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10 de abr. de 2013

Perfis de Mulher: Margaret Thatcher

Reverenciada como uma das mulheres mais poderosas do século XX e uma das melhores chefes de Estado que a Inglaterra já teve, Margaret Thatcher deixou o mundo dividindo opiniões. Todos esses elogios não encobrem o descontentamento popular durante todo seu governo, nem as heranças questionáveis que ela deixou não apenas para seu país, mas para o mundo todo. Seria a Dama de Ferro uma governante de coração de pedra?
Margaret Hilda Roberts nasceu em 1925,filha mais nova de um homem politizado e religioso, que criou as duas meninas na igreja Metodista. Apesar de ter um bom desempenho escolar, Margaret só conseguiu uma bolsa no curso de Química em Oxford após a desistência de um aluno mais bem classificado (anos depois, o conselho estudantil vetaria a ideia de dar à então primeira-ministra um doutorado honorário). Ela formou-se com honras e se especializou em raios-X. Na faculdade tomou contato com as primeiras ideias políticas que serviriam de base para todo seu pensamento e ação quando no poder.
Um turbilhão de mudanças veio enquanto ela desenvolvia emulsificantes para sorvete em uma fábrica: além de conhecer seu futuro marido, Denis Thatcher, ela se envolveu e fato com política, atraindo a atenção em sua primeira eleição por ser a candidata mais jovem e a única mulher, isso em 1951. Embora tenha perdido, ela seguiu no meio e se elegeu para o Parlamento e depois foi nomeada secretária da educação, colecionando suas primeiras críticas e polêmicas.
O maior motivo de espanto foi a derrota de Edward Heath, mentor de Margaret, nas eleições para líder da oposição em 1975. A vitória da já então Dama de Ferro (apelido dado por um jornal soviético, e que ela adorou) foi vista como uma traição, mas seu destino já estava traçada: em 1979 se tornou a primeira e ate hoje única mulher a ser primeira-ministra da Inglaterra.
Ela ficou no cargo 11 anos, um período nada fácil. Margaret teve de lidar com o acirramento de questões raciais, altos índices de inflação e desemprego, greves e embates na Irlanda do Norte e pequena aprovação popular. Bastante liberalista, ela diminuiu o poder dos sindicatos e promoveu a privatização de indústrias, gerando uma tendência econômica que iria chegar no Brasil em meados dos naos 1990. Só foi reeleita em 1982 após o sucesso na Guerra das Malvinas, iniciada quando a Argentina invadiu as ilhas Malvinas, ou Falklands, que ficam próximas a seu litoral mas estão sob o poder da Inglaterra.
Outros fatores serviram para torná-la digna de admiração, como não ter se abalado após ter sofrido um atentado em 1984, e as relações mais abertas com líderes comunistas na década de 1980, embora ela própria, como seu aliado na política externa, Ronald Reagan, combatesse ferozmente o comunismo. Em 1990, o feitiço virou contra o feiticeiro e sua renúncia teve também sabor de traição, após ver-se sem apoio e ser desafiada na liderança da oposição.   
Tema de muitas músicas de protesto, charges e imitações durante seu governo, Thatcher ganhou uma cinebiografia em 2011, “A Dama de Ferro”, com Meryl Streep, em uma caracterização perfeita, no papel principal. O filme causou polêmica ao mostrar a ex-política sofrendo de demência, em especial acreditando que seu marido, morto em 2003, ainda vivia. Anos antes da filmagem, sua filha (ela teve um casal de gêmeos) confirmou a saúde frágil da mãe, que não aparecia em público já há alguns anos.
Suas medidas no governo foram as mais diversas possíveis: por um lado se posicionou a favor da descriminalização da homossexualidade masculina (você não leu errado) e do aborto, mas por outro quis manter leis rígidas em casos de divórcio e sempre foi contra a entrada da Inglaterra na União Europeia e ao julgamento do ex-ditador chileno Augusto Pinochet. Não é possível dizer se Margaret estava certa ou errada em suas decisões, apenas admirar essa mulher que, além de abrir um caminho importante para as mulheres na política, sempre agiu conforme suas próprias ideias.


