24 de nov. de 2012

Perfis de Mulher: Frida Kahlo


São poucas as mulheres que se destacam nas artes plásticas, não importa a época. Quando pensamos em pintura vêm logo às nossas mentes nomes como Leonardo da Vinci, Rembrandt, Picasso ou mesmo Andy Warhol. Contemporânea destes últimos é a mais lembrada pintora do século XX, a mexicana Frida Kahlo enfrentou muitos obstáculos na tentativa de fazer sua arte e ser feliz.
Nascida Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón em 1907, era a terceira de quatro filhas de um imigrante alemão e uma descendente de índios. Ela tinha mais duas meio-irmãs do primeiro casamento do pai e todas moravam juntas em Coyocán, perto da Cidade do México. Frida foi testemunha da violência da Revolução Mexicana (1910-1917), mas a realidade de seu país não era tão trágica se comparada à sua própria vida. Aos seis anos contraiu poliomielite, ficando com a perna direita mais fina que a esquerda. Aos 18 sofreu um grave acidente de trânsito: o ônibus em que ela estava colidiu com um bonde. Frida teve fraturas na perna direita, na coluna, nas costelas, na pélvis e nos ombros, passando por 35 cirurgias ao longo da vida para corrigir defeitos deixados pelo acidente.
Se o acidente foi horrível para sua saúde, foi de certa forma o propulsor de sua carreira. Imobilizada durante muito tempo, Frida desistiu de ser médica e começou a pintar para distrair-se, com o total apoio dos pais. Sua obra é composta de muitos autorretratos e contém diversas influências, entre elas simbolos indígenas e referências às religiões do pai e da mãe, respectivamente judaísmo e catolicismo. Enquanto alguns trabalhos apresentam cores bem fortes, outros têm poderosas sugestões da dor excruciante que a acompanhou a vida toda.
Encantada com o pintor Diego Rivera, Frida se aproximou dele em 1927 e mostrou-lhe alguns de seus trabalhos, os quais ele elogiou. Depois de algumas conversas sobre arte ele passou a frequentar a casa dela e a ajudá-la com suas pinturas, sem impedi-la de desenvolver seu próprio estilo. Eles se casaram em 1929, indo contra o desejo da mãe da noiva, e tiveram uma relação tumultuada. Ambos tinham casos fora do casamento e Frida se relacionava também com mulheres. Eles se divorciaram em 1939, mas voltaram a se casar menos de um ano depois. Frida engravidou três vezes, mas teve de interromper as três gestações porque o acidente em sua adolescência deixou-lhe com problemas reprodutivos.    
Sua vida não foi muito glamurosa. Entre os principais fatos está ter conhecido o líder comunista Leon Trotsky que, após ser expulso da URSS, viveu com Frida e Diego como refugiado. Seu único reconhecimento em vida deu-se em 1939, quando o Museu do Louvre comprou um de seus quadros para uma exibição de pintura surrealista. Aos 47 anos, após amputar a perna direita e sofrer com broncopneumonia, Frida faleceu em sua casa. Diego, apesar de 21 anos mais velho, viveu ainda mais três anos. As cinzas da pintora estão em sua casa na Cidade do México, onde também funciona um museu em sua homenagem.
As obras de Frida Kahlo só começaram a ser descobertas na década de 1980 e logo ganharam o mundo. Hoje há pinturas suas nos mais importantes museus do planeta. Livros, ensaios, músicas e teses foram escritos sobre ela. Sua vida virou filme duas vezes: uma em sua terra natal, em 1983, e outra em Hollywood em 2002, com Salma Hayek no papel principal. Frida virou peça de teatro e até ópera. Merecido reconhecimento, afinal, esta pintora teve nome e vida de heroína.      
“Eu pinto a mim mesma porque estou tão frequentemente sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”.
Frida Kahlo (1907-1954) 

17 de nov. de 2012

Mantras - Equilíbrio e Paz!

 
Antes de teclar um pouquinho sobre Mantras, gostaria de falar um pouco sobre religiões. Não sou adepta a nenhuma religião. Nós, humanos somos defeitos, qualidades, ganância, calmaria, Yin e Yang. Por essas e outras não consigo crer em religiões criadas e mantidas pelos homens. Por outro lado, me considero uma 'espiritualista', ou uma cientista que crê em DEUS e no Big Bang. Enfim, tenho uma queda para estudar conceitos de Física Quântica, Mantras, Cristianismo como doutrina e não religião, etc. O que uma coisa tem a ver com outra? Bom, resumindo grosseiramente Mantra é o som repetido em certa frequência com o objetivo de interiorização e paz. Em Física Quântica é palavra “quântica” (do Latim, quantum) quer dizer quantidade. Na mecânica quântica, esta palavra refere-se a uma unidade discreta que a teoria quântica atribui a certas quantidades físicas, como a energia de um elétron contido num átomo em repouso. Voltando aos Mantras. O que é isso? Mantra (do sânscrito Man mente e Tra alavanca) é uma sílaba ou poema religioso normalmente em sânscrito. Os mantras originaram do hinduísmo, porém são utilizados também no budismo e jainismo.
Os mantras Tibetanos são entoados como orações repetidas. O budismo mahayana do Tibete usa mantras em tibetano, o zen-budismo do Japão os usa em japonês. John Blofeld encontrou em Hong Kong no começo do século XX mantras cuja língua ninguém sabia identificar, e que pareciam uma alteração de um original sânscrito.
Para algumas escolas, especificamente as de fundamentação técnica, mantra pode ser qualquer som, sílaba, palavra, frase ou texto, que detenha um poder específico. Porém, é fundamental que pertença a uma língua morta, na qual os significados e as pronúncias não sofram a erosão dos regionalismos por causa da evolução da língua. Existem mantras para facilitar a concentração e meditação, mantras para energizar, para adormecer ou despertar, para desenvolver chakras ou vibrar canais energéticos a fim de desobstruí-los.

