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25 de fev. de 2013

Dor e delícia de ser o que é #2

Completei meus 24 anos de vida há pouquíssimo tempo. E, a cada aniversário, eu tenho reflexões sobre o peso de uma responsabilidade que mais um ano de experiência acarreta, de projetos que agora são mais complicados de se realizarem ou até mesmo que facilitaram a concretização.



Eu ainda tenho sonhos adolescentes. Gostaria de dançar em uma companhia de ballet moderno, de fazer mais umas 2 ou 3 graduações, conhecer novas pessoas e viver experiências únicas, pessoais e inéditas. Só que com o tempo passando e a necessidade de produzir alguma coisa, se especializar em uma carreira, de cristalizar uma vida bem consolidada que a nossa sociedade coloca como o certo, eu fico pensando se, de fato, eu conseguirei concretizar alguns desses sonhos.



Tenho medo da velhice. Tenho medo da dificuldade que é o passar dos anos para um corpo perecível. Tenho medo do olhar das pessoas daqui a uns anos e me sentir uma velha patética e descontextualizada e por isso, tenho até umas vontades momentâneas de ser mais enquadrada no padrão social aprovado.




Normalmente, as mulheres têm mais dificuldades de lidar com esses padrões. 




Estamos sempre bombardeadas de como nos portar, de como aparentar, agir e o que é ser uma mulher de sucesso e de ~respeito~.

A necessidade de ser mãe, e ainda ser presente, ter uma carreira e não abandonar os filhos, ter um marido com um bom salário, morar em um bom bairro, ser discreta, séria, magra, bonita, elegante... todas essas utopias tolas, que fogem do funcionamento da grande maioria da mente das mulheres atuais faz com que nos sintamos perdidas e mais amedrontadas com o que pode ser. E, no final, acabamos por nos resignar ao padrão e vamos, frustradas, atrás do fundamental social obsoleto.



Eu sei que estamos em plena revolução sexual e que batalhamos diariamente para mudarmos nosso papel no meio humano civilizado. Só que eu não quero ser mais uma Janis Joplin, que os fans me perdoem a comparação, mas, que foi um sucesso por seu talento mas que sofreu à falta de padrão. Entendem? Não sei se fui infeliz no exemplo, mas acho que para ilustrar, serve.




Não sei se precisamos sermos mais incisivas ou mais a vontade com essa condição. Ou talvez, deixar de pensar e simplesmente agir. Tentar nos cegar para os julgamentos talvez seja uma opção para que a mudança seja fluida e menos impactante... Fica no ar as dúvidas. 

22 de fev. de 2013

Depoimento de Mulher

Em meus textos, poesias, sempre falei/falo da feminilidade e do universo que é Ser Mulher – já que vivemos num limiar fantástico entre a sensibilidade e a razão, entre a força e a delicadeza, cada uma na proporção que julga acertada.
Somos a diversidade!

Os homens, em sua maioria, não conseguem compreender porque tamanha complicação existe na mulher quando o quesito é definir-se, amar-se, aceitar-se. Alguns até julgam tratar-se de pura frescura ou mesmo insanidade. Só que se esquecem da quantidade de funções e pré-definições que cada uma acaba aglomerando ao longo do tempo. A mulher não é apenas mulher: é mãe, é profissional, é amante, é amiga e mais outras tantas subdivisões inclusas nisto. Complicado resta localizar-se nesta confusão toda.

Levei muito tempo para compreender quem sou e mais outro tanto para permitir-me ser/gostar de quem eu sou. Agora estou confortável em minha pele, sem demagogias, sem frases feitas, estou de bem comigo. Para chegar neste ponto não foi nada fácil, vi-me presa em idéias do que seria correto, bonito, aceitável, que em muitas ocasiões não se encaixavam comigo e destruíram a minha auto-estima. Tenho certeza que não fui a única que teve que atravessar o inferno para notar que o céu em mim já residia.