"O que é sucesso? Eu penso que é uma mistura de ter prazer pelo que você faz, saber que isso não é o suficiente, que você precisa trabalhar duro e um certo senso de propósito"

Margaret Thatcher (1925-2013)

8 de dez. de 2012

Perfis de Mulher: Princesa Isabel


Recentemente, a princesa Isabel foi uma das finalistas do concurso exibido na televisão “Omaior brasileiro de todos os tempos”. A razão de tamanha admiração por esta figura real, tão distante de nós, é o fato de ela ser considerada a redentora dos escravos, tendo abolido a escravidão em 13 de maio de 1888. No entanto, apesar desse feito importante, ela merece destaque por uma série de fatos, entre eles o de ter sido a primeira mulher a governar o Brasil.
Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon nasceu em 29 de julho de 1846, a segunda filha do imperador Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina. Com a morte de seu irmão mais velho, ela foi proclamada oficialmente a herdeira do trono aos quatro anos de idade. Sua infância foi marcada por uma educação rígida, sendo que ela e a irmã Leopoldina não podiam frequentar festas ou espetáculos de teatro.
Quando Isabel completou 18 anos, seu casamento foi arranjado. Numa situação incomum para a época, ela e a irmã puderam escolher seus futuros maridos e acabou que elas ficaram com o pretendente uma da outra, sem que houvesse desentendimentos. Pouco mais de um mês após a chegada do noivo, Luís Felipe Maria Fernando Gastão de Orleans, o conde d’Eu, ao Rio de Janeiro, foi realizado o casamento. Com a lua-de-mel veio a mudança na vida da princesa: ela conheceu vários países da Europa e passou a participar de recepções e bailes.
De volta ao Brasil, o conde d’Eu insistiu junto a D. Pedro para ir lutar na Guerra do Paraguai, o que Isabel reprovou. Entretanto, em 1869 ele foi para o campo de batalha, voltando vitorioso menos de um ano depois. No ano seguinte Isabel assumiu pela primeira vez a regência, devido a uma viagem de seu pai. Durante esse seu primeiro governo foi aprovada a Lei do Ventre Livre, que libertava todos os filhos de escravas nascidos a partir daquela data. Anos antes, no dia de seu casamento, Isabel já havia alforriado os escravos que trabalharam para ela.    
A cada nova regência, Isabel se mostrava mais madura para governar e tinha novas ideias, a maioria trazidas de suas viagens para a Europa, sobre como modernizar o país. Apesar de alguns avanços, o ideal republicano ganhava cada vez mais adeptos. Cresciam também as campanhas abolicionistas e Isabel pressionava o Ministério conservador, levando o ministro a demitir-se. A nova manobra da regente foi propor a Lei Áurea, aprovada sem problemas na câmara e no senado. Seu feito foi comemorado em todo o país, no entanto, o Barão de Cotegipe, o ministro demitido, fez essa profecia a Isabel: “ganhou a partida, mas perdeu o trono!”
A abolição fez o Império perder o apoio dos fazendeiros. Antes disso, já havia perdido importantes grupos, como os militares e os religiosos. A proclamação da república, assim como a própria abolição, era questão de tempo. Em 15 de novembro de 1889 ela foi proclamada e a família real foi para o exílio na Europa. Dom Pedro II, Isabel, o conde d’Eu, seus três filhos, todos nascidos depois dos 30 anos da princesa, pela última vez viram o Brasil. Isabel, que era tão cara ao nosso país, não pode sequer voltar após o fim do banimento da família real. Em 1921, ela faleceu em Paris, ainda com as doces lembranças do Brasil e a certeza de que havia feito a coisa certa.  

