Recentemente, a
princesa Isabel foi uma das finalistas do concurso exibido na televisão “Omaior brasileiro de todos os tempos”. A razão de tamanha admiração por esta
figura real, tão distante de nós, é o fato de ela ser considerada a redentora
dos escravos, tendo abolido a escravidão em 13 de maio de 1888. No entanto,
apesar desse feito importante, ela merece destaque por uma série de fatos,
entre eles o de ter sido a primeira mulher a governar o Brasil.
Isabel Cristina
Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon
nasceu em 29 de julho de 1846, a segunda filha do imperador Pedro II e da
imperatriz Teresa Cristina. Com a morte de seu irmão mais velho, ela foi
proclamada oficialmente a herdeira do trono aos quatro anos de idade. Sua
infância foi marcada por uma educação rígida, sendo que ela e a irmã Leopoldina
não podiam frequentar festas ou espetáculos de teatro.
Quando Isabel
completou 18 anos, seu casamento foi arranjado. Numa situação incomum para a
época, ela e a irmã puderam escolher seus futuros maridos e acabou que elas
ficaram com o pretendente uma da outra, sem que houvesse desentendimentos.
Pouco mais de um mês após a chegada do noivo, Luís Felipe Maria Fernando Gastão
de Orleans, o conde d’Eu, ao Rio de Janeiro, foi realizado o casamento. Com a
lua-de-mel veio a mudança na vida da princesa: ela conheceu vários países da
Europa e passou a participar de recepções e bailes.
De volta ao
Brasil, o conde d’Eu insistiu junto a D. Pedro para ir lutar na Guerra do
Paraguai, o que Isabel reprovou. Entretanto, em 1869 ele foi para o campo de
batalha, voltando vitorioso menos de um ano depois. No ano seguinte Isabel
assumiu pela primeira vez a regência, devido a uma viagem de seu pai. Durante
esse seu primeiro governo foi aprovada a Lei do Ventre Livre, que libertava
todos os filhos de escravas nascidos a partir daquela data. Anos antes, no dia
de seu casamento, Isabel já havia alforriado os escravos que trabalharam para
ela.
A cada nova
regência, Isabel se mostrava mais madura para governar e tinha novas ideias, a
maioria trazidas de suas viagens para a Europa, sobre como modernizar o país.
Apesar de alguns avanços, o ideal republicano ganhava cada vez mais adeptos.
Cresciam também as campanhas abolicionistas e Isabel pressionava o Ministério
conservador, levando o ministro a demitir-se. A nova manobra da regente foi
propor a Lei Áurea, aprovada sem problemas na câmara e no senado. Seu feito foi
comemorado em todo o país, no entanto, o Barão de Cotegipe, o ministro
demitido, fez essa profecia a Isabel: “ganhou a partida, mas perdeu o trono!”
A abolição fez
o Império perder o apoio dos fazendeiros. Antes disso, já havia perdido
importantes grupos, como os militares e os religiosos. A proclamação da
república, assim como a própria abolição, era questão de tempo. Em 15 de
novembro de 1889 ela foi proclamada e a família real foi para o exílio na
Europa. Dom Pedro II, Isabel, o conde d’Eu, seus três filhos, todos nascidos depois
dos 30 anos da princesa, pela última vez viram o Brasil. Isabel, que era tão
cara ao nosso país, não pode sequer voltar após o fim do banimento da família
real. Em 1921, ela faleceu em Paris, ainda com as doces lembranças do Brasil e
a certeza de que havia feito a coisa certa.