Ao longo dos anos, os ocidentais que chegaram ao oriente tentaram explicar porque os mantras produzem os efeitos esperados. Blofeld, que estudou por dentro as culturas indiana e chinesa, notou que não é necessário saber o significado das palavras ditas.
Alguns psicólogos ocidentais defendem que o mantra possui uma energia sonora que movimenta outras energias que envolvem quem o entoa. Blofeld observou que não importa a correção da pronúncia: encontrou o mesmo mantra entoado de forma muito diferente em países diversos, e sempre produzindo os efeitos esperados. Essa relação que costumo fazer entre Quântica e Mantras; essa força do entoar energias através das palavras repetidamente acaba gerando um ciclo de bem estar interior e completa concentração.

Alguns Mantras são mundialmente conhecidos como: OM. O Om (ॐ) é o mantra mais importante do hinduísmo e outras religiões. Diz-se que ele contém o conhecimento dos Vedas e é considerado o corpo sonoro do Absoluto, Shabda Brahman. O Om é o som do universo e a semente que "fecunda" os outros mantras. O som é formado pelo ditongo das vogais a e u, e a nasalização, representada pela letra m. Por isso é que, às vezes, aparece grafado Aum. Estas três letras correspondem, segundo a Maitrí Upanishad, aos três estados de consciência: vigília, sono e sonho.Na Índia, o mantra Om está em todas partes. Hindus de todas as etnias, castas e idades conhecem perfeitamente o seu significado. Ele ecoa desde a noite das idades em todos os templos e comunidades ao longo do subcontinente. 

Outro Mantra conhecido é o Pai Nosso em aramaico(dizem que foi a língua de Jesus) abaixo, temos a pronúncia no aramaico oriental, de acordo com Paul Younan (cuja língua nativa é o aramaico). Os hífens (-) indicam a separação de sílabas, e os apóstrofos (‘) preposições inseparáveis. Ao lado de cada frase, a tradução baseada na Peshitta Aramaic/English Interlinear New Testament, de Paul Younan, e em meus rudes conhecimentos de aramaico. Como não sou um especialista nesta língua, poderão ser encontrados erros:

Awan d’wash-maya Pai nosso que está no céu
nith-qa-dash shmakh
Santificado seja o Teu nome
teh-teh mal-ku-thakh
venha teu reino
neh-weh tzew-ya-nakh
seja feita Tua vontade
ay-ka-na d’wa-shma-ya ap b’ar-aa
assim no céu também na terra
haw-lan lakh-ma d’sun-qa-nan yaw-ma-na
dá-nos o pão que necessitamos neste dia
w’ash-wuq lan khau-bayn
e perdoa-nos nossas dívidas
ay-ka-na d’ap akh-nan
assim como nós
shwa-qan l’kha-ya-wayn
perdoamos aos nossos devedores
w’la ta-lan l’nes-yu-na
e não nos conduza ao julgamento
e-la pa-tzan min bi-sha
mas livra-nos do mal
me-tol d’di-lakh hi mal-ku-tha
porque Teu é o reino
w’khay-la w’tesh-bukh-ta
e o poder e a glória
l’al-am al-min Am-een
para sempre eternamente Amém
Não sou especialista em aramaico, religiões ou mantras apenas uma curiosa neste assunto e esta não é uma tradução perfeita, erros podem ser encontrados. 
Enfim, estamos cansados de sentir o peso de nossas preocupações, dúvidas e angústias. Queremos sentir a leveza de uma mente saudável. Essa força da energia positiva sutil, age como um bálsamo curativo sobre nossa mente cansada.
De qualquer maneira, acho interessante nosso encontro interior. Essa busca por felicidade, paz, amor entre outras coisas, pode ou não ser encontrada em nós mesmos? Alguns momentos à sós com nossa mente, respiração, corpo; deve fazer bem não é? 
Já tive a oportunidade de praticar alguns mantras e nessa época minha concentração era mais fluída, minha mente mais calma e meu vigor mais nítido. Atualmente, meu lado Darth Vader impera,rs. Mas, isso sou eu... 
Quem sabe este texto ajude alguém a pesquisar mais sobre este tema e até quem sabe se reencontrar.
Namastê!


 