1 de dez. de 2012

Perfis de Mulher: Mabel Normand


Se fosse necessário apontar uma pioneira na área da comédia, esta com certeza seria a atriz de cinema mudo Mabel Normand. Um dos mais importantes ícones de seu estúdio e de sua era, ela não apenas fez multidões rirem, mas também criou diversas situações cômicas ao escrever e dirigir alguns filmes. Sem ela, também, provavelmente Chaplin não teria chance no cinema e alguns dos momentos mais preciosos da sétima arte nunca teriam sido criados. Em paralelo às comédias que interpretava nas telas, Mabel enfrentava dramas em sua vida pessoal.
Nascida Amabel Ethelreid Normand em Staten Island, perto de Nova York, sua data de nascimento é controversa: parentes dizem ser 1892, enquanto as publicações de quando ela estava no auge diziam 1894 ou 1895. Era a filha mais nova de várias gestações malfadadas. Quatro filhos sobreviveram ao parto e apenas três chegaram à idade adulta. Aos 14 anos Mabel deixou o colégio interno, longe de casa, para trabalhar como modelo e ajudar financeiramente a família, tendo tempo apenas para estudar desenho e música à noite. Seu pai era carpinteiro e músico itinerante e Mabel queria ser uma grande musicista.
Em 1910 ela conseguiu alguns trabalhos como extra em estúdios de cinema e logo evoluiu para papéis maiores. Seus primeiros empregadores e colegas de cena ensinaram-lhe muito, embora ela já tivesse aprendido várias expressões faciais, tão essenciais no cinema mudo, durante sua experiência como modelo. Nesse tempo ela atuou com igual sucesso em dramas e comédias, tornando-se logo ídolo das plateias.
Sua predisposição para a comédia falou mais forte e, quando foi para a Califórnia, logo se juntou ao recém-fundado estúdio Keystone. Seus trabalhos lá eram basicamente filmes curtos e que causavam riso fácil. Sua persona cinematográfica se consolidou nesta época: Mabel, a personagem, era uma moça espoleta que vivia as mais loucas situações, que exigiam que Mabel, a atriz, fizesse cenas arriscadas sem dublê.   
No final de 1913, Mabel era a mais importante estrela feminina do estúdio, mas seu chefe, Mack Sennett, sofria com a perda de dois atores que foram tentar carreira solo. Para substitui-los, ele foi até a Inglaterra e contratou um comediante do teatro, chamado Charles Chaplin. Reza a lenda que Sennett detestou os primeiros trabalhos de Chaplin para o estúdio e queria demiti-lo, mas Mabel insistiu para que Charlie ficasse. Esta passagem é retratada no filme “Chaplin” (1992), em que Mabel foi interpretada por Marisa Tomei. O ator permaneceu no estúdio, Mabel tornou-se sua melhor amiga e ele foi ganhando prestígio e o melhor, liberdade criativa.
Em meio a alguns de seus maiores sucessos, como “Mickey” (1918), feito em sua própria produtora, Mabel viu-se no meio dos maiores escândalos de sua época. Em 1921, seu antigo colega de trabalho Roscoe “Fatty” Arbuckle foi acusado de estupro e assassinato de uma jovem atriz em uma festa, gerando um debate inédito sobre a moral nos filmes e a conduta dos atores. No ano seguinte, o diretor William DesmondTaylor, que estava lhe ensinando muito sobre artes, foi assassinado e Mabel foi a última amiga a vê-lo com vida. Muitos questionaram o envolvimento dela com o diretor e levantaram a hipótese de o culpado ter cometido o crime por ciúmes de Mabel. Logo no início de 1924 seu motorista atirou em um magnata que havia feito um comentário maldoso sobre ela. E, no mesmo ano, ela foi apontada como pivô de uma separação, o que mais tarde foi comprovado ser uma acusação falsa.
Todos esses problemas geraram consequências para Mabel, embora seu envolvimento fosse mínimo. O destaque dado a ela pela imprensa acabou ajudando a divulgar alguns de seus filmes que viraram sucesso de bilheteria, mas a cada nova confusão ela se tornava mais triste e sua atuação tinha mais traços de sofrimento. O fracasso de sua única peça, feita em 1925, também não ajudou.
Sua saúde começou a declinar já em 1915, quando ela sofreu uma concussão mal explicada na cabeça. Há quem diga que foi a amante de Mack Sennett, então noivo de Mabel, que tenha atirado um objeto na cabeça da atriz. Depois de um tempo no hospital, ela começou a tomar remédio para aliviar a dor, viciando-se no medicamento. Algumas fontes citam que ela também seria viciada em cocaína e foi o desejo de livrar-se do vício, e não o interesse por livros, que a fez se aproximar de William Desmond Taylor. Assim como muitas estrelas da época, ela também não levava uma vida regrada, alimentando-se de forma errada e participando de festas selvagens que duravam a noite toda. Todos esses fatores, aliados a fraturas ocorridas em suas cenas sem dublê, levaram-na a contrair pneumonia em 1923, tendo uma recaída quatro anos depois. A pneumonia evoluiu para uma tubercolose que acabou por matá-la em 1930.
Mabel e Lew Cody
Novamente há muitos boatos sobre a vida amorosa de Mabel. Sua relação com Chaplin e o magnata Samuel Goldwyn ainda é motivo de controvérsia. Sennett, seu ex-noivo, jamais se casou. Estando em Paris em 1922, ela foi pedida em casamento por um príncipe egípcio, mas recusou. Em 1926, casou-se com Lew Cody, com quem já havia contracenado. Os dois tinham grandes diferenças e viviam separados, mas Cody, assim como seus muitos amigos de Hollywood, foi de total importância para Mabel em seus tempos difíceis. Cody faleceu em 1934, vítima de problemas cardíacos. Sem viver para enfrentar as mudanças causadas pela chegada do som ao cinema, Mabel Normand deixou um legado de comédias que ainda divertem e uma história de vida que ainda emociona.   

