Mostrando postagens com marcador Televisão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Televisão. Mostrar todas as postagens

5 de jan. de 2013

Perfis de Mulher: Hebe Camargo

O fim do ano sempre chega com a esperança da renovação a partir de primeiro de janeiro. No entanto, há também um gosto agridoce quando nos lembramos de quem se foi no ano que terminou. Em 2012 o Brasil perdeu uma de suas maiores apresentadoras, pioneira na televisão, simpática e adorada pelo público: Hebe Camargo.
Nascida em 1929, na cidade de Taubaté, era a caçula de seis filhos e costumava acompanhar o pai, violinista e cantor, em suas apresentações. Quando ela tinha 14 anos a família mudou-se para São Paulo, pois o pai foi trabalhar na Rádio Difusora, chegando a reger a orquestra da emissora. Um ano depois, Hebe estreava como cantora na Rádio Tupi. Nos anos seguintes cantou em um quarteto familiar e também fez apresentações de sambas e boleros, cantando em boates e gravando discos.
Capa de LP

Seu envolvimento com a televisão se deu desde os primeiros instantes de vida dessa nova forma de entretenimento no Brasil. Em 1950, ela e Assis Chateaubriand foram ao porto de Santos buscar os equipamentos que chegavam para as primeiras transmissões. Hebe havia sido escalada também para cantar o Hino à Televisão na primeira transmissão, mas não foi ao evento e foi substituída pela amiga de longa data Lolita Rodrigues. Mesmo assim, ela foi pioneira nos programas femininos, apresentando “O mundo é das mulheres” em 1965 e a partir daí conferindo o tom descontraído das entrevistas, algo que se tornaria sua marca e sua maior contribuição para a televisão.
Hebe passou por diversas emissoras, onde teve programas de entrevista nos mais variados formatos. Mas com certeza sua mais lembrada casa foi o SBT, no qual ela fez mais de mil programas em quase vinte e cinco anos. Na emissora ela também foi madrinha do Teleton, programa especial dedicado à arrecadação de recursos para as crianças deficientes. Sua saída da emissora em 2010 surpreendeu o público e Hebe firmou contrato com a RedeTV!. Dias antes de a apresentadora falecer, sua volta ao SBT foi anunciada.
Hebe casou-se pela primeira vez aos 35 anos com Décio Capuano, que já namorava fazia 15 anos. Em 1965 ela teve seu único filho, Marcello, e ficou um ano sem trabalhar cuidando do menino. Conta-se que Décio era muito ciumento e não concordava com o trabalho da esposa no rádio e na televisão, motivo que a levou a se separar dele em 1971, menos de sete anos após o casamento. Dois anos depois ela casou-se com o empresário Lélio Ravagnani, com quem ficou até a morte dele, em 2000. Hebe admitiu ter feito um aborto aos 18 anos, quando engravidou e foi abandonada pelo primeiro namorado, e disse que sofreu mais dois abortos espontâneos enquanto vivia com Décio.
O câncer no peritôneo, tecido na região abdominal, foi descoberto no início de 2010. A partir daí sucederam-se séries de cirurgias e internações. Com sua morte e enterro, o país parou e São Paulo viveu 24 horas de cidade fantasma, tamanho era o carinho dos paulistanos pela apresentadora. As homenagens nas mais diversas emissoras mostraram o quanto ela foi benquista por seus colegas de profissão e respeitada pelo público, até mesmo pelos telespectadores que não eram seus fãs de carteirinha.  
Hebe virou até boneca
Sua marca registrada foi a espontaneidade, expressa nas conversas em seu famoso sofá, nos selinhos que distribuía entre os convidados, a quem tratava por “gracinha”. Sua alegria se mostrou presente nas viagens, sobre as quais fazia matérias para seu programa, com direito até a desfilar na parada da Disney. Sua fé era inabalável e seu legado continua, mesmo que inconscientemente, em todos os cantos da televisão brasileira.

“Não existe motivo nenhum para você mudar sua personalidade porque você tem uma situação melhor ou não. Eu fico com pena de quem
muda.”
Hebe Camargo (1929-2012)

3 de nov. de 2012

Perfis de Mulher: Maila Nurmi, a Vampira

Ainda no clima de Dia das Bruxas, vem a lembrança de uma pioneira no gênero de terror na televisão: a Vampira. Uma verdadeira rainha do grito, ela se tornou uma figura cult em apenas um ano em que seu programa ficou no ar. Com uma vida nem sempre glamourosa e um visual difícil de esquecer, Maila Nurmi nunca se diferenciou de sua macabra e divertida criação.

