28 de fev. de 2013

É o Novo! # 2 : Heróis da minha infância !

Olá povo!

 Estava eu pensando aqui, faz tempo que eu não posto nada sobre séries,estou em falta com o blog!
 Tenho assistido séries interessantes,pretendo versar sobre elas conforme o ano for avançando,mas revendo algumas fotos antigas,daquelas em que não se faz pose mas se é pego no flagra "voando alto" durante brincadeiras infantis,acompanhadas- pelo irmão- ou na maioria das vezes solitária. 
 Que brisa,que lembranças legais!  Brincadeira de criança não é completa se ela não "incorporar" aquele personagem que mais a agrada...E naquela época anos 80/90, haviam muitas séries que me inspiravam. Os efeitos especiais podem não ser tão elaborados como os das séries de hoje,com recursos tecnológicos 3D ou maquiagens realísticas mas certamente eram muito mais emocionantes e é por isso que à maneira da colega Karla aqui do blog,vou compartilhar um pouquinho das minhas lembranças com vocês! Foi muito difícil escolher sobre quais séries falar,mas estas são as eleitas:

                             
Super Vicky : Quem se lembra desta frágil garotinha de vestidinho e avental, 8 anos de idade,dona de uma força descomunal?  Eu era vidrada nela e ficava realmente muito chateada quando a mandavam ficar dentro do armário,ela DEVERIA fazer parte daquela família,que maldade! Apesar de parecer cruel com a querida Vicky,tinha um propósito maior: Afastar a vizinhança fofoqueira que com certeza prejudicaria a famíla se descobrisseque a garotinha era um robô fabricado pelo próprio patriarca da família,um ancestral dos nerds por sinal,Dr Ted Lawson.Nunca hei de esquecer  a menina vizinha de cabelos vermelhos e o seu inesquecível bordão : Onde está o meu homem! Que persistência!


Esta era a abertura da série:




Changeman: Não poderiam faltar seriados tokusatsus japoneses,os quais eu amo desde pequetita! As poses que eu fazia eram épicas e representavam os seres que davam forças ao grupo de heróis da série. É claro que eu queria ser como as Change Sereia e Fênix,as meninas da equipe,mas tinha igual admiração pelo poder dos rapazes.  Gyodai era esquisitamente cativante com sua aparência peculiar e por melar o trabalho dos Change, revivendo os monstros e transformando-os em gigantes . E que nojo dos soldados! Nasciam de ovos,tinham pele azul e eram loiros. Eram mudos mas toda vez que apareciam um som asqueroso os identificava. Sentem a porrada neles,Changes!

Abertura de Esquadrão Relâmpago Changeman,como era chamado aqui no Brasil:





Kamen Rider : Meus amiguinhos de colégio me achavam, bizarra por gostar de seriados japoneses,mas vejam  só Kamen Rider Black e  Kamen Rider Black RX que foram os únicos da franquia original a serem exibidos no Brasil: É um homem inseto - ciborgue- pilotando uma super moto e chibateando os vilões até eles explodirem! Isso não é demais? Definitivamente,as crianças atuais precisam de heróis como os dos anos 80!


 Abertura de Kamen Rider na saudosa TV Manchete:




Jiraiya: Finalizando a minha seleção de japoneses, não podia faltar ele,o ninja Jiraiya! Como dizem por aí: Épico!- LE CARRO EXPLODINDO E CAPOTANDO - O diferencial de Jiraiya em relação aos outros heróis japoneses é que ele um jovem comum,tanto como anônimo quanto como lutador da justiça.Ele não possui super poderes,conta apenas com o treinamento da lendária técnica ninja e com a sua espada. Fodeu,agora porra tá séria,é assimm que pensávamos toda vez que ele empunhava a espada e gritava: Espada Olímpica! A série torna-se muito mais interessante pelo simples fato que o último ninja do Japão (de verdade) está entre os personagens.

Abertura de Jiraiya,também na TV ( Porque fostes acabar Rede Manchete?  ) :



  Goosebumps: Esta série eu assistia na época em que ainda havia  o canal Fox Kids nas TV's pagas. Apesar de ser dirigida para o público infanto-juvenil,é capaz de provocar "calafrios",literalmente o nome da atração. O enredo conta com situações bastante tensas,que prendem até mesmo a atenção de um adulto,ou seja é um terrorzinho muito bom de se assistir à tarde,depois da aula e depois ficar matutando sobre algumas lições muito importantes repassadas através das situações. Tipo,se puder sempre evite de ser incrédulo,curioso demais,soberbo,teimoso,valentão...Você pode acabar se dando mal!Confesso que eu só assistia de dia com todas os acessos da casa abertos,porque vai que...né? XD~~


Aqui está um episódio da série:



Eerie Indiana : Apesar de não ser amedrontadora como Goosebumps, a trama de Eerie Indiana é bastante tensa e complexa. Imagine você encontrar-se consigo mesmo do futuro com a idade de 113 anos? Deve ser impactante saber que nunca sairá de sua cidade e que trabalhará como carteiro. Mais ainda quando você em questão tem apenas 13 anos! Essa foi mais uma das estranhas situações pelas quais passaram Marshall Tellers e seu amigo cabecinha oca  na cidade de nome homônimo à série. É um "Além da Imaginação" infanto-juvenil,muito bom,que pena que não passa mais na tv.  
Abertura de Eerie Indiana,no original em inglês:



E para finalizar com chave de ouro...



