16 de ago de 2012

TV Cult: Coração Selvagem

Eduardo Palomo - Imagem Retirada DAQUI
Se na música Sidney Magal é meu prazer culposo, no universo televisivo este encargo fica com o folhetim mexicano Corazón Salvaje. Ambientado no início do século XX em Martinica, tem como plot principal o amor de Mônica (Edith González) e João do Diabo (Eduardo Palomo). Trata-se de uma história muito popular no México, tendo sido realizado 4 versões em telenovelas e 1 versão para filme. A que irei falar hoje é a mais bem conceituada de todas, tendo recebido prêmios e sido sucesso absoluto de público, além de transmitida aqui no Brasil  pela SBT.
Todo el mundo tiene un corazón salvaje y una superficie misteriosa.
Sempre suspeitei que em outra vida - meu passado me condena - eu devo ter vivido em uma época repleta de ciganos e flamenco, só isso explica a minha fascinação por tipos exagerados. Por isto, quem sabe, tenha tanto fascínio pela figura do Juan del Diablo - chamado assim por não ter sobrenome reconhecido. Criado livre das convenções da época, era uma persona  de atitudes bruscas e, porque não dizer, feridas já que morou nas ruas e presenciou uma realidade bem diferente das da classe dominante. Este passado conturbado fez com que Juan tratasse as mulheres em pé de igualdade e como seres pensantes - o que destoava do ensinado e difundido no período. Sim, a personagem de Eduardo Palomo era feminista! Este detalhe foi sugerido pelo próprio intérprete, conforme se percebe pelos depoimentos gravados para o especial La Historia Detras Del Mito - Eduardo Palomo:


Por falar em Eduardo Palomo - Seu Lindo! - o ator consagrou-se na pele do João do Diabo, mas, também era cantor e estava num processo de mudança para os EUA quando veio a falecer por um ataque cardíaco com apenas 41 anos.
Si yo la tuviera a usted, solo volviéndome ciego, sordo o imbécil, la dejaría por otra.
Além de eu não ter a dimensão da novela mundo a fora, quando eu assisti a mesma pela SBT não achei estranho a sexualidade ser explorada de forma relativamente aberta. Todavia, a mesma fora gravada em 1993 e pioneira em trazer a temática para as telinhas mexicanas. Tudo, é claro, com aquele sabor brega latino - parecendo os famosos livros de banca estrelados por Fabio. Muitas frases de efeito, aproximações demoradas e aqueles artifícios de luz para criar um clima de insinuação sexual sem ter que apelar e, assim, limitar a faixa etária.

O lado sexual desta novela foi tão marcante que uma das cenas mais comentadas e lembradas é a da primeira vez entre Mônica e Juan:


Sua canção tema acabou virando hit no México e colocando no mapa Miguel Mijares:


Um ponto que acredito valer creditar é que a história do casal principal não é daquelas em que num instante tudo acontece e pronto: Apaixonados. Não, Juan e Mônica vão se conhecendo, ainda machucados do passado e sem intenções maiores, e aos poucos percebendo o sentimento. Para mim faz muito mais sentido do que aquelas paixões arrebatadores de infância que nunca passam - vide Avenida Brasil.
A man reserves his true and deepest love not for the species of woman in whose company he finds himself electrified and enkindled, but for that one in whose company he may feel tenderly drowsy. 

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