15 de abr. de 2013

Nothing Personal

Segundo, dicionário Aurélio - Minimalismo é qualquer movimento artístico que se expressa através da extrema simplificação da forma.É assim que enxergo a película: Nothing Personal(Nada Pessoal)um cenário inóspito, fotografia singular, atuações brilhantes, enredo funcional e uma simplicidade detalhada sutilmente, tornam este filme essencial.
No filme, temos a estonteante holandesa, Lotte Verbeek(atriz no seriado The Borgias)no papel de Anne, conquistou o prêmio Leopardo de melhor atriz no Festival Internacional de Cinema de Locarno de 2009. Lotte Verbeek também conquistou, graças a este mesmo papel, o prêmio de melhor atriz do Festival Internacional de Cinema de Marrakech em dezembro de 2009.Em 2010, no Festival de Berlim, o Prêmio Shooting Stars, concedido anualmente pelo European Film Promotion a atores promissores.Ela intepreta, desde 2011, a personagem Giulia Farnese na série de televisão de ficção histórica The Borgias. No filme, de Urszula Antoniak, Anne é uma jovem mulher que, aparentemente devido ao fim do seu casamento, decide abandonar a Holanda, partindo para uma viagem solitária pela Irlanda. É durante essa viagem que encontra uma casa, onde habita o solitário Martin. Anne acaba por trabalhar para Martin, a princípio a troco de comida, com a exigência de nenhum contato. No decorrer esses personagens deixam sua solidão e vão lentamente se aproximando. O filme, é dividido em cinco partes, “Solidão”, “O fim de uma relação”, “Casamento”, “Início de uma relação” e “Sozinha”, basicamente é um filme sobre isolamento social e ausência do ser. Essa vontade que muitas vezes invade nossa mente, temos a 'idéia' de que essa 'ilusão' de isolamento, como um novo remomeço é algo promissor. Nada Pessoal, é um filme 'lento' o que para alguns é sinônimo de 'filme arrastado'[o que eu adoro] diálogos escassos que favorecem os cenários, deixando expressão corporal e fotografia em evidência. Não existem cenas 'hollywoodianas', que cortem a respiração, grandes mudanças ou qualquer passado misterioso dos personagens.

Temos simplesmente, duas vidas que se encontram, just it! Mas, o que mais me deixou sem fôlego, foram os cenários que são exuberantes, vários momentos do filme, em que a transição das paisagens pela Irlanda com a música escassa nos dizem muito, composições de Ethan Rose e os vinis de Martin, demonstram isso. Sou apaixonada pela camera que demora no olhar dos personagens, no gestual solitário de cada um, suas manias, no fogão o modo de bater um molho, na colheita da alga marinha, esses detalhes enriquecem e MUITO este filme. E justamente, a ausência de 'humanos', suas palavras existindo somente suas ações, fazem deste filme uma obra de arte. 
Por outro lado, faz pensar e muito sobre a questão do isolamento social.Que é abordado no filme de um modo suave, lírico e algumas vezes sufocante. O que é mais prejudicial ao organismo: fumar 15 cigarros por dia ou sentir-se sozinho? 

De acordo com o psicólogo John Cacioppo, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, as duas ações fazem igualmente mal, a longo prazo. O norte-americano baseou-se em pesquisas de outros cientistas com idosos e notou que o sentimento de solidão, mais do que o isolamento físico em si, aumenta os níveis de cortisol — hormônio ligado à resposta ao estresse no corpo."A presença do cortisol eleva a pressão arterial, reduz o sistema imunológico e pode, entre outros fatores, contribuir para o declínio da performance do sistema cognitivo. A falta de interação com amigos e familiares também colabora com o aparecimento da depressão, da demência precoce e de problemas cardíacos.O sentimento de estar sozinho é influenciado por fatores objetivos e subjetivos, como a genética, o ambiente familiar em que a pessoa viveu quando criança, normas culturais, deficiências físicas e discrepâncias entre expectativas das relações e como elas realmente ocorrem." A questão das expectativas nos relacionamentos é, para a psicóloga Kelly Gennari, de grande importância. “Somos seres sociáveis, treinados a viver pelo outro."

 Estar perto de alguém é necessário para que nos sintamos valorizados, mas o que esperamos das demais pessoas e como nos relacionamos com elas é ainda mais relevante. Cacioppo afirma que “o momento entre o fim da vida adulta e o início da terceira idade é quando o isolamento se manifesta mais intensamente, porque essas pessoas perderam seus pais, cônjuges, irmãos, amigos próximos e, em alguns casos, um ou todos os filhos”. No filme, temos um isolamento social proveniente de desilusões amorosas. Anne, busca um lugar solitário, para tentar recomeçar. No começo, vemos uma Anne fria, profundamente magoada com a vida. Que não deseja NENHUM contato pessoal. Até, que encontra Martin, que teve muita dificuldade neste retorno de aproximação com humanos. Anne, evita perguntas simples, ele também. 
No decorrer, acompanhamos sutilmente a mudança no comportamento de ambos. 
Aí, que entra um pouquinho da vida real, onde podemos observar a confiança chegando vagarosamente. Passamos do estágio 'robotizado' para uma sucessão de acontecimentos naturais. Talvez,assim começamos um processo de 'cura', do isolamento social.No filme, vemos essa passagem por meio dos gestos dos personagens, um toque de mãos, um soprar no campo ou uma bandeja de café da manhã na porta do quarto, nos brindam com esse 'renascer'.