Wishbone: Uma explosão de fofura esse cachorrinho,minha gente! Até hoje tenho o refrão guardado na minha cabeça "Qual a história Wishbone,que você vai nos contar"! Eu realmente queria que meus filhos vissem esta série,assim como todas as outras crianças,pois é pedagógico,incentiva a criatividade e o gosto pela leitura.Meus cães foram meus wishbones!O imaginativo cãozinho compartilha conosco seus sentimentos e devaneios.A cada episódio ele é um personagem da literatura,num enredo que se entrelaça com a sua vida de companheiro do garoto Joe,seu dono e é claro,cada episódio tem um conflito,uma resolução de problemas e uma importante lição a ser repassada. Em alguns episódios a carga dramática é intensa,como foi o caso de A Máquina do Tempo de H.G Wells. Podemos sentir a desolação de Wishbone ao ver que enquanto " ele" viajava com auxílio da máquina o mundo que ele conhecia havia terminado. Foi bem obscuro. E de novo,que fofura de quatro patas,nos mais elaborados figurinos de época! #VOLTAWISHBONE


Tema de Wishbone em inglês:


Acaba por aqui a minha lista de heróis de infância,espero que vocês tenham gostado!

26 de fev. de 2013

A Influência Literária no Rock

Depois de um bom tempo sem aparecer pelo blog "Antes que Ordinárias", volto as atividades neste ano de 2013 com a seção "Opinião" onde falo e coloco em questão diversos temas políticos, sociais e até mesmo de entretenimento.

Aldous Huxley
 Abro a  seção falando de rock e literatura. Duas coisas que não vivo sem e que juntas ficam melhor ainda. Um texto que aborda cantores e sua influência literária.

O número de cantores/bandas  que tem em sua bagagem musical a influência direta de poetas, escritores e mesmo obras literárias é muito grande e cresce ainda mais quando o assunto é o rock' n' roll. Um gênero que se diferencia por sua grande quantidade de conteúdo, variações e temáticas.

 A literatura e musica possuem uma conexão de séculos, pensadores como Nietzsche já falavam da importância da musica para os seres humanos: "Sem a música, a vida seria um erro." Outro musico e até mesmo amigo de Nietzsche, Richard Wagner foi um famoso compositor alemão, e além de músico era também poeta e escreveu várias óperas e a tetralogia "O Anel do Nibelungo", um clássico mitologia nórdica.


 Mais a frente no tempo, muitas bandas de rock a partir da década de 1970 viriam a ter um autor como influência, principalmente escritores como Edgar Allan Poe.

Dentre um dos poetas mais aclamados dentro do rock/ punk está Arthur Rimbaud que foi um precoce poeta francês, escrevendo obras-primas entre os 15 e os 18 anosde idade,  influenciou a literatura, a música e as artes modernas. Era conhecido por sua fama de libertino e por uma alma inquieta, viajando de forma intensiva por três continentes antes de morrer de câncer aos 37 anos de idade. Talvez nascia aí a ideia do "morra jovem" cultuada pelos roqueiros dos anos 60 em diante.


A própria Biografia da banda Rolling Stones, tem como referência um livro de Rimbaud, "Uma Temporada No Inferno", que virou  "Uma Temporada No Inferno com os Rolling Stones".

A poesia de Rimbaud, bem como sua vida libertina, serviu de inspiração para músicos e artistas do século XX. Bob Dylan, Patti Smith, Van Morrison e Jim Morrison foram influenciados por sua poesia e por sua vida.


Jim Morrison lia muito as obras de poetas franceses, Rimbaud, além de outros como  Paul Velaire e Charles Baudelaire. Ainda falando de Jim Morrison, talvez um dos cantores com maior referência literária, é no escritor Aldous Huxley, que Jim se aprofundou para dar nome a sua banda "The Doors", inspirado no livro "The Doors of Perception" de Aldous Huxley ou "As portas da Percepção",  esse titulo de Aldous, veio de um verso do poema de William Blake, que dizia: " Se as portas da percepção estiverem limpas/ Todas as coisas se apresentarão ao homem como são, infinitas..."


A Poesia Beat dos anos 60 foi bastante influente na vida de Jim Morrison e muitos musicos daquela epoca e até depois, e um dos livros favoritos do cantor era ''On the Road'' de Jack Kerouac.

O cantor Bob Dylan foi um dos cantores que levantou a bandeira Beat, e principalmente um dos amantes dos livros de Kerouac. Dylan afirmou que "On the Road", foi  como uma bíblia para mim", ainda em conversa com Ginsberg, a cantor Dylan disse: "A leitura explodiu minha mente, foi a primeira poesia que falava a minha língua".

Aldous Huxley foi outro autor homenageado pela geração do acid-rock,  Jim Morrison lerá "The Doors of Perception", na adolescência e voltava a lê-lo quando estava em gravação do primeiro disco da banda californiana. Huxley também aparece na capa de Sgt Pepper’s dos Beatles. O Beatle John Lennon adorava os livros de Lewis Carroll, "Alice no País das Maravilhas" e "Alice através do Espelho".


A banda Queen, na música "Machines (or Back to Humans)", tem como inspiração o livro "1984", de George Orwell. O Blind Guardian tem influência das obras de J R R Tolkien como o "SIlmarillion".

O The Cure  tem uma forte ligação com as obras de Allan Poe, esse autor inclusive tem seus contos em forma de músicas nas mãos do guitarrista Allan Parsons.


