4 de dez de 2012

O Iluminado - The Shining


Seria o livro O Iluminado uma inspiração do Cinq Contes(O albergue/Pousada) de Guy Maupassant?“Mais tarde, assim que as trevas desceram sobre a montanha, novos terrores o assaltaram. Começou a andar pela cozinha escura, mal-iluminada pela chama da vela, andava de um para o outro lado, com passos largos, atento, desejoso de certificar-se se o grito apavorante da noite anterior não tornaria a romper o silencio morno lá de fora. E o desgraçado sentia-se só como nenhum outro homem jamais estivera! Estava sozinho naquele imenso deserto de neve, sozinho a dois mil metros acima da terra habitada, acima das moradas humanas, acima da vida que se agitava, rumorejava e palpitava, sozinho no céu gelado! Atenazava-o uma vontade louca de fugir para qualquer outro lugar, fosse qual fosse, de atirar-se ao abismo para chegar a Loeche; mas nem sequer ousava abrir a porta, na certeza de que o outro, o morto, lhe interceptaria o passo a fim de também não ficar sozinho naquelas alturas.” O tratamento que Kubrick deu ao filme te agradou? Crítica 'especializada' reclamou da extinção de sustos, arrepios e fidelização ao livro. King é "o rei do terror", já Kubrick resolveu fazer um filme que não fosse uma reprodução filmada do romance.Pauline Kael da revista The New Yorker, por exemplo, censurava alguns 'excessos' técnicos de Kubrick como distração para o que deveria ser uma honesta e amedrontadora história de terror. 

Ela também ia diretamente ao ponto quando investia contra a mania metafísica do diretor, que colocava Jack Torrance (Jack Nicholson) como o zelador eterno do hotel Overlook, o que é parte de um diálogo de um garçom-fantasma com Jack. Kael faz a dedução perfeita: se o mal é eterno, o osso projetado no ar, de 2001, seria a 'forma primitiva' do machado de Jack em O iluminado
Jack e seus roncos furiosos/animalescos na perseguição dos animais recortados nos arbustos do jardim, seria a transformação dele mesmo em macaco?  Maybe!
Fãs de Kubrick gostaram já os fãs de King 'detestaram'. Eu adoro os dois portanto AMEI.No livro, entende-se que o hotel, uma entidade do Mal, queria se apoderar da capacidade paranormal de Danny, o menino da história. Isso é tratado de raspão no filme. Jack, no livro, é um alcoólatra que está se recuperando. O hotel aproveita para dominar sua mente. No filme não se fala disso, o que faz a frase de Jack ― "Daria qualquer coisa por um drinque" ― uma espécie de oferenda de sua alma para o Mal, sem efeito para quem não conheça o livro.Do que se tem medo em O iluminado
A loucura de Jack poderia ser sinonimo de esquizofrenia?
O simples e inofensivo ato de pensar estar na pele de Torrance é intimidador? Não acho. 
Talvez a ficção, mais especificamente o cinema, seja o único modo de enfrentarmos de CARA LIMPA algo que nos é implícito: a violência. Mesmo que contra as pessoas que mais amamos. E nenhuma outra obra representaria com tanta autoridade o saciamento deste desejo primário. Stanley Kubrick ensaia entregar uma válvula, um passaporte para aquele mundo onde podemos liberar raiva e fúria acumuladas sem maiores problemas. Onde se ensaia o sentido mais bruto de “liberdade”, cortado ao meio pelo final feliz mais triste de todos os tempos.
Jack Torrance meio a frustrações e incapacidade de levar seu projeto adiante.


Exibe um festival de ações/sentimentos para o deleite de qualquer psiquiatra forense.
O diretor faz de Jack Torrance um resumo do seu próprio estilo. Um círculo fechado, um pesadelo, um labirinto infinito pelo qual, em toda obra com a insígnia do Stanley, somos convidados a passear, a nos perder e a enlouquecer tentando nos encontrar.
Fotografia é muito bonita, como na cena do bar. Trilha sonora me agrade muito. Jack Nicholson em seu estilo "Estranho no Ninho" , sou fã, rs.
De qualquer forma um dos mais desajustes esquizofrênicos mais geniais do cinema.

2 comentários:

  1. Tanto livro quanto filme: Maravilhosos! To louca pra rever!
    Visita o meu blog? Aguardo comentários!
    http://mardeletras2010.blogspot.com.br/2012/12/pathos.html
    Tenho de cinema também! http://quaseumfilmepordia.blogspot.com.br/

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  2. Amo Pati!
    Já havia lido este post. Filme e livro, extraordinários. Só não gosto daquela versão televisiva de 97.

    Beijos

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