Logo de pequena aprendi que existem duas realidades competindo entre si: A masculina e a feminina. Sendo que a primeira deveria brincar de bola, de carrinho, enquanto a segunda seria delicada e adoraria bonecas. Nunca fui assim. Sempre gostei de sujeira, de futebol e de brigar; Uma verdadeira moleca! Por um tempo ouvi comentários de como minha postura era inadequada e de menino. O bom de criança é isso, eu ouvia e não ligava. Só queria continuar como sempre.

Já na adolescência, continuei atípica. Não era de maquilar-me, ou de usar a última moda, ou mesmo de sair paquerar e ter um chilique porque "Aquele" guri que todas gostavam veio falar comigo. Usava roupas largas – algumas até do meu pai – num estilo beirando ao grunge. Não era depressiva, só fechada. Comecei a duvidar de mim.

Neste âmbito de questionamentos percebi-me fraca perante o ambiente. O primeiro ataque recai sobre a aparência. Pensava: “Não sou bonita. Desprovida de charme. Gorda.” E mais outras tantas besteiras que não calavam. Depois, comecei a achar que ser estudiosa também era um problema. Também via a sexualidade como algo até certo ponto limitado.

Por muitos anos pensei sim que a mulher tinha que ser: Magra, esbelta, inteligente – mas não demais –, delicada e sexualmente refreada. Dá para acreditar que na era digital, após tantos anos de acontecimentos marcantes para o feminismo, o conceito que me foi repassado era este! (Palhaçada, não é mesmo?)

O que me causa mais espanto é que ainda muitas mulheres entendem isto como sinônimo de feminilidade. Senão na totalidade, em partes. Por alguma razão estamos emperradas em quatro obstáculos, quatro papéis que, em separado, apenas servem para barrar a magnitude pessoal de cada uma de nós.

Nos prendemos a FÊMEA, exigindo que nossa aparência deve ser a mais perfeita e padronizada possível. Quando é a diferença que nos torna atraentes, interessantes. Se for magrinha, adore suas linhas retas, abuse das cores, arrase na sua miudeza. No caso de ser gordinha, ressalte as curvas, caminhe como se o mundo devesse seguir cada voltinha sua, idolatre sua abundância. Muito busto? Pouco Busto? Quadril largo? Fino? Alta? Baixa? Seja você, valorize você. Afinal, temos sorte, somos naturalmente lindas!

Emperramos na MÃE/ESPOSA. Ao contrário do dito, nem todas as mulheres tem os mesmos objetivos, a mesma ideia de família. Eu sonho em ser mãe, mas você pode não querer isto e está tudo bem. É um espírito livre e não pensa em casar? Ou acha que casar com seus 40/50/60 anos é o ideal? Ok. Ainda se critica as que escolhem um caminho diferente, rotula-se. Ser mulher é estar além disto e não ligar para tais. Seguir seu caminho conforme você julga certo; Isto sim é viver a sua infinidade.

Ficamos congeladas na PROFISSIONAL. Ambicionamos muito e somos incrivelmente capazes. Na expansão que vivemos, sabemos de nosso poder. Todavia, ainda há quem se intimide com a figura de uma mulher bem-sucedida, inteligente e decidida. Não devemos viver somente para o trabalho, isto é certo; Fechar os encantos em prol de terceiros. Podemos e devemos ser profissionais e femininas. Afinal, um lado não afeta o outro, não é verdade?

Travamos diante da VÊNUS. A sexualidade sempre será tabu e nem se sabe o porquê. Acredite na sua e a explore de maneira saudável e segura. Pense em você e não apenas no seu companheiro(a). Somos desejo somado a emocionalidade e devemos provar da nossa amplitude.

