15 de jul de 2012

Religião, Ateísmo e Espiritualidade




Religião (e a falta dela) é um assunto bastante polêmico. É muito difícil ser imparcial no assunto, assim como fazer uma reflexão que pondere os dois lados na moeda, a fim de chegar à uma conclusão diferente. Sabendo disso, gostaria de deixar claro que não sou adepta a nenhuma religião em si, assim como não tenho nada contra elas, a falta delas ou o ateísmo. Assim sendo, eu gostaria de ponderar sobre alguns aspectos e sendo hoje meu tema livre, acho que é a oportunidade ideal.

Há uma constante guerra entra Ateus e Religiosos, principalmente após a explosão das redes sociais. Elas tornam o debate mais acessível, e fica mais fácil expor uma ideia, até de forma ofensiva, pois as barreiras físicas impostas por um computador diminuem as barreiras do bom senso. Atiram para um lado e para o outro, sem respeito, apenas com ofensas. E eu, que estou no meio termo disso, tenho algumas  ideias e gostaria de compartilhar o que eu acredito.


A Religião 


A religião é algo que faz parte da construção do homem, não apenas social, mas antropológica. Sempre que se pensa em religião, há a imagem da Igreja e suas riquezas, do cristianismo e seus mitos, da bíblia e suas metáforas. Mas a religião vai muito além da imagem mistificada da Igreja e derivados. Ela acompanha o homem desde os primórdios, e o contato do ser humano com o "místico" existe antes mesmo dele se tornar "sapiens". A religião surge da necessidade do homem de entender o mundo e a natureza ao seu redor, de lidar com a morte, com os desafios da vida. É plenamente compreensível que um ser de conhecimentos limitados se prenda a algo "superior" como o criador de tudo ao seu redor, afinal, a Terra é mesmo uma maravilha, e perto dela e do Universo, não passamos de meros microorganismos. No passado, a ciência era extremamente escassa, assim como os conhecimentos a respeito da natureza. Muito antes da criação da Bíblia, os seres humanos já se prendiam a existência de deuses, espíritos e forças supremas que regeriam o mundo. Há a presença de rituais místicos em TODOS os povos primitivos, sem exceção. 


A Bíblia 


O aparecimento da Bíblia mudou os rumos do misticismo que existia anteriormente. Os várias deuses se tornaram um só; um deus repressivo, bravo e punidor. Muito me espanta que até hoje as pessoas questionem a Bíblia e se achem extremamente superiores por isso. Minha gente, é ÓBVIO que a Bíblia é um objeto a ser contestado. É um livro escrito há milhares de anos, e retratada a visão que as pessoas daquela época tinham sobre o mundo. Livros, além de obras, são reflexos da sociedade em que foram escritos. A Bíblia é um reflexo da sociedade em que foi escrita, e apesar de claramente ser um livro de metáforas, tem extremo valor para quem se interessa por Filosofia, Antropologia, História e Sociologia. É uma verdadeira aula sobre como funcionava a mente do ser humano, e como eles lidavam com situações difíceis de serem explicadas. Sinceramente, pessoal, não há nada de grandioso em questionar a Bíblia, ela é apenas o que parece ser: um livro extremamente antigo, de dúvidas, mitos, e fatos misteriosos para as pessoas daquele tempo. 


A Igreja Católica


Através da Bíblia, a maior de todas as instituições do mundo foi criada: A Igreja Católica. Seguindo os preceitos do livro metafórico, a Igreja Católica criou tabus acerca dos comportamentos do ser humano, trazendo a imagem da verdadeira bondade como impossível de ser alcançada por meros mortais e continuou  a pregar o "tal Deus" com alguém que tudo vê, que tudo sabe, e que tem "prazer" em punir as pessoas. Assim sendo, surgiram as contradições da Igreja Católica. A Bíblia diz "dê aos pobres", e a Igreja permanece rodeada de ouro e riquezas, entre outras que são facilmente perceptíveis. 



