14 de mai de 2012

Fauno que pariu!

Ofélia e seu tutor das profundezas do Hades

Boa noite gente,eu sou a mulher do padre porque justamente,eu estou sendo a última a postar no blog neste momento,sendo que eu fui convidada desde cedo.Aí eu digo: Google meu filho,cadê a seriedade,não me atrasa não!! Assim o mundo não vai para frente!

Meninas,desculpem-me os maus modos e o ar destrambelhado,tenho que ficar me policiando direto para não fazer feio,pagar mico mas...well,é mais forte do que eu! A minha primeira postagem aqui no blog na categoria filmes vai ser uma postagem que eu já tenho no meu blog, o Ishitara Enluarada (se quiserem ler a postagem original,cliquem no nome do meu blog) sobre um filme que eu amo de morte! Já vou avisando: Podem me chamar de Senhorita Spoiler,pois eu conto tudinho mesmo que eu senti assistindo o meu filme,só que do meu jeito.Bem que eu queria me recordar que o nome da atriz que interpreta Ofélia é...qual era mesmo meu Deus?

Agora chega de brincadeira e vamos ao que interessa!


                                      

                        O Labirinto do Fauno

A única solução para o sofrimento é a Morte,diria Alone,em Lost Canvas...

   Eis aí a provação da alma,espelhada nesse filme excelente. O mito do eterno retorno. Vida é morte,morte é vida. Uma traz a provação e a outra libertação.Ao longo dos tempos em crenças diversas espalhadas por tempos e lugares distantes em si,perpetuamente interconectados entre si,essas crenças sempre deram conta deste fato.

 No Egito Antigo,as vísceras eram extraídas e postas em canôpos,vasos rituais. O cérebro,curiosamente,era descartado,por nada representar naquela cultura. Mas o coração...Este sim,era conservado na múmia,pois acreditavam,que o coração é que seria o responsável,por bons ou maus julgamentos para com o defunto perante o tribunal dos deuses,no além.

A marca é o pretexto para morrer... 
As religiões Orientais,por sua vez,professam a crença no ciclo de nascimentos pelo qual a alma passa. Longe de ser algo agradável pelo qual se tenha que passar continuamente,antes é,um suplício para a alma,ter que nascer e morrer tantas vezes,ainda mais num sistema de crença no qual,você diretamente,paga pelo que cometeu no passado,se fez bem,receberá o bem;se fez mal receberá o mal.

Complicado né?Então para impedir essa sequências de nascimentos,no qual,pode-se vir humano,animal,deus ou demônio,denominado Samsara,estas pessoas praticam um sem par de rituais visando a purificação e a consequente anulação de seu ser,de sua existência,denominado Nirvana,o grau de iluminação máxima.


Em certo conto judáico,vê-se com certa curiosidade, o tratamento dado a este tema. Duas almas acabam de receber a sentença do anjo  Metraton,aquele das centenas de olhos,portador da espada flamejante. Ambos estavam tristes,pois foram condenados à "morte". A preparação para a execução,consistia em ter seus cabelos raspados e seus dentes extraídos e em seguida suas asas foram tosquiadas. As horas seguiam-se quando finalmente foram avisados que o "coveiro" e o "caixão" já estavam à postos,por isso era a hora da despedida,era hora da "execução",era hora do "enterro".

Toda essa alegoria,referia-se ao plano terrestre.Lá dois jovens namorados encontraram-se e ali ficou subentendido que fariam amor naquela noite e dali resultaria uma gravidez.Portanto o significado dos termos seria que o coveiro é a parte masculina,o caixão seria a parte feminina e que o enterro,obviamente,seria o ato sexual que resultaria em uma gravidez,portanto o nascimento aqui,porém morte naquele plano,pois figurativamente a alma seria encerrada numa prisão sem muros.
Preferível a Morte carnal do que a espiritual


Toda essa introdução se fez necessária,apesar de à primeira vista,parecer não fazer sentido,é aqui que as coisas se interconectam,pois justamente o fio condutor da trama foi agarrado. "O Labirinto do Fauno" é uma fábula de terror,choca pelo que vemos ao longo do filme,pela violência de dois mundos,tanto o de Ofélia e seu tutor, o fauno do título,como também o da época que ela vivia,quando domínios totalitaristas infeccionavam o mundo. Entre um e outro,não é melhor fazer de tudo e escapar a uma vivência tão cruel e sem esperanças? 

A fantasia pode ser reconfortadora porém é tão real ou mais real que a realidade em que se vive.Porém a esperança essa sim conduz à busca de uma situação melhor. E exatamente como aquele conto judaico,essa história é uma alegoria às avessas,pelo menos pelo o nosso ponto de vista "terreno",uma vez que Ofélia na realidade é uma princesa que cansada da vida subterrânea,acaba escapando para a superfície,para viver entre os humanos,algo que se  pode enxergar como a concepção grega do submundo,não como um lugar infernal,mas sim como a morada dos que um dia foram da superfície,ou seja,morreram.
 