O que é ser mulher hoje senão o encontro de todas estas áreas em harmonia? Ainda estou muito longe do ideal; Vejo-me bem mais próxima, no entanto. Agora me sinto mais segura, fiel aos meus princípios, adorando a beleza real que há nas particularidades minhas. E todas nós merecemos este equilíbrio almejado. Como já se cantou em Pagu: “Porque nem toda feiticeira é corcunda; Nem toda brasileira é bunda. Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem...”. Somos iguais e opostas, corajosas e sem medidas; Desejo que, nesta miscelânea toda, possamos aproveitar a magia de cada aspecto, tornando-nos fortes como nascemos para ser.

Afinal, somos guerreiras e deusas do cotidiano.

13 de fev. de 2013

Lya Luft, Madame Bovary e 50 Tons de Cinza


Então, está no ar mais um vídeo do nosso vlog - estreando as atividades de 2013 neste quesito. O mesmo traz uma análise comparativa entre três livros e a evolução social feminina: Identidade pessoal X Repressões. Segue:


Os livros citados no vídeo são:

  • A Mulher, O Lúdico e O Grotesco em Lya Luft (Maria Osana de Medeiros Costa): Ótima leitura, a autora fez um apanhado curiosos sobre as personagens femininas no universo Luftiniano, correlacionando com a sociedade patriarcal e elementos Freudiano.
  • Madame Bovary (Gustave Flaubert): Clássico literário com um certo ponto mítico em sua publicação, já que o autor chegou a ser preso em função da obra ter sido considerada promíscua, além de que teria sido baseada em eventos reais.
  • 50 Tons de Cinza (E. L. James): Romance com pegada de "soft porn" e um tom tradicional daqueles folhetins açucarados. É uma leitura para entretenimento, recomendada aos fãs do estilo.
Espero que tenham gostado,
Até mais!

7 de set. de 2012

Cadê a Infância que Estava Aqui?


O que faz a pressão social em uma criança? Quais são os reflexos deste ambiente recheado de informações nestes seres pequeninos que chegam ao mundo? Sempre costumo discutir este assunto com meus amigos, sendo eles já pais ou não, e a máxima que sai é sempre esta:
- Fomos uma das últimas gerações que realmente teve infância!
Espanta-me cogitar tal ideia. Afinal, a inocência e o encanto pueril deveriam ser protegidos a todo custo. Antes mesmo de eu ser criança já havia situações que transformavam os pequenos em adultos, em descrentes, roubavam-lhes o brilho no olhar, e, por mais infeliz que isto seja, sempre existirão casos assim. Contudo, o que realmente me alarma é a possibilidade do que era exceção, agora está se transformando em regra.

Em um domingo destes assisti a um documentário feito para a TV chamado: “Dana: The 8-Year-Old Anorexic” (Oito anos e Anoréxica). Fiquei pasmada, como muitos ficaram, com a pouca idade de Dana para estar sofrendo de um distúrbio alimentar tão grave. Como noção da seriedade do caso, a menina contava as calorias – comendo um absurdo de 175 diárias –, além de exercitar-se por horas a fio.

Pensei comigo mesma; Eu com a idade dela só me preocupava em correr, em brincar e em assistir ao filme da Sessão da Tarde. Enquanto o meu maior problema era tirar uma nota baixa ou alguma briga que me metia, Dana e outras (uma vez que o índice de meninas com menos de 10 anos apresentando estes distúrbios vem crescendo muito nos últimos anos) são colocadas a prova, tendo que enfrentar um monstro que poderá assombrá-las para toda uma vida.

Só o fato da anorexia e da cobrança por uma aparência ideal renderia páginas e páginas; Mas, estes distúrbios demonstram algo muito mais profundo que o físico, é uma resposta inconsciente da criança para algo que não consegue expressar e dominar. Nossa atualidade figura em milhares de informações jogadas por segundo, cabendo tudo no alcance das mãos. Como não confundir e moldar as crianças se nós mesmos estamos apreendendo este ritmo frenético? A velocidade pode ser algo maravilhoso, mas também pode levar a colisão.