Outras Igrejas Cristãs



As outras Igrejas Cristãs podem ter propostas diferentes da Igreja Católica, mas seguem a mesma Bíblia, e por conseguinte, as mesmas contradições. Logo, a ideia central é muito parecida, assim como o comportamento humanizado do Deus que pregam. 






A Ciência


Quando falo sobre Ciência, não me refiro apenas à Ciência em si. Me refiro também às tecnologias, às informações em massa e à globalização. A partir do desenvolvimento do conjunto da Ciência, é possível perceber as contradições da Bíblia, e temos nas nossas mãos um mundo muito diferente daquele escrito no "livro sagrado". É claro que isso gera uma certa revolta naqueles que gostam de contestar. Há a contestação de Deus, das metáforas, de Jesus Cristo, de tudo aquilo que é pregado pelas religiões, afinal, temos conhecimento sobre evolucionismo, física, química, biologia... Sendo assim, não é bem óbvio contestar o que foi escrito há mais de 5000 anos ( a primeira parte da Bíblia, o velho testamento, foi escrita cerca de 3000 anos antes de Cristo) ? 


O Ateísmo


O termo ateísmo, proveniente do grego clássico ἄθεος (atheos), que significa "sem Deus", foi aplicado com uma conotação negativa àqueles que se pensava rejeitarem os deuses adorados pela maioria da sociedade. Com a difusão do pensamento livre, do ceticismo científico e do consequente aumento do criticismo à religião, a aplicação do termo foi reduzida em seu escopo.O número de ateus cresce (pelo menos aparentemente) a cada dia mais, e questões como "Se Deus existisse, não deixaria as crianças da África sofrerem!" Mostram que os questionamentos feitos pela maioria dos ateus (pelo menos os que eu conheço), se limitam ao Deus humanizado pregado pela Bíblia, que obviamente não devia ser questão de polêmica, pois não existe daquela forma.  Os ateus costumam passar a imagem de pessoas conscientes da ciência, e até mais intelectualizadas, pelo fato de não acreditarem em "qualquer besteira que é dita" e aquilo que não podem ver. O ateu, inicialmente, não acredita em nada que seja "sobrenatural". 

~//~ 

Aí está o meu ponto. Pessoas que se interessam por conhecimentos gerais e os estudam, sabem com clareza as falhas das religiões, da Bíblia... Sabem que esse Deus humanizado não existe, e sabem que muito se fantasia acerca do que não podemos explicar. O que, então, tem de tão especial em não acreditar no que é pregado pelas religiões? Eu, particularmente, não vejo nada demais. Pior ainda é quando tornam essa não crença em uma espécie de rebelião extremamente agressiva. Mas há ainda um outro ponto. Há sempre aqueles que criticam quem segue as religiões, chamando-os de "alienados" e etc. Não acredito que a crença de uma pessoa faça dela melhor ou pior do que ninguém. Acho que todos têm o direito de acreditar no que quiserem desde que isso seja positivo na vida da pessoa. E vice-versa... as pessoas extremamente religiosas tendem  a julgar as escolhas de outras pessoas, e passam a desmerecer quem não acredita naquilo que elas acreditam. Há pessoas religiosas incríveis, assim como há pessoas que não possuem quaisquer crenças, também incríveis. 


Ok... Falei de Religião, Bíblia, Deus e Ateísmo, mas ainda não falei exatamente o que quero expor nesse post

Devido às confusões criadas pela Bíblia, pelas Igrejas Cristãs, pelas metáforas e repressões, as pessoas tendem a confundir ESPIRITUALIDADE com religião e ou existência de Deus. Acredito que espiritualidade é um conceito completamente distinto de religiões ou da existência divina. 



