2 de jun de 2012

Perfis de Mulher: Anais Nin

Quem chega ao blog muitas vezes nem desconfia de onde vem o título Antes que Ordinárias. Ele não surgiu apenas do fato de nós, colaboradoras neste espaço, sermos mulheres extraordinárias, como fica escrito aqui na lateral. Na verdade, a origem é mais culta e profunda: vem dos escritos da francesa Anaïs Nin.

Nascida Angela Anaïs Juana Antolina Rosa Edelmira Nin y Culmell em 1903, filha de um pianista e compositor cubano com uma cantora de origens francesas e dinamarquesa. Durante sua juventude ela morou na Europa e nos Estados Unidos, abandonando os estudos aos 16 anos para se tornar modelo de um artista. Desde cedo ela começou a escrever diários pelos quais ficou famosa. Aos 11 anos, quando se mudou para os Estados Unidos após o pai abandonar a família, escrever um diário foi a maneira que encontrou para afastar seus medos. Até hoje foram publicados 15 volumes de seus diários.


No final de sua adolescência, ao voltar para Paris, ela teve contato com escritos eróticos, o que não conhecia na América. Algum tempo depois, ela começou a escrever sobre o tema porque precisava de dinheiro, mas nunca pensou em ter seus escritos publicados, uma vez que criava personagens bastante caricaturais.

Aos 20 anos ela se casou com Hugh Parker Guiler, que fez vários filmes experimentais e surrealistas sob o pseudônimo Ian Hugo. Em Paris ele foi mecenas de HenryMiller, que acabou se tornando amante de Anaïs, com quem trocava várias cartas. Henry era casado na época, e Anaïs também se envolveu com a esposa dele, June. Esta complicada relação a três deu origem ao filme de 1990, “Henry & June” com Fred Ward, Uma Thurman e a portuguesa Maria de Medeiros interpretando Anaïs.


Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, ela foi para Los Angeles e passou a viver maritalmente com Rupert Pole, mesmo ainda estando casada com Guiler. Em 1966 o casamento com Pole foi anulado, mas Anaïs permaneceu com seu primeiro marido até a morte. Ela também conheceu várias personalidades importantes, como Carl Jung, Paul Newman e Gore Vidal. Anaïs proporcionou uma visão feminina acerca dessas figuras de destaque.

Apesar do caráter polêmico de seus escritos, Anaïs só se tornou conhecida a partir de 1966, quando seus diários começaram a ser publicados. Cada um deles tem um tema próprio dentro de uma jornada de autodescobrimento, de modo que fica claro que havia a intenção de que um dia eles fossem publicados. Assim seus livros anteriores foram redescobertos pelo público e ganharam novas edições.


Nin foi por várias vezes chamada para ser palestrante em universidades e em seus discursos tentava não se associar ao movimento feminista que ganhava cada vez mais força. Entretanto, ela continuou, mesmo após sua morte em 1977, a ser um exemplo para as mulheres sexualmente segurais e liberais.
"A vida é um processo de se tornar algo, uma combinação de estados pelos quais todos nós temos de passar.As pessoas falham quando querem escolher um estado e permanecer nele.Isso é um tipo de morte".
Anais Nin 

3 comentários:

  1. Anais era controversa, e algumas de suas colocações ainda podem ser entendidas como tal, pelo motivo simples de compreensão pessoal. Ela traçou seus dias tentando ser nada além do que ela mesma... Mulher em todos os adjetivos!

    Linda homenagem!!!

    E eu recomendo a leitura dos diários de Nin, são belíssimos!

    ;D

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  2. muito interessante, vou procurar ler os diários e ver o filme tb *--*

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  3. O que dizer??? Uma mulher à frente de seu tempo!!! :)

    Adorei a postagem, Lê!!!

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