Perfis de Mulher: Martha Gellhorn


Uma das mais competentes jornalistas do século XX, Martha Gellhorn foi correspondente de guerra quando as mulheres ainda lutavam por seus direitos nos campos de batalha urbanos. Em mais de 60 anos de carreira, ela cobriu os principais conflitos de sua época e usou seu talento para escrever 21 livros, entre novelas e coletâneas de seus artigos.
Martha Ellis Gellhorn nasceu em 1908, filha do meio de uma sufragista e um ginecologista descendente de judeus. Seus dois irmãos também tiveram carreiras brilhantes, um como professor universitário no curso de Direito e outro como oncologista. Ela foi estudar na famosa universidade feminista Bryn Mawr, mas não acabou o curso.
Com a intenção de se tornar correspondente estrangeira, Martha foi para a Fança em 1930, ficando dois anos por lá. Voltou para ajudar o governo americano a ter um retrato exato de como a Depressão econômica havia afetado a população. Os frutos de sua investigação foram tão originais que chamaram a atenção da primeira-dama Eleanor Roosevelt, de quem Martha se tornou amiga.
Ela já estava na Europa cobrindo a Guerra Civil Espanhola quando Hitler deu início à Segunda Guerra Mundial. Desde a experiência na França ela havia se tornado pacifista, mas mesmo assim Martha fez questão de acompanhar o conflito de perto, fazendo de tudo para estar ao lado da notícia. Boa observadora, ela se preocupava muito mais em relatar os sofrimentos dos civis em meio à guerra que os conflitos nas trincheiras, embora ela estivesse presente em vários momentos importantes, como em um bombardeio dos ingleses em território alemão e até mesmo no “Dia D”, de desembarque das tropas aliadas na Normandia, ocasião em que ela ajudou os feridos carregando-os em macas.
Selo de 2007. Martha foi a única mulher a figurar entre os jornalistas homenageados
Sempre atuante em causas políticas, Martha atacou os governos dos presidentes americanos Nixon e Reagan, além do fascismo, racismo e caça aos comunistas. Ela sempre foi favorável à esquerda política, embora seus sentimentos em relação ao comunismo tenham sido controversos, uma vez que ela nem o criticou nem elogiou. Por ter sido uma das primeiras repórteres a entrar no campo de concentração de Dachau após sua libertação, Martha também se tornou simpatizante da causa dos judeus e a luta pela criação do Estado de Israel, inclusive pensando em mudar-se para o país em sua velhice.  
Martha Gellhorn casou-se duas vezes. Seu primeiro matrimônio foi com o escritor Ernest Hemingway, que conheceu em 1936 e com quem viveu entre idas e vindas durante quatro anos até a oficialização do casamento. Ernest nem sempre gostava das ausências de sua terceira esposa quando ela estava viajando. Ela também não gostava de estar sempre associada ao seu marido e quando era convidada para entrevistas, exigia que o nome de Ernest não fosse pronunciado. Eles ficaram casados durante os turbulentos anos da guerra e se separam em 1945. Um filme sobre a relação desses dois ícones foi feito para a TV em 2012, com Nicole Kidman no papel de Gellhorn e Clive Owen como Hemingway.
Martha casou-se novamente em 1954 com um editor da Time Magazine, Tom Matthews. Ele se tornou o padrasto do garoto Sandy, que ela havia adotado em um orfanato italiano cinco anos antes. Apesar de ser uma mãe esforçada, ela deixava o filho longos períodos com parentes para fazer suas reportagens, gerando certo afastamento entre eles. Martha divorciou-se de Tom em 1963, mas continuou vivendo em Londres, cidade em que havia se estabelecido com ele, até 1998, quando, sofrendo de câncer e totalmente cega, suicidou-se com uma overdose de remédios.
Hoje vemos inúmeras mulheres dominando a apresentação de telejornais e as redações de grandes editoras. Temos diversas correspondentes estrangeiras e repórteres de renome. Todas elas devem um pouco de seu prestígio a Marta Gellhorn, uma verdadeira mulher de fibra.

“Cidadania é uma tarefa complicada que obriga o cidadão a formar sua própria opinião e defendê-la”.
Martha Gellhorn (1908-1998)    

12 de nov. de 2012

I AM SAM - Uma Lição de Amor



Sabe, o que 'curiosamente' sinto falta?
 Compaixão,Ternura,Compreensão,Solidariedade e Amor entre às pessoas. Todos sentimentos e ações que um dia tive pelos humanos em leve queda de extinção.Triste e verdadeiro notar que quando você está fora do mercado social/profissional; pessoas que você ajudou somem. Interessante, não é? Estender a mão, compartilhar contatos profissionais, auxiliar com conselhos ou até indicar vagas de empregos...Ações que agora penso mil vezes antes de fazer. É duro você ter que optar por um coração 'congelado'... Matar um leão por dia, ver algumas pessoas virarem as costas para você(sei que todos somos "substituíveis") e com essas quedas vertiginosas aprendemos que devemos manter porções razoáveis de bondade. Interessante, essa volta que o mundo dá. Essa ação e reação sempre constante em nossas vidas. Anyway, toda essa pequena reflexão, fez lembrar a notória película:

Uma Lição de Amor

Mais uma excepcional direção de Jessie Nelson. Diretora que  já deixou sua sensível marca tanto em direção quanto em roteiro nos filmes: Corina, Uma Babá quase Perfeita, História de Nós Dois, Lado a Lado, Titio Noel e Minha mãe quer que eu Case.
I AM SAM, conta com a brilhante atuação de Sean Penn,  Dakota Fanning, MIchelle Pfeiffer entre outros.
 Trilha sonora que funciona mágicamente pois marca uma das características principais de Sam,um aficcionado pelos Beatles. Tanto que sua filha foi batizada com o nome de Lucy Diamond, em homenagem à música célebre do disco "Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band". E em consequência disso, a trilha sonora é uma ótima coleção de versões de músicas dos Beatles cantadas por artistas contemporâneos.
Alguns destaques:  You've got to hide your love away" (Eddie Vedder), "I'm looking through you" (The Wallflowers, que são mais conhecidos pela música tema do seriado Friends), "Lucy in the sky with diamonds" (Black Crowes) e "Blackbird" (Sarah McLachlan, divina). 

Voltemos ao filme,rs. 

 Na Antiguidade Clássica, particularmente entre os romanos, era comum o sacrifício de pessoas que apresentassem deficiências físicas ou mentais, podemos dizer que a sociedade evoluiu, aprimorou-se. Se, por outro lado, imaginarmos que há várias barreiras que ainda não foram transpostas, principalmente aquelas que dizem respeito à forma como os deficientes são encarados e tratados pelas outras pessoas, percebemos que ainda há muitas mudanças a serem implementadas.O personagem Sam vive dentro de condições que poderíamos considerar como adequadas no contexto atual, no que tange a uma pessoa deficiente que possui a idade mental equivalente a de uma criança de 7 anos de idade. Tem seu próprio apartamento, está empregado em uma lanchonete onde atua como garçom, recebe seus amigos para assistir vídeos clássicos e cuida de sua filhinha.
No decorrer do filme a convivência entre o cliente deficiente e a advogada vai fazer com que ambos procurem reavaliar suas relações com as pessoas amadas, ou seja, nada mais óbvio. As melhores cenas são, sem dúvida, as em que Sam contracena com seus amigos, todos eles deficientes, e que garantem bons momentos hilários, como o da secretária eletrônica, dos balões, dentre outras, que fazem com que o filme se torne mais agradável de ser assistido.


