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22 de dez. de 2012

Perfis de Mulher: Jeanne Calment


Qual a importância de Jeanne Calment para as artes ou as ciências? A priori, nenhuma. Seu maior feito foi viver, e viver muito: Jeanne foi a pessoa mais velha do mundo. Ninguém alcançou seu recorde de incríveis 122 anos. Em mais de um século, ela presenciou as mais notáveis descobertas e mudanças. Mas qual foi seu segredo para viver tanto?  
Jeanne Louise Calment nasceu em 21 de fevereiro de 1875, na cidade de Arles, na França. A longevidade se mostrou presente entre seus familiares mais próximos, uma vez que seu pai viveu quase cem anos e o irmão, 97. No entanto, seus descendentes não tiveram a mesma sorte: a filha de Jeanne morreu aos 35, vítima de pneumonia, e o neto, criado por Jeanne, aos 36 em um acidente de carro. O marido dela, um rico comerciante, faleceu aos 73 anos, depois de comer uma sobremesa com cerejas estragadas.
Jeanne nunca foi atleta ou obcecada pela beleza e saúde. A riqueza de seu marido permitiu que ela se dedicasse a seus hobbies, como jogar tênis, nadar, andar de bicicleta e também ir à ópera. Ela andava de bicicleta mesmo com 100 anos de idade e morou sozinha até os 110. Sua dieta também não era extremamente regulada. Ao ser perguntada a que ela creditava sua vida longa, respondeu que era ao azeite de oliva que consumia nas refeições e também esfregava no corpo. Entre seus hábitos alimentares estavam tomar vinho do porto e comer um quilo de chocolate por semana.
Os casos de supercentenários, pessoas que vivem mais de 110 anos, são cada vez mais comuns, mas mesmo assim devem ser investigados. Considerando-se que muitos registros de nascimento do século XXI e início do século XX saíam com erros, uma vez que não havia máquinas que auxiliassem em sua emissão, vários casos de pessoas que se diziam as mais velhas do mundo acabaram sendo provados como falsos. Jeanne, no auge de sua fama, teve sua idade posta à prova e confirmada várias vezes, em especial por se tratar da única pessoa que passou dos 120 anos.
Apesar de ter vivido tanto e numa época tão turbulenta e cheia de mudanças, Jeanne teve um cotidiano calmo. Só ficou famosa aos 113 anos, quando equipes de repórteres foram à sua cidade devido ao centenário da visita de Van Gogh a Arles, onde ele pintou alguns famosos quadros. Jeanne foi entrevistada por tê-lo conhecido, embora dissesse que ele lhe pareceu “sujo, mal-vestido, muito feio, mal-educado e doente”. Mesmo assim, Jeanne apareceu brevemente em um filme sobre o pintor, tornando-se a pessoa mais velha a aparecer em uma película.
Cada vez mais procuramos a fórmula da longevidade. Cuidamo-nos com alimentos saudáveis, exercícios físicos regulares, atividades intelectuais e tentamos ficar livre dos vícios. Jeanne não cresceu com essa mentalidade e fumou dois cigarros por dia durante 95 anos. A ciência está desconfiada de que, apesar de bons hábitos serem importantes, o que determina quem vai viver mais de 100 anos são nossos genes. E não é a presença de genes da longevidade que marca um felizardo, mas sim a ausência de certos genes ligados a problemas do coração, câncer e doenças degenerativas. Enquanto não somos capazes de fazer um teste e descobrir se fomos abençoados pela genética ou mesmo como podemos tornar nossos genes melhores, o fundamental é que vivamos com alegria, pois o bom-humor sempre foi marca registrada de Jeanne Calment.

[Aos 110 anos]: “Eu só tenho uma ruga, e estou sentada em cima dela”.       
Jeanne Calment (1875-1997)       

16 de jun. de 2012

Perfis de Mulher: Hipátia de Alexandria

Numa época em que as mulheres não tinham nenhum papel relevante na sociedade além de esposas e mães, Hipátia desafiou as convenções não apenas estudando matemática, astronomia e filosofia, mas também ensinando uma série de discípulos, homens que não tinham vergonha de acreditar nos conhecimentos superiores de uma mulher.
Detalhe da pintura "Escola de Atenas"
Por ter vivido há muito tempo, as informações sobre Hipátia são poucas e desencontradas. Ela também não deixou nenhuma obra escrita. Mas uma coisa é certa: sua herança familiar muito ajudou em sua carreira. Seu pai, Téon, era também professor e foi o último diretor da Biblioteca de Alexandria. Ela incentivou a filha, cuja data de nascimento permanece controversa, a estudar diversas ciências, por isso sua formação foi tão completa. Outra virtude que o pai insistiu que a filha cultivasse foi a oratória, além dos exercícios físicos. Tudo isso transformou Hipátia em uma mulher inteligente, bela (segundo os relatos da época) e que exercia grande influência.

