13 de out de 2012

Perfis de Mulher: Janis Joplin


Uma artista que revolucionou a música no século XX e conseguiu uma legião de fãs teve sua carreira precocemente interrompida pela morte aos 27 anos, causada por overdose. As drogas e a bebida tolheram sua saúde e muitas vezes prejudicaram suas apresentações, mas não impediram que ela escrevesse seu nome na história da música.  
Nascida Janis Lyn Joplin em 19 de janeiro de 1943 no Texas, era a mais velha de três filhos e, segundo seus pais, sempre demandou mais atenção que os outros. Na adolescência fez amizade com um grupo de pessoas que, como ela, se sentiam excluídas pela maioria. Acima do peso e com a pele marcada pela acne, Janis era motivo constante de chacota por parte de seus colegas. Mesmo depois de famosa, ao participar de uma reunião de ex-alunos, Janis sentiu-se desconfortável e fora de seu ambiente natural.
Janis começou a cantar no coro da Igreja, como muitas outras cantoras de sucesso. Na época de estudante, no entanto, ela preferia se dedicar à pintura. No começo de 1963 ela decidiu sair da Universidade do Texas e ir para San Francisco, onde teve seu primeiro contato com as drogas. Usou muita heroína enquanto gravava suas primeiras fitas, até ser persuadida a voltar a sua terra natal para livrar-se das drogas. Lá ela até pensou em mudar de vida e estudar Sociologia, mas uma apresentação solo em Austin mudou os rumos de sua carreira.
Um promoter da banda “The Big Brother and the Holding Company” a viu e a convidou para se juntar a eles e mudar-se para a Califórnia. A primeira grande apresentação com a banda foi em um templo Hare Krishna. Janis e outros membros do grupo já estavam então há um ano usando drogas intravenosas. Depois do primeiro álbum, a banda começou uma turnê por várias cidades e participou de alguns festivais, mas foi só com o segundo disco, capitaneado por Janis, que eles alcançaram imenso sucesso: “Cheap Thrills” ficou no topo das paradas por oito semanas e vendeu um milhão de cópias em um mês.
O maior destaque dado pela imprensa a Janis em eventos e programas de televisão gerou descontentamento nos outros membros da banda. Em 1969, usando 200 dólares de heroína por dia, Janis deixou The Big Brother e formou outra banda, chamada The Kozmic Blues Band, com a qual fez uma turnê pela Europa no mesmo ano. Outro momento importante com o grupo foi a apresentação em Woodstock. Após uma espera de dez horas regada a uma mistura de drogas e bebida, Janis subiu ao palco mas não ficou feliz com sua performance, mesmo assim permaneceu até o fim do festival. Um problema semelhante ocorreu na apresentação da banda no Madison Square Garden, quando, de acordo com depoimentos, a plateia assistia a seus números sem saber se ela conseguiria chegar ao final. Na ocasião ela cantou com Tina Turner, cantora de quem Janis era fã.
Após o fim de The Kozmic Blues Band depois de um disco e menos de um ano, Janis veio para o Brasil, onde parou de beber e usar drogas e se envolveu com David Niehaus, rico estudante Americano que estava dando a volta ao mundo. Ela e Niehaus romperam após a volta aos EUA, uma vez que Janis não estava disposta a deixar a carreira em segundo plano para viajar com David e ele também não tolerava que ela usasse drogas. Então ela fundou a Full Tilt Boogie Band, com a qual iniciou uma turnê e a gravação de um álbum que não terminaria.
Janis no Brasil
Em 4 de outubro de 1970 ela foi encontrada morta em um quarto de hotel. Ela estava neste hotel de Los Angeles desde o final de agosto para a gravação do album Pearl, nome que faz referência ao apelido dado por seus amigos. Também estava noiva do estudante Seth Morgan, que na época tinha 21 anos. Poucos dias antes de morrer havia gravado uma mensagem musical para o aniversário de 30 anos de John Lennon.  Hoje a hipótese mais aceita é a de que sua morte foi causada por uma overdose accidental, visto que ela recebera um tipo de heroína muito mais forte do que estava acostumada, o que aconteceu com outros usuários na mesma época. Sua morte chocou o mundo da música, que dezesseis dias antes havia perdido o guitarrista Jimi Hendrix, também aos 27 anos.     
Comparada a grandes músicos como Elvis Presley, tinha uma presença única e elétrica. Seu disco póstumo foi um grande sucesso e influenciou inúmeras outras bandas e cantores. Seu estilo despojado virou marca dos hippies na década de 1970 e suas tatuagens abriram uma porta para que os desenhos no corpo passassem a ser melhor aceitos pela sociedade. Dezenas de compilações de suas músicas foram feitas e muitos livros foram escritos. Uma biografia lançada por sua irmã em 1992 virou peça de teatro em 2001. No ano de 1979 o filme The Rose foi feito inspirando-se na vida da cantora, mas até hoje ela ainda não ganhou sua merecida cinebiografia.   

“Quando eu canto, eu me sinto como quando você se apaixona pela primeira vez. É mais que sexo. É quando duas pessoas têm o que realmente se pode chamar de amor, quando você toca alguém pela primeira vez, mas é enorme, multiplicado por todo o público.”
Janis Joplin (1943-1970)                      

5 comentários:

  1. Olá Letícia, eu também sou um grande fã da Janis e de certa forma me identifico que esta sensação de não pertencimento que ela sempre sentiu em relação ao mundo à sua volta. Gostei muito do teu texto!
    Só uma pequena correção, o Jimi Hendrix era guitarrista, não baterista.

    Um abração bem forte pra ti Letícia!

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  2. Parabéns pelo texto, sou muito fã da Janis!

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  3. Leeeeeeeeee, adorei ver a janis aqui! Essa ai era maravilhosa... claro, vivia muitos conflitos internos e, de certa forma, nao teve estabilidade emocional para conseguir lidar com os mesmos.

    Otima postagem... ;)

    bjkks

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  4. Adorei o texto. Sem dúvidas ela era uma grande artista.

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  5. Lê,
    faço dos escritos da Joicy o meu:" adorei ver Janis por aqui".
    Posso pedir alguns perfis? Faz tempo que quero... hehe.
    Listinha:
    Meryl Streep;
    Angelina Jolie;
    Hebe Camargo;
    Rita Lee;
    Joana D´arc;
    Rainha Vitória...

    No aguardo,rs.
    bjs

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