Outro ponto bem observado no filme é sistema judiciário norte-americano, onde a justiça despreza pormenores que podem ser decisivos para a solução de um caso traumático de separação entre pai e filha e temos uma idéia da trama do filme. Outra amarração da trama é a experiência vivida por Sam ser retratada na figura de sua advogada de defesa, Rita Harrison (Michelle Pfeiffer), uma linda e bem sucedida profissional que mal tem tempo para ouvir o que seu filho tem a lhe dizer.
A 'frieza' de Rita Harrison, ensina a seu modo que o mundo 'cruel', muitas vezes acaba afastando nossa compaixão/ternura daqueles que amamos. Já, Sam dá uma aula do que é o amor incondicional. Sua filha retribuindo esse amor com indas e vindas sobre sua guarda é emocionante. Um filme que consegue mostrar 'pinceladas', sobre o que é ser portador de deficiências, necessitar do sistema judiciário e ainda resolver conflitos familiares. Tudo isso embalado por essa trilha sonora impecavelmente necessária em nossa coleção. 
Em resumo e segundo filha de Sam:" Nós só precisamos de amor". 
(Filha de Sam quando questionada em juízo sobre seu pai).





10 de nov. de 2012

Perfis de Mulher: Clara Nunes


A voz do Brasil? Sem dúvida, a voz que melhor cantou as coisas do Brasil: o samba, o mar, a religiosidade, o romantismo e a alegria. Uma exuberância sem igual, vestida como uma praticante da umbanda, sem a produção exagerada de suas contemporâneas, Clara Nunes conquistou o mundo em menos de 40 anos de uma existência intensa.
Nascida Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, num distrito da cidade de Paraopeba, em Minas Gerais, era a caçula de sete filhos. Tendo ficado órfã muito pequena, ficou sob a tutela de dois irmãos, mas teve de se mudar para a casa de outra irmã, em Belo Horizonte, quando seu irmão matou um namoradinho dela. Tragédias à parte, já na infância Clara mostrava ter talento, pois ganhou um concurso de canto aos dez anos, em 1952, e se apresentava sempre no coral da Igreja.
Em Belo Horizonte, trabalhando como tecelã de dia e estudando à noite, Cara foi descoberta por um violinista que, empolgado, levou-a a vários programas de rádio. Seria aos 18 que ela teria o talento reconhecido ao vencer a etapa mineira de um concurso de rádio, ficando com o terceiro lugar na etapa nacional. Dessa vez ela deixou seu trabalho como tecelã para se apresentar na Rádio Inconfidência, sendo considerada por três anos consecutivos a melhor cantora de Minas Gerais. Já assinava o sobrenome Nunes, da família materna. Apareceu no programa de Hebe Camargo antes de ganhar seu próprio programa em uma TV local, em que recebia grandes nomes da música brasileira.
Aos 23 anos mudou-se para o Rio de Janeiro. Sem preconceitos, apresentou-se em bares, casas noturnas e escolas de samba do subúrbio. No mesmo ano ela assinou contrato com a gravadora Odeon e lançou seu primeiro LP, “A Voz Adorável de Clara Nunes”, um fracasso de vendas devido à insistência da gravadora para que o repertório fosse de músicas românticas, como boleros. Três anos depois, a consagração: seu segundo LP, além de ser um sucesso, foi sua porta de entrada para o mundo do samba.
Em 1970 Clara se tornou uma artista internacional ao se apresentar em Angola. Na capa de seu novo LP, o quarto da carreira, ela apareceu com roupas relacionadas às vestimentas afro-brasilerias e passou a adotar esse estilo. Nos anos seguintes, com a venda de LPs aumentando a cada novo lançamento, a cantora foi convidada a se apresentar na televisão de Portugal e também na Suécia e França.      
Seu disco “Alvorecer” vendeu mais de 300 mil cópias, quebrando o tabu de que mulheres não vendiam LPs no Brasil. No mesmo ano, 1974, Clara participou da peça “Brasileiro, Profissão Esperança”, sobre a cantora Dolores Duran. Nos anos seguintes, gravou sua primeira composição própria, “À flor da pele” e participou do lendário show do Riocentro, espetáculo em prol da anistia durante o qual um atentado foi planejado, mas não ocorreu como o esperado. Ela também voltou a Angola e se apresentou na Alemanha e na TV japonesa.  
Clara casou-se com o poeta, compositor e produtor Paulo César Pinheiro em 1976 e, após três abortos espontâneos, teve de se submeter à retirada do útero. Com a negação do sonho de ser mãe, ela focou-se cada vez mais na carreira, obtendo sucesso até o último dia. Em 1983 ela se submeteu a uma cirurgia para retirar varizes que a incomodavam. Um componente do anestésico causou-lhe um choque anafilático que provocou a dilatação de seus vasos sanguíneos, resultando em um edema. Após o problema ser controlado, a cantora permaneceu em coma por 28 dias durante os quais as mais estapafúrdias teorias sobre a causa do coma surgiram entre seus fãs e a imprensa. Clara, temerosa de tomar uma anestesia peridural devido ao risco de ficar paraplégica caso tivesse uma reação, insistiu por uma anestesia geral. Em 2 de abril de 1983, Clara faleceu, dando início a um grande tumulto e comoção durante seu velório, ocorrido na quadra de sua escola de samba do coração, a Portela.     
Mesmo depois da morte, vários discos foram lançados com gravações da cantora, trazendo-lhes novos fãs. Outros álbuns surgiram em sua homenagem, incluindo “Clara Nunes com vida”, em que outros cantores gravaram duetos póstumos com ela. Sua voz também se fez ouvir em diversas coletâneas de música brasileira lançadas em outros países. Sua história virou musical e livro.
O distrito de Cedro, onde Clara nasceu, emancipou-se e adotou o nome de Caetanópolis. Graças ao esforço da primogênita da família, hoje essa cidade conta com uma creche, um acervo, uma casa da cultura, um memorial e um festival em homenagem a ela, que perpetuam o legado desta inesquecível brasileira.   

