10 de abr de 2013

Perfis de Mulher: Margaret Thatcher

Reverenciada como uma das mulheres mais poderosas do século XX e uma das melhores chefes de Estado que a Inglaterra já teve, Margaret Thatcher deixou o mundo dividindo opiniões. Todos esses elogios não encobrem o descontentamento popular durante todo seu governo, nem as heranças questionáveis que ela deixou não apenas para seu país, mas para o mundo todo. Seria a Dama de Ferro uma governante de coração de pedra?
Margaret Hilda Roberts nasceu em 1925,filha mais nova de um homem politizado e religioso, que criou as duas meninas na igreja Metodista. Apesar de ter um bom desempenho escolar, Margaret só conseguiu uma bolsa no curso de Química em Oxford após a desistência de um aluno mais bem classificado (anos depois, o conselho estudantil vetaria a ideia de dar à então primeira-ministra um doutorado honorário). Ela formou-se com honras e se especializou em raios-X. Na faculdade tomou contato com as primeiras ideias políticas que serviriam de base para todo seu pensamento e ação quando no poder.
Um turbilhão de mudanças veio enquanto ela desenvolvia emulsificantes para sorvete em uma fábrica: além de conhecer seu futuro marido, Denis Thatcher, ela se envolveu e fato com política, atraindo a atenção em sua primeira eleição por ser a candidata mais jovem e a única mulher, isso em 1951. Embora tenha perdido, ela seguiu no meio e se elegeu para o Parlamento e depois foi nomeada secretária da educação, colecionando suas primeiras críticas e polêmicas.
O maior motivo de espanto foi a derrota de Edward Heath, mentor de Margaret, nas eleições para líder da oposição em 1975. A vitória da já então Dama de Ferro (apelido dado por um jornal soviético, e que ela adorou) foi vista como uma traição, mas seu destino já estava traçada: em 1979 se tornou a primeira e ate hoje única mulher a ser primeira-ministra da Inglaterra.
Ela ficou no cargo 11 anos, um período nada fácil. Margaret teve de lidar com o acirramento de questões raciais, altos índices de inflação e desemprego, greves e embates na Irlanda do Norte e pequena aprovação popular. Bastante liberalista, ela diminuiu o poder dos sindicatos e promoveu a privatização de indústrias, gerando uma tendência econômica que iria chegar no Brasil em meados dos naos 1990. Só foi reeleita em 1982 após o sucesso na Guerra das Malvinas, iniciada quando a Argentina invadiu as ilhas Malvinas, ou Falklands, que ficam próximas a seu litoral mas estão sob o poder da Inglaterra.
Outros fatores serviram para torná-la digna de admiração, como não ter se abalado após ter sofrido um atentado em 1984, e as relações mais abertas com líderes comunistas na década de 1980, embora ela própria, como seu aliado na política externa, Ronald Reagan, combatesse ferozmente o comunismo. Em 1990, o feitiço virou contra o feiticeiro e sua renúncia teve também sabor de traição, após ver-se sem apoio e ser desafiada na liderança da oposição.   
Tema de muitas músicas de protesto, charges e imitações durante seu governo, Thatcher ganhou uma cinebiografia em 2011, “A Dama de Ferro”, com Meryl Streep, em uma caracterização perfeita, no papel principal. O filme causou polêmica ao mostrar a ex-política sofrendo de demência, em especial acreditando que seu marido, morto em 2003, ainda vivia. Anos antes da filmagem, sua filha (ela teve um casal de gêmeos) confirmou a saúde frágil da mãe, que não aparecia em público já há alguns anos.
Suas medidas no governo foram as mais diversas possíveis: por um lado se posicionou a favor da descriminalização da homossexualidade masculina (você não leu errado) e do aborto, mas por outro quis manter leis rígidas em casos de divórcio e sempre foi contra a entrada da Inglaterra na União Europeia e ao julgamento do ex-ditador chileno Augusto Pinochet. Não é possível dizer se Margaret estava certa ou errada em suas decisões, apenas admirar essa mulher que, além de abrir um caminho importante para as mulheres na política, sempre agiu conforme suas próprias ideias.


"O que é sucesso? Eu penso que é uma mistura de ter prazer pelo que você faz, saber que isso não é o suficiente, que você precisa trabalhar duro e um certo senso de propósito"

Margaret Thatcher (1925-2013)

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