Nascida Maila Elizabeth Syrjäniemi em 1922, na Finlândia, adotou o sobrenome Nurmi após alegar que era sobrinha do atleta Paavo Nurmi, um recordista em corridas de longa distância. Maila mudou-se para os Estados Unidos com a família aos dois anos de idade, vivendo em várias cidades até se instalar em Los Angeles.
Na juventude foi modelo do famoso pintor Alberto Vargas e apareceu na Broadway, chamando atenção em um show de horror chamado “Spook Scandals”, que incluía um exagero na atuação de Maila, mas ainda não foi desta vez que ela estourou como símbolo vamp. Até meados da década de 1950, ela trabalhou como modelo pin-up para fotos de revistas e também em chapelarias de clubes de Hollywood.

Foi em uma festa a fantasia que sua sorte mudou. Maila estava vestida de Morticia Adams e um produtor de TV, interessado em uma apresentadora para sessões de filmes de terror, ficou enfeitiçado por ela. Depois de conseguir o telefone dela, o produtor expôs sua ideia, que foi prontamente aceita. O nome Vampira foi sugestão do então marido de Maila, um ex-ator mirim que se tornou roteirista. O visual continuou tendo inspiração em Morticia e também na bruxa da Branca de Neve, mas Maila adicionou, como ela própria mais tarde declarou, um toque de comicidade e um jeito “trash” de atuar.
Em 1954 estreava The Vampira Show, um dos mais bizarros programas já exibidos na televisão americana. Vampira descia as escadas, gritava, usava roupas pretas justíssimas, fazia trocadilhos infames, brincava com sua aranha de estimação e finalmente dava uma breve e irônica introdução para o filme da noite. A série durou apenas uma temporada, mas Vampira virou assunto de muitos artigos de jornais e revistas e objeto de adoração de vários fã-clubes. Ela também foi indicada ao Emmy como “personalidade do ano”.


A partir daí a existência de Maila passou a girar em torno de Vampira. Em 1956 ela participou daquele que é considerado o pior filme do mundo, “Plano 9 do Espaço Sideral”. Maila era amiga do ator principal, Bela Lugosi, o famoso primeiro intérprete de Drácula, que morreu durante as filmagens de Plano 9. Os bastidores desse filme, assim como alguns momentos do show de Vampira, são recriados em “Ed Wood”(1994), cinebiografia do diretor de mesmo nome. No filme Maila é interpretada por Lisa Marie.
Depois do sucesso, Maila passou a instalar pisos de linóleo quando suas aparições como Vampira não eram mais requisitadas. No fim dos anos 1960 ela abriu uma espécie de boutique como o nome “O Sótão da Vampira” para vender antiguidades, além de joias e roupas feitas à mão, que em 2001 evoluiu para um negócio na Internet, que incluía peças autografadas.

A vida de Maila teve apenas alguns pontos mencionados à exaustão. Após a morte prematura do astro James Dean em 1955, Maila declarou que era sua amiga, algo que muitas fontes vieram a confirmar e outras a contestar. Outra situação em que ela voltou a ser destaque foi a polêmica com uma emissora de TV que nos anos 80 a contratou para discutir uma volta de seu show, mas no meio das negociações ela soube que Vampira seria interpretada por outra atriz. Não deixando a emissora usar o nome Vampira, coube à substituta atuar sob o nome Elvira, mas ainda assim ela recebeu críticas de Maila.
Apesar de ter tido, literalmente, quinze minutos de fama, Maila Nurmi permaneceu como Vampira no imaginário popular. Após o cancelamento de seu show, estações de TV locais começaram a ter seus filmes de terror apresentados por cópias de Vampira e muitas bandas fizeram músicas em sua homenagem. Sua personagem surgiu antes mesmo de Marticia Adams ir para a televisão e a matriarca interpretada por Carolyn Jones nos anos 60 tem toques de Vampira. Maila deu muitas entrevistas relacionadas a seu trabalho até falecer em 2008, após três casamentos, sem deixar herdeiros, mas nos legando a personagem mais divertidamente sombria da televisão.
Maila Nurmi (1922 - 2008)