O nome da banda "Joy Division" foi tirado do nome de uma casa de prostituição extraída de um romance chamado "The House Of Dolls", escrito por Yehiel De-Nur, em 1956. A banda ainda tem referência na poesia concreta de Marshall Berman, no documentário sobre o Joy Division, começa com uma citação do escritor: "Ser moderno é encontrar-nos em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, transformação de nós mesmos e do mundo - e, ao mesmo tempo em que ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos tudo o que somos. "


É uma descrição apropriada da banda, o escritor Marshall Berman ficava fascinado toda vez que escutava que vivia numa cidade “moderna”, num edifício “moderno”. Desde então, dedicou boa parte da sua vida à tentativa de decifrar o que é, enfim, a modernidade. É um dos grandes noems da poesia concreta.

O filósofo alemão Nietzsche inspirou músicos do Post-punk e do gênero musical heavy metal, particularmente os de black metal.

A banda black metal norueguesa Gorgoroth, indubitavelmente é uma das mais influenciadas pelas idéias nietzschianas, tanto que chegaram a afirmar que Nietzsche é a principal influência para a banda como autor. 

Afirmam: "Definitivamente, as obras Crepúsculo, O Anticristo e Ecce Homo estão entre os meus 5 livros favoritos."

O nome Gorgoroth foi retirado do livro "O Senhor dos Anéis", de J.R.R. Tolkien, a região onde está situada Mordor, onde reina o cruel Melkor.

Assim como o Gorgoroth, o nome da banda Burzum, também foi retirado do livro de Tolkien. "Burzum" é uma das palavras que estão escritas em Língua Negra no Anel de Sauron, a última sentença é "ash nazg durbabatuluk agh burzum ishi krimpatul", que significa "um anel para atrair todos eles e uni-los através da escuridão". Burzum seria "escuridão"


A banda Inglesa Anaal Nathrakh também apresenta forte influência de Friedrich Nietzsche. Outro bom exemplo de influências nietzschianas no metal é o álbum da banda Bathory intitulado "Twilight of the Gods", lançado em 1991, que traz na contra-capa trechos de 1871 de Friedrich Nietzsche.

Bem esses foram alguns artistas que tem influência literária que lembrei, porém é um campo vasto demais para ser exposto em uma única postagem, mas espero que tenham gostado do texto :)

Fonte: 
whiplash.net
Wikipédia


25 de fev. de 2013

Dor e delícia de ser o que é #2

Completei meus 24 anos de vida há pouquíssimo tempo. E, a cada aniversário, eu tenho reflexões sobre o peso de uma responsabilidade que mais um ano de experiência acarreta, de projetos que agora são mais complicados de se realizarem ou até mesmo que facilitaram a concretização.



Eu ainda tenho sonhos adolescentes. Gostaria de dançar em uma companhia de ballet moderno, de fazer mais umas 2 ou 3 graduações, conhecer novas pessoas e viver experiências únicas, pessoais e inéditas. Só que com o tempo passando e a necessidade de produzir alguma coisa, se especializar em uma carreira, de cristalizar uma vida bem consolidada que a nossa sociedade coloca como o certo, eu fico pensando se, de fato, eu conseguirei concretizar alguns desses sonhos.



Tenho medo da velhice. Tenho medo da dificuldade que é o passar dos anos para um corpo perecível. Tenho medo do olhar das pessoas daqui a uns anos e me sentir uma velha patética e descontextualizada e por isso, tenho até umas vontades momentâneas de ser mais enquadrada no padrão social aprovado.




Normalmente, as mulheres têm mais dificuldades de lidar com esses padrões. 




Estamos sempre bombardeadas de como nos portar, de como aparentar, agir e o que é ser uma mulher de sucesso e de ~respeito~.

A necessidade de ser mãe, e ainda ser presente, ter uma carreira e não abandonar os filhos, ter um marido com um bom salário, morar em um bom bairro, ser discreta, séria, magra, bonita, elegante... todas essas utopias tolas, que fogem do funcionamento da grande maioria da mente das mulheres atuais faz com que nos sintamos perdidas e mais amedrontadas com o que pode ser. E, no final, acabamos por nos resignar ao padrão e vamos, frustradas, atrás do fundamental social obsoleto.



Eu sei que estamos em plena revolução sexual e que batalhamos diariamente para mudarmos nosso papel no meio humano civilizado. Só que eu não quero ser mais uma Janis Joplin, que os fans me perdoem a comparação, mas, que foi um sucesso por seu talento mas que sofreu à falta de padrão. Entendem? Não sei se fui infeliz no exemplo, mas acho que para ilustrar, serve.




Não sei se precisamos sermos mais incisivas ou mais a vontade com essa condição. Ou talvez, deixar de pensar e simplesmente agir. Tentar nos cegar para os julgamentos talvez seja uma opção para que a mudança seja fluida e menos impactante... Fica no ar as dúvidas. 

Face Detox: receitas caseiras para esfoliação da pele do rosto



Os excessos vindos das festas de fim de ano e início de ano especialmente no Brasil com o Carnaval, são sentidos no corpo e pesam a consciência, o que nos movem a retomada de alguns tratamentos de beleza. É com esse ‘Espírito Detox’ que vamos falar hoje, sobre algumas receitas caseiras que promovem o revigoramento da pele do rosto.

Geralmente usamos muita maquiagem e a probabilidade de uma pele com aspecto 'cansada' pode ser resultado dos nossos escapes na alimentação e de resquícios de produtos em nossos poros, por isso é muito importante desintoxicar a pele.