7 de nov. de 2012

Monteiro Lobato - Vamos discutir a censura?


Tem certas coisas que são difíceis de engolir e uma dessas coisas,certamente é a patrulha excessiva do "politicamente correto",tudo tem limites,inclusive a perfeição. Acontece que essa marcação cerrada,para manter tudo na ordem,evitar injustiças,tornar tudo mais igualitário,acaba gerando um efeito contrário gerando mais desordem,mais injustiça,mais desigualdade.

Tudo que se tenta colocar numa fôrma perde a forma,perde a originalidade, o conteúdo,a essência! Imaginem só,estão querendo censurar as obras de Monteiro Lobato! Motivo: A presença constante de preconceito nas páginas dos livros que marcaram as nossas infâncias. A polêmica já está rolando há dois anos e está longe de chegar a um consenso.


Desde que alguém analisou cuidadosamente e encontrou cabelo em ovo,chifre em cabeça de burro,entre outras cosítas mais,um parecer foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Nacional de Educação e a finalidade deste era que a obra Caçadas de Pedrinho fosse redistribuído às escolas públicas com o acréscimo de notas explicativas sobre estereótipos raciais em certos trechos e foi rejeitado pelo ministro da Educação,Fernando Haddad. Isso foi em outubro de 2010.

A ideia principal seria  recolher as edições antigas com o formato original,impedindo o seu uso nas escolas e acaso,as obras do autor realmente tivessem que ser utilizadas nas escolas,deveriam vir com notas explicativas. E como o livro continua a ser utilizado sem as tais notas o mimimi prossegue. Dia destes estava assistindo à programação da TV Escola e havia um debate entre acadêmicos de diversas áreas e o tema era o preconceito,que de uma hora para outra resolveu adotar o nome artístico de bullying e mitar (neologismo derivado da palavra Mito)  pelos quatro cantos afora.


E embora os que estivessem na mesa redonda tivessem argumentos realmente sólidos para justificar a não-censura do autor,simplesmente eles não tinham chance de falar,pois uma antropóloga,estereótipo das figuras de antropólogas que se vê à exaustão na tv,toda trabalhada nos badulaques étnicos exagerados para a sua figura,fora a roupa,não lhes dava chance de concluir sua linha de raciocínio,só dava ela ali,somente o que ela falava era certo e ponto final! Era um tal de bullying pra lá,preconceito contra os negros pra lá,mimimi pra lá,mimimi pra lá.

 Já repararam que a "patrulha" do politicamente correto sempre se excede? Tudo hoje se excede,exatamente por causa de uma escassez de idéias,atitudes,contextualizações,curiosidade...


Ferramentas necessárias para entender não somente a Literatura,que era a questão do debate a que eu assisti,mas que servem à criação dos juízos de valor frente à vida em sociedade e é claro que precisamos ter contato com os dois lados da moeda,nem só de momentos gloriosos vive a sociedade,os momentos menos prestigiados também contam na formação de um povo. E não é censurando obras de autores como Monteiro Lobato que o preconceito deixará de existir. Falo preconceito por que essa palavra bullying não existia até pouco tempo atrás aqui no Brasil.

Ora se vierem com notas explicativas,vão tolher logo de cara o encanto que as obras produzem ao primeiro olhar,a criatura já vai iniciar a leitura com uma idéia pré-concebida,quando a idéia principal é que seja criada uma idéia a partir do que se leu. Se a pessoa lê algo com um contexto diferente de sua realidade,logicamente surgirá a curiosidade de saber o porquê de determinado acontecimento, porquê o psicológico de um personagem é assim ou assado,o lugar onde ele vive,ou porque o autor tal escreveu isso e aquilo,porque ele pensava dessa forma... é assim que se explora de uma forma lúdica o interesse das pessoas,contextualizações de época e ética. Não existe essa de o meu grupo tem mais direito que o seu,porque historicamente isso,historicamente aquilo.Não se deve perpetuar a atmosfera limitadora de uma época,geração após geração. Temos a sorte de viver numa época onde tudo pode,então devemos fazer bom uso dessa possibilidade.Todos nós temos direitos e deveres,ninguém é melhor que ninguém. Ao invés de militar por esta ao aquela bandeira,que tal ensinar o primordial? Não se deve fazer aos outros aquilo mesmo que não gostamos que façam à gente. Simples,direto,honesto,firme.


A única coisa que conseguirão com isso é apagar o nosso passado histórico,se hipoteticamente ocorrer mesmo uma censura e retirarem toda e qualquer obra do autor de circulação,imagino que será como descreveram perfeitamente George Orwel e Aldous Huxley,como seria uma sociedade dominada por uma estrutura que se inicia com esses combates às injustiças passadas e futuras e acaba por se tornar uma ditadura onde a liberdade é censurada e o simples ato de querer viver simplesmente,pensar ou escrever é passível de punição.Pouco a pouco,as memórias vão se apagando e aquela sociedade perde o seu passado. Se por algum motivo alguém lembra de algo ou insiste em querer saber o que houve antes,é punido de morte.