Seus maiores esforços foram no campo da matemática e da astronomia. É quase certo que foi Hipátia a inventora do hidrômetro, instrumento usado até hoje para medir a quantidade de água gasta nas residências. Também estudou as secções cônicas (elipses, parábolas e hipérboles) e desenvolveu diferentes tipos de astrolábios, instrumentos muito utilizados na navegação. Aos 30 anos era diretora da Academia, principal centro de divulgação do saber na cidade. Hipátia jamais se casou, pois se dizia “casada com a verdade”. 
Rachel Weisz e Michael Lonsdale como Hipátia e Téon
Talvez o preconceito não fosse tão forte na época, pois Hipátia era respeitada por sua sabedoria. Circulava livremente entre os homens nas aulas e convenções, além de ter sido mestre e conselheira de várias pessoas importantes, como o bispo Sinésio de Cirene, com quem trocava cartas constantemente, e Orestes, prefeito de Alexandria.  

Se por um lado Hipátia teve sorte em nascer em Alexandria, cidade egípcia que efervescia de conhecimento, teve o azar de nascer em uma época de lutas entre pagãos e cristãos, estes recém-aceitos no Império Romano. Suas ideias eram claramente pagãs e, após Cirilo se tornar o bispo de Alexandria, Hipátia passou a ser perseguida, até que, em 415, foi capturada, despida e atacada por pedras e conchas afiadas até a morte. Seu assassinato também poderia estar relacionado à influência exercida por Hipátia sobre Orestes, tratando-se, assim, de um crime político.
Apesar da morte violenta e da destruição de seus escritos originais, Hipátia influenciou e muito os estudos matemáticos na Renascença e no século XIX. Muitos foram os que lhe prestaram homenagens, entre eles o cientista Carl Sagan. Em 2009 foi a vez de ela ficar mais acessível, através do filme “Alexandria / Agora”, estrelandoRachel Weisz. O filme foi a maior bilheteria na Espanha, país de origem do diretor. Apesar de conter algumas licenças cinematográficas, este filme é louvável não apenas por retratar Hipátia e sua ciência, mas também por ter um visual deslumbrante, utilizando sets de “Gladiador” e “Troia”. Com este filme, uma mulher notável ganha seu merecido reconhecimento e torna-se mais próxima do público não-cientista.

“Reserve o seu direito de pensar; mesmo pensar errado é melhor que não pensar”.

14 de jun. de 2012

O Mundo de Beakman

O Mundo de Beakman
Honestamente acredito que a melhor época para ter sido criança foi durante as décadas de 80 e de 90. Além da consciência de que a criança deveria aproveitar esta fase ao ar livre, por estes anos o Atari expandiu-se, os filmes fugiam de certas restrições, a internet despontava e os programas de TV eram mais preocupados com o conteúdo do que com audiência a qualquer custo.

Foi justamente neste período em que o colorido servia de estímulo para a imaginação pueril - e não para música - que nasceu o Mundo de Beakman. Um programa televisivo produzido nos Estados Unidos e que, graças ao intenso feedback positivo, foi transmitido aqui no Brasil pela TV Cultura entre 1994 e 2002.

Eu que sempre gostei de aprender - vide "Aprendi no Telecurso 2000!" -, não perdia um episódio. Os mesmos possuíam temáticas específicas, além de responderem cartas de telespectadores reais. Quando o programa foi trazido para a telinha brazuca, os nomes verdadeiros das correspondências foram suprimidos e substituídos por trocadilhos divertidos na mesma linha do humor aplicado para explicar os conceitos científicos.

Aparte das risadas garantidas, outro triunfo do formato eram as experiências realizadas. Assim, o que era explicação ganhava força palpável aos olhares infantis. Eu mesma repeti algumas delas, só para me certificar de que era possível e, por óbvio, sentir-me "A" cientista!

A condução fixava-se nos conhecimentos de Beakman, protagonizado pelo fabuloso Paul Zaloom (confira o site oficial dele), acompanhado de seu amigo Lester, um rato que auxiliava nos experimentos interpretado por Mark Ritts, e de uma assistente. Vale mencionar que durante os anos da atração três assistentes cheias de atitude passaram pelo universo deste cientista maluco, sendo elas respectivamente: Josie (Allana Ubach), Liza (Eliza Schneider) e Phoebe (Senta Moses). Ou seja, a estrutura do programa era formada por uma equipe de laboratório de três integrantes - dois humanos e um rato inteligentíssimo - e mais dois pinguins que assistiam o programa conectando as partes com tiradas engraçadas. Duas ambientações complementando-se em harmonia.

