn’t happen all the time.


— Broken English


Quando falo em magia, não tento expressar algo tão inalcançável quanto o conceito literal prega. Não! Imagino as escolhas que evitamos por comodismo e que, no final da equação, fariam a diferença necessária para um melhor estado de espírito. Acomodar-se até as situações mais desagradáveis é fácil; O complicado é encarar a mudança. Nisto baseia-se o filme Good Dick de 2008, o qual traz uma jovem problemática, presa em si mesma, mas que, graças a estas intempéries da existência, encontra alguém disposto a impor uma alteração.

  • Confronta-te!
Já parou na frente do espelho perguntando-se: Como me transformei em quem sou? Gosto disto? Por mais que as circunstâncias do ontem sejam bagagens pesadas e assustadoras, uma hora temos que enfrentar o que está escondido nas reentrâncias caladas do passado. Encarar, selecionar e deixar para trás. Somente abrindo espaço é que o novo pode aninhar-se. Quer uma perspectiva nova em sua vida? Que tal começar dando um novo passo, tomando um novo rumo, bancando seu guia pessoal ao mágico...   

Que vida?! O que você faz? Você não faz nada!

- Good Dick

... Já disse Anäis Nin:
"Nego-me a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária, a estabelecer relações ordinárias. Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Adapto-me a mim mesma."

2 de jun. de 2012

Perfis de Mulher: Anais Nin

Quem chega ao blog muitas vezes nem desconfia de onde vem o título Antes que Ordinárias. Ele não surgiu apenas do fato de nós, colaboradoras neste espaço, sermos mulheres extraordinárias, como fica escrito aqui na lateral. Na verdade, a origem é mais culta e profunda: vem dos escritos da francesa Anaïs Nin.

Nascida Angela Anaïs Juana Antolina Rosa Edelmira Nin y Culmell em 1903, filha de um pianista e compositor cubano com uma cantora de origens francesas e dinamarquesa. Durante sua juventude ela morou na Europa e nos Estados Unidos, abandonando os estudos aos 16 anos para se tornar modelo de um artista. Desde cedo ela começou a escrever diários pelos quais ficou famosa. Aos 11 anos, quando se mudou para os Estados Unidos após o pai abandonar a família, escrever um diário foi a maneira que encontrou para afastar seus medos. Até hoje foram publicados 15 volumes de seus diários.


No final de sua adolescência, ao voltar para Paris, ela teve contato com escritos eróticos, o que não conhecia na América. Algum tempo depois, ela começou a escrever sobre o tema porque precisava de dinheiro, mas nunca pensou em ter seus escritos publicados, uma vez que criava personagens bastante caricaturais.

Aos 20 anos ela se casou com Hugh Parker Guiler, que fez vários filmes experimentais e surrealistas sob o pseudônimo Ian Hugo. Em Paris ele foi mecenas de HenryMiller, que acabou se tornando amante de Anaïs, com quem trocava várias cartas. Henry era casado na época, e Anaïs também se envolveu com a esposa dele, June. Esta complicada relação a três deu origem ao filme de 1990, “Henry & June” com Fred Ward, Uma Thurman e a portuguesa Maria de Medeiros interpretando Anaïs.


Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, ela foi para Los Angeles e passou a viver maritalmente com Rupert Pole, mesmo ainda estando casada com Guiler. Em 1966 o casamento com Pole foi anulado, mas Anaïs permaneceu com seu primeiro marido até a morte. Ela também conheceu várias personalidades importantes, como Carl Jung, Paul Newman e Gore Vidal. Anaïs proporcionou uma visão feminina acerca dessas figuras de destaque.

Apesar do caráter polêmico de seus escritos, Anaïs só se tornou conhecida a partir de 1966, quando seus diários começaram a ser publicados. Cada um deles tem um tema próprio dentro de uma jornada de autodescobrimento, de modo que fica claro que havia a intenção de que um dia eles fossem publicados. Assim seus livros anteriores foram redescobertos pelo público e ganharam novas edições.


Nin foi por várias vezes chamada para ser palestrante em universidades e em seus discursos tentava não se associar ao movimento feminista que ganhava cada vez mais força. Entretanto, ela continuou, mesmo após sua morte em 1977, a ser um exemplo para as mulheres sexualmente segurais e liberais.
"A vida é um processo de se tornar algo, uma combinação de estados pelos quais todos nós temos de passar.As pessoas falham quando querem escolher um estado e permanecer nele.Isso é um tipo de morte".
Anais Nin