1 de jul de 2012

Rio+20 - Parte II: Uma conferência Fracassada!

A Rio+20 terminou com decepção para todos os envolvidos e para aqueles que tinham alguma esperança no nosso pais e em sua capacidade de servir de exemplo de organização e como pais sede da conferência devia ter mostrado-se um pais lider nas questões de defesa da sustentabilidade e meio ambiente, afinal somos o pais com as maiores florestas do mundo e temos a floresta Amazônica como maior bem.


Porém temas como fome, foram os mais cobrados e comentados durante a conferência, pois lutamos por uma econômia verde, sociedade verde, desenvolvimento sustentável ou defesa no meio ambiente mas questões como a fome no mundo, estão sendo esquecidas lembrou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon durante o encerramento da conferência, pois ele esperava que o encontro adotasse medidas mais firmes para garantir que os mais pobres tivessem acesso a água, energia e alimentos.

No entanto, sua emblemática iniciativa "Energia Sustentável para Todos" foi apenas citada no texto, ao invés de receber apoio enfático dos líderes, Ki-Moom tomou seu discurso como um desafio aos nossos governantes no combate a pobreza e fome.

Atualmente acredita-se que quase 1 bilhão de pessoas - um sétimo da população mundial - vivem em fome crônica, enquanto outro bilhão não recebe nutrição adequada.

As medidas que poderiam ajudar a eliminar essa situação incluem a redução do desperdício de alimentos, quase um terço de todos os alimentos produzidos são jogados no lixo nos países ricos, e uma proporção ainda maior nos países mais pobres, por razões diferentes, além de dobrar a produtividade de pequenas propriedades.


A Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20,  falhou com as pessoas mais pobres do mundo.

Pois "Milhões de homens e mulheres pobres agora têm de recolher os pedaços da bagunça deixada pelos líderes mundiais que vieram ao Rio de Janeiro.

O desastre foi tanto que durante a conferencia houve denuncias de desperdicios, pessoas chegaram a recolher comidas nos lixeiros da Rio+20 que devia adotar medidas, estava disperdiçando alimentos.

sS pessoas não vieram ao Rio preparados e não conseguiram entregar uma visão clara ou soluções para erradicar a pobreza e interromper a degradação ambiental ", diz Kit Vaughan, coordenador de Advocacy da CARE para questões de Pobreza, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas.

 "Hoje, vemos vinte anos perdidos.

 Em 1992, os líderes mundiais foram mais inovadores, determinados e visionários. No entanto, hoje os desafios são ainda maiores”.

Sem um caminho claro para alcançar o desenvolvimento sustentável, milhões de mulheres e homens são forçados a continuar vivendo na pobreza e ameaçados pelos desastres naturais, aumento nos preços de alimentos e mudanças climáticas.


 “No meio das discussões no Rio, surgiram algumas soluções que não dependem de política internacional. Comunidades locais em todo o mundo já estão tomando providências para administrar seus recursos naturais e viver uma vida sustentável.

A miopia de líderes mundiais demonstrada no Rio mostra que nós, enquanto sociedade civil, temos que fazer de tudo para catalisar essas iniciativas locais. Enquanto os líderes mundiais voltarão para suas rotinas de trabalho, organizações como a CARE e parceiros terão de redobrar seus esforços na missão de erradicar a pobreza e aumentar a resiliência de comunidades locais”.

A CARE acredita que os líderes mundiais não devem deixar de ser cobrados pelo fracasso da Rio +20. 

“Temos de continuar pressionando nossos governos, ao mesmo tempo que priorizamos os direitos dos mais pobres e vulneráveis, especialmente das mulheres, e seus desafios crescentes no que diz respeito à segurança alimentar e às mudanças climáticas. Sem isso, não falharemos somente com a geração atual, mas também com as futuras. Elas herdarão um planeta insustentável, pois sem a luta contra a pobreza, não haverá desenvolvimento sustentável”.


A CARE foi Fundada em 1945, a CARE é uma organização humanitária de combate à pobreza global.