O contato com a natureza faz falta, ainda que não a conheçam. As brincadeiras em conjunto, o sujarem-se, até mesmo as brigas pesam ausentes para o espírito livre e curioso. Os eletrônicos roubaram o espaço do pique-esconde. Existe um tempo para tudo, com o passar dos anos percebemos isto com mais clareza, e perante a limitação do agir e o universo ilimitado de novidades, estão recaindo para a correria do mundo, sem aproveitar o encanto da infância.

Não é culpa só do meio, mas sim nossa, a mania de acreditar que os machucados podem ser evitados, que os erros negados, como se não fossem parte do processo, trazendo o resultado final e exigindo que pense como adulto alguém que a tão pouco tempo está na terra. Ao invés de deixar que haja uma introdução ao ser vivenciado, apertamos no skip intro e permitimos que esta fase torne-se cada dia mais curta.

A cena é mais comum do que se pensa, mas vi três meninas, com idade aproximada de 6/7 anos, sentadas, lindas, falando sobre a roupa, a maquiagem, os meninos e ignorando o intervalo das aulas, transcorrendo sem nenhuma brincadeira. Estas não deveriam ser as preocupações, os gostos, as fases são importantes e precisam ser saboreadas ao máximo.

A beleza da infância está nesta descoberta de ritmo descompassado ao nosso corre-corre diário, na inocência e na despreocupação. É nossa obrigação garantir que esta exista e dure, refreando o crescimento antecipado que tanto nos deparamos hoje em dia; Deixando para trás as preocupações com aparência e garotos/as para a correta fase. Afinal, se já é complicado na adolescência para que permitir que more na infância também?


27 de jul. de 2012

Estado Civil: Bem Resolvida!

Aviso: Não; Este não é um post sobre "solteirice" ou a disseminação de uma postura social ou sexual "mais saudável". Tão pouco tem pretensões filosóficas. Não. Esta postagem nasce como um retrato, buscando demonstrar o trajeto social feminino, as evoluções de conceitos e os que ainda são tidos de forma receosa. A principal objetivação deste texto é a expressão livre - sejam das palavras, sejam das escolhas - que cabe a cada mulher.
Imagem retirada DAQUI
Generalizando, antes o casamento era tido como uma negociação. As vezes feita por questões políticas, outras financeiras, algumas por status e assim por diante; Sem falar na perpetuação do nome através da procriação. Só os mais insanos buscavam amor e romance no casamento. A mulher cabia aceitar, para que não fosse um fardo - ou mesmo escapar - a seus pais. As que não se casavam eram vistas como solitárias e malfadadas. Em algumas culturas, como se pode ver em Como Água para Chocolate, uma filha era escolhida e proibida de casar-se, já que ficaria para cuidar de sua mãe. 

Além disto, havia o estigma da virgindade, da não expressão sexual - demonstrar prazer na hora do sexo era vergonhoso -, da impossibilidade do divórcio e da necessidade de se ter filhos. Ou seja, o casamento era uma obrigação e a felicidade era para os raros sortudos.

Aos poucos os ideais foram mudando, a busca por conhecimento e maior importância social pelas mulheres ampliando os horizontes, modificando conceitos não mais coerentes com a evolução da sociedade. As mais ousadas tomam seus corpos para si, modificam o vestuário, saem da cozinha, começam trabalhar, perdem a virgindade  - algumas tem filhos - antes do casamento, relacionam-se com quem desejam (inclusive mulheres), descobrem o anticoncepcional, divorciam-se e votam - imagem ao lado encontrada via Tumblr. 

