26 de fev de 2013

A Influência Literária no Rock

Depois de um bom tempo sem aparecer pelo blog "Antes que Ordinárias", volto as atividades neste ano de 2013 com a seção "Opinião" onde falo e coloco em questão diversos temas políticos, sociais e até mesmo de entretenimento.

Aldous Huxley
 Abro a  seção falando de rock e literatura. Duas coisas que não vivo sem e que juntas ficam melhor ainda. Um texto que aborda cantores e sua influência literária.

O número de cantores/bandas  que tem em sua bagagem musical a influência direta de poetas, escritores e mesmo obras literárias é muito grande e cresce ainda mais quando o assunto é o rock' n' roll. Um gênero que se diferencia por sua grande quantidade de conteúdo, variações e temáticas.

 A literatura e musica possuem uma conexão de séculos, pensadores como Nietzsche já falavam da importância da musica para os seres humanos: "Sem a música, a vida seria um erro." Outro musico e até mesmo amigo de Nietzsche, Richard Wagner foi um famoso compositor alemão, e além de músico era também poeta e escreveu várias óperas e a tetralogia "O Anel do Nibelungo", um clássico mitologia nórdica.


 Mais a frente no tempo, muitas bandas de rock a partir da década de 1970 viriam a ter um autor como influência, principalmente escritores como Edgar Allan Poe.

Dentre um dos poetas mais aclamados dentro do rock/ punk está Arthur Rimbaud que foi um precoce poeta francês, escrevendo obras-primas entre os 15 e os 18 anosde idade,  influenciou a literatura, a música e as artes modernas. Era conhecido por sua fama de libertino e por uma alma inquieta, viajando de forma intensiva por três continentes antes de morrer de câncer aos 37 anos de idade. Talvez nascia aí a ideia do "morra jovem" cultuada pelos roqueiros dos anos 60 em diante.


A própria Biografia da banda Rolling Stones, tem como referência um livro de Rimbaud, "Uma Temporada No Inferno", que virou  "Uma Temporada No Inferno com os Rolling Stones".

A poesia de Rimbaud, bem como sua vida libertina, serviu de inspiração para músicos e artistas do século XX. Bob Dylan, Patti Smith, Van Morrison e Jim Morrison foram influenciados por sua poesia e por sua vida.


Jim Morrison lia muito as obras de poetas franceses, Rimbaud, além de outros como  Paul Velaire e Charles Baudelaire. Ainda falando de Jim Morrison, talvez um dos cantores com maior referência literária, é no escritor Aldous Huxley, que Jim se aprofundou para dar nome a sua banda "The Doors", inspirado no livro "The Doors of Perception" de Aldous Huxley ou "As portas da Percepção",  esse titulo de Aldous, veio de um verso do poema de William Blake, que dizia: " Se as portas da percepção estiverem limpas/ Todas as coisas se apresentarão ao homem como são, infinitas..."


A Poesia Beat dos anos 60 foi bastante influente na vida de Jim Morrison e muitos musicos daquela epoca e até depois, e um dos livros favoritos do cantor era ''On the Road'' de Jack Kerouac.

O cantor Bob Dylan foi um dos cantores que levantou a bandeira Beat, e principalmente um dos amantes dos livros de Kerouac. Dylan afirmou que "On the Road", foi  como uma bíblia para mim", ainda em conversa com Ginsberg, a cantor Dylan disse: "A leitura explodiu minha mente, foi a primeira poesia que falava a minha língua".

Aldous Huxley foi outro autor homenageado pela geração do acid-rock,  Jim Morrison lerá "The Doors of Perception", na adolescência e voltava a lê-lo quando estava em gravação do primeiro disco da banda californiana. Huxley também aparece na capa de Sgt Pepper’s dos Beatles. O Beatle John Lennon adorava os livros de Lewis Carroll, "Alice no País das Maravilhas" e "Alice através do Espelho".


A banda Queen, na música "Machines (or Back to Humans)", tem como inspiração o livro "1984", de George Orwell. O Blind Guardian tem influência das obras de J R R Tolkien como o "SIlmarillion".

O The Cure  tem uma forte ligação com as obras de Allan Poe, esse autor inclusive tem seus contos em forma de músicas nas mãos do guitarrista Allan Parsons.


O nome da banda "Joy Division" foi tirado do nome de uma casa de prostituição extraída de um romance chamado "The House Of Dolls", escrito por Yehiel De-Nur, em 1956. A banda ainda tem referência na poesia concreta de Marshall Berman, no documentário sobre o Joy Division, começa com uma citação do escritor: "Ser moderno é encontrar-nos em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, transformação de nós mesmos e do mundo - e, ao mesmo tempo em que ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos tudo o que somos. "


É uma descrição apropriada da banda, o escritor Marshall Berman ficava fascinado toda vez que escutava que vivia numa cidade “moderna”, num edifício “moderno”. Desde então, dedicou boa parte da sua vida à tentativa de decifrar o que é, enfim, a modernidade. É um dos grandes noems da poesia concreta.