24 de nov. de 2012

Perfis de Mulher: Frida Kahlo


São poucas as mulheres que se destacam nas artes plásticas, não importa a época. Quando pensamos em pintura vêm logo às nossas mentes nomes como Leonardo da Vinci, Rembrandt, Picasso ou mesmo Andy Warhol. Contemporânea destes últimos é a mais lembrada pintora do século XX, a mexicana Frida Kahlo enfrentou muitos obstáculos na tentativa de fazer sua arte e ser feliz.
Nascida Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón em 1907, era a terceira de quatro filhas de um imigrante alemão e uma descendente de índios. Ela tinha mais duas meio-irmãs do primeiro casamento do pai e todas moravam juntas em Coyocán, perto da Cidade do México. Frida foi testemunha da violência da Revolução Mexicana (1910-1917), mas a realidade de seu país não era tão trágica se comparada à sua própria vida. Aos seis anos contraiu poliomielite, ficando com a perna direita mais fina que a esquerda. Aos 18 sofreu um grave acidente de trânsito: o ônibus em que ela estava colidiu com um bonde. Frida teve fraturas na perna direita, na coluna, nas costelas, na pélvis e nos ombros, passando por 35 cirurgias ao longo da vida para corrigir defeitos deixados pelo acidente.
Se o acidente foi horrível para sua saúde, foi de certa forma o propulsor de sua carreira. Imobilizada durante muito tempo, Frida desistiu de ser médica e começou a pintar para distrair-se, com o total apoio dos pais. Sua obra é composta de muitos autorretratos e contém diversas influências, entre elas simbolos indígenas e referências às religiões do pai e da mãe, respectivamente judaísmo e catolicismo. Enquanto alguns trabalhos apresentam cores bem fortes, outros têm poderosas sugestões da dor excruciante que a acompanhou a vida toda.
Encantada com o pintor Diego Rivera, Frida se aproximou dele em 1927 e mostrou-lhe alguns de seus trabalhos, os quais ele elogiou. Depois de algumas conversas sobre arte ele passou a frequentar a casa dela e a ajudá-la com suas pinturas, sem impedi-la de desenvolver seu próprio estilo. Eles se casaram em 1929, indo contra o desejo da mãe da noiva, e tiveram uma relação tumultuada. Ambos tinham casos fora do casamento e Frida se relacionava também com mulheres. Eles se divorciaram em 1939, mas voltaram a se casar menos de um ano depois. Frida engravidou três vezes, mas teve de interromper as três gestações porque o acidente em sua adolescência deixou-lhe com problemas reprodutivos.    
Sua vida não foi muito glamurosa. Entre os principais fatos está ter conhecido o líder comunista Leon Trotsky que, após ser expulso da URSS, viveu com Frida e Diego como refugiado. Seu único reconhecimento em vida deu-se em 1939, quando o Museu do Louvre comprou um de seus quadros para uma exibição de pintura surrealista. Aos 47 anos, após amputar a perna direita e sofrer com broncopneumonia, Frida faleceu em sua casa. Diego, apesar de 21 anos mais velho, viveu ainda mais três anos. As cinzas da pintora estão em sua casa na Cidade do México, onde também funciona um museu em sua homenagem.
As obras de Frida Kahlo só começaram a ser descobertas na década de 1980 e logo ganharam o mundo. Hoje há pinturas suas nos mais importantes museus do planeta. Livros, ensaios, músicas e teses foram escritos sobre ela. Sua vida virou filme duas vezes: uma em sua terra natal, em 1983, e outra em Hollywood em 2002, com Salma Hayek no papel principal. Frida virou peça de teatro e até ópera. Merecido reconhecimento, afinal, esta pintora teve nome e vida de heroína.      
“Eu pinto a mim mesma porque estou tão frequentemente sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”.
Frida Kahlo (1907-1954) 