Após uma noite mal dormida ou um dia de excessos, é natural a derme ficar desidratada, então é imprescindível consumir muita água e utilizar hidratantes para balancear o efeito e evitar a aparência desgastada. Se possível, deixe sua pele respirar um pouco e evite usar maquiagens muito carregadas nos dias seguintes para os poros respirarem e a pele se recuperar de maneira adequada. Entretanto é imperativo o uso do protetor solar!


A pele do rosto é o nosso cartão-postal já dizia nossas mães, então que tal se inspirar nessas receitas caseiras, de baixo custo, rápidas e práticas?!


-Esfoliante caseiro para pele seca

Em um recipiente, coloque 2 colheres (sopa) de mel, 2 colheres (sopa) de farinha de aveia e misture tudo. Guarde na geladeira por cerca de 3 horas e aplique no rosto. Geladinho ele além de esfoliar também tonificará. Faça movimentos circulares por todo o rosto e, principalmente, em regiões mais propícias de cravos como o nariz. Depois disso, lave o rosto e passe um creme hidratante específico para esse tipo de pele. Vale lembrar que a validade do esfoliante é de duas semanas na geladeira. Se preferir, substitua a aveia por açúcar cristal. Assim a esfoliação será muito mais profunda.
Se preferir troque o mel por um creme com uma textura mais firme próprio para pele seca, assim a pele ficará mais hidrata e macia.
- Esfoliante caseiro para pele mista

Misture em um recipiente açúcar e fubá colocando um pouco de água para dar uma textura cremosa, não líquida demais. Passe no rosto em movimentos circulares. Logo após o processo esfoliação, retire e passe o seu creme preferido.

Outra ideia é misturar o iogurte natural com o açúcar. Misture até virar uma pasta. Aplique no rosto também em movimentos circulares, removendo com água.


- Esfoliante caseiro para pele oleosa

Prepare uma pasta com aveia e água. Aplique em todo o rosto e deixe secar. Molhe as pontinhas dos dedos e comece com movimentos circulares. Essa receita é ótima, pois além de retirar as células mortas, retirará grande parte dos cravos.

Aposte na clara do ovo para finalizar a limpeza. É simples: Pegue uma clara e aplique em todo o rosto. Espere até secar e retire com bastante água. É surpreendente o efeito de limpeza, maciez e tonificação. Além disso, a clara de ovo tem agentes secativos auxiliando na secagem das acnes.

Cuide-se, visite um dermatologista regularmente, pois você já sabe...beleza e saúde são indissociáveis!
Beijos, beijo!
Juliana Azevedo
Fotos: Weheartit

22 de fev. de 2013

Depoimento de Mulher

Em meus textos, poesias, sempre falei/falo da feminilidade e do universo que é Ser Mulher – já que vivemos num limiar fantástico entre a sensibilidade e a razão, entre a força e a delicadeza, cada uma na proporção que julga acertada.
Somos a diversidade!

Os homens, em sua maioria, não conseguem compreender porque tamanha complicação existe na mulher quando o quesito é definir-se, amar-se, aceitar-se. Alguns até julgam tratar-se de pura frescura ou mesmo insanidade. Só que se esquecem da quantidade de funções e pré-definições que cada uma acaba aglomerando ao longo do tempo. A mulher não é apenas mulher: é mãe, é profissional, é amante, é amiga e mais outras tantas subdivisões inclusas nisto. Complicado resta localizar-se nesta confusão toda.

Levei muito tempo para compreender quem sou e mais outro tanto para permitir-me ser/gostar de quem eu sou. Agora estou confortável em minha pele, sem demagogias, sem frases feitas, estou de bem comigo. Para chegar neste ponto não foi nada fácil, vi-me presa em idéias do que seria correto, bonito, aceitável, que em muitas ocasiões não se encaixavam comigo e destruíram a minha auto-estima. Tenho certeza que não fui a única que teve que atravessar o inferno para notar que o céu em mim já residia.

Logo de pequena aprendi que existem duas realidades competindo entre si: A masculina e a feminina. Sendo que a primeira deveria brincar de bola, de carrinho, enquanto a segunda seria delicada e adoraria bonecas. Nunca fui assim. Sempre gostei de sujeira, de futebol e de brigar; Uma verdadeira moleca! Por um tempo ouvi comentários de como minha postura era inadequada e de menino. O bom de criança é isso, eu ouvia e não ligava. Só queria continuar como sempre.

Já na adolescência, continuei atípica. Não era de maquilar-me, ou de usar a última moda, ou mesmo de sair paquerar e ter um chilique porque "Aquele" guri que todas gostavam veio falar comigo. Usava roupas largas – algumas até do meu pai – num estilo beirando ao grunge. Não era depressiva, só fechada. Comecei a duvidar de mim.

Neste âmbito de questionamentos percebi-me fraca perante o ambiente. O primeiro ataque recai sobre a aparência. Pensava: “Não sou bonita. Desprovida de charme. Gorda.” E mais outras tantas besteiras que não calavam. Depois, comecei a achar que ser estudiosa também era um problema. Também via a sexualidade como algo até certo ponto limitado.

Por muitos anos pensei sim que a mulher tinha que ser: Magra, esbelta, inteligente – mas não demais –, delicada e sexualmente refreada. Dá para acreditar que na era digital, após tantos anos de acontecimentos marcantes para o feminismo, o conceito que me foi repassado era este! (Palhaçada, não é mesmo?)

