27 de mar de 2013

Perfis de Mulher: Edith Piaf

Muitas estrelas da música tiveram vidas trágicas, sobretudo no século XX. Com a mais conhecida cantora francesa não foi diferente: Edith Piaf enfrentou grandes dificuldades durante toda a vida e tanta intensidade a fez sucumbir aos 47 anos.
Edith Giovanna Gassion nasceu em dezembro de 1915, filha de um acrobata e uma cantora. Era descendente de italianos e marroquinos, e recebeu o nome Edith em homenagem a uma enfermeira inglesa executada durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918). Abandonada muito cedo, morou com as duas avós, incluindo a paterna, que era dona de um bordel, enquanto o pai lutava na guerra. Aos sete anos, foi acometida por uma cegueira misteriosa, que alvoroçou as prostitutas do bordel de sua avó, fazendo-as juntar dinheiro para uma peregrinação em favor de Edith, que se mostrou bem-sucedida. O que a menina tinha, na verdade, era ceratite, uma inflamação na córnea.
No início da adolescência, juntou-se ao pai acrobata e aos 14 anos cantou pela primeira vez em frente ao público. Já longe do pai, tornou-se cantora de rua, como a mãe, e aos 17 anos teve sua única filha, Marcelle, com um moço que fazia entregas. Marcelle morreria aos dois anos de idade, vítima de meningite. No mês seguinte a essa tragédia, a vida de Edith mudou, ao conhecer Louis Lepleé, dono de uma boate. Ele a treinou, ajudou-a a ter confiança para subir no palco e a aconselhou a apresentar-se sempre com roupas pretas, mais tarde sua marca. E foi também Louis que lhe deu o apelido La môme piaf, o pequeno pardal, em alusão a seu nervosismo e baixa estatura.
O sucesso foi imediato e Piaf se tornou amiga de vários artistas e compositores franceses. O assassinato de Louis, em 1936, veio lhe tirar o sossego, uma vez que sua carreira que começava já se via ameaçada por um escândalo. Felizmente foi comprovado que Piaf não tinha nada a ver com o crime, e hoje se acredita que Lepleé foi morto devido a um envolvimento com a máfia. Ela prosseguiu cantando, ajudada por outros mentores, como a compositora Marguerite Monnot, que escreveu muitas músicas baseadas na vida de Edith nas ruas.
Piaf também exercitou seu lado boa samaritana e ajudou a revelar grandes nomes da música francesa, dando-lhes um lugar em seu show quando eles ainda estavam no começo da carreira. Fazem parte desse grupo Charles Aznavour e Yves Montand. Foi com Azanavour que ela sofreu um sério acidente automobilístico, quebrando um braço e duas costelas, e a partir daí precisando constantemente de morfina. 
O nome do pai de sua filha não ficou para a posteridade, mas o dos amores de Piaf, sim. O maior deles, Marcel Cerdan, um boxeador, morreu em um acidente de avião, deixando a cantora devastada e fazendo com que o relacionamento virasse manchete em jornais do mundo todo. Piaf casou-se duas vezes: a primeira em 1952 com o cantor francês Jacques Pills e a segunda em 1962 com o cabeleireiro transformado em cantor Théo Sarapo, de origem grega. Sua vida pessoal não foi atribulada apenas por seus amores. Durante a Segunda Guerra Mundial, Piaf cantava para as tropas nazistas que ocuparam a França, e foi muito criticada por esse ato. Hoje sabemos que Piaf ajudou várias pessoas a fugir dos alemães, e inclusive aceitava tirar fotos com prisioneiros para que, da cópia da foto, eles fizessem um passaporte para escapar.
Piaf faleceu em 1963, vítima de câncer de pulmão. Por sua vida pouco regrada, o arcebispo da Igreja Católica não permitiu um funeral aberto para ela, mas cerca de 100 mil pessoas acompanharam o cortejo fúnebre. Passados quase cinquenta anos de sua morte, Edith Piaf permanece um ícone da música mundial, pois ganhou fama internacional durante as décadas de 1940 e 1950. Biografias foram escritas sobre sua trajetória complicada. Claro que uma vida tão incrível atraiu a atenção da indústria do cinema, e em 2007 estreou “Piaf, um hino ao amor”, cinebiografia que reconta com perfeição a vida e os amores desse ícone.

“Tudo o que eu fiz na minha vida foi desobedecer”
Edith Piaf (1915 – 1963) 

Um comentário:

  1. Eu sou simplesmente apaixonada por esta mulher!!! Uma diva... totalmente diferente do convencional, principalmente em sua época. O que podemos chamar de "à frente de seu tempo"... entre altos e baixos, ela com certeza viveu intensamente!!!!!

    :*

    Gostei demais da postagem, Lê...

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