17 de nov. de 2012

Perfis de Mulher: Martha Gellhorn


Uma das mais competentes jornalistas do século XX, Martha Gellhorn foi correspondente de guerra quando as mulheres ainda lutavam por seus direitos nos campos de batalha urbanos. Em mais de 60 anos de carreira, ela cobriu os principais conflitos de sua época e usou seu talento para escrever 21 livros, entre novelas e coletâneas de seus artigos.
Martha Ellis Gellhorn nasceu em 1908, filha do meio de uma sufragista e um ginecologista descendente de judeus. Seus dois irmãos também tiveram carreiras brilhantes, um como professor universitário no curso de Direito e outro como oncologista. Ela foi estudar na famosa universidade feminista Bryn Mawr, mas não acabou o curso.
Com a intenção de se tornar correspondente estrangeira, Martha foi para a Fança em 1930, ficando dois anos por lá. Voltou para ajudar o governo americano a ter um retrato exato de como a Depressão econômica havia afetado a população. Os frutos de sua investigação foram tão originais que chamaram a atenção da primeira-dama Eleanor Roosevelt, de quem Martha se tornou amiga.
Ela já estava na Europa cobrindo a Guerra Civil Espanhola quando Hitler deu início à Segunda Guerra Mundial. Desde a experiência na França ela havia se tornado pacifista, mas mesmo assim Martha fez questão de acompanhar o conflito de perto, fazendo de tudo para estar ao lado da notícia. Boa observadora, ela se preocupava muito mais em relatar os sofrimentos dos civis em meio à guerra que os conflitos nas trincheiras, embora ela estivesse presente em vários momentos importantes, como em um bombardeio dos ingleses em território alemão e até mesmo no “Dia D”, de desembarque das tropas aliadas na Normandia, ocasião em que ela ajudou os feridos carregando-os em macas.
Selo de 2007. Martha foi a única mulher a figurar entre os jornalistas homenageados
Sempre atuante em causas políticas, Martha atacou os governos dos presidentes americanos Nixon e Reagan, além do fascismo, racismo e caça aos comunistas. Ela sempre foi favorável à esquerda política, embora seus sentimentos em relação ao comunismo tenham sido controversos, uma vez que ela nem o criticou nem elogiou. Por ter sido uma das primeiras repórteres a entrar no campo de concentração de Dachau após sua libertação, Martha também se tornou simpatizante da causa dos judeus e a luta pela criação do Estado de Israel, inclusive pensando em mudar-se para o país em sua velhice.  
Martha Gellhorn casou-se duas vezes. Seu primeiro matrimônio foi com o escritor Ernest Hemingway, que conheceu em 1936 e com quem viveu entre idas e vindas durante quatro anos até a oficialização do casamento. Ernest nem sempre gostava das ausências de sua terceira esposa quando ela estava viajando. Ela também não gostava de estar sempre associada ao seu marido e quando era convidada para entrevistas, exigia que o nome de Ernest não fosse pronunciado. Eles ficaram casados durante os turbulentos anos da guerra e se separam em 1945. Um filme sobre a relação desses dois ícones foi feito para a TV em 2012, com Nicole Kidman no papel de Gellhorn e Clive Owen como Hemingway.
Martha casou-se novamente em 1954 com um editor da Time Magazine, Tom Matthews. Ele se tornou o padrasto do garoto Sandy, que ela havia adotado em um orfanato italiano cinco anos antes. Apesar de ser uma mãe esforçada, ela deixava o filho longos períodos com parentes para fazer suas reportagens, gerando certo afastamento entre eles. Martha divorciou-se de Tom em 1963, mas continuou vivendo em Londres, cidade em que havia se estabelecido com ele, até 1998, quando, sofrendo de câncer e totalmente cega, suicidou-se com uma overdose de remédios.
Hoje vemos inúmeras mulheres dominando a apresentação de telejornais e as redações de grandes editoras. Temos diversas correspondentes estrangeiras e repórteres de renome. Todas elas devem um pouco de seu prestígio a Marta Gellhorn, uma verdadeira mulher de fibra.