 Como citei no início, a fotografia do filme é exuberante e muitas vezes, deu vontade de congelar algumas cenas para fazer foto, rs. Nothing Personal é assim, consegue acordar nossos sentidos para um problema sério que é o isolamento social. Às vezes necessário, outras destrutivo. Precisamos, ter cuidado com nossa mente(já passei por isso e na verdade ainda sofro)talvez, por ainda ter minha amiga-mãe ao lado, deixe essa vontade de largar tudo e simplesmente ir, adormecida. 
Enfim, este filme, mexeu comigo e não posso negar que algumas vontades estão ativas. 
Porém, ainda tenho responsabilidades que me impedem(o que por um lado é bom- viram só? Não sou tão psicopata assim,rs)o filme é belo, em seu modo implícito. Um filme, para ser revisto, observado, um filme, para se notar detalhes, para pensar, respirar e aí então decidir. Nothing Personal, é essencial e vital!


10 de abr. de 2013

Perfis de Mulher: Margaret Thatcher

Reverenciada como uma das mulheres mais poderosas do século XX e uma das melhores chefes de Estado que a Inglaterra já teve, Margaret Thatcher deixou o mundo dividindo opiniões. Todos esses elogios não encobrem o descontentamento popular durante todo seu governo, nem as heranças questionáveis que ela deixou não apenas para seu país, mas para o mundo todo. Seria a Dama de Ferro uma governante de coração de pedra?
Margaret Hilda Roberts nasceu em 1925,filha mais nova de um homem politizado e religioso, que criou as duas meninas na igreja Metodista. Apesar de ter um bom desempenho escolar, Margaret só conseguiu uma bolsa no curso de Química em Oxford após a desistência de um aluno mais bem classificado (anos depois, o conselho estudantil vetaria a ideia de dar à então primeira-ministra um doutorado honorário). Ela formou-se com honras e se especializou em raios-X. Na faculdade tomou contato com as primeiras ideias políticas que serviriam de base para todo seu pensamento e ação quando no poder.
Um turbilhão de mudanças veio enquanto ela desenvolvia emulsificantes para sorvete em uma fábrica: além de conhecer seu futuro marido, Denis Thatcher, ela se envolveu e fato com política, atraindo a atenção em sua primeira eleição por ser a candidata mais jovem e a única mulher, isso em 1951. Embora tenha perdido, ela seguiu no meio e se elegeu para o Parlamento e depois foi nomeada secretária da educação, colecionando suas primeiras críticas e polêmicas.
O maior motivo de espanto foi a derrota de Edward Heath, mentor de Margaret, nas eleições para líder da oposição em 1975. A vitória da já então Dama de Ferro (apelido dado por um jornal soviético, e que ela adorou) foi vista como uma traição, mas seu destino já estava traçada: em 1979 se tornou a primeira e ate hoje única mulher a ser primeira-ministra da Inglaterra.
Ela ficou no cargo 11 anos, um período nada fácil. Margaret teve de lidar com o acirramento de questões raciais, altos índices de inflação e desemprego, greves e embates na Irlanda do Norte e pequena aprovação popular. Bastante liberalista, ela diminuiu o poder dos sindicatos e promoveu a privatização de indústrias, gerando uma tendência econômica que iria chegar no Brasil em meados dos naos 1990. Só foi reeleita em 1982 após o sucesso na Guerra das Malvinas, iniciada quando a Argentina invadiu as ilhas Malvinas, ou Falklands, que ficam próximas a seu litoral mas estão sob o poder da Inglaterra.
Outros fatores serviram para torná-la digna de admiração, como não ter se abalado após ter sofrido um atentado em 1984, e as relações mais abertas com líderes comunistas na década de 1980, embora ela própria, como seu aliado na política externa, Ronald Reagan, combatesse ferozmente o comunismo. Em 1990, o feitiço virou contra o feiticeiro e sua renúncia teve também sabor de traição, após ver-se sem apoio e ser desafiada na liderança da oposição.   
Tema de muitas músicas de protesto, charges e imitações durante seu governo, Thatcher ganhou uma cinebiografia em 2011, “A Dama de Ferro”, com Meryl Streep, em uma caracterização perfeita, no papel principal. O filme causou polêmica ao mostrar a ex-política sofrendo de demência, em especial acreditando que seu marido, morto em 2003, ainda vivia. Anos antes da filmagem, sua filha (ela teve um casal de gêmeos) confirmou a saúde frágil da mãe, que não aparecia em público já há alguns anos.
Suas medidas no governo foram as mais diversas possíveis: por um lado se posicionou a favor da descriminalização da homossexualidade masculina (você não leu errado) e do aborto, mas por outro quis manter leis rígidas em casos de divórcio e sempre foi contra a entrada da Inglaterra na União Europeia e ao julgamento do ex-ditador chileno Augusto Pinochet. Não é possível dizer se Margaret estava certa ou errada em suas decisões, apenas admirar essa mulher que, além de abrir um caminho importante para as mulheres na política, sempre agiu conforme suas próprias ideias.


"O que é sucesso? Eu penso que é uma mistura de ter prazer pelo que você faz, saber que isso não é o suficiente, que você precisa trabalhar duro e um certo senso de propósito"

Margaret Thatcher (1925-2013)