O que me causa mais espanto é que ainda muitas mulheres entendem isto como sinônimo de feminilidade. Senão na totalidade, em partes. Por alguma razão estamos emperradas em quatro obstáculos, quatro papéis que, em separado, apenas servem para barrar a magnitude pessoal de cada uma de nós.

Nos prendemos a FÊMEA, exigindo que nossa aparência deve ser a mais perfeita e padronizada possível. Quando é a diferença que nos torna atraentes, interessantes. Se for magrinha, adore suas linhas retas, abuse das cores, arrase na sua miudeza. No caso de ser gordinha, ressalte as curvas, caminhe como se o mundo devesse seguir cada voltinha sua, idolatre sua abundância. Muito busto? Pouco Busto? Quadril largo? Fino? Alta? Baixa? Seja você, valorize você. Afinal, temos sorte, somos naturalmente lindas!

Emperramos na MÃE/ESPOSA. Ao contrário do dito, nem todas as mulheres tem os mesmos objetivos, a mesma ideia de família. Eu sonho em ser mãe, mas você pode não querer isto e está tudo bem. É um espírito livre e não pensa em casar? Ou acha que casar com seus 40/50/60 anos é o ideal? Ok. Ainda se critica as que escolhem um caminho diferente, rotula-se. Ser mulher é estar além disto e não ligar para tais. Seguir seu caminho conforme você julga certo; Isto sim é viver a sua infinidade.

Ficamos congeladas na PROFISSIONAL. Ambicionamos muito e somos incrivelmente capazes. Na expansão que vivemos, sabemos de nosso poder. Todavia, ainda há quem se intimide com a figura de uma mulher bem-sucedida, inteligente e decidida. Não devemos viver somente para o trabalho, isto é certo; Fechar os encantos em prol de terceiros. Podemos e devemos ser profissionais e femininas. Afinal, um lado não afeta o outro, não é verdade?

Travamos diante da VÊNUS. A sexualidade sempre será tabu e nem se sabe o porquê. Acredite na sua e a explore de maneira saudável e segura. Pense em você e não apenas no seu companheiro(a). Somos desejo somado a emocionalidade e devemos provar da nossa amplitude.

O que é ser mulher hoje senão o encontro de todas estas áreas em harmonia? Ainda estou muito longe do ideal; Vejo-me bem mais próxima, no entanto. Agora me sinto mais segura, fiel aos meus princípios, adorando a beleza real que há nas particularidades minhas. E todas nós merecemos este equilíbrio almejado. Como já se cantou em Pagu: “Porque nem toda feiticeira é corcunda; Nem toda brasileira é bunda. Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem...”. Somos iguais e opostas, corajosas e sem medidas; Desejo que, nesta miscelânea toda, possamos aproveitar a magia de cada aspecto, tornando-nos fortes como nascemos para ser.

Afinal, somos guerreiras e deusas do cotidiano.

19 de fev. de 2013

Agnete Kjølsrud... é bela e fera!

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Olá, queridos e queridas que acompanham o Antes que ordinárias

Depois de tanto tempo ausente, volto bem ao meu estilo, trazendo um pouco daquilo que eu curto, música!

Para recomeçar minhas postagens nesse blog maravilhoso, nada mais minha cara do que trazer um pouquinho de música que eu gosto e recomendo. Para isto, deixo para vocês uma cantora maravilhosa, que eu simplesmente amo! 
Me refiro a Agnete Kjølsrud, a quem conheci por intermédio de meu marido. Agnete foi vocalista da banda Animal Alpha e atualmente integra a banda  norueguesa, Djerv. A bela é dona de uma voz maravilhosamente única. Eu adoro o jeito em que ela oscila sua forma de cantar. Entre algo que vem a demonstrar uma aparente delicadeza, mas, também, escancarando uma voz forte(com um tanto de agressividade) e bem diferente... longe, muito longe de ser comum!

Realmente, a danada é bela e fera demais... ela arrasa! Confiram!!!






Abaixo, alguns vídeos que super indico.
Eu simplesmente adoro a performance dela neste vídeo.
Madman

Headstone

De sua época com a banda Animal Alpha 
Bundy

Big Surprise

Fire Fire Fire

Este último vídeo, foi uma parceria de Agnete com Dimmu Borgir
Gateways

Então é isso...

Espero que tenham gostado! 

Beijinhos...

Câmbio, desligo!

18 de fev. de 2013

Crise de Abstinência de Magia


Hoje não consigo parar de ouvir uma certa música do ZZ Top - Over You; Aquela voz cortada implorando por encontrar uma forma de esquecer o passado, mantendo a resistência necessária para levantar-se e mudar de vida... Impossível deixar de correlacionar conosco, não é verdade?


Há quem diga que a insatisfação é condição humana primordial, não se exaure. Penso, particularmente, que a questão não se rege pela satisfação do esperado, mas, pela busca por tal. Afinal, que força motriz consideraria a mudança se o aguardado não fosse extraordinário? Esta foi a premissa que enxerguei na película Broken English de 2007. A personagem principal Nora Wilder está vivendo uma sequência de eventos cômodos, os quais chama de vida. Na casa dos 30, solitária e confusa, Nora inicia uma jornada de pequenos trajetos rumo ao equilíbrio. Entretanto, em que pese jure ser amante da estagnação, vê-se arrebatada ao conhecer Julien. Uma atitude drástica é o que lhe resta.