“Cidadania é uma tarefa complicada que obriga o cidadão a formar sua própria opinião e defendê-la”.
Martha Gellhorn (1908-1998)    

20 de out. de 2012

Perfis de Mulher: Maria Antonieta


Rainha odiada pelo povo e por outros membros da nobreza, Maria Antonieta morreu guilhotinada durante a Revolução Francesa, com apenas 37 anos. Mais de um século depois se tornou ícone, aparecendo em diversas mídias. No entanto, sua imagem ainda está cheia de interpretações incertas. Tendo a responsabilidade caído em seu colo ainda muito jovem, ela teve uma das vidas mais intensas do século XVIII.
Nascida Maria Antônia Josefa Joana de Habsburgo-Lorena, era a décima quinta e penúltima filha do casal imperial da Áustria. Foi naturalmente muito mimada na infância, embora sua educação não fosse muito rígida. Teria sido uma criança espontânea até que, ao perder o pai com dez anos de idade, viu sua mãe mudar de comportamento e passar a vigiar os filhos com rigidez. Foi a mãe também que arquitetou o casamento de Maria Antonieta com o delfim da França, futuro rei Luís XIV, quando a menina tinha apenas 14 anos.
O casamento foi feito por procuração e oficializado em uma cerimônia um mês depois. Sem nunca ter visto o marido, Maria Antonieta ficou decepcionada ao perceber que ele era bem diferente dos retratos que ela recebera. Inseguro, sem vocação para governar, ele nutria um profundo preconceito pelos austríacos, um dos motivos apontados para ele ter demorado três anos para consumar o casamento com Maria Antonieta.  
Aos 18 anos era rainha da França. Sem grande importância política, cabia a ela vez ou outra tentar convencer o marido a beneficiar os interesses austríacos, o que era severamente criticado pelo povo francês. As críticas também vinham de sua mãe, Maria Teresa, e do irmão, José II, que se incomodavam com a falta de relações sexuais entre Antonieta e Luís XVI. Ao mesmo tempo circulavam panfletos pelas ruas da França maldizendo os gastos da rainha, os bailes que ela frequentava, seu círculo de amizade e até mesmo sua tentativa de levar uma vida mais simples, quando construiu uma pequena vila ao lado de um palacete da família real.    
A situação da França foi se tornando insustentável. Os séculos de monarquia e esbanjamento, as crises econômicas, a seca: tudo aumentou o descontentamento do povo, que em 1789 iniciou a revolução. Sempre temendo por sua família, Maria Antonieta foi envelhecendo rápido conforme as preocupações aumentavam e as fugas eram mal-sucedidas. No início de 1793, Luís XVI foi julgado e enforcado. A rainha foi a julgamento meses depois, acusada de vários crimes e vendo seu próprio filho, que lhe havia sido retirado na prisão, depor contra ela. Ainda acreditando na legitimação divina da monarquia e dos monarcas, Maria Antonieta não esperava ser condenada. Acabou guilhotinada, mas sem perder a fé.
Apesar dos insucessos sexuais, Maria Antonieta e o rei tiveram quatro filhos. A mais nova faleceu com apenas um ano e os dois meninos morreram um com oito anos, antes da revolução, e o outro com dez, depois. Somente a filha mais velha chegou à idade adulta, mas não deixou herdeiros. O povo muito falava sobre casos amorosos da rainha tanto com homens quanto com mulheres, mas a única paixão confirmada foi o conde sueco Axel von Fersen, que jamais chegou a ter uma relação verdadeira com a soberana.
Tendo sofrido tanto e com muita resignação, Maria Antonieta entrou para a história e despertou a curiosidade geral. Foi personagem de 19 filmes. Os dois mais importantes feitos fora da França sobre a rainha datam de 1938, com a famosa atriz do cinema mudo Norma Shearer como Antonieta, e de 2006, com Kirsten Dunst no papel principal, numa releitura pop de uma das mais controversas e surpreendentes mulheres que o mundo já viu. 