Por falar em estruturação, você sabia que no laboratório de Beakman havia:
  • 34 globos terrestres;
  • 36 pneus de bicicleta;
  • 14 extintores de incêndio;
  • 5 manequins assistenciais;
  • 11 ventiladores elétricos;
  • 1 floresta Tropical indoor;
  • 14 luminárias de lava;
  • 9 torradeiras;
  • 4 pipoqueiras;
  • 1 esqueleto;
  • 6 troféus de boliche; E
  • 2 secadores de cabelo profissionais?
Para outros fatos interessantes basta acessar o site oficial do programa, clicando AQUI.

Com toda esta conjunção de ciência, humor e cores o sucesso era inevitável. Tornar o mundo do conhecimento científico algo acessível para um público em fase de formação é mais do louvável! Algo que soa faltante nos dias de hoje. Está certo que atualmente existe o Google para responder as dúvidas nossas, entretanto, inexiste o incentivo mágico de uma simpática persona e suas loucuras. Bom, enquanto ninguém resolve inspirar-se nesta preciosidade, que tal rever alguns episódios antigos completos?
Chuva, Beakmania e Vulcões
Bolhas, Beakmania e Pés

Gravidade, Beakmania e Inércia

Prontos para uma Experiência?

9 de jun. de 2012

Perfis de Mulher: Marie Curie

A primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel é até hoje a única representante do sexo feminino a vencer este cobiçado prêmio em duas categorias: Física e Química. Também foi a primeira mulher a dar aulas na Universidade de Paris. Cientista responsável pela descoberta e isolamento de elementos radioativos, o que lhe valeu a glória científica e também problemas de saúde. Trabalhando ao lado de seu marido Pierre Curie, Marie é a prova de que nem sempre a mulher faz o homem: às vezes, ela se destaca tanto quanto ele.


Nascida Marie Sklodowska em 1867 na Polônia, era a mais nova dos cinco filhos de um casal de professores. Mesmo assim, ela não teve uma vida fácil: órfã de mãe aos 12 anos, viu boa parte das posses de sua família se perderem durante conflitos para a reconquista da independência polonesa. Por isso Marie trabalhou como governanta durante um tempo, se apaixonando por um futuro matemático, que não aceitou se casar com a pobre moça. Neste período ela estudou em uma universidade clandestina.

Em 1891 ela foi para Paris, juntando-se à recém-casada irmã Bronislawa, uma obstetra. Marie estudou na famosa universidade Sorbonne, onde conheceu Pierre Curie e o interesse mútuo pelo estudo de magnetismo aproximou-os. O casal teve duas filhas, Irène e Eve, e permaneceram juntos até a morte dele, em 1906, em consequência de um atropelamento.  


Com seu marido Pierre Curie e com Henri Becquerel, fez estudos que resultaram na descoberta dos elementos radioativos polônio e rádio. Com Pierre e Henri ela também dividiria o Prêmio Nobel de Física em 1903. Curiosamente, em 1935, sua filha e seu genro também dividiriam um Nobel, desta vez de Química. Em 1996, o casal Curie seria homenageado como o elemento Cúrio.

Marie chamou muita atenção depois de ganhar seu primeiro Nobel, tornando-se professora da Sorbonne e administradora do laboratório da universidade, além de ter influenciado o governo francês a criar um instituto só para o estudo dos usos da radioatividade. A partir dessas pesquisas muitos aparelhos de Raio-X foram desenvolvidos e, durante a Primeira Guerra Mundial, estima-se que um milhão de soldados foram tratados com o Raio-X acoplado a ambulâncias, idealizado por Marie.

No ano em que ganhou seu segundo Nobel, 1911, Marie participou da primeira Conferência de Solvay, sendo a única mulher em um grupo notável de cientistas, entre os quais Albert Einstein, reunidos para discutir os efeitos da radiação. O que ninguém naquela conferência poderia imaginar era o quanto a radioatividade era perigosa, tanto que causou na cientista um tipo grave de anemia, que acabou por matá-la em 1934.  

Foto da Conferência de Solvay. Marie está apoiando a cabeça no braço direito
Um ano após sua morte, a filha Eve escreveu uma biografia da mãe, um bocado romanceada, é verdade. A própria Marie gostava de aumentar a magnitude de seus feitos quando os contava. Em 1943 foi feita uma cinebiografia de Marie, estrelando Greer Garson e Walter Pidgeon, protagonistas do vencedor do Oscar de Melhor Filme do ano anterior. Greer foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz por sua interpretação. O ano de 2011, que marca o centenário do seu Nobel de Química, foi escolhido como o Ano Internacional da Química e o Google a homenageou em seu aniversário. Prova de que essa grande cientista não será esquecida.


“Eu estou entre aqueles que acreditam que a ciência tem grande beleza. Um cientista em seu laboratório não é apenas um técnico: é também uma criança colocada frente a um fenômeno natural que a impressiona tanto quanto um conto de fadas”.

Marie Curie