  • Atire a primeira pedra quem nunca quis acordar da apatia diária.
Qual é a melhor forma de escapismo para uma realidade melhor? Sou das que foge ou em letras ou em cenas; Quando escolhi este filme, estava fugindo daquela insatisfação pungente de quem tem manias de poeta. Não imaginava eu que esbarraria com um leve contorno dos meus medos e anseios. Carregamos a vida ou o seu fluxo é que nos conduz? A resposta sempre vem depois de uma ressaca moral, precedida de uma conjugação de passos anestesiados... Um dia você acorda e percebe que deixou de perceber; Seu trabalho é automático, seus gestos são uma cópia apagada dos de ontem, seus relacionamentos rasos. Um dia você acorda em apatia. O que resta é agir ou continuar. Norma agiu, ZZ Top agiu, eu agi.... e você? Vai ficar só na crise ou correr em direção a magia?

- It’s not wrong to want someone to love you. Most people are together just so they are not alone. But some people want magic. I think you are one of them. 
- Something wrong with that? 
- Nothing, but it doesn’t happen all the time.


— Broken English


Quando falo em magia, não tento expressar algo tão inalcançável quanto o conceito literal prega. Não! Imagino as escolhas que evitamos por comodismo e que, no final da equação, fariam a diferença necessária para um melhor estado de espírito. Acomodar-se até as situações mais desagradáveis é fácil; O complicado é encarar a mudança. Nisto baseia-se o filme Good Dick de 2008, o qual traz uma jovem problemática, presa em si mesma, mas que, graças a estas intempéries da existência, encontra alguém disposto a impor uma alteração.

  • Confronta-te!
Já parou na frente do espelho perguntando-se: Como me transformei em quem sou? Gosto disto? Por mais que as circunstâncias do ontem sejam bagagens pesadas e assustadoras, uma hora temos que enfrentar o que está escondido nas reentrâncias caladas do passado. Encarar, selecionar e deixar para trás. Somente abrindo espaço é que o novo pode aninhar-se. Quer uma perspectiva nova em sua vida? Que tal começar dando um novo passo, tomando um novo rumo, bancando seu guia pessoal ao mágico...   

Que vida?! O que você faz? Você não faz nada!

- Good Dick

... Já disse Anäis Nin:
"Nego-me a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária, a estabelecer relações ordinárias. Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Adapto-me a mim mesma."

15 de fev. de 2013

A Identidade de Milan Kundera

Lançado em 1997. Tradução de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca. São Paulo. Companhia das Letras, 2009.

Meu primeiro contato com a obra do escritor tcheco Milan Kundera foi através do já clássico A Insustentável Leveza do Ser, livro que causou um impacto enorme em minha percepção sobre aquilo que sou e principalmente sobre a maneira com a qual lido com meus sentimentos, desde que o li pela primeira vez, há cerca de um ano, tenho percebido reflexos do que foi dito pelo autor em quase todas as áreas de minha vida. Nenhuma outra obra literária provocou em mim reações tão intensas e marcantes. Como valorizo autores capazes de me proporcionar tal tipo de imersão, fui logo em busca de outros escritos de Kundera e foi assim que cheguei até A Identidade, obra não tão grandiosa, mas tão bela e profunda quanto a primeira que li.

Em A Identidade, que foi escrito em 1997, podem ser percebidos diversos elementos que estão presentes também em A Insustentável Leveza do Ser, dentre eles as reflexões acerca da sexualidade, a dor existencial e o estudo minucioso do comportamento humano, realizado através da construção psicológica de cada um dos personagens. Pela maneira cuidadosa com que apresenta e desenvolve cada um deles, Kundera, de uma forma poética e cheia de sensibilidade, nos leva à identificação com alguns de seus pensamentos e atitudes e à medida em que ele ensaia reflexões sobre a história contada, somos instigados a refletir sobre a nossa própria condição.

Na história contada, Chantal é uma publicitária de meia idade que começa a viver uma crise ao perceber que não é mais desejada pelos homens como fora um dia, à princípio ela não quer se envolver com nenhum dos estranhos, cujos olhares cobiça, o que ela deseja é sentir-se ainda capaz de acender a libido dos desconhecidos, como se a atenção devotada por eles fosse uma espécie de confirmação de que ela ainda não perdeu aquilo que acredita ser a sua essência, sua identidade.


Quando já estava tomada pela melancolia, Chantal começa a receber cartas anônimas de um admirador que conhece sua rotina e acompanha seus passos, estas correspondências reascendem nela o amor próprio e um tesão que há muito ela não sentia. Curiosamente, o assédio do desconhecido dá um novo gás para o relacionamento de Chantal com Jean-Marc, seu segundo marido. Este já vinha percebendo há algum tempo a dor que ela dissimulava, porém sem saber o que fazer para ajudá-la. Ele sabia que todo seu amor e carinho já não eram o suficiente para ela.

No decorrer da história, uma atitude bem intencionada, quase inocente, desencadeia uma série de acontecimentos que atenua a dor existencial sentida por Chantal, levando-a a profundas reflexões sobre a sexualidade e a natureza do amor. Ela então se vê dividida entre a rotina segura e tranquila que leva ao lado de seu esposo e uma vida de aventuras sexuais com estranhos capazes de satisfazer sua maior necessidade, a de se reencontrar com uma parte de si mesma que já não mais existia. Esta dicotomia conduz a personagem à um tormento psicológico, durante o qual sua noção de realidade se torna cada vez mais fragilizada.