Hora do banquete macabro

E o castigo para essa alma fujona seria passar por todo o tipo de provações,até que um dia,pudesse retornar para o seu lar e ser feliz finalmente. Quando tomou ciência de sua real condição,Ofélia,aquela menina reprimida pelo meio começou a agir,enfrentou provas horripilantes e entre elas a última que seria a sua redenção: salvar seu irmão,suposto principe de seu reino,daquele mesmo destino pelo qual ela passou:"E o Passado resgata o Futuro" Após esse ato a garota morre de jeito cruel,morte infligida por seu padastro maníaco,que obteve morte ainda mais pavorosa.
Fauno e suas ajudantes fadas


Pode-se pensar que tudo foi perdido com a morte da menina,é o que nos faz crer,o senso comum. Só que a realidade é outra.Com a morte,ela conseguiu a liberdade de sua alma,liberdade daquela prisão se muros e pode enfim,retornar ao seu lar,ao lado dos reis,representados por seus pais e ao lado do seu companheiro,o fauno.  Lá,sem a prisão sem muros a que era infligida,ela pode voltar a ser ela mesma,uma vez que a sua essência torna-se mais forte. Fica subentendido que a vida aqui neste plano absorve a pessoa e ela se perde de sua alma,de seu eu verdadeiro,obrigada a tantas convenções e receios e o único jeito de se libertar é retornando ao plano espiritual. Realmente a alegoria sombria e onírica de Guillermo Del Toro é completa com todas as sugestões e metáforas com que se possa refletir.
E para provar que eu levo as coisas à sério...


Ficha Técnica do Filme:
 
Sinopse: Na década de 1940, durante a Espanha pós-Guerra Civil, uma garota de dez anos se muda com a mãe grávida para uma área rural ao norte do país. Sua mãe acaba de casar com um coronel fascista. Lá, a menina passa a viver entre um mundo fantástico de sua criação e a dura realidade.


Diretor: Guillermo Del Toro
Elenco: Ivana Baquero, Doug Jones, Sergi López, Ariadna Gil, Maribel Verdú, Alex Ângulo, Roger Casamajor, César Bea
Produção: Alfonso Cuarón, Guillermo del Toro, Álvaro Augustín, Bertha Navarro, Frida Torresblanco
Roteiro: Guillermo Del Toro
Fotografia: Guillermo Navarro
Trilha Sonora: Javier Navarrete
Duração: 117 min.
Ano: 2006
País: México/ Espanha
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Estúdio: Tequila Gang
Classificação: 16 anos

Eu preciso dizer que esse filme é premiadíssimo e causou furor em seus expectadores? Então está esperando o quê? Assista e venha comentar aqui no blog com a gente! Beijocas!

E como diria o tio do Jack,"Mais uma coisa":

Para entrar no clima obscuro do filme,vamos ouvir Everything Dies,ou seja Tudo Morre,da banda Type O Negative! Infelizmente né,até o Peter morreu!




Agora sim.....


Fui!!!!!

5 comentários:

  1. Olá Ana. Sempre fuçando muito e vivendo intensamente. Este filme é ótimo e merece ser visto várias vezes pelas mensagens subliminares.
    Boa sorte com o blog.

    André

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  2. adoro Guilhermo Del Toro!
    Já assistiu O ORFANATO ?
    Mesma pegada ' espiritual' .
    Alias, adorei o modo como tu chega ao leitor :D
    Leia o que teclei sobre Labirinto do Fauno
    www.filhosdelecter.blogspot.com.br
    bjs

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  3. É um filme assustadoramente belo...
    Consegue trabalhar tanto um ponto de vista psicológico como espiritualista sem contradizer-se... Vai de quem e como assiste.

    Guilhermo criou mesmo uma fábula de terror!

    ;D

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  4. Como chorei com este filmeeee... minha nossa viu... amei muito, mas confesso que o final foi triste demais.
    Menina que Blog é esse? Amei do inicio ao fim, queria eu participar disso aqui... rsrsrsrs... de qualquer forma seguir e visitar é bom demais... Bjs

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  5. Oi gente!!!!

    André,tu tá sumido meu amigo!!! É verdade eu tenho o hábito de fuçar tudo,eu deveria ter nascido na época de Mata-Hari e ter sido sua dupla dinâmica! Nós duas iríamos arrasar na dança do ventre e nos jogos "vorazes"...Tenha certeza que o teu comentário aqui no blog nos dará muita sorte,esteja bem-vindo a prestigiar o talento das meninas!

    Patt Baleeira

    Menina,ainda não assisti o Orfanato,você acredita? Venho namorando esse filme há milênios!Obrigada por gostar do meu jeito,assim até me sinto encabulada! Eu estava preocupada com a aprovação geral,sabe como é né,medo de me acharam tola demais!Acabei de ler o seu artigo e adorei o jeito como você aborda a loucura e o escapismo de personagens de filmes prestigiados,acho até mesmo que você deveria adaptar e colocar aqui no blog com esse tema do escapismo,com certeza seria interessante de se ler. A pobre Ofélia não tem nada de esquizofrênica,é uma injustiçada,isso sim.No lugar dela eu sonharia estar dentro de um anime e de preferência com um herói para me proteger,eu seria a própria Rin,de Blade-A Lâmina do Imortal!kkkkkkkkk! Liga não amiga,eu viajo mesmo,acho que deu para perceber!Beijocas!

    Karla Hack dos Santos

    Olha que a maioria dos contos de fadas na versão original são de arrepiar os cabelos mas depois de ver o Labirinto do Fauno a minha concepção de imaginação nunca mais será a mesma!Beijocas!


    Jane Dos Anjos

    Também chorei copiosamente com o filme menina,tinha vezes que eu não sabia de quem essa menina tinha que fugir,se era da guerra,se do padastro ou se era do fauno...Situação muito complicada, o final apesar de triste,foi o melhor para ela,apesar de quê,eu preferiria mil vezes que ela e o irmão fossem adotados pela governanta rebelde,mas esse conto não era para ser delicadinho,era para chocar mesmo!Quem sabe eu terei a honra de trabalhar contigo Jane? Nada é impossível amiga! Beijocas!!!
    Com

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