É uma visão terrível,e que nós sabemos,é passível de acontecer. Já aconteceu várias vezes na História. Vide os regimes Stalinista e Hitlerista,só para mencionar os mais conhecidos.

Concordo que deveriam haver professores capacitados que pudessem abordar o tema em classe,mas existem inúmeros obstáculos e eles não vêm apenas por parte da falta de investimento dos profissionais,o próprio publico trata o hábito da leitura com descaso,aliás tratam qualquer forma de aprendizagem desse modo. Professores,dia após dia são agredidos por alunos e desistem da profissão,quando não desistem,basta reclamarem para levar chibata também por parte dos orgãos repressores. Ai que animo né gente,para se especializar e dar alguma dignidade aos futuros cidadãos deste país! Aliás,acha que pessoas como essas perderão seus tempos se inspirando em qualquer coisa que venha de livros? Elas são preconceituosas e violentas por si,se tiverem que se inspirar em alguma coisa para isso servem as novelas televisivas...Está longe delas saberem que as novelas tem origens literárias...E concluindo tudo o que eu disse,não estou sendo preconceituosa,estou expondo um conceito verdadeiro,ele reflete esses dias de hoje,tão excessivo em suas informações porém desprovidos de conteúdo. A solução não está na censura,está na reavaliação de valores.

Como eu sempre posto um vídeo no final das minhas postagens,hoje vou postar o ótimo filme "Idiocracy". Assistam o filme e reflitam:




 Beijocas,espero que gostem!

6 de nov. de 2012

Ganhamos o prêmio Dardos!


Há pouco mais de duas semanas, nós da equipe do Antes que Ordinárias fomos notificadas porque ganhamos o prêmio Dardos. É comum entre os blogueiros a criação e distribuição de prêmios e “selinhos” que atestam a qualidade de blogs que admiramos. Mais do que uma simples imagem bonitinha para exibirmos em nosso blog, o selo é uma demonstração de carinho e admiração pelo trabalho do(a) blogueiro(a).
O prêmio Dardos é mais do que especial porque ele tem toda uma história por trás: em 2008, o escritor espanhol Alberto Zambade criou o selo e publicou-o em seu blog Leyendas de “El Pequeño Dardo”, concedendo-o a quinze blogs e iniciando uma corrente que, quatro anos depois, chega a este blog recém-criado. Com menos de seis meses de existência temos mais de mil curtidas no Facebook, quase 150 seguidores e milhares de visualizações de página. E prova do nosso sucesso internacional é que o prêmio nos foi dado por Cris Henriques, leitora nossa de Portugal que mantém o blog “O que meu coração diz”. 
O prêmio era assim quando surgiu, em 2008
Claro que esse prêmio não teria sido entregue a nós se nosso blog não tivesse uma excelente equipe de colaboradoras, cada uma usando seu talento e seus conhecimentos para trazer informações a cada leitor. Como uma parte de receber o prêmio é passá-lo também para outros blogs, nada mais justo que confiá-lo a cada uma das nossas blogueiras extraordinárias e seus cantinhos pessoais, a saber:

Umas e Outras (Joicy)                                           

Nossas colaboradoras Karen, Juliana e Nayara não têm blog pessoal, mas são parte importante da nossa equipe e responsáveis por uma parte do nosso sucesso.
Para terminar, não poderia deixar de agradecer aos leitores! Continuem sempre com a gente, fazemos o melhor para informá-los!

4 de nov. de 2012

Dia das Bruxas e seu Contexto Histórico

Como está semana passada foi festiva em comemoração ao Dia das Bruxas, o texto de hoje, é um contexto histórico sobre bruxas e essa data obscura! Uma comemoração que ao longo do seculo foi mudando constantemente  pelo capitalismo, sexiscimos e preconceito.



O Dia das Bruxas ou mundialmente conhecido “Halloween” é uma herança cultural dos povos ingleses que tem sua primeira manifestação por volta de 1745, com uma temática bem diferente da que é hoje, ao longo dos anos a festa que nada tinha a ver com as bruxas, mas sim uma comemoração para celebar o fim do verão, se popularizou e se modificou e pouco a pouco foi incorporada uma série de elementos estranhos, como as aboboras, as bruxas e a famosa frase” "Gostosuras ou travessuras", no entanto a festa tem uma  origem  bastante controversa e possui diferenças em cada lugar,  a primeira delas é que é uma festa pagã.

A origem pagã tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos. A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 A.C.) acabou mesclando a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo. Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades. Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada sobre ela: tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe-se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de novembro. Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam ao ano novo celta. A "festa dos mortos" era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para os cristãos seriam "o céu e a terra" (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor.

Na religião católica a festa ganhou outro significado a festa de “Todos os Santos". Lembrando os mártires da igreja católica.
“O costume dos “disfarces”, muito possivelmente surge na França entre os séculos XIV e XV. "

Nessa época a Europa vivia os anos da Peste Negra, a peste bubônica que dizimou perto da metade da população do Continente, criando entre os católicos um grande temor e preocupação com a morte. 

"Multiplicaram se as Missas na festa dos Fiéis Defuntos e nasceram muitas representações artísticas que recordavam às pessoas a sua própria mortalidade, algumas dessas representações eram conhecidas como danças da morte ou danças macabras.

Alguns fiéis, dotados de um espírito mais burlesco, costumavam adornar na véspera da festa de finados as paredes dos cemitérios com imagens do diabo puxando uma fila de pessoas para a tumba: papas, reis, damas, cavaleiros, monges, camponeses, leprosos, etc.