A Anima é uma palavra que grega que significa, literalmente, alma. Mas após estudos sobre o termo, cheguei às minhas próprias conclusões do que essa palavra significa. A Anima é o que anima os seres vivos, tornando-os de fato vivos. Ela está presente em tudo aquilo que tem vida. Somos seres animados, e não há ciência que discorde disso. Através da Anima, há um encontro com o que eu chamo de ESPIRITUALIDADE.

A espiritualidade, SEGUNDO O SENSO COMUM, é uma dimensão da pessoa humana que traduz, segundo diversas religiões e confissões religiosas, o modo de viver característico de um crente que busca alcançar a plenitude da sua relação com o transcendental. Cada uma das referidas religiões comporta uma dimensão específica a esta descrição geral, mas, em todos os casos, se pode dizer que a espiritualidade "traduz uma dimensão do homem, enquanto é visto como ser naturalmente religioso, que constitui, de modo temático ou implícito, a sua mais profunda essência e aspiração.

Espiritualidade, para mim, é tudo o que coloca a Anima - o ser animado - em contato com outras animas e o mundo ao seu redor. É a relação do homem com a natureza, com o seu semelhante, com tudo o que a ciência não pode explicar, e até mesmo com o que ela explica. É a relação do homem com a vida, com a morte, com o que significa algo para ele. Não somos apenas pedaços de carne perecíveis: as nossas ligações sinápticas, o nosso psiquismo, tudo isso nos torna seres especiais e espirituais. Ser especial não significa ser imortal; significa ter a oportunidade dada pela natureza de sermos animados e termos energia. 
Segundo os grandes estudiosos da Física, que chamamos de matéria, nada mais é do que energia concentrada. Logo, toda matéria é dotada de energia, e essa energia pulsa. Eu acredito na energia, acredito que haja energia em tudo o que existe, e isso, para mim, nada tem a ver com religiões ou Deus. 

Gostaria que as pessoas pudessem enxergar que não é porque os preceitos bíblicos e religiosos são equivocados, que não exista algo que vá além do que os olhos podem ver. A Ciência é incapaz de explicar tudo, e o conhecimento humano é extremamente limitado. É mais importante desfrutar de sua convivência humana com o mundo que você habita do que querer fazer as pessoas engolirem seus preceitos filosóficos e religiosos, que querendo ou não, não são provados.



Não há provas da existência de Deus.
Não há provas da não existência de Deus.

Existe a crença e o que você faz com ela. Mas muito além da crença, existe um mundo enorme a ser explorado, e isso, não tem fim. 

3 comentários:

  1. Particularmente, ainda me falta muita caminhada, experiência, até mesmo conhecimento para ter certeza do que eu acredito.
    Mas uma coisa é certa: não concordo com a forma como a maioria das pessoas vê a religião, e também não concordo com o radicalismo ateu. Na verdade, o que me incomoda são pessoas vestindo camisas sem se informarem a fundo: apenas para se sentirem parte de um grupo.
    Concordo com sua visão em relação a ser bom se faz da pessoa alguém melhor. Também é meu ponto. Quanto à Bíblia, não tenho embasamento suficiente para me pronunciar sobre.
    Enfim, quero elogiar seu texto! Inteligente, coerente e, é claro, bem escrito.

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  2. Muito bom o texto!
    Sou uma cientista que acredita em Deus.
    Não sou adepta nenhuma religião. Creio que algumas criações religiosas dos homens carecem da verdadeira FÉ.
    Outro dia vi um físico dizendo: " Não acreditamos em DEUS...ok!
    Tivemos BIG BANG..e antes dele?"

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  3. "Gostaria que as pessoas pudessem enxergar que não é porque os preceitos bíblicos e religiosos são equivocados, que não exista algo que vá além do que os olhos podem ver."

    Achei perfeita a sua colocação!
    Também percebo esta "anima" além de nós... Algo espiritual, um elemento energético, mas, sem definição religiosa.
    Nenhum radicalismo parece estar correto para mim.

    Belo post!

    ;D

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