O filósofo alemão Nietzsche inspirou músicos do Post-punk e do gênero musical heavy metal, particularmente os de black metal.

A banda black metal norueguesa Gorgoroth, indubitavelmente é uma das mais influenciadas pelas idéias nietzschianas, tanto que chegaram a afirmar que Nietzsche é a principal influência para a banda como autor. 

Afirmam: "Definitivamente, as obras Crepúsculo, O Anticristo e Ecce Homo estão entre os meus 5 livros favoritos."

O nome Gorgoroth foi retirado do livro "O Senhor dos Anéis", de J.R.R. Tolkien, a região onde está situada Mordor, onde reina o cruel Melkor.

Assim como o Gorgoroth, o nome da banda Burzum, também foi retirado do livro de Tolkien. "Burzum" é uma das palavras que estão escritas em Língua Negra no Anel de Sauron, a última sentença é "ash nazg durbabatuluk agh burzum ishi krimpatul", que significa "um anel para atrair todos eles e uni-los através da escuridão". Burzum seria "escuridão"


A banda Inglesa Anaal Nathrakh também apresenta forte influência de Friedrich Nietzsche. Outro bom exemplo de influências nietzschianas no metal é o álbum da banda Bathory intitulado "Twilight of the Gods", lançado em 1991, que traz na contra-capa trechos de 1871 de Friedrich Nietzsche.

Bem esses foram alguns artistas que tem influência literária que lembrei, porém é um campo vasto demais para ser exposto em uma única postagem, mas espero que tenham gostado do texto :)

Fonte: 
whiplash.net
Wikipédia


9 comentários:

  1. -Muito bom... viajei, acabei descobrindo muita coisa ...

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  2. Que delícia Jösi! Você fez um apanhado histórico-sociológico muito interessante de bandas e autores que eu aprecio muito,com os quais tive o meu contato entrando na adolescência! De acordo com a época e os costumes,certas obras faziam mais influência do que outras e me lembra muito as noções de diacronia e sincronia que eram abordadadas na faculdade na área linguística mas que não se descarta aplicar também em teoria literária!Muito bom!

    Beijocas!

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  3. Olá, agradeci aos deuses por ter chegado aqui. Meus aplausos para esse post completo, recheadinho de cultura e no embalo de um rock nietzschiano. Toco cavaquinho, amo música. E também não vivo sem ela.
    Afinal, como diz Cervantes, "onde há música não pode haver coisa má".
    Parabéns pelo blog!
    Um abraço e boa tarde.

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  4. Estou terminando de ler Ecce Homo... e é muito bom saber que as duas artes ainda caminham em conjunção!
    Que histórico maravilhoso que vc fez!!!! Acho que não poderia ter sido mais feliz na forma de explorar o tema... Aldous Huxley dizia: "Depois do silêncio, aquilo que mais aproximadamente exprime o inexprimível é a música."

    Maravilha de recomeço de posts!

    ;D

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  5. Josiiiiiii,
    que saudade de 'ler você'"
    Adorei o texto e até matei saudades do Poe!
    "Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
    Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
    E já quase adormecia, ouvi o que parecia
    O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
    “Uma visita”, eu me disse, “está batendo a meus umbrais.
    É só isto, e nada mais.”

    Gatudaaaaaaaaaaaaa, besooooooooooos!

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  6. Muito bom, gostei bastante!

    O "The Cure", já citado pela relação com Edgar Allan Poe, também tem relação com Albert Camus: a música "Killing an Arab", um dos primeiros sucessos da banda, foi inspirada em "O Estrangeiro", excelente obra de Camus.

    E tem muita coisa: Rush com "Tom Sawyer", Kate Bush com "Wuthering Heights" de Emily Bronte ( e teve uma versão do Angra que ficou bem interessante também) e por aí vai...

    Abraços e parabéns pelo ótimo post! :)

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  7. Parabéns muito bacana seu post.. continue por favor, tenho certeza de q irá longe!

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  8. É sempre muito delicioso e inspirador ler esse tipo de textos/críticas que envolvam bandas e fontes literárias que sempre irão marcar gerações...
    Essa troca de experiências entre a literatura e o ramo do rock and roll, só nos faz, fãs desses universos, enriquecer cada vez mais nossos horizontes , conhecer cada coisa que nos é apresentada e poder curtir ao máximo a sua essência.
    Há uma vasta lista de bandas x autores citando uma que adoro... o Velvet Underground que faz referencias ao livro “Venus in Furs” de Leopold von Sacher-Masoch, mas os citados foram muitíssimo bem representados neste texto aqui ... adoro TODOS !!!
    Parabéns ... e volume sempre no máximo !!!

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