5 de set de 2012

O desejo não Cessa.

Tenho pra mim, que durante nossa vida temos muitas figuras. Quando me refiro a figuras, estou dizendo, literalmente de aspecto físico, que vemos no espelho e as pessoas vêem quando nos olham.
Dessas muitas, temos a infância prima, que é a do bebezinho de colo, a secundária, até os dez anos, que muda muito rapidamente, a adolescência, que também tem mudanças drásticas em pouco tempo, a idade adulta, que já demora mais para notar-se o envelhecimento e a velhice. 

Não me lembro de quando eu me olhava no espelho e me via criança. Mas já me lembro bem, dos 14 anos pra cá. Mas eu ainda sou jovem e a idade ainda vai demorar um pouco a aparecer claramente no meu rosto.

Entretanto, apesar dos nossos aspectos e atributos físicos irem mudando, e até mesmo, nos tornarmos mais experientes, existe uma essência que não muda nunca. Tanto não muda, que ouve-se muito das pessoas mais vividas que elas, por vezes, não as reconhecem no espelho, diante de tantos desejos e sentimentos de inquietude, característicos da juventude. 

Assim como assim, a vontade de manter o contato íntimo, o desejo sexual, a admiração pelo corpo do outro não cessam. Pode tudo cair, murchar, enrugar, que nada vai tirar de dentro do ser humano aquela vivacidade de tocar e compartilhar um momento à dois, e quiçá à mais pessoas,  de dentro dele. 

Como já dito aí em baixo, em minha breve descrição, sou estudante de psicologia. E, nesse semestre, estou atendendo a uma senhorinha, de 73 ano, muito espevitada. Adora falar de suas peripécias na juventude, do quanto era para frente e do desejo que ainda tem de se relacionar  com os rapazes bonitos que vê por aí. É uma pena que, por motivos que ainda não sabemos, ela está muito limitada, para a idade que tem. Quase não anda, pouco sai de casa, não faz nenhum esforço intelectual e anda bem esquecida de tudo. E que fique claro, é apenas esquecimento. Ela não foi pega pelo "alemão", pelo que parece.
E o mais engraçado, é que ela se esquece de tudo, menos dos rapazes. Até a minha dupla de atendimento, que tem o mesmo nome de sua mãe, ela não se esforça para lembrar. Mas basta perguntá-la como chama o fisioterapeuta que a atendia que, sem titubear, ela fala o nome dele, suspirante.

Por mais que nosso conhecimento sobre a sexualidade na velhice seja escasso, ela existe. O sexo é uma das maiores forças da vida do ser humano e o tempo pode amenizar o desejo - em alguns casos - mas nunca cessá-lo. Ele permanece vivo, ainda que em forma de fantasias, por mais que o corpo não libere mais os hormônios necessários para torná-lo uma necessidade física. Porque está na mente. E desse forma, é preciso que seja muito bem trabalhado durante a vida adulta.

2 comentários:

  1. poxa, que texto bonito, gostei muito de refletir sobre o tempo em nossas vidas....

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  2. Perfeita constatação, com final sublime.
    Gostei muito.
    Compartilhado e indicado.
    Um abraço.

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