Nada do acima citado veio de maneira fácil, há que se ressaltar. A maior parte destas "mulheres selvagens" enfrentaram represálias violentas, preconceito, foram excluídas de certos ambientes ou mesmo renegadas pela família. Foram anos e mais anos de verdadeira luta - basta saber que o primeiro divórcio legal que ocorreu no Brasil foi em 1977 -  até que se chegou  ao ponto conhecido hoje. 
Imagem Original retirada DAQUI
A teoria dos relacionamento na atualidade é excelente; Já que se anuncia o "Viva e deixe viver" ou mesmo a "busca pela felicidade". Contudo, as vertentes sociais - quando embebidas pelo extremismo - continuam a usar de uma discrimição, talvez não tão violenta, mas, igualmente devastadora- imagem abaixo encontrada via Tumblr. Por exemplo:

  • Os apaixonados pelo moralismo falam dos "absurdos" do ficante de uma noite, do sexo antes do casamento, da mãe-solteira, da inseminação artificial, dos relacionamentos homoafetivos, do excesso de separações, da banalização do matrimônio e por assim vai... 
  • Os amantes da liberdade chocam-se com os "despautérios" do guardar-se para uma só pessoa, da falta de experimentação, da hipocrisia da fidelidade, dos conceitos sexistas, da não liberação do aborto, das campanhas religiosas sobre posturas sexuais e assim segue...
Honestamente, não acredito que nenhum dos discursos tenha razão completa. É neste ponto que todo este lavrar intentava chegar; Se a sociedade evoluiu tanto de seus primórdios - e tem muito mais o que evoluir - por que se insiste em manter a ideia de que apenas uma forma de perceber o mundo é a correta? Como já foi citado por aqui: Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que éPara que oprimir?

Ouça este decreto e saía de sua zona de conforto percebendo a mágica da diversidade. Esquece-se que é através desta que o crescimento acontece. Então, que tal tentar ultrapassar os conceitos pessoais e sociais, assumindo o que traz a sua felicidade sem ligar para o universo externo? Se o que busca é ser dona de casa, que bom! Se quer ficar solteira, que bom! Se o lance de vocês é algo aberto e sem cobranças, que bom! Desde que isto combine com o que lhe deixe leve e satisfeita... Busque a sua forma de amor e/ou de liberdade, mostre o que é ser uma mulher bem resolvida!
"Happiness does not lie in happiness, but in the achievement of it". 


1 de jul. de 2012

A Beleza, seus padrões e o culto da magreza.

Eu já havia pensado em fazer esse post por aqui, mas pegando carona no último texto postado pela Karen Hack, acho que essa é a oportunidade ideal. ;) 


Antes de tudo, gostaria de dizer que a temática 'beleza e belo' sempre me aprazeu. Primeiro, porque o conceito de 'belo' para mim sempre foi muito diferente do conceito de 'belo' da maioria das pessoas. Consigo ver a beleza em quase tudo aquilo que é desconstruído e caótico, diferentemente da perfeição e simetria pregados pela sociedade em que vivemos. Sempre entrei em discussões em que discordava do 'belo' pregado por meus amigos, e quando adolescente, sofri discriminação na escola por não possuir os atributos físicos necessários para ser "aceita". Desde adolescente, quando esfregavam - de forma cruel - na minha cara que eu era "gorda", "baixa" e tinha "o cabelo ruim", por isso não era "bonita", passei a questionar o que é essa beleza, e principalmente, por que existe essa necessidade tão gritante da magreza? Hoje em dia, pessoas que antigamente eram apenas 'normais' são consideradas gordas, e não adianta vir com o discurso de "saúde", porque a magreza em excesso é tão prejudicial quanto à gordura em excesso. 

Não estou dizendo que pessoas naturalmente magras não são belas, pelo contrário, elas têm sua beleza. A crítica que faço é a esse ideal. Nem todas as pessoas possuem o tipo físico ideal para sustentarem o tipo de corpo "exigido" pela mídia, e muitas mulheres se sacrificam ao extremo para alcançar essa imagem tão inviável para muitas delas.