A Identidade consegue, em suas poucas páginas, transcender a história que conta, se tornando desta forma muito mais que um romance. Não seria exagero afirmar que ele, assim como A Insustentável Leveza do Ser, é também um livro filosófico, nele as ponderações de Kundera sobre o a identidade que buscamos adquirem tanta consistência que chegam bem próximo de constituir um ensaio sobre a limitação e a submissão do individuo frente aos inúmeros olhares alheios que estão direcionados ou não para ele, ora punindo, cobrando-o, cobiçando-o, ou tão somente ignorando-o, forjando assim frágeis identidades que nem sempre condizem com o real...

A literatura de Milan Kundera é essencial justamente por desbravar trilhas obscuras do comportamento humano, onde a complexidade de sentimentos e ações não são reduzidas a meros estereótipos, ao mergulharmos em seus escritos nos deparamos não com um mundo romantizado, mas com um espelho de nossas próprias vidas, que nos dá a oportunidade de olharmos, ainda que à distância, para dentro de nós mesmos...


Escrito por José Bruno Ap Silva, autor do excelente blog Sublime Irrealidade.

13 de fev. de 2013

Lya Luft, Madame Bovary e 50 Tons de Cinza


Então, está no ar mais um vídeo do nosso vlog - estreando as atividades de 2013 neste quesito. O mesmo traz uma análise comparativa entre três livros e a evolução social feminina: Identidade pessoal X Repressões. Segue:


Os livros citados no vídeo são:

  • A Mulher, O Lúdico e O Grotesco em Lya Luft (Maria Osana de Medeiros Costa): Ótima leitura, a autora fez um apanhado curiosos sobre as personagens femininas no universo Luftiniano, correlacionando com a sociedade patriarcal e elementos Freudiano.
  • Madame Bovary (Gustave Flaubert): Clássico literário com um certo ponto mítico em sua publicação, já que o autor chegou a ser preso em função da obra ter sido considerada promíscua, além de que teria sido baseada em eventos reais.
  • 50 Tons de Cinza (E. L. James): Romance com pegada de "soft porn" e um tom tradicional daqueles folhetins açucarados. É uma leitura para entretenimento, recomendada aos fãs do estilo.
Espero que tenham gostado,
Até mais!

11 de fev. de 2013

Perfis de Mulher: Carmen Miranda


Em época de carnaval, nos lembramos de grandes nomes do samba. Quem quer dar um toque mais vintage à folia com certeza dança ao som de Carmen Miranda, portuguesa de coração e alma brasileiros, que levou a música e os estereótipos do nosso país para o mundo e, apesar da vida curta, permanece um ícone não apenas na mente dos foliões, mas também de todos que apreciam bons filmes e boa música.
Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu em 1909 numa pequena vila perto do município de Marco de Canaveses, em Portugal. Apelidada de Carmen pelo pai, um amante de ópera, era a segunda de seis filhos. Quando tinha um ano de idade, veio com a mãe para o Rio de Janeiro, onde o pai já estava havia alguns meses. Aos 14 anos parou de estudar e foi trabalhar em uma boutique, a fim de ajudar a pagar o tratamento de tuberculose da irmã mais velha. Aprendeu a costurar e abriu sua própria chapelaria, onde cantava enquanto trabalhava. Esse hábito lhe trouxe a oferta de gravar um disco.
O sucesso de seu disco levou Carmen a seu feito pioneiro inicial: ela foi a primeira pessoa a ter um contrato com uma rádio no Brasil, a Mayrink Veiga do Rio de Janeiro. Suas apresentações no rádio e ao vivo faziam sucesso e, em 1939, ela foi abordada por um agente da Broadway que queria levá-la para seu show. Ela aceitou, com a condição de que seus companheiros do Bando da Lua fossem junto.
O êxito na Broadway se repetiu nos filmes. Sua primeira experiência cinematográfica foi em 1933, no documentário “A voz do carnaval”, mas foi com os musicais que ela se consolidou. Se Getúlio Vargas apoiou sua ida para os Estados Unidos, em um fato inédito, durante a Segunda Guerra Mundial o presidente Roosevelt resolveu usá-la como parte da “política da boa vizinhança”, que consistia em manobras culturais para aproximar os EUA dos países latino-americanos. A ideia funcionou, e os filmes de Carmen fizeram imenso sucesso.
A admiração dos americanos e do povo brasileiro não era compartilhado pela elite do Brasil. Em 1940, ao fazer um evento beneficente, ela foi vaiada e criticada por levar uma imagem negativa do nosso país para o exterior. De fato, era estereotipada os filmes, tendo de falar com forte sotaque. Depois do incidente, gravou a música “Disseram que eu voltei americanizada” e ficou 14 anos sem voltar ao Brasil.
Nos EUA, continuava colhendo os frutos da popularidade: em 1941 foi a primeira e até hoje única latina a imortalizar suas mãos e pés no cimento do Grauman’s Chinese Theater. Em 1945, era a mulher mais bem paga de Hollywood. Infelizmente, este foi também seu último ano de glórias. Seus próximos filmes fracassaram, e sua imagem exótica já não mais agradava. Casou-se em 1947 com um produtor de cinema, David Albert Sebastian, e sofreu um aborto espontâneo no ano seguinte. O casamento também naufragou, embora ela não tenha tido tempo de se divorciar.
Se em uma época ela era adorada e parodiada, lançava moda e hits musicais, agora Carmen era consumida por álcool, tabaco, anfetaminas e barbitúricos. Ela só se recuperou de um colapso nervoso ao voltar para o Brasil, tendo desta vez uma recepção mais calorosa. De volta aos EUA, quis encerrar sua carreira mas, durante a gravação de um episódio do programa de TV “The Jimmy Durante Show”, ela teve um ataque cardíaco. Não se abalou e continuou seus número. Naquela noite, enquanto dormia, teve outro ataque cardíaco, este fatal. Aos 46 anos de idade, estava morta, e seu funeral no Rio de Janeiro foi acompanhado por meio milhão de pessoas.
Selo americano de 2011
Suas músicas ainda são consideradas marcas registradas do Brasil. Sua vida foi objeto de estudo, de livros e documentários. No entanto, o que mais permanece é sua imagem. No início da década de 1940, as lojas norte-americanas foram invadidas por roupas brilhantes, sapatos de plataforma, joias chamativas e chapéus de fruta. Até hoje joias em formato de frutas são confeccionadas inspiradas nela e todo carnaval podemos encontrar um folião fantasiado de Carmen.     

“Vou empregar todos os meus esforços para que a música popular do Brasil conquiste a América do Norte, o que seria um caminho para a sua consagração em todo o mundo.”

Carmen Miranda (1909 – 1955)

8 de fev. de 2013

O Signo da Cidade

O Signo da Cidade é um filme brasileiro de 2007, do gênero drama, dirigido por Carlos Alberto Riccelli e com roteiro de Bruna Lombardi, que também interpreta a personagem principal.

No filme temos nossa São Paulo, com suas histórias, sua grandiosidade, particularidades, solidões e amores.Bruna interpreta a astróloga Teca, que em seu programa de rádio, acolhe, escuta e dá conselhos. Mesmo se recuperando da recente separação ela fica levemente atraída pelo Gil (Malvino Salvador) que por sua vez enfrenta uma crise conjugal com sua mulher (Denise Fraga).Com o pai (Juca de Oliveira), Teca vive um dilema bem mais forte e antigo. A amiga de sua mãe que morreu, que ela sempre viu como uma espécie de tia, tem um segredo para lhe contar.O filme retrata uma São Paulo,pesada, urgente, doente e carente. Há racismo, como o vivido tanto pelo enfermeiro Sombra (Luís Miranda) e o travesti Josialdo (Sidney Santiago). E há a inadequação, como o emo Biô (Bethito Tavares), mergulhado nas baladas em busca de diversão e amor.A chave da história é essa dor humana que não se pode evitar, por mais remédios que se procurem.A astróloga não tem a pretensão de ser a 'cura' para esse pseudo mal que assola os grandes centros urbanos: Solidão. Claro que existem aqueles que amam estar só(sou um desses) admiro a frase:"Ser só para somente SER". Por outro lado, os centros urbanos englobam uma grande variedade de pessoas com seus estilos e culturas variadas. A população nas cidades urbanas vem crescendo ao longo dos anos através do desenvolvimento da industrialização e a crescente oferta e demanda de empregos nestes grandes centros.

A diversidade é algo encantador, pois dentro de uma cidade pode-se encontrar diversas manifestações culturais como, por exemplo, a dança, a música e a crença e também uma grande variedade de etnias.  
Algumas pessoas, principalmente os que moram nos centros urbanos, estão vivendo em uma época onde o consumismo está em alta, a banalização da cultura cresce cada vez mais e a tecnologia ocupando nossa vida quase 24h por dia.Tudo é cronometrado, a vida está muito controlada pelo relógio. A cultura do efêmero, dita que tudo deve ser consumido agora, no presente, e muitas vezes isso acaba sendo prejudicial.


Muitas vezes os moradores das cidades urbanas como, por exemplo, São Paulo e Rio de Janeiro, têm a impressão de que não “habitam” a cidade onde moram, ou seja, não participam da vida social da cidade, não conhecem os lugares de lazer, pois estão sempre correndo contra o tempo. Esta falta de tempo e a necessidade de consumir cada vez mais diminuem as relações sociais entre as pessoas o que gera a sensação de solidão. Há indivíduos solidários que vivem no meio da multidão, mas que não conseguem construir pontes de contato com as pessoas.Emile Durkhaim, sociólogo francês, chegou a afirmar que o suicídio, a maior agressão contra si mesmo, é uma inadequação social.Na mesma proporção que cresce a população do mundo, aumenta a solidão das pessoas. 

A solidão não está apenas do lado de fora da família; está também dentro do lar. A televisão ocupou o lugar da conversa ao redor da mesa. A internet preencheu o espaço do diálogo cheio de intercâmbio das ideias. 
 O telefone celular nos conecta com o outro, do outro lado da linha, mas nos afasta daqueles que estão ao nosso redor.


O filme consegue resumir tudo isso apoiando-se numa dramaturgia inteligente, sem demagogia e um legítimo interesse pelo ser humano. Tudo isso é coroado pela direção e câmera sutis (ótima direção de fotografia de Marcelo Trotta), que revelam uma São Paulo ambígua e generosa.

"Se perdem gestos,
cartas de amor, malas, parentes.
Se perdem vozes,
cidades, países, amigos.
Romances perdidos,
objetos perdidos, histórias se perdem.
Se perde o que fomos e o que queríamos ser.
Se perde o momento.
Mas não existe perda,
existe movimento".

Um filme peculiarmente fascinante!