“Eu era uma rainha, e tiraram minha coroa, uma esposa, e mataram meu marido, uma mãe, e levaram meus filhos para longe de mim. Tudo que sobrou foi meu sangue. Levem-no, mas não me façam sofrer mais”.
Maria Antonieta (1755-1793)

20 de jul. de 2012

Batom vermelho: ousado e glamouroso - Saiba como aplicá-lo.

Já foi considerado como símbolo de disponibilidade sexual, estopim de relações interrompidas caso o marido descobrisse as aventuras da noiva por ele; serviu como identidade das mulheres ricas e artistas; e por alguns comentários do 'senso comum',  já até o acusaram de  promover a obscenidade, devido ao formato cilíndrico remetendo ao órgão sexual masculino... Enfim, apesar dos pesares ele CONTINUA!

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Sabe de quem estou falando? Sim, do Batom Vermelho. Esse ícone da maquiagem atravessou historicamente todas as formas de rejeição e superou a maioria dos preconceitos regidos
Marilyn Monroe
O batom vermelho é um dos mais populares símbolos femininos e segundo alguns historiadores esse costume de 'pintar a boca' originou-se no Egito quando as esposas dos Faraós usavam para seduzi-lós e manipulá-los.  
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Outras teorias como 'A Psicodinâmica das Cores em Publicidade' afirmam que “Além de chamar bastante atenção - o principal objetivo dos publicitários - a cor vermelha estimula a vitalidade. Também acelera o sistema nervoso do homem, pois aumenta a pressão sanguínea e o aquecimento do corpo”.
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Quando o assunto é maquiagem, no inverno ele é o Rei! Considerado como uma cor intensa mesmo nas versões mais cremosas e brilhantes até os opacos e mates, ele sempre volta no inverno aquecendo e incandescendo o friozinho. Muitas celebridades atuais aderindo ao estilo ‘retrô’ desse ícone feminino apostaram em suas aparições:
Angelina Jolie
Cameron Diaz
Taylor Swift
Scarlett Johansson
O interessante é que embora tenhamos certo ‘pé atrás’ dos modismos capitalista, a moda nos quesitos maquiagem, em minha opinião é bem mais democrática, uma vez que quem gosta do vermelho pode usá-lo independente da estação.
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A novidade deste fim de inverno é a sugestão de usar o batom e esmalte vermelho e acreditem... O cabelo Vermelho também! Isso mesmo, os tons 'inflamáveis' podem “conversar” muito bem em uma produção com esse trio (cabelo, unha e batom).
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Sasha Pivovarova
Sasha Pivovarova
Foto Crédito
Que tal aprender a fazer uma boca vermelha de DIVA, porque nada mais 'ugly' batom vermelho mal passado, e de tão cremoso derrete na boca e os sorrisos ficam avermelhado também. Aprenda a fazer com que ele dure mais na boca, além de garantir maior fixação nos lábios e não nos dentes!
Olhem o risco:
Batom sem acabamento
Excesso de batom
Veja essas dicas:
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1º Não 'encolha' a boca na hora de preparar sua pele para a maquiagem -  a boca recebe também base e pó compacto. Isso ajuda a clarear os lábios e definir o tom do vermelho que você quer sem alterações.
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2º Delineador de lábios é fundamental, pois além de dar o contorno, ele também contribui para que o batom não escorra e dá um aspecto de melhor acabado ou de 'bem passado'.
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3º Após ter delineado, use os dedos esfumando o delineado para dentro do lábio ou pintando todo o lábio, lembrando que o tom do lápis de contorno deve ser bem próximo ao batom que você escolheu.
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4º Se quiser utilizar o pincel para ir aplicando, ótimo - Se não, tenha cuidado ao passar o batom repeitando os limites já delineado pelo lápis de boca.
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Assista o passo a passo em vídeo da maquiadora Vanessa Rozan que faz alguns tutoriais no canal das revistas Trip e Tpm:


Eu confesso que estou tentando me acostumar com batons em tons de vermelho, pois tenho os lábios grossos e não fica tão bonito em mim, embora ache lindo nos outros - talvez seja falta de costume mesmo.

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O que usei nas fotos:
  • Batom Natura: Linha Aquarela Sianinha Nº 35
  • Lápis para lábios: Maybelline Hidra Extreme
  • Esmalte: Tapete vermelho da Colorama.
E você gosta de batom vermelho? 
Conte para nós!
Super beijo.