 Também eram feitas representações cênicas, com pessoas disfarçadas de personalidades famosas e personificando inclusive a morte, à qual todos deveriam chegar.”


A tradição de pedir um doce, sob ameaça de fazer uma travessura “trick or treat”, teve origem na Inglaterra, no período da perseguição protestante contra os católicos durante 1500-1700, neste  período, os católicos ingleses foram privados dos seus direitos legais e não podiam exercer nenhum cargo público.

Além disso, foram lhes infligidas multas, altos impostos e até mesmo a prisão. Celebrar a missa era passível da pena capital e centenas de sacerdotes foram martirizados.

Produto dessa perseguição foi a tentativa de atentado contra o rei protestante Jorge I.

O plano, conhecido como "Conspiração da pólvora" , era fazer explodir o Parlamento, matando o rei, e assim dar início a um levante dos católicos oprimidos. 


 Mais tarde, a comemoração do dia de Guy Fawkes chegou à América trazida pelos primeiros colonos, que a transferiram para o dia 31 de outubro, unindo a com a festa do Halloween, que havia sido introduzida no país pelos imigrantes irlandeses. 

Vemos, portanto, que a atual festa do Halloween é produto da mescla de muitas tradições, trazidas pelos colonos no século XVIII para os Estados Unidos e ali integradas de modo peculiar na sua cultura. Muitas delas já foram esquecidas na Europa, onde hoje, por colonização cultural dos Estados Unidos, aparece o Halloween enquanto desaparecem as tradições locais.

As bruxas são o principal tema dessa festa, porém como todo o halloween em si, tem sua história obscura por trás, e normalmente lá na era medieval, onde havia mitos que as "bruxas voavam em vassouras em noites de lua cheia e faziam feitiços e transformavam as pessoas em animais e que eram más."

A Inquisição, instituída para combater a heresia, agravou a turba de seguidores inspirados por Satã. 


Havia, ainda, um componente sexista. Os bruxos homens existiam, mas eram as mulheres, sobretudo, que iam queimadas nas fogueiras medievais.

Hoje em dia essas antigas superstições como a da bruxa velha da vassoura na lua cheia já foram suavizadas, devido à maior tolerância entre religiões, sincretismo religioso e divulgação do paganismo.

E por fim tornou-se uma data mais capitalista de vendas e diversão apenas, hoje existe muitas bruxas Wicca e praticantes de mágia, influenciados tanto pela bruxas medievais como pelos cinemas.

Texto Original ; Wikipédia.

3 de nov. de 2012

Perfis de Mulher: Maila Nurmi, a Vampira

Ainda no clima de Dia das Bruxas, vem a lembrança de uma pioneira no gênero de terror na televisão: a Vampira. Uma verdadeira rainha do grito, ela se tornou uma figura cult em apenas um ano em que seu programa ficou no ar. Com uma vida nem sempre glamourosa e um visual difícil de esquecer, Maila Nurmi nunca se diferenciou de sua macabra e divertida criação.

Nascida Maila Elizabeth Syrjäniemi em 1922, na Finlândia, adotou o sobrenome Nurmi após alegar que era sobrinha do atleta Paavo Nurmi, um recordista em corridas de longa distância. Maila mudou-se para os Estados Unidos com a família aos dois anos de idade, vivendo em várias cidades até se instalar em Los Angeles.
Na juventude foi modelo do famoso pintor Alberto Vargas e apareceu na Broadway, chamando atenção em um show de horror chamado “Spook Scandals”, que incluía um exagero na atuação de Maila, mas ainda não foi desta vez que ela estourou como símbolo vamp. Até meados da década de 1950, ela trabalhou como modelo pin-up para fotos de revistas e também em chapelarias de clubes de Hollywood.

Foi em uma festa a fantasia que sua sorte mudou. Maila estava vestida de Morticia Adams e um produtor de TV, interessado em uma apresentadora para sessões de filmes de terror, ficou enfeitiçado por ela. Depois de conseguir o telefone dela, o produtor expôs sua ideia, que foi prontamente aceita. O nome Vampira foi sugestão do então marido de Maila, um ex-ator mirim que se tornou roteirista. O visual continuou tendo inspiração em Morticia e também na bruxa da Branca de Neve, mas Maila adicionou, como ela própria mais tarde declarou, um toque de comicidade e um jeito “trash” de atuar.
Em 1954 estreava The Vampira Show, um dos mais bizarros programas já exibidos na televisão americana. Vampira descia as escadas, gritava, usava roupas pretas justíssimas, fazia trocadilhos infames, brincava com sua aranha de estimação e finalmente dava uma breve e irônica introdução para o filme da noite. A série durou apenas uma temporada, mas Vampira virou assunto de muitos artigos de jornais e revistas e objeto de adoração de vários fã-clubes. Ela também foi indicada ao Emmy como “personalidade do ano”.


A partir daí a existência de Maila passou a girar em torno de Vampira. Em 1956 ela participou daquele que é considerado o pior filme do mundo, “Plano 9 do Espaço Sideral”. Maila era amiga do ator principal, Bela Lugosi, o famoso primeiro intérprete de Drácula, que morreu durante as filmagens de Plano 9. Os bastidores desse filme, assim como alguns momentos do show de Vampira, são recriados em “Ed Wood”(1994), cinebiografia do diretor de mesmo nome. No filme Maila é interpretada por Lisa Marie.
Depois do sucesso, Maila passou a instalar pisos de linóleo quando suas aparições como Vampira não eram mais requisitadas. No fim dos anos 1960 ela abriu uma espécie de boutique como o nome “O Sótão da Vampira” para vender antiguidades, além de joias e roupas feitas à mão, que em 2001 evoluiu para um negócio na Internet, que incluía peças autografadas.