A Beleza e a Sociedade

O culto da magreza excessiva começou a aparecer no final dos anos 80, através da democratização das academias e da desenvoltura corporal imposta pelos ritmos coloridos e dançantes dessa década. A partir de então, os grandes polos da moda passaram a optar por modelos de um mesmo esteriótipo: magérrimas, altas e com a menor proporção possível de curvas. Foi estabelecido um padrão, que imperou (e impera) durante muito tempo. Garotas e mulheres querem estar dentro desse padrão a qualquer custo, e não medem esforços para alcançar tal objetivo. Homens e garotos julgam as mulheres baseados nesse padrão, que como eu disse acima, é tão inviável para a maioria das mulheres.  Foi criada, então, uma pressão absurda e exagerada em cima das mulheres, obrigando-as a estarem sempre magras, "porque ser magra é ser linda".

Acontece, que não foi sempre assim. No Renascimento, a beleza do corpo femino era constituída pelas gordurinhas (até mesmo um pouco exageradas) e dobrinhas que apresentavam. Quanto mais gordurinhas uma moça apresentava, mais bonita ela era considerada;

                                                 
Assim era representado o corpo "belo" no Renascimento, já que nessa época, a magreza era sinônimo de falta de saúde e quando mais "gordinha" fosse uma mulher, mais recursos ela aparentava ser, e então, mais bonita era considerada.Tempos depois, com as demandas sociais, o padrão se alterou um pouco, mas as curvas continuaram sendo a principal fonte de representação artística de beleza feminina. Notamos isso nos quadros de Pierre-Auguste Renoir, um dos principais pintores do século XIX, que os quadros, em sua maioria, retratava modelos da época, consideradas belíssimas:


E as curvas permaneceram como a representação da beleza feminina durante muito mais tempo. Observemos as modelos com o passar das décadas:

Anos 10:


Anos 20:


Anos 30:

 Maureen O'Sullivan, grande estrela dos anos 30.
Anos 40:
Ava Gardner, símbolo sexual dos anos 40
Rita Hayorth, famosa atriz, cantora, dançarina e símbolo sexual do anos 40. 
Anos 50:
Marilyn Monroe; acho que nem preciso dizer nada.
Jayne Mansfield: Outra linda mulher dos anos 50.

Anos 60:

 Sophia Loren nos anos 60
Natalie Wood

Anos 70:
Catherine Bach, famosa modelo dos anos 70.
Phyllis Davis

Ok. Paramos por aí. Como citei anteriormente, foi nos anos 80 que a popularização da magreza como ícone de beleza foi iniciada. Até ela tomar a forma que tomou nos dias hoje, muitas mulheres com curvas ainda tiveram espeço no mundo da moda, como Cindy Crawford, Brook Shields, Drew Barrymore e Mila Jovovich, por volta dos anos 90, que foram uma exceção no quesito 'magreza',Mas nos anos 2000, o belo em sua predominância, foi idealizado assim:


Anos 2000:
Adriana Lima

Alessandra Ambrosio
Gisele Bundchen
Keira Knightley
Megan Fox
Não estou, em momento algum, dizendo que mulheres naturalmente magras não são belas. Acontece que esse ideal da magreza permanece, forçando quem não tem esse tipo físico a se sacrificar para consegui-lo. Exemplos de mulheres públicas que ultrapassaram os próprios limites para chegarem a esse ideal:

Lindsay Lohan ANTES

Lindsay Lohan DEPOIS
Nicole Richie ANTES
Nicole Richie DEPOIS
Miley Cyrus ANTES
Miley Cyrus DEPOIS
Apesar do culto da magreza ser enorme, existem aquelas que não se contentam em engolir o que é imposto pela mídia e aceitam seu corpo da forma que é, sem se privarem do direito de serem belas como são. Exemplos:             
Crystall Renn
Mia Tyler
Fluvia Lacerda
Whitney Thompson
Sophie Dahl

 Ok. Qual é o objetivo desse post?
Não estou, de maneira alguma, fazendo apologia às gordurinhas a mais, afinal, sei que saúde é coisa séria e a população enfrenta sérios problemas relacionados à obesidade. Com esse post, quero apenas mostrar o quanto esse negócio de 'padrão de beleza' é relativo. E é por isso que não devemos nos deixar levar por ele e nem aceitá-lo com tanta facilidade e precisão. O meu principal objetivo nesse post pode ser resumido numa simples frase: As pessoas têm o direito de serem diferentes, têm o direito de se sentirem bonitas como são, porque a beleza está presente em tudo aquilo que existe. Tudo que é, é belo por si só. E é a diversidade que faz do mundo essa coisa louca que é, independente do seu corpo, da sua forma física. A beleza não é medida em quilos, e sim, em essência! Em vez de preocupar em malhar apenas o corpo, por que não malhar também o cérebro? 
Para finalizar, um depoimento da genial J.K Rowling, do qual sou fã:

"Gorda" é, normalmente, o primeiro insulto que uma garota joga para outra quando quer machucá-la. 

Quero dizer, "gorda" é realmente a pior coisa que um ser humano pode ser? 'Gorda' é pior do que 'vingativa','invejosa', 'superficial' 'vazia', 'chata', ou 'cruel'? Não para mim; mas aí você pode dizer, o que eu sei sobre a pressão de ser magra? Eu não estou no ambiente de ser julgada pela minha aparência, sou escritora e ganho meu dinheiro usando meu cérebro...

Um dia, eu fui ao British Book Awards. Depois da cerimônia, eu esbarrei em uma mulher que não via há aproximadamente três anos. A primeira coisa que ela disse para mim? ' Você perdeu bastante peso desde a última vez que te vi!' 'Bem', eu disse, um pouco perplexa, 'A última vez que você me viu, eu tinha acabado de ter um bebê.' 

O que eu queria realmente dizer era: 'Eu tive o meu terceiro filho e terminei meu sexto livro desde a última vez que eu te vi. Essas coisas não são mais importantes e mais interessantes do que o meu tamanho?' Mas não, minha cintura parecia menor! Esqueça a criança e os livros: FINALMENTE UMA COISA PARA CELEBRAR!

Eu gostaria que as garotas fossem independentes, interessantes, idealistas, bondosas, originais, donas de opiniões próprias, engraçadas - um monte de coisas - antes de 'magras.' Quero que minhas garotas sejam Hermiones, e não Pansy Parkisons."

Bônus:
Antes que Ordinárias agora está no youtube!! Acessem nosso canal e interajam com a gente! 


Beijos, e até a próxima!

           

29 de jun. de 2012

Violência Doméstica: Sinais de um Relacionamento Abusivo

Imagem retirada do site Shards of China
Tem quem julgue o assunto polêmico, tem os que afirmem ser saturado; É aquela contradição popular: De um lado fala-se "numa mulher não se bate nem com uma flor", de outro pragueja-se "tem mulher que gosta de apanhar mesmo". Tanto se comentou - argumentos a favor e contra - com o advento da Lei Maria da Penha que o interesse principal acabou mitigado, já que ao invés de analisar-se a situação de um ponto de vista estatístico, a conversa tomou o rumo do sexismo. Verdade seja dita, a violência doméstica - a qual ocorre em sua grande maioria contra mulheres e crianças - é um tópico que está muito distante de ser resolvido.

Há algumas postagens atrás comentei sobre a força devastadora de uma paixão mal direcionada; Karla Homolka e Paul Bernardo fizeram de seu relacionamento um conjunto de abusos físicos contra ela e contra terceiros resultando na morte de 4 adolescentes. Poucos momentos visualiza-se a força que um envolvimento íntimo pode ter, especialmente se a dinâmica existente entre os envolvidos não for saudável. Surge aí a dominação e a dependência, combinação perigosamente letal. Algo que era para ser um complemento da vida transforma-se em medo, insegurança, ciúme, agressões... Um jogo intermitente de amor possessivo e ódio, restando marcas difíceis de cura.

Trabalho no ambiente jurídico há anos, passei por fórum, escritórios de advocacia e delegacia, nesta última tive contato com alguns casos de agressões no ambiente do lar, todas sofridas por mulheres e crianças. Obviamente que cada situação vinha com suas particularidades, contudo, os pontos em comum eram: Não se tratava do primeiro abuso e a confusão interna da vítima, por vezes se percebendo como culpada. Soava estranho, mas, parecia um vício. De fato, a dissimulação do agressor é tamanha que a vítima perde o senso crítico habitual.

Não só de agressões físicas é construída a violência doméstica, também de abusos verbais - imagem ilustrativa ao lado foi retirada do blog Introduction of Ethics Discussion Forums - , degradando a pessoa por palavras, e até abusos sócio-econômicos, que consiste na limitação dos gastos e proibição de interação social. Ou seja, há vezes que a agressão fica num plano mais psicológico que físico, contudo, não menos aniquiladora. Então, como forma de atentar, fiz uma pesquisa em alguns sites a fim de listar certos comportamentos de alerta nos relacionamentos. Os sites que usei foram: Dryca Lys, Recovery Man, Primeiros Sinais de Violência no Namoro e Debora's Weblog

Segue a lista com Sinais de um Relacionamento Abusivo:

  • Desrespeito;
  • Agressividade sem motivo;
  • Imposição de um relacionamento baseado no medo e domínio, com ameças físicas e verbais de ferir o companheiro ou a si mesmo;
  • Ciúme e possessividade em evidência, com excesso de ligações, emails, SMS, além de uma constante vigilância do parceiro em mídias sociais, companhias e telefonemas;
  • Controle exacerbado da vítima, a exemplo das roupas, chegando a impor limitações de convívio com amigos, familiares e conhecidos;
  • Faz questão de colocar a culpa no parceiro (vítima) por seu comportamento alterado e atitudes violentas;
  • Impõe - soando a ordem - comportamentos sexuais com os quais o outro não se sinta confortável;
  • Há um temor de agir como "você mesmo" perante o parceiro, fazendo com que se preocupe com a reação dele ao que faz e/ou diz;
  • Amigos e parentes alertam sobre o parceiro e seu comportamento inadequado;
  • Mentiras e torturas emocionais são frequentes - aos poucos o companheiro distancia-se da pessoa que se apresentou inicialmente, acumulando promessas incongruentes aos atos -, chegando a ridicularizar as atitudes da vítima provocando constrangimentos;
  • Dificuldade em terminar o relacionamento mesmo sentindo que é o certo.
Parece simples a identificação, mas, uma vez que a pessoa está envolvida com o agressor, a clareza turvar-se. Então, se você ou algum conhecido seu se encontra num relacionamento que possua estas características, procure ajuda.

O vídeo abaixo é sobre duas situações distintas de violência doméstica relatadas pelas vítimas. O documentário curta-metragem é do Reino Unido e possuí legendas.

Ainda como meio de ilustrar, acrescento o filme completo da Nova Zelândia chamado O Amor e A Fúria - cujo título em inglês é muito melhor Once Were Warriors. É uma película pesada na violência, tem classificação 18 anos, sem legendas, e não recomendo aos mais sensíveis. Existem outros Filmes sobre violência doméstica, basta clicar no link para conferir algumas dicas. Fique com a sinopse do Cineplayers:
Uma família descendente dos guerreiros Maori, com cinco filhos, vive em um bairro violento. O pai, Jake, é intenso e vive a maior parte de seu tempo em um bar brigando e bebendo. Em casa, sua mulher é alvo de sua violência, mas a paixão sexual que ela sente por ele mantém os dois unidos. Enquanto isso os filhos vivem e causam problemas diversos.


Honestamente desisti de saber.
Ou sentir.
Ou entender.
Não sei mais o que pensar.
Foi na condenação minha que armei o meu sentimento,
Perdi os sentidos pelo tapa,
E, através de beijos seus o recobrei.