Possui mais de seis décadas de experiência ajudando as pessoas a se preparar para desastres, prestando ajuda humanitária quando as crises ocorrem e ajudando comunidades a se recuperar após as emergências. A CARE tem um foco especial nas mulheres e crianças, que geralmente são mais afetadas pelos desastres. Com atuação em 84 países, a CARE apoiou em 2011 mais de 122 milhões de pessoas, melhorando a saúde básica e a educação, combatendo a fome, desenvolvendo o acesso à água potável e saneamento, expandindo oportunidades econômicas, combatendo as mudanças climáticas e atuando na recuperação de desastres.

No Brasil, a organização atua desde 2001. A CARE Brasil se concentra no combate à pobreza, abordando as suas causas estruturais por meio de projetos de desenvolvimento urbano e rural. Para este fim, opera atualmente em oito estados, incluindo duas áreas urbanas (Rio de Janeiro e São Paulo) e seis regiões rurais (Acre, Bahia, Piauí, Maranhão, Ceará e Goiás). Atua ainda na resposta e redução de risco de desastres, com projetos em andamento na Região Serrana do Rio de Janeiro, Região do Alto Acre e Francisco Morato, em São Paulo.

Um grupo de políticos veteranos se juntou a organizações ambientalistas em sua avaliação de que a declaração final do encontro foi o resultado de um "fracasso de liderança".

O encontro, que marcou os 20 anos após a emblemática Cúpula da Terra também realizada no Rio de Janeiro, em 1992, e 40 anos depois da primeira reunião mundial sobre o tema, em Estocolmo, tinha como objetivo estimular novas medidas rumo a uma "economia verde".


Mary Robinson, ex-presidente irlandesa que também já ocupou o posto de Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, disse que os termos do documento não são suficientes e a conferencia não chegou ater o impacto que deveria ter e que estava sendo planejado.

"Este é um daqueles momentos únicos em uma geração, quando o mundo precisa de visão, compromisso e, acima de tudo, liderança", disse. "Tristemente, o documento atual é um fracasso de liderança", afirmou, ecoando as declarações do vice-premiê britânico.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a declaração não produz benefícios para a proteção ambiental e nem para o desenvolvimento humano.

"Esta divisão antiga entre o meio ambiente e o desenvolvimento não é o caminho para resolver os problemas que estamos criando para nossos netos e bisnetos", disse.

"Temos que aceitar que as soluções para a pobreza e a desigualdade se encontram no desenvolvimento sustentável, e não no crescimento a qualquer custo."



Fontes:

3 comentários:

  1. Oi Josi, realmente é por aí....gostei muito do texto que estou compartilhando com twitter e facebook...abçs

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  2. Olá,
    Como nunca tive nunca tive ilusão sobre o resultado final na Cúpula oficial. Por isto fiz a opção preferencial de participar da dos Povos. E participei ativamente de todos os momentos.
    Até porque, como dizia o Trotsky, “a prática é o critério da verdade”.
    Historicamente, e no mundo, as mudanças conquistadas foram sempre consequência da participação das massas organizadas, que descomprometidas com os esquemas financeiros, de poder e político, içaram as suas bandeiras e perseguiram os caminhos a serem trilhados. Foi assim também em relação à Rio+20.
    Em minha opinião, o Brasil enquanto Nação fez o máximo possível, visto que ainda, nem assento permanente na ONU, tem. Chegaremos lá...
    Mas, mais de 50 mil pessoas dos 05 continentes nas ruas, aliadas aos quase 2000 participantes/dia, em debates temáticos, somado aos chefes de Estados de países progressistas, revelam que ainda há esperança.
    Conclusão: não dá para jogar tudo no lixo, sem primeiro tratá-lo.
    A luta é de resistência mesmo.
    Ousar será sempre o caminho a ser percorrido.
    Um abraço.

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  3. Uma pena que tanto se tenha alarmado para nada mudar... No fim, mais um evento falso na tentativa de dar uma falsa segurança, falsa esperança...

    Decepção... e só!

    Belo texto!

    ;D

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