A vida de Maila teve apenas alguns pontos mencionados à exaustão. Após a morte prematura do astro James Dean em 1955, Maila declarou que era sua amiga, algo que muitas fontes vieram a confirmar e outras a contestar. Outra situação em que ela voltou a ser destaque foi a polêmica com uma emissora de TV que nos anos 80 a contratou para discutir uma volta de seu show, mas no meio das negociações ela soube que Vampira seria interpretada por outra atriz. Não deixando a emissora usar o nome Vampira, coube à substituta atuar sob o nome Elvira, mas ainda assim ela recebeu críticas de Maila.
Apesar de ter tido, literalmente, quinze minutos de fama, Maila Nurmi permaneceu como Vampira no imaginário popular. Após o cancelamento de seu show, estações de TV locais começaram a ter seus filmes de terror apresentados por cópias de Vampira e muitas bandas fizeram músicas em sua homenagem. Sua personagem surgiu antes mesmo de Marticia Adams ir para a televisão e a matriarca interpretada por Carolyn Jones nos anos 60 tem toques de Vampira. Maila deu muitas entrevistas relacionadas a seu trabalho até falecer em 2008, após três casamentos, sem deixar herdeiros, mas nos legando a personagem mais divertidamente sombria da televisão.
Maila Nurmi (1922 - 2008)

10 Mães Apavorantes do Cinema

A figura materna de forma geral é associada a zelo e carinho; Aquele ser disposto a tudo pelo bem estar de sua "cria". Contudo, as pessoas são falhas, obscuras e imprevisíveis. Verdade seja dita, estamos distantes do que é tido como ideal. Como o cinema terror é baseado nos equívocos de caráter, nas más escolhas e - é claro - no lado sombrio da humanidade, obviamente que as Mães não fugiriam a regra. Para comprovar tal, fiz uma lista com 10 das Mães Mais Apavorantes do Cinema; Confira:


Mrs. Bates
Psicose (1960)
E quem é a pedra basilar das mães insanas? Claro que um fruto de uma película sob o olhar da mente inquieta de Alfred Hitchcock! A história deste jovem que sofre com a dominação da mãe e seus resultados extremos é tão bem trabalhada que acabou abrindo precedentes até hoje seguidos.

Lucy Harbin
Almas Mortas (1964)
Aqui a mãe do filme foi internada em um Hospital Psiquiátrico após matar seu marido e a amante dele com machadadas - detalhe, na frente da filha. Após 20 anos de internação ela é liberada e se reúne com a filha, já adulta. Contudo, as mortes voltam a acontecer... Coincidência?

Margaret White
Na minha sincera opinião esta é a PIOR mãe dos cinemas (e literatura)! Usando da religião como desculpa para torturar a pobrezinha da Carrie, deixa claro que o fato desta ter nascido mulher já era por si só pecado. Abusiva ao extremo - louvores para Piper Laurie que está surreal no papel -, com certeza não facilitou para a filha, que além de sofrer bullying no colégio era telecinética. Como é que Carrie teria alguma chance com uma mãe destas?

Mrs. Wadsworth
The Baby (1973)
Mais uma mãe abusiva para a lista, esta acompanhada de suas duas filhas. Este terror cult com ares de drama, conta a história de uma assistente social que tenta ajudar um garoto de 21 anos vivendo como um bebê, literalmente. Proibido de falar, andar e crescer intelectualmente por seus familiares, fica num berço e é submetido a castigos.

Vera Cosgrove
Fome Animal (1992)
Quem diria que Peter Jackson sairia do Gore para o Oscar! Nesta película de zumbis, com boas doses de sustos, humor e gosma, Vera Cosgrove se mostra uma mãe castradora e dominadora - até mesmo depois de "morta". 


Beverly R. Sitphin
Uma mãe suburbana esconde um segredo: É uma Serial Killer! Nesta sátira com pitadas de horror de John Waters - aquele de Pink Flamingos - traça-se o perfil de uma verdadeira psicopata. Alguns detalhes do filme são inesquecíveis, como a referência ao Almas Mortas, acima citado.


Gertrude Baniszewski
Baseado em uma história real, este drama - que para mim soou como terror psicológico - conta a história desta garota deixada pelos pais aos cuidados de Gertrude, uma mulher amargurada e sem vocação para ser mãe, em que pese tenha vários filhos. Os abusos cometidos por ela e/ou incitados pela mesma a serem cometidos pelas outras crianças são revoltantes. Neste link você pode ler sobre o crime real. 


Mrs. Pamela Voorhees
Ah... Não dava para deixar de comentar sobre a mãe de Jason. Esta sim é a verdadeira percursora da franquia, e tudo isto por vingança! Aparentemente, talento para a matança pode ser genético.


Joan Crawford
Você pode me perguntar: Mas, a atriz Joan Crawford? Ela mesma, sob a ótica da filha que escreveu uma biografia chamada Mommie Dearest, contando todos os abusos que sofreu por parte da estrela. Nos anos 80 levou-se a história para o cinema. O quanto disto é real, não sei. Mas, com certeza a Joan Crawford retratada no filme é uma mãe apavorante! No blog La Dolce Vita há um post bem interessante comentando sobre o filme.


Dorothy Yates
Frightmare (1974)
Nesta produção inglesa a matriarca da família é completamente desajustada. Assassina por compulsão, nem  o tempo em que foi internada ajudou, ao retornar para a sociedade mantém os antigos e pavorosos hábitos. 


Só para terminar de dar o tom desta lista, deixo aqui o bom e assustador curta metragem espanhol intitulado Mamá: