22 de set de 2012

Perfis de Mulher: Helen Keller


Muitas mulheres conseguiram triunfar e por isso merecem ser lembradas. Algumas alcançaram o sucesso após superar grandes dificuldades. Helen Keller foi uma delas. Cega e surda, vivendo na virada do século XIX para o século XX, enfrentou muitos obstáculos até se tornar uma intelectual notável. E polêmica.
Em 27 de junho de 1880 nasceu Helen Adams Keller, uma menina perfeitamente saudável. Aos 19 meses de idade, ela contraiu uma doença, talvez meningite ou escarlatina, que a deixou cega e surda. Quando bebê a única pessoa que entendia os sinais que ela fazia era a filha da cozinheira e, com o tempo, todos na casa foram se adequando e criando um código para se comunicar com Helen. Aos oito anos, graças a um escrito de Charles Dickens e um conselho de Alexander Graham Bell, Helen foi com seu pai procurar ajuda em uma instituição para educar deficientes. Foi aí que surgiu a figura mais importante de sua vida: Anne Sullivan.
A própria Anne, aos 20 anos de idade, era cega e ex-aluna da instituição. Ela teve de enfrentar muitos problemas até Helen aprender as palavras que ela ia soletrando, em língua de sinais, nas mãos da menina. Mas todo o esforço valeu à pena e Anne não apenas quebrou a barreira da incomunicabilidade com Helen, mas também a acompanhou em voos mais altos. Helen foi para a escola e para a faculdade, sendo a primeira pessoa com deficiências múltiplas a ter um diploma universitário. Ela se formou bacharela em Artes aos 24 anos, tendo sua educação financiada por um magnata do petróleo que admirava sua força de vontade.
Sua própria carreira nas artes já havia começado dois anos antes, quando Helen publicou sua autobiografia. Depois de formada, ela, Anne e o marido de Anne se tornaram grandes companheiros. A esta altura Helen era capaz de “escutar” música captando as vibrações das ondas sonoras em uma superfície e também havia aprendido a falar, tornando-se palestrante. Para completar, ela era capaz de entender o que os outros falavam colocando a mão nos maxilares de seus interlocutores, método que hoje é conhecido como Tadoma.
As ideologias de Helen Keller não poderiam ser mais avançadas para a época: defensora do sufrágio feminino e do controle de natalidade, opositora da entrada dos EUA na Primeira Guerra Mundial e membro do Partido Comunista. Começou a defender os direitos dos trabalhadores ao conhecer as condições abusivas de trabalho que levavam à cegueira nas fábricas e em prostíbulos, sendo neste último a causa principal a sífilis. Ao se declarar comunista, presenciou a ira de um jornalista que, anos antes, havia escrito vários elogios sobre ela. Com a alegação, ele voltou a escrever sobre Helen, desta vez menosprezando-a devido a suas deficiências.     
Além de escrever e publicar 12 livros e vários artigos, Helen fez algo que poucos sabem: introduziu na América a raça de cachorro Akita, pois adotou dois deles em uma viagem ao Japão na década de 1930. Além dos cães, seus grandes companheiros na vida adulta foram os empregados de sua casa. Após a morte de Anne Sullivan, em 1936, Helen e sua empregada viajaram o mundo em busca de investimentos para projetos que beneficiassem os deficientes visuais. Helen faleceu aos 88 anos, depois de uma série de derrames.
Uma história tão impressionante não passaria sem chamar a atenção do cinema. Em 1919, cenas de seu dia-a-dia foram usadas no documentário romantizado “Deliverance”. Na ocasião Helen se tornou amiga de vários atores de Hollywood, notadamente Charles Chaplin. A partir da biografia de Helen surgiu The Miracle Worker, um ciclo de histórias sobre a relação dela com Anne Sullivan que foram adaptadas para a TV, a Broadway e finalmente para o cinema em 1962, rendendo Oscars para as atrizes que interpretaram Helen e Anne, respectivamente Patty Duke e Anne Bancroft. Foram feitos também documentários e até um filme em Bollywood sobre ela. Além disso, ruas, hospitais, institutos e estátuas foram criados para homenageá-la e manter viva a memória dessa mulher surpreendente.

“Às vezes eu penso sobre minhas limitações, e elas nunca me deixam triste. Talvez seja apenas uma pequena vontade de vez em quando, mas é vaga, como a brisa entre as flores.”
Helen Keller (1880-1968)            

2 comentários:

  1. Lê,
    Belíssima lembrança!
    Na época de Pós fizemos nosso trabalho sob a temática:Ecoturismo para Cegos. Devoramos quase tudo sobre essa maravilhosa cidadã.
    Um exemplo de vida!!!!
    bjs.

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  2. Acabei de traduzir um texto de Keller que pode interessar a si e a seus leitores. Espero que goste:

    Como me tornei socialista - Helen Keller

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